Agora vamos voltar um pouco no tempo, lá no ano de mil novecentos e noventa… sei lá, mas certamente antes da estreia dos Cavaleiros do Zodíaco. O primo do Melc, Edil-Son, era completamente viciado em video-games e fliperamas, veio um dia falar com Melc:

— Caraca, chegou um fliper novo lá na barraca do Baixinho, o nome é Strit Fait, é de luta, você tem que ver!

Melc topou e foram até o fliperama, e é claro que Edil-Son foi falando exaustivamente sobre o tal jogo. Lá, realmente nosso protagonista percebeu que era um jogo muito diferente e viciante, lutas de rounds, vários personagens pra escolher e que gritam o nome dos golpes… Eu poderia ficar vários capítulos falando sobre Street Fighter 2, mas o que vocês precisam saber é que foi o jogo de maior sucesso daquela época, tendo tido até um infame filme estrelado pelo então famoso Van Daime, mas que lotou os cinemas e fez a alegria da molecada.

Algum tempo depois, na leva de animes exibidos pelo SBT, estava um anime de Street Fighter 2, e é claro que atraiu muito público. Logo de cara, Melc estranhou um pouco design dos personagens, um pouco diferente dos fliperamas mas ainda assim muito bonito. A história também era muito boa, com o playboy Ken e seu amigo Ryu viajando o mundo para lutar após terem tomado uma sova do Guile.

E por falar em Guile, eles pronunciavam “Gaiou”, o que é isso? Nos tempos áureos dos fliperamas, juntava-se um áudio primitivo das máquinas com total desconhecimento de inglês por conta dos moleques daquela época (mais ou menos igual hoje), os golpes ganhavam nomes do jeito que agente conseguia entender. O anime fez Melc e seus amigos descobrirem que o nome da magia do Ryu e Ken era hadouken e não adugui, o gancho pulando era shoriouken e não holliwoogui, entre outros.

E o tchatchacthactchugui?

O golpe de nome impronunciável para nós tupiniquins, na tradução, acabou virando “Golpe Furacão”. Cada um se vira como pode.

O anime foi um grande sucesso, apesar de algumas trocas de horário pelo tio Silvio. E com o sucesso, o SBT trouxe um desenho americano de Street Fighter 2, que para não ficar dois desenhos com o mesmo nome foi rebatizado de “Street Fighter Game”. O desenho era horrível, mal desenhado, personagens sem carisma e história sem pé nem cabeça, que ninguém gostou. Ou quase ninguém…

Conversando sobre os desenhos, Edil-Son deu a declaração

— Não, o Street Fighter Game é melhor! No Street Fighter 2 os caras ficam um tempão tentando dar uma magia e quando consegue dar, desmaiam depois. No Game saem soltando as magias logo, igual no fliper.

Melc achou uma declaração idiota, o hadouken na versão anime era uma busca espiritual e não apenas uma questão de porradaria, mas ele respeitou a opinião do primo, uma das vantagens da juventude pré facebook.

Esse foi o primeiro anime que Melc conseguiu ver todo, do início ao fim, sem buracos ou reprises intermináveis. Ponto para o tio Silvio dessa vez.

Notas finais
Só faltou o Tiger Robocop. Até o próximo!