A Volta de Bianca di Angelo

capítulo XI

O túnel era realmente bem íngreme. Nico quase caiu duas vezes.

—Se continuarmos assim, vamos parar no Centro da Terra e eu nem li esse livro ainda.

—Percy! Cala a boca, por favor.

—Eu só estava tentando descontrair.

—POR FAVOR, cale a boca.

Percy fez biquinho para protestar mas se calou. Decisão certa. Annabeth poderia acabar com ele em dois tempos.

Annabeth colou o ouvido na parede de pedra.

—Parece o som de...água corrente.

—Ótimo! Água corrente é bom. E útil, em caso de perigo. Poseidon às ordens!

Finalmente, o túnel alargou-se um pouco mais e tornou-se plano outra vez. Plano, mas não mais convidativo do que estava.

Nico examinava cada parede e cada metro quadrado do chão procurando rastros de monstros.

—Bem, aparentemente tudo limpo.

Dânae não parava de olhar para o relógio.

—Maravilha, sem monstros por enquanto. Mas por que meu relógio não funciona? Está novinho!

Annabeth falou sem desgrudar os olhos da parede. Claramente algo na parede ainda a incomodava e não era apenas a água corrente.

—Porque provavelmente foi feito por um mortal. O Labirinto tem propriedades mágicas. O tempo é diferente aqui. Quando entramos, era mais ou menos nove horas. Agora pode ser dez horas...ou meia-noite.

—Que absurdo! Eu...não entendo.

Dânae achava aquilo muito estranho. Ás vezes, pensava até que não era semideusa. Queria que fosse tudo um sonho. Queria que fosse um engano. De repente, ser expulsa das escolas não parecia tão ruim assim.

Andaram por bastante tempo, seguindo o caminho que o fio indicava. Até que pararam um pouco para descansar. Tiraram algumas bolachas de queijo das mochilas e tomaram água. Decidiram dormir um pouco. Estavam completamente isolados do mundo lá fora, impossibilitados de receber notícias e até mesmo de verificar as horas. Estava horrível e tinha acabado de começar.

Nico ficou com a primeira vigília. Aquele lugar era absolutamente tedioso. Chato. Não parecia com o Labirinto, que devia ser cheio de perigos, armadilhas e surpresas.

Nossa! Ele mesmo se espantou com os pensamentos. Desejando monstros para matá-lo? Não, obrigado. O tédio até que era bem legal.

Estava tentando contar as horas corretamente, mas não conseguia. Se Leo Valdez estivesse com eles, apostava um saco de dracmas de ouro como ele arranjaria um jeito de desmontar o celular de Annabeth e contruir um relógio-à-prova-de-labirintos-mágicos-atemporais.

Naturalmente, se Nico ficasse marcando o tempo pelos batimentos cardíacos acabaria dormindo também. Decidiu que iria seguir o que chamam de relógio biológico. Não acreditava que pudesse funcionar, mas não tinha opção. Quando sentisse sono, seria de madrugada. Talvez. Lidar com essas coisas o deixava com dor de cabeça.

Estava tão entediado a ponto de brincar de pedra, papel e tesoura consigo mesmo. Estava cortando o papel com a tesoura quando escutou um barulho. Parecia vir de longe, pois os ruídos faziam ecos distantes.

Annabeth acordara com o barulho. Cutucou Percy. Até hoje ele ainda babava ao dormir. As meninas acordaram também.

—O que é isso?- Melina perguntou.

—Shhh...fale baixo e guarde o fio.

A menina obedeceu. Pegou a espada de Annabeth e a sua. Pressentia perigo. Nico pegou sua arma. Percy sacou Contracorrente.

Os ruídos estavam mais próximos. Melina anguçou a audição e percebeu que eram vozes. Ao menos três diferentes. Não conseguiu entender quase nada. Apenas “Cheiro de meios sangues”. E também “ Ótimo. Estou com fome.” Nenhuma das falas era boa coisa. Todas significavam a mesma coisa:

—Monstros! -gritou ela.

De fato. Três criaturas horrendas, enrugadas e com garras à mostra entravam no campo de visão dos semideuses. Nico pareceu um pouco surpreso.

—Hã...são as Fúrias do meu pai?

Percy encarou os monstros com uma expressão de ódio no rosto. Parecia já ter encontrado monstros daquele tipo, Nico presumiu.

—Não. São piores. Arai, as que carregam maldições.

Os monstros começaram a cercá-los. Ficaram de costas um para o outro formando um círculo.

A Arai do meio olhou para Percy com desprezo.

—Sim, Percy Jackson. Eu me lembro de você. Assassinou minhas irmãs, mesmo recebendo as piores maldições invocadas pelos seus inimigos. Surpreendente que tenha vivido pra contar história. Mas hoje isso não vai acontecer.

Annabeth gritou:

—Vocês deviam estar no Tártaro!

—Calada, Annabeth Chase, peste de Atena!

A Arai da esquerda começou a rir.

—Ah, sim. Hoje vamos nos banquetear. Hum...quanto a estar no Tártaro, minha queridinha, não é problema seu. Nova Senhora, novas regras.

—Nós derrotamos Gaia! Pasifae não é nada.

—Vocês são ridículos. Gaia não pode ser morta. Vocês adormeceram ela por mais alguns séculos, e daí? Pasifae é paciente. Se aliou a Gaia, mas toma suas próprias decisões.

E começou a limpar as garras com algo...familiar.

—Minha faca!

Luke tinha dado aquela faca para Annabeth quando ela tinha sete anos. A arma ganhara um valor sentimental. Infelizmente, a perdera no tártaro há alguns anos. Mas ali estava ela.

—Ah, é sua? Que peninha. Bonita, mas agora é minha.

A Arai da direita gritou:

—Chega de conversa!

Os monstros atacaram.