Nada do que eu tinha imaginado em tantas noites insones poderia ter me preparado para esse momento. Apesar de evitar pensar sobre isso, meu próprio corpo rebelde tinha decidido ir até o fim o mais rápido possível. Eu não gostava de pensar, me deixava embaraçada, mas o desejo que eu sentia por Maxon se tornava cada dia mais latejante, mais impossível de ignorar.

E mesmo essa ansiedade, expectativa, necessidade… Nada disso tinha me preparado para a fome que se apossou de mim no momento em que nossos corpos se tocaram, livres das roupas pela primeira vez. Todas as células do meu corpo estavam intensamente conscientes da presença dele, do seu cheiro inebriante, da beleza perfeita e infinita do corpo marcado pela sua coragem diante das agressões de seu falecido pai. Tudo nele me atraía, para cada vez mais perto, como se meu corpo quisesse se fundir ao dele, atingindo assim sua própria perfeição. Eu só podia existir sendo parte dele. Eu pertencia a ele. O tempo parecia se estender, se alongar. Nunca imaginei que em um segundo cabiam tantas coisas, tanta realidade, tanto dele. Em câmera lenta, Maxon me levou junto a ele até a cama, e meu coração disparou enlouquecido.

“Devagar agora, Meri” eu ouvi sua voz rouca calma. “Eu quero ver, conhecer você. Sonhei muitas vezes com isso.” As palavras foram acompanhadas pelo deslizar de suas mãos pelas minhas costas enquanto os lábios se colavam aos meus novamente. Arrepios surgiam nos pontos em que ele me tocava, e se alastravam pelo meu corpo, me causando arrepios e tremores. Enquanto me beijava lentamente, saboreando cada toque, com paciência, as pontas de seus dedos exploravam minhas costas da base da nuca até a curva dos quadris. A língua percorria meus lábios sem pressa, entreabrindo-os e tocando minha própria língua, fazendo movimentos de reconhecimento, de invasão, o que espalhou um calor já familiar no centro de meu corpo, no estômago, e por todo o resto. Ele arriscou uma leve mordida em minha língua. Senti-me desfalecer por alguns segundos, respirei mais profundamente, buscando o ar que me faltava. Ele pareceu perceber, e parou por um momento, pousando as palmas da mão em meus quadris, possessivamente. Ouvi sua risada rouca e baixa quando gemi involuntariamente ao sentir que ele parava.

“Não se preocupe, amor,” ele disse, buscando meus olhos, o meio-sorriso torto que eu amava tanto brincando em seus lábios. “Nós temos a noite toda”. E dizendo isso, deslizou uma mão pela lateral do meu quadril até a minha perna, novamente usando apenas a ponta do dedo. Fiquei novamente ofegante. Não sabia se conseguiria aguentar tanta tensão, com certeza teria um ataque cardíaco. Não sabia se conseguiria resistir a tanto prazer.

Acordei com uma intensa claridade em meus olhos, resolvi não os abrir, estava feliz demais para mudar alguma coisa, por melhor que fosse. Ouvi um som de passos vindo do corredor, e ouvi também um falatório em nosso quarto. Gelei. Vesti meu roupão e então me levantei da cama envergonhada.

–Bom dia minha rainha! Como você está se sentindo?- Maxon veio até mim sorridente.

–Bom dia! Estou bem, ótima- Eu e Maxon rimos de forma sincronizada.

–Mandei Mary trazer nosso café da manha aqui no quarto. — Meu deus, Mary. Então ela devia saber o que fizemos na noite passada, bom, todos os casais fazem isso, mas mesmo assim pensar que as pessoas sabiam o que fizemos me deixava arrepiada. Ainda bem que não estávamos mais na seleção e não seria necessário noticiar no jornal oficial o que tínhamos feito.

–Você está tão linda essa manha. Aliás está sempre linda.- Eu corei e me virei para o sanduíche de geleia de amendoim.- É tão boa a sensação de que você é minha. De que pertencemos um ao outro, eu esperei tanto por esse momento. Quando eu tinha 13 anos ficava imaginando como seria minha esposa, e como seria minha primeira noite com ela, eu não tive contatos com muitas garotas, mas nunca cansava de imagina-la, eu imaginava uma mulher guerreira, que se destacasse das demais simplesmente por não ser comum, eu não imaginava alguém tão doce que pudesse me fazer enjoar ou nem mesmo tão ousada. Meio termo. E apareceu você, nem nos meus sonhos eu conseguiria imaginar uma mulher assim, você é perfeita pra mim America, com todos os seus defeitos e suas qualidades. Senhora Schreave.- Ao ouvir as palavras de Maxon eu nem sequer sabia o que responder, abracei-o e dei-lhe um beijo de agradecimento.

–Eu te amo Maxon, eu te amo muito. – Ficamos uns bons tempos lá, sentados tomando café da manhã e trocando olhares.

–Vossa Majestade. — Disse um guarda batendo na porta.

–Pois não?-Maxon caminhou em direção a ele e eu fui atrás, ficando um pouco distante.

–As visitas gostariam de saber se o senhor vai descer para acompanha-las em um passeio no jardim.

–Irei, avise-as que demorarei um pouco, por favor senhor... Stebelfield.- O guarda se retirou fazendo uma reverência. Maxon caminhou até o closet, e eu o segui.

–Maxon, que visitas? Os convidados da festa ainda não foram embora?- Maxon desviou atenção de suas roupas para mim.

–Alguns dormiram aqui, como por exemplo, Nicoletta, ah e eu me esqueci de avisar que ela mandou um abraço para você e disse que assim que chegasse na Itália ela te ligaria.

–Ah Nicoletta! Mal pude conversar com ela ontem. –Eu disse me lamentando de não ter dado a atenção que devia para minha amiga. –Espero que ela ligue logo, preciso me desculpar.

–Ela irá entender querida. -Maxon acariciou o meu rosto e sorriu. – É muito gratificante poder te chamar de querida sem levar nenhum tapa ou algo do gênero. –Rimos.

–Mas Maxon, quem está aqui mesmo? – Eu disse não conseguindo contentar a minha curiosidade.

–Ah Daphne e sua mãe. Elas irão passar uma semana aqui. — Minhas feições se enrijeceram.

Notas finais
Comentem por favor ! Obrigada