A víbora

1 Capítulo 01


Em Sínomo, uma cidade completamente artificial, feita para humanos sobreviventes da Nova guerra, os humanos viviam em paz e com uma segurança rígida. Para entrar era feito um teste para que tivessem certeza que você não possuía nenhuma doença. Nem as mais antigas e nem as novas. Todos eram organizados, padronizados e de certa forma etiquetados. Todos nós temos uma série de números na parte de trás do joelho. É como um código de barras desses produtos que você costuma comprar. Aliás nós não compramos nada em supermercados. Cientistas em Sínomo criaram uma espécie de mercado virtual, é como esses computadores da sua época, você entra no site, clica em cima do produto, e ele é transportado instantaneamente através da tela, a você, lógico claro que tenha dinheiro na conta, já que o débito é feito na hora. Apesar de modernos somos atrasados, ainda trabalhamos por dinheiro.

Então, depois de etiquetados, nós somos livre para trabalhar, estudar e vivermos onde quisermos, e do jeito que quisermos, desde que não infligíssemos as regras, porque então, seriamos rastreados pelo número, nosso sistema paralisaria instantaneamente, e então a patrulha nos prenderia, e ficaríamos lá até que fossemos Formatados. Quem mesmo depois de formatado voltasse a cometer crimes, ficaria preso para sempre.

Somos permitidos a ter apenas um filho por casal. Sínomo era pequena demais, para procriarmos a vontade. O que passava na minha televisão, é o mesmo que passa na sua, mesmo, todos nós vemos as mesmas coisas, tudo em sínomo era programado para que não houvesse brechas para rebeliões, assim não teríamos doenças, que dizimaria mais de 80% da população humana. Como houve há cinquenta anos. Ah, claro não mencionei o mais importante. Sínomo foi criada para a preservação humana. Após uma guerra apocalíptica contra doenças criadas por nós mesmos, para fins bélicos, não houve saída a não ser, matar todos os infectados e possíveis infectados, criar uma cúpula e criar ali, humanos puros e saudáveis, como ratos de laboratórios, para que um dia, sejam fortes o suficiente para repopularizar o planeta terra.

Nem todos eram fortes. Se hoje por ai onde você vive, dizem que o ser humano é movido por adrenalina ou algo parecido, acredite. Há poucos meses, tivemos uma série de ocorrências que envolviam uma doença auto-imune e degenerativa, tão rápida, que era quase imediata. Não existia sintoma, os médicos só sabiam da doença, quando estava segundos antes da morte.

O infectado, comia vorazmente o alvo, geralmente outro humano. Mas ele não comia por fome, comia pelo desejo de morte, pelo desejo de sentir algo, como dor, arrependimento, raiva, ou, pelo que eu acho, pelo desejo de libertar esses sentimentos, libertar a raiva e a pressão de viver do mesmo jeito, em um lugar sempre igual, com uma musiquinha suave para manter a sua mente sob controle. Eu até entende esse desejo. Já fui infectada.

Eu puder ver, tudo com mais vida, ver o sangue quente de outra pessoa correndo lentamente por entre meus dedos era como sentir o seu coração batendo forte depois de uma corrida matinal. Ouvir seu coração batendo, vivo e forte no seu peito, e lembrar que você não é um produto, não é pré determinado, foi a melhor sensação da minha vida desde que nasci. Mas o efeito acabou quando eu vi que outro infectado havia matado uma criança nos braços da mãe.

Ai lembrei que estava grávida. Foi a pior sensação da minha vida, desde que nasci. Olhei ao redor e muitas outras pessoas foram mortas, inclusive os infectados. Eu sai do banheiro rodoviário que estava e me entreguei a polícia. Eu não fui condenada, no momento do trauma, algo em mim aconteceu, que camuflou os exames. E a doença não foi descoberta. E como não houve testemunhas, ninguém viu o que eu havia matado. No mesmo dia, fui para casa. Mas eu sabia que estava infectada, fiquei quieta e resolvi que eu, acabaria como isso.