A Última Batalha
2 Capítulo 2
Sentindo muita dor, e surpreso por Nott tê-lo ajudado, Blaise não viu quando Luna agitou a varinha como se fosse um maestro regendo e executou um feitiço não verbal. A dor diminuiu.
— Obrigado, Luna.
— Não há de quê. O prof.º Flitwick disse certa vez em sala que o Vulnera Sarnentum não verbal é muito eficaz contra a Cruciatus. Mas agora eu preciso ir, tem um gigante lá fora perseguindo meus amigos.
— Nós vamos com você.
Blaise e Nott a seguiram. Ele não conseguia correr sem sentir dor, por conta das duas maldições imperdoáveis que recebera, mas corria mesmo assim.
Harry, Rony e Hermione, auxiliados por Neville e Gina, se defendiam de um dos gigantes de Voldemort. O gigante quase agarrou Hermione, mas Rony e Gina o atingiram na mão direita e ela conseguiu escapar. Eles escaparam por um segundo: correram no exato momento em que o pé desmedido do gigante baixou sobre onde eles estavam. Ao verem Luna sendo seguida por Nott e Zabini, em uníssono eles apontaram as varinhas para os sonserinos.
— Não! Eles vieram ajudar, disse a corvinal.
— Porque a gente deveria acreditar neles?
Blaise ensaiou uma resposta atravessada, mas Rony respondeu:
— Eu acredito em Luna, Gina. Se ela diz que eles são confiáveis, deve haver um motivo.
Mas eles se separaram novamente. Harry, Rony e Hermione disseram que havia um lugar onde eles tinham de ir.
— Você não está pensando em... Não admito, Harry!
— Não, Gina. Eu não vou me render.
Eles se despediram com um beijo. Ficaram ali Neville e Gina, Luna, Zabini e Nott.
— Além de nós, mais alguém está lutando?!
— Eu vi que mais dois de nós também foram lutar pela escola, não sei se mais alguém fez o mesmo.
— Peço desculpas a vocês — Blaise se dirigiu a Neville, Gina e Luna — por isso. E também por ter te chamado de traidora do sangue, Weasley.
— Olha, Zabini, respondeu a ruiva, se os seus colegas não tiveram coragem para defender Hogwarts no momento em que ela mais precisa, a culpa não é sua. Ela sabia que eles corriam risco de morrer, então completou: E também te perdoo ter me chamado de traidora do sangue. Eu sempre achei que você só sabia fazer pose, lembra?! Blaise assentiu, rindo. — Mas, ela continuou, quando eu soube que você tentou impedir a atrocidade que fizeram com o Miguel, minha opinião a seu respeito mudou.
— Obrigado, ele respondeu sem jeito.
Por um instante, parecia que estavam longe da guerra, mas Neville viu quando mais um dos monstros de Você Sabe Quem vinha vindo atrás deles. Era um gigante com um tronco de árvore em cada mão.
— Cuidado! Outro gigante!
O gigante vinha correndo, no encalço deles. Ele arremessou contra eles um dos troncos enquanto continuava a correr na sua direção. Eles se separaram, cada um buscando salvar a própria vida. Bem mais a frente, Blaise e Nott pararam de correr.
— Cadê eles, Blaise?!
— Não sei, devem ter ido para outro lugar.
— Blaise... Antes enfrentar o gigante...
— Volte pra lá então, Blaise respondeu irônico. Mas, mal acabou de falar, entendeu porque Nott havia dito isso. Uma sensação horrível de desespero se apossou dos sonserinos, dos pés à cabeça. A esperança fugiu de seus corações, sendo substituída pelo mais profundo medo. Todas as lembranças ruins que eles tinham desabrocharam de suas mentes, como flores macabras. Os dementadores se aproximaram cada vez mais, sorvendo o desespero dos garotos como se fora vinho.
— Expecto Patronum! Uma fraca luz prateada brilhou na ponta da varinha de Blaise, mas não foi suficiente. O bruxo evocou as lembranças da mãe, e a luz brilhou mais forte. Porém, Nott não conseguia invocar seu Patrono. Os dementadores se aproximaram mais, e aquela lembrança invadiu o cérebro de Blaise.
Aquela lembrança, a memória que o atormentava desde sempre.
...
Ele estava em um quarto iluminado à luz de velas. De repente, uma voz perversa e brutal gritou:
— Avada Kedavra!
E um homem caiu, atingido no peito pela Maldição da Morte. Ao fundo, alguém que ele não conseguia ver chorava desesperadamente.
...
Ele caiu de joelhos. Nott foi beijado pelo dementador diante de seus olhos, e agora era a vez dele, e nada iria impedir. No entanto, quando parecia não haver mais chance, uma leoa prateada investiu contra os dementadores, que fugiram. Surpreso e aliviado, Blaise olhou para trás e viu uma mulher negra, alta, de cabelo curto e cacheado e vestes roxas com a varinha na mão. Queria correr para ela, mas estava fraco demais para levantar.
— Filho.
— Mãe... Blaise falava entre lágrimas, eu não consegui, eu falhei, Theodore foi beijado na minha frente, e eu nada pude fazer!
— Não foi sua culpa.
— Agora eu entendo tudo o que Harry Potter sofreu. Ter a família assassinada, ver amigos serem torturados e mortos na sua frente.
Sofia enxugou as lágrimas do filho enquanto mantinha o Patrono, pois se ela se descuidasse por um minuto, aquelas feras horríveis voltariam.
— Blaise, temos que sair daqui. Beba isso. Sofia colocou em sua boca uma garrafa de poção fortificante, que fez o sonserino se sentir melhor.
— Vamos, mãe.
Apoiado no ombro da bruxa, ele voltou para dentro do castelo.
— Aonde fica a enfermaria?! Eu não lembro, tem muito tempo desde que eu era aluna de Hogwarts.
— Estão todos lutando, não tem ninguém na enfermaria. E eu vou voltar e lutar.
— Não!
— Mãe, por favor,
Me dê alguma poção, use algum feitiço médico que alivia minha dor (ele não contou que fora atingido por duas Maldições Imperdoáveis para não alarmar sua mãe mais ainda) , mas não me peça para abandonar Hogwarts. Hogwarts precisa de cada um que possa lutar por ela!
E mesmo que eu quisesse fugir, Blaise continuou, não tem como, pois todas as passagens foram lacradas, e além dos Comensais, Voldemort também tem gigantes, lobisomens e dementadores.
— Eu sei, dementadores que quase te tiraram de mim. Mas não adianta, você herdou a teimosia e a coragem de seu pai, ela respondeu com um sorriso.
— Falando no papai, é ele na minha lembrança, não é?! Blaise perguntou, olhando a mãe nos olhos.
— Sim, ela admitiu, suspirando pesadamente.
— Mas porquê?! Porquê você não me contou antes!
— Eu quis lhe proteger, filho. Tentei evitar que você crescesse traumatizado.
— É, mas não adiantou! Eu cresci com essa lembrança me atormentando!
— Filho, eu vou lhe contar tudo, mas precisamos de algum lugar secreto.
— Eu conheço um, Zabini respondeu. — Sala Precisa.
Sofia tirou do bolso uma Capa da Invisibilidade e a estendeu sobre eles.
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