A voz das árvores
4 Capítulo III
Um misto de horror e surpresa tomou conta de mim, quem poderia ter feito aquilo? A fada? Não seria possível! ela era do tamanho de um dedo do gigante.
Levantei-me confuso e perguntei a fada o que havia acontecido, mas ela não me respondeu, estava estática como quando a encontrei no quintal.
Finalmente me dei conta de que eu não estava mais em casa; estava cercado de plantas estranhas e mais a frente haviam algumas construções que não se pareciam em nada com alguma coisa que eu já tivesse visto.
Construções arredondadas, com chaminés, jardins em formatos de círculos ao redor das casas e telhados coloridos. Mas o que mais me chamou a atenção foi o contraste causado por grandes e grossas grades nas janelas e a quantidade de fechaduras nas portas, era como se aquilo fosse uma vila de anões que se protegiam do lobo mau.
Andei até elas para procurar alguém que pudesse me responder onde eu estava e me dar comida, já que não comia desde o começo da noite, cheguei perto um dessas “casas?” e bati na porta, uma espada fina e longa passou por uma abertura na porta por pouco não cortando meu braço e pude ouvir do outro lado uma vozinha esganiçada perguntando:
_ Quem está ai? Volte pra onde veio, não quero visitas e... porque pisou na minha grama? Saia daqui agora!
Mas como poderia eu não ter pisado na grama se ela formava um circulo em volta da casa? Minha pergunta foi respondida assim que me virei e vi uma criatura baixa, gorda e azul, com olhos pequenos e saliências logo abaixo da boca que era enorme e desproporcional ao resto corpo, a criatura estava flutuando como um balão, como se estivesse nadando no ar, mexendo as pernas pra lá e pra cá.
A criatura sorriu pra mim e perguntou o que eu estava fazendo naquela cidade tão longe do território humano, ao que eu respondi, ela me convidou para comer alguma coisa em sua casa e disse que responderia todas as minhas perguntas.
A casa da Senhora balão era aconchegante, por dentro não era tão diferente das casas com as quais eu estava acostumado, quase todos os moveis estavam cobertos por um tecido cor de rosa, alguns com desenhos do que pareciam ser cenouras azuis e os quadros na parede mostravam a sua família, fiquei espantado com a diferença entre ela e o que ela disse ser seu marido, ele se parecia com um hipopótamo cinza com dentes do tamanho da minha cabeça, senti um pouco de alivio quando ela disse que ele não estava em casa.
A senhora serviu uma bebida quente pra mim, e começou a falar:
_ Primeiramente, meu nome é Gloth e esta cidade esta bem longe do que pode ser um território seguro pra você, humano. Eu não sei como veio parar aqui, mas não se preocupe, vou te levar até a casa da minha mãe, talvez ela possa te ajudar a voltar pra casa.
Quando acabei de comer, Gloth me deu um manto e disse que eu precisaria me cobrir com ele pra que não corresse perigo já que neste lugar os humanos eram odiados e caçados por quase todas as outras criaturas, ela pegou alguma coisa na gaveta da cozinha e saímos. A casa da mãe dela era mais perto do que eu imaginei, apenas alguns metros de distancia.
No caminho encontramos duas criaturas que falaram um rápido “olá” a Gloth mas não prestaram muita atenção em mim. Chegando lá ela fez um sinal para que eu entrasse na frente, porem assim que eu entrei ouvi o barulho da porta se fechando e quando me virei, lá estava Gloth me olhando com fome no olhar enquanto segurava uma faca enorme, quando tentei correr fui segurado por outra criatura, que deveria ser sua mãe, e nocauteado, novamente.
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