A Águia de Zeus

2 O início de tudo


Para início de conversa eu nunca fui á escola. Mas também, meu irmão já havia frequentado mais de sete só nos últimos dois anos. Eu o admirava muito, porque além de conseguir ser expulso da escola ou levar suspensão quase sempre, ele era o mais popular e conseguia acima de tudo, me ensinar um pouco de tudo o que sabia.

Estávamos em pleno novembro quando algo inesperado aconteceu.

Nossa tia além de ser rica, era um pouco.. jovem, então quase não parava em casa. Por isso, nos finais de semana eu ficava sempre sozinha, e também para colaborar, meu irmão sempre saia com os amigos.

Teve uma vez, em que eu saíra para dar uma volta no quarteirão, e aproveitei para fazer uma visita ao Edifício Empire State. De vez em quando, o elevador parava de funcionar. Era rapidinho, cerca de uns vintes minutos no máximo, só que com isso, muitos turistas desistiam e iam embora. Eu já estava acostumada, então eu sentava em uma das poltronas que haviam ali e esperava.

Só que esse dia ficou marcado em minha mente.

Assim que eu botara o pé no Edifício, vi alguém entrando no elevador. Era um homem que já tinha cabelos brancos, mas com um corpo meio que musculoso para a sua aparência facial, só que quando me viu arregalou os olhos. Não dera para observá-lo direito, pois a porta já estava fechando. Corri então até o botão, onde o apertei só que não teve efeito algum, pois olhei para ver em que andar estava, e rapidamente apareceu o andar 600, mas logo após ficou em branco, do mesmo modo que acontece quando ele para de funcionar.

Eu já odiava andar de elevador. Após o feito então, só me restou voltar para casa.

Minha casa não era muito longe, mas fiz o meu melhor para voltar o mais rápido possível, contar o ocorrido para Ethan, e ver a sua opinião a respeito, claro.

Cheguei até ao portão algum tempo depois, e então subi as escadas correndo. Já achei estranho que quando fui abrir a porta ela estava trancada, pois eu havia a deixado destrancada, mas então levantei o tapete, que fica a beira da porta, peguei a chave reserva, e entrei no apartamento.

Pensei de inicio que estava sozinha. Mas foi só ouvir um barulho de vidro quebrando que mudei minha opinião.

– Argh! – Dissera uma voz masculina familiar, na direção do quarto da Tia Jenn.

“Oh, céus..” Foi o que pensei.

Saí então em disparada em direção á voz, não sem antes passar rapidamente no quarto de Ethan e pegar o canivete dele em baixo de seu travesseiro.

Cheguei à porta do quarto de minha tia, com o canivete aberto em minha mão destra.

De inicio parecia não havia ninguém. Comecei a entrar no local. O dono da voz estava cada vez mais perto de mim, e ouvi uma ultima vez um grito de dor, junto de uma frase, na qual pela voz, consegui identificar quem estava gemendo.

– Argh.. Deuses. Que droga. Porque isso sempre acontece comigo!

Aproximei-me mais um pouco da cama, e percebi que a pessoa estava no chão, do outro lado da cama.

– Érm.. Ethan? É.. é você!?

– Oh.. Ally, sim, eu.. estou aqui. Pode me dar uma mãozinha?

Quando finalmente me deparei com ele, percebi que estava pior do que eu imaginava.

Ethan estava caído ao chão, todo machucado, com vários cacos de vidro a sua volta.

– Ethan! – Eu disse, logo após largar o meu canivete ao chão e correr até ele, onde o ajudei a se levantar. – O que aconteceu com você?

Com ele de pé, sentei-me na cama, e Ethan começou a tentar me explicar.

– Eu estava, hã..

– Não minta para ela! – Disse uma voz, dessa vez feminina, vindo de outro cômodo, mas com um tom amedrontador. – Diga-lhe a verdade, herói.

Eu ia dar um grito, só que Ethan tapou a minha boca com sua mão, o que abafou o som.

– Shiiiu. – Ele me dissera, e logo após começou a sussurrar, ainda tapando a minha boca. – Deixe comigo. E, o iPod que eu lhe dei está aí com você?

Por estar impedida de falar, balancei a minha cabeça para cima e para baixo, em forma afirmativa.

– Tá. Agora preciso que me empreste ele, por favor.

Tentei soltar a mão dele para reclamar, mas fui impedida, novamente.

– É rápido. Eu prometo. Depois você verá que é muito importante.

Bufei, e então movi a mão canhota que estava livre até o bolso, onde tirei o aparelho, e levei-o até o meu irmão.

– Ótimo. – Desde aquela hora ele ainda estava sussurrando. – Eu vou destampar a sua boca, e quero que você fique escondida em baixo da cama em silêncio, até eu vir aqui buscá-la, pode ser?

Movi a minha cabeça em concordância, assim como antes.

– Bom, então vamos lá. – Ethan começou a afastar sua mão de minha boca calmamente, até eu estar livre. Logo após, começou a andar em direção a porta, com o meu iPod em sua mão, e então eu segui para baixo da cama, sem entender nada.

Dava para vê-lo, não perfeitamente, dali onde eu estava, e assim que ele estava saindo do quarto, vi algo em cor de bronze surgir na sua mão em que segurava o iPod, e assim que o objeto começou a esticar, ou tomar forma, ele já havia saído do local, me deixando só, embaixo da cama. Segundos antes de sair, ele fechou a porta, e piscou um dos olhos para mim com um sorriso nos lábios, assim como ele faz quando vai resolver a situação quando um de nós apronta algo.

Já havia passado um tempo em que Ethan se fora. E vez ou outra eu escutara alguns sons de tipo uma lâmina cortando o ar, e uns gritinhos ou gemidos de dor, tanto do meu irmão, quanto da voz feminina que eu ouvira antes.

Até que eu ouvira um “Aaargh..” de meu irmão, e o ultimo ruído do que parecia ser uma lâmina.

Segundos após o feito, ele abrira a porta sem medo algum, e então abaixou a cabeça de modo que eu visse o seu rosto, com um semblante calmo.

– Hey pequena, pode sair agora.

– T-tem certeza? – Perguntei com um pouco de medo da voz feminina que eu ouvira um tempo antes.

– Alguma vez eu já menti para você?

– Hm... Não.

– Então confie em mim. Pode vir.

Acreditei em suas palavras, e me rastejei para fora da cama, onde após sair de baixo da mesma, com a ajuda de meu irmão, fiquei de pé ao seu lado.

– E o meu iPod, onde está? – Foi a primeira coisa que eu perguntei.

– Ah, sim.. Está aqui. Obrigado. – Ele iniciou uma pequena risada, e então esticou a mão com o aparelho para mim, onde eu o peguei, e coloquei-o no bolso.

– O que você estava fazendo, e.. de quem era aquela voz?

– Érm.. Bom, é uma longa história. E já está mais do que na hora de você saber a verdade. Sobre tudo.

– Tudo!? Como assim? – Eu odiava quando ele fazia aquilo. Deixava-me em dúvida. E isso o deixava mais esperto do que o normal.

– Vou lhe explicar. Mas.. Vamos nos sentar, por que vai demorar um pouco. – Ele sentou-se na cama de nossa tia, e fez um sinal para que eu sentasse do seu lado.

Estávamos sentados um de frente para o outro, eu estava com as pernas cruzadas, assim como uma criança pequena que tem medo de que um monstro saia de baixo da cama, e ele com uma das pernas para fora da cama, enquanto a outra ficava dobrada em cima da mesma.

Ele estava demorando demais para começar a me contar, então eu me apressei.

– E então?

– Okay. Vamos lá. Primeiramente, queria lhe dizer que nós não somos pessoas normais.

– Sim, eu sei.. Nossos vizinhos me dizem isso o tempo todo...

– Não, não nesse sentido.

– ... além do mais, uma pessoa com TDAH e Dislexia não pode ser muito normal.

– Pelo contrario, se você não as tivesse, não seria como eu, e os outros de nossa, hã.. espécie.

– Como assim “outros de nossa espécie”? O que nós somos Ethan Wale!?...

Antes de responder, Ethan fez silêncio alguns segundos para causar mais efeito. E então disse.

– Semideuses.