A Àrvore flamejante
4 Capítulo 3- Sou molestado por um espírito
Abro meus olhos lentamente, não sabia onde estava e como havia chegado naquele lugar. Só sabia de uma coisa: Eu estava cercado de arvores por todos os lados. Aquilo era realmente assustador. Estava em uma floresta novamente, estava preso e não poderia voltar para casa. Imediatamente, meu ar começa a ser expulso de meus pulmões, bruscamente. Olho em volta desesperado, enquanto olhava para cima. Além da copa das arvores, podia ver as constelações no céu, cintilando suavemente, como se assistissem a minha demonstração dramática, rindo de minha reação exagerada. Naquele momento eu soube que estava sonhando, eu, Jonathan, não deitaria ao ar livre para observar as estrelas nem por uma boa quantia em dinheiro.
Tateio o chão ao meu lado, procurando por algo que talvez tivesse levado a aquele local, mas encontro somente um arco e uma aljava cheia de flechas, ambos artesanais, decorados com diversas penas coloridas. Na madeira em que haviam sido esculpidos, estavam entalhados alguns índios velhos e chatos fazendo coisas de índios velhos e chatos.
Por que diabos eu estava sonhando tanto com índios? Aquilo não fazia o menor sentido! Primeiro, aquele maldito sonho, com o índio ridículo que quebrou meu pescoço com apenas um gesto. Depois, a previsão possível de Lizzy (que ainda não sabia sobre o que era). Em seguida, o livro indígena do Pastor (que por acaso ainda não havia conseguido ler). Lentamente, minhas memórias conscientes voltavam a mim. Me lembrava de ter voltado para casa no dia anterior, após uma bronca em sequência da diretora, em seguida, de meus pais.
Peguei detenção e castigos para o resto de minha vida. Mas nada disso importaria se ao menos eu tivesse descoberto sobre a visão de Lizzy. Em meio a confusão, nem havia tido tempo de perguntar a ela. Também não havia todo muita sorte com o livro. Embora tivesse começado a leitura, havia caído no sono sem me lembrar de uma só palavra que havia lido. Agora, para piorar a situação, estava preso em outro pesadelo, mas que inferno!
Decido tentar ao menos uma vez, controlar meu sonho. Me foco em uma árvore, tentando fazer algo simples, mudar a cor das folhas de verde para laranja. Alterar as cores em um sonho é algo extremamente facil para um Orionalta, até mesmo para pessoas que nem sempre controlam seus sonhos... Ao menos uma vez você já deve ter trocado a cor de algo em um sonho. Me concentro o máximo que posso, fazendo com que uma gota de suor escorresse por minha testa. Continuo tentando, fazendo um esforço mental maior... É então que meu nariz começa a sangrar. Um filete de sangue escarlate escorre por minha boca, enquanto sinto meu corpo fraquejar e a floresta sacudir por um momento, como uma televisão em estática.
Esfrego o sangue que escorria em meu rosto, desistindo de controlar meu sonho. O recado havia sido recebido. Quem quer que estivesse me obrigando a ver aquilo estava no comando, não eu, era apenas um telespectador e acordaria a hora que ele sentisse vontade. Obviamente, ele não estava com vontade de me deixar ir agora sem me mostrar algo que provavelmente me assombraria pelo resto do dia. Junto o arco e as flechas, para poder me defender, embora não fizesse a mínima ideia de como usar aquela joça.
Dou alguns passos pela floresta, meio perdido. Arrastava meus pés lentamente pela folhas secas, o que deveria chamar muita atenção, mas nada. Tudo o que eu podia ouvir além de meus próprios pés, eram os grilos e sapos que estavam próximos a mim. Que tipo de gente tem um pesado em que está sozinho, no meio da mata, durante a noite? Eu só podia ser alguém mentalmente perturbado, isso sim. Dou um meio sorriso, olhando para a terra.
É então que algo quebra o silêncio. A minha frente, posso ver um clarão, em seguida, ouvir altos barulhos de luta. Finalmente! Algo digno de um pesadelo. Decido me esconder, já que não possuía poder algum naquele sonho, que não podia controlar. Mordo meu lábio, me ajoelhando e me jogando no arbusto mais próximo. Sinto os espinhos cortarem minha pele, fazendo finos filetes de sangue escorrerem, mas eu não ligava, já que não podia essa dor em sonho.
É então que vejo a coisa mais estranha que já vi em toda minha vida. Algo que me levou a pensar em duas coisas:
1-Aquele era o melhor desfile de carnaval de todos
2-Eu havia pirado de vez.
Três adolescentes caçavam um cervo, que fugia deles desesperadamente. Duas garotas e um garoto. Todos eles possuíam pele parda e cabelos negros escorridos. A garota que parecia mais velha, tinha uma tatuagem no pulso, algo semelhante a uma lua minguante, enquanto a que aparentava ser mais nova e que possuía franja, tinha uma pintura tribal de tinta vermelha no rosto. O garoto não possuía pintura alguma em seu corpo. A única coisa que chamava atenção nele, eram os olhos cor de mel, que diferiam do das garotas, que eram negros. O garoto possuía porte atlético, o suficiente para ser o capitão do time da escola, assim como sua postura de líder. Todos os garotos estavam seminus, cobrindo apenas suas partes enquanto lutavam. Meu rosto cora imediatamente.
Quando começam a se aproximar de mim, noto uma coisa interessante. Como queriam caçar aquele bicho, se nenhum deles carregava uma arma? Bem, embora eu não fosse bom com o arco, podia matar o pobre Bambi de uma vez para que eles pudessem me libertar daquele maldito sonho. Então pego meu arco e começo a armar o mesmo para acertar a pobre criatura.
É então que algo incrível acontece. Um cipó se move magicamente até o pescoço da garota mais nova, se enrolando nele com uma velocidade incrível, enforcando a criança que lutava para se defender, sacudindo os braços inutilmente enquanto olhava para o garoto, implorando para que ele fizesse algo. Porém, tudo o que ele fez foi sacudir sua cabeça negativamente. Sinto uma dor no peito ao ver a expressão da garota diante daquela afirmação. Infelizmente, os ataques não acabaram por aí.
A garota com a tatuagem de lua minguante foi arremessada contra uma árvore, por uma forte corrente de vento. A garota cai em meio a mata, de joelhos, arfando. Que diabos de sonho era aquele? Eu estava assistindo ao duelo de magia do Bambi contra três índios! Qualquer sentido que meus sonhos haviam tido até então tinha se perdido completamente. Continuo ajoelhado, abrindo e fechando a boca sem ter o que dizer.
É então que a terra começa a se abrir aos pés do garoto, tentando engolí-lo. Penso em me levantar para ajudar os índios. Todos os três tinham tomado uma surra! Eles precisavam de mais uma pessoa, alguém que pudesse finalmente ajudar. Mas hesito, eu só tinha um arco, que não sabia usar. Sinto um gosto estranho em minha boca, antevendo a morte daqueles indígenas super modelos.
Quando a luta estava praticamente vencida, o clarão volta. Um brilho alaranjado surge nos céus, pronto para chegar até o resto dos indígenas. Do ponto alaranjado e brilhante, uma bola de fogo é projetada, sendo lançada na direção do cervo, que simplesmente pula para o lado, desviando com uma facilidade incrível, mas isso foi o suficiente para distrair o animal, libertando os outros três índios.
A Índia mais velha, estende a mão aos céus. Aos poucos, ela assume uma aura prateada, como a lua, olhando para o animal, com um sorriso torto. Com um simples estalo de dedos, a Índia cria um Flash de luz forte perto do animal, que o cega momentaneamente. Era incrível como eles sabiam agir em grupo.
O segundo índio estende ambas as mãos para o animal, fazendo com que um som alto ecoasse no local. Era algo forte, semelhante a alto trovão, tão poderoso que poderia estourar os tímpanos de quem estivesse perto o suficiente para ouví-lo. Tampo os ouvidos para terminar de assistir a luta, mas o resto da mesma não me agrada nem um pouco.
O clarão se aproxima do animal, o que facilita minha visão. Aquela coisa, era uma pessoa flamejante, como o tocha humana... Mas era uma garota. A garota parecia cada vez mais cansada. Então coloco minhas mãos em minha boca, tentando segurar o espanto. Embora ver pessoas flamejantes não seja algo lá tão incomum.
O animal olha fixamente para a garota flamejante, enquanto suas chamas apagam lentamente, era como se ele estivesse absorvendo todo aquele fogo, com os próprios olhos. A garota vai perdendo altitude, até que ela simplesmente vai no chão, exausta, se tornando mais facil o ato de observá-la. Ela possuía longos cabelos encaracolados e ruivos, embora sua pele fosse parda, como a dos outros índios. Ao contrário dos outros, a garota vestia um casaco de couro negro e coturnos, também de couro negro.
"Tolos" diz uma voz grotesca e animal em minha mente "Se estivesse em plenos poderes, estariam mortos! Mas me deixem dar uma demonstração pequena de poder"
O animal olha fixamente para a Índia menor. Suas pernas começam a balançar freneticamente, enquanto a garota abraçava o próprio corpo, aparentando estar exaustão. Não muito tempo depois, seus olhos começam a sangrar devagar, enquanto ela ajoelhava. Os outros índios se aproximavam dela, para ajudá-la, mas o que quer tivesse sido feito, não poderia ser evitado.
—Não— digo, saindo de trás do arbusto, encarando o animal— Não vou deixar você matar essa menina! Se quiser fazer isso, terá de passar por cima de mim!
O animal me encara, me fazendo notar um pequeno detalhe que não havia visto antes. Os olhos do animal eram flamejantes como a garota, que voava a tempos atrás. Os olhos em chamas, tornaram o animal, que antes teria me feito revirar os olhos, em um filme tosco da Disney, em um animal sombrio e terrível, que havia assassinado uma pessoa com a força da mente.
"Vai aprender a não se meter nos meus assuntos. Pari, agora" diz a voz grotesca e animal em minha mente mais uma vez. Fecho os olhos, pronto para morrer e acordar em minha cama então...
É exatamente o que acontece. Eu acordo em minha cama, mas não como o esperado. Tento me levantar, mas algo me impedia. Arregalo os olhos, olhando para cima, desesperado. Conseguia ver meu quarto com perfeição, sabia que não estava mais sonhando.
Tento gritar por socorro, malas tudo o que sai de minha boca são grunhidos baixos, inaudíveis. Uma terrível vontade chorar me abate, enquanto sentia cada parte de meu corpo, paralisada, sem poder me mover. O que quer que tenha acontecido dessa vez, não era só um sonho, era assustador.
"Socorro!" Pensava com tanta intensidade, que qualquer um que pudesse ler minha mente teria os tímpanos estourados.
É então que o pior acontece, sinto algo segurando meus braços, mas ao olhar para cima, não via ninguém. Algo estava encostando em mim! Pareciam grandes e calejadas mãos humanas, que só me faziam tentar gritar com mais intensidade, mas não podia me mover ou falar nada, apenas ver e observar.
As mãos invisíveis soltam meus braços, deslizando até minha coxa, onde de instalaram. Cada mão, acariciava uma de minhas coxas, me deixando com ódio e nojo. Me sentia violado e assustado, enquanto as mãos deslizavam por meu corpo, me causando terríveis arrepios. A cada toque, era como um lembrete do que aconteceria se não me mantende distante.
—Não se meta— sussura uma voz em meu ouvido. Não conseguia distinguir se era masculina ou feminina, só queria que aquele pesadelo acabasse de uma vez.
É então que os toques param, me deixando deitado na cama, imóvel, tentando voltar a me movimentar devagar, começando pelos dedos da mão, jurando mentalmente que ia até o fim dessa vez, para me vingar de quem quer que havia feito aquilo comigo
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