A volta do meu melhor amigo
1 Capítulo 1
Só podia ser brincadeira. Olhei para o lado e me vi presa em casa com minha irmã e suas nove melhores amigas berrando e jogando Just Dance no Wii. Era aniversário dela e eu tive de ficar de babá, enquanto podia estar com meu namorado, mas minha mãe teve de me obrigar a ficar aqui.
Rolei os olhos e peguei meu celular.
Tinha uma mensagem do Thiago.
“E ai, amor? Como está a festinha?” Eu podia sentir o sorriso bobo que brotava na minha cara só de ver o nome dele na tela.
—Ah, não me faça vomitar — Tatá não perdia uma chance de me zoar. Lancei um olhar perigoso para ela, mas isso não a impediu de fingir enjoo enquanto suas amigas riam com ela.
—Pode ser seu aniversário, mas isso não vai me impedir de ir aí te bater — ela me mostrou a língua e se virou para escolher a próxima música que ia dançar.
Já passava das onze da noite quando vieram buscar a primeira menina. Eu já estava começando a rezar para que elas não ficassem para dormir.
Ouvi baterem na porta e levantei em um salto.
—Parece que a festa acabou para alguma de vocês. Que pena, não é mesmo?
Abri a porta e me deparei com o JP, ele era meu melhor amigo no fundamental, e fazia anos que não o via. Ele tinha mudado de escola no oitavo ano. E eu nem tinha me ligado que uma daquelas meninas barulhentas era irmã dele. E como tinha mudado! Parece que a puberdade chega para todas, ele era mais baixo do que eu e agora eu que ficar olhando pra cima se quisesse ver seu rosto, além do corpo que tinha ganhado forma, parece que alguém descobriu a academia.
—JP quanto tempo! — eu disse lhe dando um abraço, que foi mais constrangedor do que eu esperava.
—E ai, Lia? — ele disse e abriu um sorrisinho tímido que me deu um leve gelinho no coração — Continua estudando no Objetivo? — ele só estava jogando conversa fora enquanto a irmã dele não vinha, mas tudo bem.
—Ah sim, não saio de lá nem amarrada — dei uma risadinha sem graça, e eu quis me matar.
—Vou voltar pra lá esse ano — nem consegui manter a compostura, eu era ridícula.
—Nossa que legal — falei abrindo o maior sorriso do mundo. Ele riu e continuou a puxar assunto.
—Podíamos tomar um sorvete na Lucio’s como nos velhos tempos. Chamar a galera e botar o papo em dia, o que acha?
—Ia ser incrível! Aposto que todo mundo vai querer te ver, depois de tanto tempo.
—Então marcado, avisa o pessoal que depois da aula, no primeiro dia, a gente vai engordar na sorveteria.
—Fechou.
Ele se despediu de mim com um beijo na bochecha e, pegou na mão da irmã dele enquanto atravessava o gramado de casa em direção ao Uber que os esperava na rua. Fiquei toda boba e a Tatá percebeu.
—Você namora, sua tonta!
—Ah cala a boca — falei dando um tapa na sua cabeça.
—Faz isso de novo e eu não te deixo comer mais meu bolo!
—Tem certeza? — eu disse cerrando os punhos. Ela arregalou os olhos e ficou pálida como uma folha sulfite.
—Calma irmãzinha, se quiser pegar o irmão da Bia não vou falar pra ninguém.
—Eu não quero pegar ele, tá doida?
—Se você diz. Por que não vai ligar para o Thiago? Tenho certeza que ele vai adorar saber que você estava babando pelo JP — ela disse isso e saiu correndo, sabia que se ficasse ali ia tomar uma surra.
Eu não estava de olho no JP, apenas fiquei surpresa em vê-lo. Estava tão mudado, principalmente seu corpo.. Quem diria!
Mas o que eu estava fazendo? Afastei os pensamentos sobre o fogo, quer dizer, corpo do JP e pensei no Thiago. Meu Thiago, que eu amava muito e não ia deixar umas ideias idiotas estragar nove meses da minha vida.
Meu celular vibrou e eu sorri ao ver a mensagem na tela.
“Foi ótimo te ver hoje! Não acredito que vamos estudar juntos de novo. O terceirão é nosso!” — JP
Esse frio na barriga não pode ser bom.
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