Notas iniciais
Minha primeira oneshot, espero que gostem.

Quando me dei por conta, estava eu no chão com todos meus livros espalhados, tentando me ré-compor depois de um tombo, um tombo um grande tombo, e quando percebo ele está com a mão estendida pretendendo me ajudar a levantar, não sei por que mas meu coração bateu mais forte, isso nunca tinha acontecido, fora que eu nunca vi esse menino aqui na escola, mas agora preciso pensar rápido, aceito ou não sua ajuda?

Não pensei duas vezes, estendi minha mão e toquei a sua, quando ele me puxou eu pude ver seu rosto, era realmente lindo, com olhos castanhos e tinha um cabelo castanho claro cor de mel, uma mistura interessante, creio que ele não seja daqui do Brasil…

– Olá, tá tudo bem? — Perguntou o garoto interessante.

Como esperado eu tentei mas não consegui, gaguejei e isso soou estranho, foi um ruido como ‘Si-si-si-sim…’, ele riu acho que isso é bom, ou não…

– Meu nome é Luiggi, o aluno transferido… – Continuou ele.

–P-p-prazer, sou Victor, eu já estudo aqui há algum tempo…

Eu esperava que o sinal tocasse a qualquer momento e queria que alguém tocasse aquele maldito sinal, já que eu estava muito nervoso e eu poderia deixar claro que eu me interessei por ele, mas seria estranho no primeiro dia de aula do garoto alguém já interessado nele.

– V-você é daqui da cidade? – Perguntei trêmulo.

– Não não, eu vim da Itália – Respondeu sorridente.

– Interessan… – O sinal finalmente toca enquanto estou conhecendo o menino, não irei mentir que gostei de conversar com ele já que é alguém novo…

Como sempre segui meu caminho em direção a sala e fui sentar na minha cadeira quando me deparo com ele, Luiggi, ele estava na minha sala… NA MINHA SALA?!

Percebi que corei por que meu olhei na janela, fora que meu coração estava batendo mais rápido a medida que eu me aproximava dele, e a melhor parte era que ele sentava logo atrás de mim, cumprimentei ele com a cabeça e ele assentiu, esperamos a aula começar já que fomos a escola pra estudar.

Ao decorrer da aula notei como ele é inteligente principalmente quando se trata de matemática e física, ele pediu minha ajuda na aula de biologia, o que foi engraçado já que um garoto engraçado e esperto como ele se embaralhou tão fácil com assuntos como ”Organização Celular” e tive o maior prazer em ajudá-lo tenho que admitir que o tempo que passamos juntos foi muito bom, ele pedia pra ficarmos na biblioteca para eu ajudá-lo com as matérias que ele não conseguia dominar como Biologia, Português e Inglês, ele era engraçado e extrovertido, acho que seremos bons amigos, espero eu, quando me dei conta já era 12:23, sendo que 12:30 meu transporte escolar chega, e se eu não estivesse atento eu iria ficar pra trás já que o motorista é um babaca egoísta.

No caminho pra casa eu fui pensando e pensando, é definitivamente eu estava gostando dele, mas por que ele? por que eu gostei de um outro garoto? será que ele gosta de mim?

Essas são as dúvidas que começaram a me cercar a partir daquele maldito dia, o dia quem que descobri que meu segundo amor é um menino.

O Engraçado é que realmente ele me confunde, por que ele é realmente complicado, as vezes ri, as vezes prefere ficar sozinho, mas não entendo por que, agora ele tem a mim e evidentemente meus amigos, já que eu os apresentei.

Quando cheguei na escola ele estava na porta provavelmente me esperando já que quando eu cheguei ele sorriu discretamente, mal podia esperar pra chegar na sala, a minha parte preferida do dia era quando os professores levavam algum tempo pra entrar na sala, questão de 30 minutos ou menos, mas esse tempo já me fazia ficar feliz ao conversar com ele.

– Bom Dia – Me cumprimentou sorridente.

– Bom Dia… tudo b-bem? – Como sempre eu ficava nervoso perto dele, gaguejei, mas tá valendo.

– Dormiu bem? – Respondeu ele.

Eu não sabia realmente o que falar já que não havia me aprofundado em assuntos como vida pessoal com ele, não sabia o que responder mas, saiu um retardado ”Mais ou menos…”.

– Aconteceu algo? – Retrucou ele.

Embora nada tivesse acontecido, foi o dia em que conheci ele e não consegui parar de pensar nele, mesmo na minha hora preferida do dia.

– N-não! Foi que… – Tentei falar, mas realmente me engasguei .

– É melhor entrarmos, aqui está um pouco frio… – Retrucou ele.

Embora não estivesse com frio já que estava vestindo uma jaqueta, entrei pra lhe fazer companhia, foi engraçado andar atrás dele pois eu me sentia meio tonto perto dele, era algo como se eu tivesse andado muito e meus joelhos estavam muito pesados, será que é por causa desse meu amor por ele?

Entramos na nossa sala e como de costume sentamos na mesma fileira só que eu na frente e ele logo atrás e me virei pra conversar com ele.

– Ansioso? – Perguntei.

– Pelo que? – Ele respondeu.

– Hoje você vai conhecer minha professora preferida, a professora Gabriela de Química. – Respondi muito entusiasmado.

– Ahhh… mal posso esperar… – Sinto que ele tentou parecer realmente ansioso, mas não estava.

Continuamos conversando sobre diversas coisas, principalmente sobre como eu um garoto da cidade parei no interior, ele riu, mas claro que eu queria conhecer um pouco mais sobre ele.

– Você veio da Itália né? – Perguntei meio sem graça, esperava que ele não me respondesse…

– Sim, na capital, em Roma… – Respondeu sorrindo.

–Interessante, sua família é toda de lá? – Continuei perguntando…

–Sim, toda minha família é de lá, mas e você é de onde? – Ele dessa vez indagou-me.

– Sou daqui da Bahia mesmo, nasci na capital, em Salvador… – Respondi.

Continuamos nos conhecendo, descobri que ele joga futebol, gosta de usar bonés, e sabe tocar violão, e o mais engraçado é que a única coisa que temos em comum é a paixão por jogos, e mais nada.

Nossas conversas não se estenderam por muito tempo por que os alunos começaram a chegar e eu preferi parar de falar com ele por que não queria que pensassem que estava falando algo comprometedor pra ele, então simplesmente dei um sorriso e me virei de frente, não deu tempo de saber qual foi a reação dele quando eu sorri. Assim que eu me vire de frente as pessoas ‘atacaram’ ele e foram fazendo perguntas inoportunas como ”Como você veio parar aqui na Bahia?”, ”Você tem namorada?”, ”Você gosta de Futebol?” entre outras que não me dei o trabalho de prestar atenção.

Não levou muito tempo mais pra professora chegar, e ele tocou o meu ombro perguntando:

– É ela?

– Não não, essa é Angela. – Respondi.

– Ahh… ela é professora de qual matéria? – Perguntou ele.

– De História… – Retruquei.

Eu queria muito continuar conversando com ele mas tinha que me segurar, ia ficar muito claro que eu queria alguma coisa com ele, eu realmente queria, já que foi só olhar pra ele que eu me derreti, só achei engraçado a forma pela qual eu caí na armadilha do amor, apenas um garoto de outro país aparecendo e em questão de segundos e um tombo me encontro apaixonado por ele, isso realmente me incomoda.

Se passou algum tempo até que ele voltasse a puxar assunto comigo, mas foi algo besta como ”Qual é sua comida preferida?”, eu não tenho uma comida preferida mas imaginei que se falasse alguma comida italiana iria agradá-lo, então disse ‘Lasanha’ quase rindo até por que uma comida tão típica no dia-a-dia de brasileiros foi minha resposta.

Chegou o momento que mais me deixa feliz, o intervalo, que começava ás 10:15 e terminava 10:35, sei que é meio curto, mas não imaginei que seriam os 20 minutos mais alegres da minha vida, conversamos mais sobre nós mesmos e descobri muitas coisas dentre elas alguns dos seus fetiches, sim, mesmo parecendo estranho começamos com uma conversa sobre God of War, até que falamos sobre quantas meninas o Kratos já fez sexo até que ele me perguntou se eu era virgem, pra minha infelicidade eu era, e foi o que respondi, fiz a mesma pergunta ele e ele respondeu que não, mas não é um problema pra um menino de 16 anos, sim ele tem a mesma idade que eu, só que acho que o problema sou eu já que ele tem uma certa fama de ”pegador”, e eu fama de ”viadinho” da escola.

É tão engraçado como opostos se atraem, mas ainda assim é cruel, acho que existem tantos outros opostos que se atraem que vira um problema generalizado no mundo, e todo mundo acaba tendo aquele que lhe chama atenção mesmo não sendo de quem você realmente gosta.

Quando acabou o intervalo eu finalmente criei coragem de perguntar uma coisa que geralmente eu teria vergonha de perguntar, e então criei coragem:

– Luiggi… – Chamei a atenção dele.

– Oi? – Ele respondeu.

– Posso fazer uma pergunta? – Essa pergunta vem sempre acompanhada de um assunto estranho.

– Sim, pode, tem algum problema? – Respondeu sorrindo.

– N-não é que eu queria perguntar o que você acha sobre os homossexuais… – Perguntei corando de vez.

– Cara, eu não gosto dessas coisas e não gosto de ”viados”.

Foi aqui que meu mundo caiu se eu era menino e gostava dele eu era tecnicamente gay? mas por que esse preconceito com meninos que se gostam? realmente não consigo entender como isso é possível, será que meu primeiro amor vai ser manchado dessa maneira?

Após duas semanas da nossa discussão amigável sobre homossexualismo e etc, consegui falar com ele normalmente denovo por que aquela nossa conversa realmente me assustou...

Como sempre, chegamos juntos na escola denovo, até por que a cidade dele era muito próxima da minha, assim que cheguei ele estava descendo do ônibus.

– Bom dia – Respondi sorridente e esperançoso.

– Oi... – Luiggi respondeu de uma forma diferente, não me senti avontade com a resposta dele.

– Tudo bem? – Perguntei novamente muito animado e feliz.

– Sim...tudo. – Retrucou friamente mais uma vez.

– Então... ér, vou beber água agente se encontra na sala, Ok? – Tentei achar uma saida pra escapar desse clima chato da nossa conversa infeliz.

– Ok... até. – Deu as costas e saiu sem dar muita importânica.

Á caminho do bebedouro eu parei no pátio aberto e sentei um pouco pra pensar, eu não entendi por que ele estava chatiado comigo, mesmo depois de duas semanas ele ficou chateado comigo, por ter falado sobre um assunto estranho?

Pra minha infelicidade foi me encontrar no bebedouro por que eu tinha demorado demais e me encontrou sentado no pátio olhando pro céu, desligado do mundo.

– Ué, você não tinha ido beber água? – Perguntou .

–Er... s-sim eu.. bem, estava cheio eu nã.. – Ele me interrompeu.

– Sem problema era que eu não queria ficar sozinho na sala, só tem gente com quem eu não falo direito... – Ele respondeu calmamente.

– Er.. eu também não falo com eles... – Respondi.

–Ahh... o que está fazendo? – Perguntou curioso.

–Bem, eu est-tava...er...n-nada... – Expliquei

–Não quer ir pra sala? Vai ser melhor irmos pra sala, vamos ser pêgos e vamos nos ferrar aqui. – Disse ele.

– É mesmo, vamos... –Respondi.

Juntos, seguimos até a sala que ficava no final do corredor, quando entramos todo mundo olhou, eu rapidamente olhei pra baixo e fingi que não estavam olhando pra mim, Luiggi como sempre não ligou e continuou andando em direção a sua mesa que se posicionava logo atrás da minha, quando sentamos ele perguntou:

– Qual o horário agora?

– Bem...hoje é quarta não? Se for temos aula de Artes. – Respondi sorridente.

– Hum...é, hoje é quarta... – Ele respondeu intrigado.

– O que te incomoda? – Perguntei curioso.

– Cara, é que eu realmente queria ficar no pátio, mesmo sendo ‘’proibido’’ é um lugar muito agradável de se estar... – Ele me respondeu.

Acho que ele gostou de ficar no pátio pois é um lugar aberto e arejado o suficiente pra sentir a brisa da manhã, o que é muito agradável.

– E-eu também gosto de ficar aqui as vezes... – Disse procurando uma forma de fazê-lo se sentir avontade.

– Hum... – Ele olhou intrigado – Por que você gosta dessa escola?

– Eu não gosto da escola, e sim de quem tem dentro dela... – Respondi sorridente.

– Bem, é o seguinte, agente anda estando junto por muito tempo, vão terminar achando que sou ‘’viado’’... – Ele disse.

– C-como assim? Você não quer ser meu amigo? – Perguntei triste.

– Não é isso, só tenho você de amigo aqui, todos vão disconfiar de nós, ainda mais por que passamos o tempo todo juntos... – Ele tentou explicar pra parecer menos rude.

– Mas, eu não tenho outros amigos... só me identifiquei com você, e você se importa com que os outros pensam? – Tentei animá-lo.

– Não, não me importo com o que eles pensam, mas eu preciso ficar com alguém cara, me sinto sozinho... – Ele disse meio triste.

– Mas você me tem... sou seu amigo e estou do seu lado sempre! – Tentei animá-lo denovo.

– Bem, quero mais que um amigo sabe? Preciso de alguém que me ame... – Ele disse.

Embora eu gostasse dele o suficiente pra assumir na frente dele, prefiri guardar esse sentimento pra não estragar tudo o que lutei pra conseguir até agora, que foi a amizade dele.

– Bom, eu não me importaria se pensassem isso, eu não ligo pensam coisas piores de mim. –foi uma ótima tentativa de reconfortá-lo.

– Mas, cara isso é você, eu quero realmente pegar meninas, e reparei que você não liga pra isso, preciso de novas amizades... – Ele disse.

Mesmo soando muito frio, eu fiz o que tinha que ser feito, mesmo eu achando que expor meus sentimentos seria uma droga, mas era agora ou nunca.

– É o seguinte, largue de ser um babaca que aceita o rótulo que os outros põe em você, você deveria não ligar pra esse tipo de coisa e valorizar quem te quer bem, quem gosta de você. – Falei meio irritado.

– E-er, eu.. – Interrompi ele antes.

– Cara já percebeu que quando se precisa de alguém ou de algo, ele sempre está perto de você e você não percebe? Você realmente não notou que eu te amo? – Disse meio chatiado com ele.

– V-você me ama? – Ele perguntou assustado.

Uma das coisas que eu nunca esperaria dele era essa atitude ele, ele simplesmente se levantou, não disse mais nenhuma palavra e saiu do pátio sem rumo, não sei o que fiz, acho que fiquei fora de sí, eu nunca diria meus sentimentos assim pra outra pessoa, ainda mais um menino novato que acabei de conhecer, o que será que ele vai pensar de mim? Será que isso vai estragar nossa amizade? Espero que não.

No resto do dia, não nos falamos mais, fiquei tão envergonhado a ponto de não falar com ele ou olhar pra ele, e ele não ligou, no final eu esperei que pelomenos ele ficasse comigo na sala me esperando arrumar as coisas na mochila como ele sempre fazia, mas ele se levantou e saiu andando e me deixou lá, com minha cara de ‘’o que eu fiz?’’ arrumando os livros dentro da sacola.

Quando fui embora achei que finalmente ele falaria comigo, mas não, ele não falou novamente comigo, eu não sei se é por que eu sou amigo dele, ou por que amo ele, ou por que ele é homofóbico, eu realmente não sei dizer...

‘’Tudo que sei é que nada sei.’’

No dia seguinte, minha esperança era que Luiggi voltasse a falar comigo normalmente, e ao chegarmos na escola juntos por uma obra do destino ele não falou comigo de novo, então decidi que deveria tentar falar com ele de alguma forma pra conversarmos e pormos as coisas no lugar, ao entrar pelo portão ele estava alguns passos na frente, me adiantei e fui falar com ele.

– Bom dia... — Cumprimentei esperançoso.

Como esperado nada, nem olhou pra falar comigo, foi ai que percebi que a situação tinha ficado séria mesmo, mas não entendi o por que minha declaração foi algo tão ruim à ponto de Luiggi parar de falar comigo.

Fui por minha mochila na sala e fui pro pátio pensar um pouco na vida, e quando chego vejo ele sentando lá, como ele não me viu me escondi atrás da pilastra na esperança de ele não me ver e fui dando de ré na direção da porta da sala, enquanto partia pra minha tática ninja eu me esbarrei em um garoto pequeno e com um rosto diferente, derrubando-o.

– Errr...desculpa você está bem? — Perguntei preocupado.

– Sim, obrigado por perguntar, o que houve que você estava fazendo isso? — Ele perguntou curioso.

– Nada, nada. — Respondi calmamente — Quem é você? Eu te conheço?

–Provavelmente não, mas estou na sua sala, sento duas cadeiras atrás de você, deve ser por isso que não nos falamos muito, e a propósito meu nome é Lucas... — Ele disse.

– Prazer Lucas, me chamo Victor. — Falei pra ele.

– Bem, você está indo pra sala agora? — Ele perguntou.

– Sim, já estava de saída... — Expliquei.

– Hm... vamos juntos pode ser? — Ele perguntou intrigado.

– Sim sem problema — Disse sorrindo.

E fomos caminhando corredor acima em direção a porta da sala, e quando chegamos a sala estava quase cheia e notei que a mochila de Luiggi não estava logo atrás da minha cadeira, o que achei estranho, fui me aproximando da minha cadeira e me sentei foi quando Lucas se aproximou ele perguntou:

– Posso sentar logo atrás? — Perguntou sorridente.

– S-sim, claro! — Respondi com vergonha.

– Que aula é agora? — Perguntou ele.

– Horário vago... — respondi.

Como o horário era vago saquei meu caderno de desenho e comecei a desenhar um personagem de um MMORPG muito famoso, foi quando Lucas notou que eu estava desenhando algo e se aproximou pra ver.

– Grand Chase? Você também joga? — Perguntou empolgado.

– Sim, jogo... — Respondi .

– Hm... com qual personagem? Eu jogo com Sieghart...

– Eu jogo com Rey. — Respondi irritado por que não queria conversa, só queria desenhar.

Acabei meu desenho, passou-se mais tempo e mais tempo e nada de Luiggi chegar, a professora entrou na sala, fez a chamada e ele ficou na falta, não entendi por que diabos ele não foi pra sala, fora que não sentou atrás de mim.

Foi quando acabou o 2º horário que ele chegou na porta da sala junto a um outro menino, um menino alto, moreno e meio magro, eu me perguntei quem era aquele e se era da minha sala, por que preciso admitir que nem pra trás olhei no primeiro dia de aula pra ver quem eram os novatos da sala.

Luiggi sentou de um lado no fundo da sala e esse garoto se sentou logo atrás dele.

– Quem é aquele Lucas? — Perguntei.

– Ele é Igor, ele é da nossa sala também... — Respondeu.

– Hm... nunca notei ele aqui na sala... — Disse.

– É que ele não fala muito com outras pessoas... — Ele disse.

– Então deve ser por isso... — Falei.

Quando a professora do 3º horário entrou na sala eu continuei olhando pra Igor intrigado pois nunca tinha visto ele na minha sala, muito menos na escola, eu tenho que admitir que ele era realmente diferente, muito alto e magro, um tipo de gente que não vejo sempre.

''Se seguir o amor ele fugirá...

Igor e Luiggi estavam conversando a aula inteira e eu procurando um modo de estar sempre olhando pra trás, até por que eu sentia um pouco de ciúmes por dentro, não posso negar, e eu via eles conversando mais e mais, foi ai quando Luiggi saiu pra ir no banheiro e fui atrás dele, na esperança de conseguirmos conversar finalmente, quando ele entrou eu fui correndo e prendi a porta com o pé.

– Não vai falar comigo? — Perguntei.

– Você? — Ele disse num tom frio — Já disse que não posso ser seu amigo, ainda mais agora.

– E vai levar essa ideia adiante? — retruquei.

– Sim, não posso falar com o menino que gosta de mim e fingir que está tudo bem... — Ele disse.

– Bom, não é porque que eu gosto de você que eu vou ficar falando coisas estranhas ou querendo fazer coisas erradas com você se você não quer. — Disse frustrado.

– Que seja cara, não me importa. — Ele disse saindo do banheiro.

E mais uma vez falhei em conversar com ele, mas dessa vez notei que era algo definitivo, então resolvi deixar isso de lado por um tempo, por que se eu ficar em cima tudo pode dar errado e prefiro esperar.

Ao voltar pra sala, Luiggi estava novamente conversando com Igor como se tivessem assuntos infinitos sendo que se conheceram há quase uma hora e meia, eu preferia quando ele falava comigo, mas notei que se eu ficar em cima as coisas vão ficar mais complicadas, ainda mais com um outro menino no meio da jogada, um não, dois, Igor e Lucas, será que é intensão deles roubarem Luiggi de mim? Não que ele seja meu mas, sei lá...

No fim do dia na escola eu notei que não tinha mais jeito e que ele não queria falar comigo mas eu não sabia por qual dos dois motivos, pela sua ''homofobia'' ou por parecer ''viado'' perante outros, resolvi dar um tempo pra ele e pra mim, não aguentei ficar em cima dele e ele fazendo isso.

''E se você fugir ele te seguirá.''

Depois de dias sem se falar finalmente ele resolveu me cumprimentar mas dessa vez eu estava ocupado demais pra prestar atenção no que ele havia dito, eu estava com meus novos amigos, Lucas e Ramon que havia feito há algum tempo atrás, Lucas parece comigonuma versão menor e mais nova, e Ramon é muito diferente, ele gosta de criticar coisas e etc.

– Oi... — Disse Luiggi.

Ninguém olhou ou prestou atenção no que ele disse.

– Cara não acredito que existe gente assim... cara de pau. — Disse Lucas.

Luiggi percebeu que era uma indireta pra ele e saiu andando em direção ao interior do colégio, provavelmente ele deve ter ficado desapontado com a minha infantilidade mas eu não ligo, ele mereceu.

Ao chegar lá dentro junto com Ramon e Lucas, ambos procuraram lugares próximos de mim e uma das coisas que notei era que Luiggi estava sentando novamente atrás da minha cadeira, achei estranho por que ele tinha se afastado de mim e agora resolve voltar do nada e esquecer tudo que ele me fez passar?

– O que ele está fazendo ai sentando atrás de você? — Ramon perguntou.

– Nem eu sei... — Eu respondi.

– Cara como eu sempre digo tem gente pra tudo... — Lucas falou irritado.

Luiggi provavelmente ouviu e não deu atenção por que agente estava realmente pegando no pé dele, ele deve ter ficado bastante chateado por saber que outras pessoas sabiam dessa nossa história juntos (ou quase história).

A professora entrou na sala muito sorridente e perguntou onde estavam os nossos trabalhos e como sempre Lucas e Ramon não haviam feito e pediram o meu pra copiar enquanto ela não os chamava, enquanto isso Luiggi me futucou e sinalizou pra eu ir fora da sala de uma forma que ninguém notou além de mim, avisei a professora que sairia e sai da sala.

Quando cheguei na porta Luiggi estava andando na direção do banheiro e eu o segui, ao entrar ele trancou a porta e perguntou:

– O que há de errado com você? — Disse ele irritado.

– Comigo? Nada e com você? — Falei num tom á altura.

– Cara para com isso, só porque eu não quis te beijar ou te amar não significa que eu não goste desse tipo de coisa... — Ele tentou explicar.

– Não me interessa você fez algo que nunca vou poder perdoar você me machucou, como... mas por que fez isso? — Falei.

– Cara... entenda não parei de falar com você e andar com você por causa disso... — Ele tentou explicar.

– Não me importa, você me largou sozinho quando eu mais precisava de você! — Falei muito mais irritado.

– Eu sei... me desculpa eu só queria.. — Comentou triste.

– Não cara, isso foi extremamente errado, por que você fez isso? — Interrompi ele.

Passei algum tempo olhando furioso pra ele enquanto ele olhava meio triste pro chão, foi quando ele levantou a cabeça e se mostrou decidido.

– Cara, não me interessa o que você pen... — Fui interrompido por um beijo surpresa, sim, ele estava me beijando, era uma das coisas que eu mais almejava quando estava perto dele, eu só queria que esse momento fosse especial, mas foi no banheiro do colégio, no meio da aula de história.

Quando ele se afastou de mim notou que eu estava tão corado quando ele, e ficou sem graça, foi muito engraçado, ele sorriu de lado meio sem graça e me abraçou.

– Desculpa, eu não queria te ferir... — Ele disse bastante calmo.

Foi ai que entendi o que ele disse... ele não disse que não gostava de mim, só disse que não queria me beijar, talvez naquele momento, fora que ele também disse "não significa que eu não goste desse tipo de coisa''.

Eu amo ele de verdade, só precisava saber se ele me amava de volta.

Passamos o resto do dia juntos conversando fora da sala, perdemos todas aulas no pátio rindo, foi quando ambos se calaram e quando ele sentou encostado na árvore eu encostei a cabeça do ombro dele e por incrível que pareça ele não ligou.

– Achei que nunca iria fazer isso — Disse Luiggi rindo.

– Achei que não podia... — Respondi sem graça.

– Ai cara, eu não ligo... você é legal e fofo. — Ele disse rindo.

Foi quando meu carro chegou, e tive que ir embora, foi quando ele deu um beijo na minha testa, eu imediat

amente corei e sorri.

– Até amanhã... — Disse acenando enquanto andava.

– Até... — Ele disse sorrindo.

Quando digo que o final feliz demora mais chega ninguém acredita, por isso sempre acreditei em contos de fadas, e não ligo pro que as pessoas pensam, eu sei que existem chances do primeiro amor ser bem sucedido.

Notas finais
E essa foi minha fanfic one shot gigantesca.. escrevo ela tem.. bem 2 semanas espero que gostem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!