A voz das árvores
1 Prólogo
Notas iniciais
No quintal da casa em que eu morava quando era criança havia uma árvore grande, com galhos grossos e folhas amareladas, eu não sabia de que tipo era e nem me interessei em perguntar pra minha família.
O importante é que mesmo com minha falta de conhecimento eu sabia que aquela não era uma árvore comum, ela tinha uma aura diferente, se eu fechasse os olhos, era como se ali, ao invés de uma árvore, houvesse um animal gigante. A presença dela era intimidadora, mas isso não me incomodava, aos meus olhos aquela árvore era um gigante amigo e não algo que pudesse me prejudicar.
Minha mãe sempre evitava o quintal, e por isso pela manhã eu brincava lá sozinho com meus bonecos, eventualmente, alguns desses bonecos começaram a desaparecer. Minha mãe, querendo que parasse de brincar lá, disse que naquela árvore habitava um monstro malvado que roubava os brinquedos das crianças que brincavam lá perto, eu era uma criança inocente, e acreditei em cada palavra que ela disse.
Por algumas semanas eu não brincava em outro lugar a não ser meu quarto, com medo de que meus brinquedos voltassem a desaparecer, e deu certo, nada meu sumiu, mas ao mesmo tempo sentia um vazio que não saberia definir nem mesmo atualmente.
E eu voltei, porque não conseguia ficar longe, mesmo que fosse só pra admirar a beleza daquela árvore, eu estava lá. Sentia-me ligado a ela de alguma forma, eu não via a hora de voltar da escola só pra ficar sentado na sombra daquela gigante amável, pra mim, isso era amor, mas seria possível amar uma árvore?
Essa foi a pergunta que eu me fiz por dias, até ver por trás dos galhos o que parecia ser um pássaro, cheguei mais perto e vi uma criaturinha bonita, aparentava mais um ser humano do que um pássaro, tinha braços e pernas pequenas, quatro asinhas parecidas com as de um beija-flor, que deveriam bater da mesma forma.
A criaturinha não se mexia, e depois de um tempo a observando percebi que aquela presença que eu sentia vinha dela e não da árvore, percebi também que o amor que eu sentia era por ela.
E foi assim que eu vi uma fada, pela primeira, mas não ultima vez.
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