- Preciso ir. — Ygor interrompeu o beijo por ter aberto os olhos para olhar de lado para o relógio — Tenho consulta agora.

Claus levantou da cama, tentando colocar as ideias em ordem, como se despertasse de um sonho. Arrumou o cabelo em frente ao espelho e esperou Ygor ir ao banheiro do quarto para ir embora.

- A gente pode se ver na parte da noite... Se você quiser.

***

Amanda estava estática diante da descrição da cena que Claus fazia. Amor passava por alí e ouvindo um pedaço da história. Sentou-se debaixo da árvore mais próxima dos brinquedos de parquinho onde os dois conversavam. Fingindo ler Bodas de Sangue, sentou para fantasiar um pouco.

Claus estava transpirando novamente após o fim da descrição.

- Vou voltar pra casa de Ygor hoje a noite.

- Ele te convidou?

- Sim... Acho que vamos conversar... Vou passar em casa e depois ir pra lá.

Amor já não se preocupava mais com o livro nas mãos. Ao ouvir o nome de Ygor soube que era o mesmo Ygor.

Não havia mais o que fazer a não ser assistir.

***

Os olhos de Amor;

Encontraram-se de novo, como tinham previsto, na casa de Ygor. Não tocaram no assunto. Claus sentia algo apertado dentro da garganta. Deitados na cama, quando as palavras já não existiam mais e eles assintiam o constrangimento dentro da tela da TV. Claus fechou os olhos e decidiu que não queria mais segurar as palavras. Assim que olhou pra Ygor encontrou os deles. Os lábios também se encontraram e as palavras acalmaram-se no fundo do peito, aliviados. Assumiram-se um pro outro. Não foram necessárias muitas palavras desde então. Estavam juntos.

***

Claus abriu a porta de casa. Diante dos pais que tomavam o último chá antes de dormir.

- Estou apaixonado — Disse, sem nunca entender porquê.

- Por quem, meu filho? — Perguntou a mãe, terminando um café num último gole e o levando para a pia.

- Ygor.

O último som antes do silêncio foi da xícara caindo no chão. Claus só abriu os olhos quando a cozinha estava vazia, os cacos no chão e ouviu a batida da porta do quarto dos pais.

E aí a realidade o pegou. Já não tinha uma boa relação com os pais. Já era "ovelha negra" demais!

Quando acordou na manhã seguinte não encontrou os pais.

***

- E o que você pretende que eu faça? Case com você?

- Ygor...

- Claus, você enlouqueceu.

- Eu sei.

Ygor fechou a porta da casa e todas as outras portas para Claus.