A vida de um otaku de antes da era da Internet
9 Animes da Band e Globo
Com o grande sucesso de Pokémon, era de se esperar que a Record se tornasse a principal transmissora de animes no Brasil. De fato, ela começou a passar Sailor Moon R e obviamente Melc ficou animado e começou a acompanhar com muita empolgação.
Sailor Moon R até era legalzinho, mas aquela garotinha de cabelo rosa era de matar, ô moleca chata do carai! Sem contar que a série ficou quase totalmente centrada na Serena (Usagi para os mais modernos) e na garotinha chata e as outras praticamente desapareceram, então Melc acabou desistindo. E parece que ele não foi o único, já que em pouco tempo a Record também desistiu e cancelou a exibição.
Mas para a salvação da galera, a rede Bandeirantes acabou entrando inesperadamente nesse mercado. Estreou, nas tardes, o programa “Band Kids”, apresentado por uma japa gostosinha apelidada de Kira e eram exibidos os desenhos de ação ocidentais “Os seis biônicos” e “Cadilac e Dinossauros” (adaptação terrível de um excelente clássico dos fliperamas). Entre os animes, tinha “Bucky” e a atração principal, o famoso “Dragon Ball Z”.
Melc não costumava assistir à Band, mas soube por seus amigos que estava passando DBZ e ficou muito empolgado, porém esbarrou em uma velha problemática: o horário do anime coincidia com o horário da escola. E não havia reprises em outro horário, tampouco nos fins de semana. Então será que ele não conseguiria ver a aclamada obra?
Talvez vocês tenham ouvido falar dos videocassetes, os antecessores dos DVDs. DVDs têm imagem superior, mas o videocassete dá de mil a zero em um quesito: além de reproduzir, era possível gravar programas da televisão e também tinha como programar a gravação, mesmo com a TV desligada. Fazer essa programação era complicado e poucos sabiam, mas Melc era nerd e ver um anime novo compensava o esforço.
De noite, Melc viu o episódio que gravou enquanto estava na aula.
— Tá estranho, mas é que não peguei do primeiro episódio, depois eu pego o rumo da história.
Dia seguinte.
— Ainda não tô gostando, mas vai ficar bom.
Muitos dias depois.
— Que droga, esse caminho da serpente não acaba nunca?
Goku morreu, Vegeta chegou, Goku ressuscitou, começaram as infinitas lutas, até que Melc chegou a uma conclusão.
— Eu não gosto de Dragon Ball Z!
Vocês não imaginam o quanto ele já foi xingado por dar essa declaração. Chegou o dia em que ele começou a ver alguns elementos que o agradaram em DBZ, mas isso já foi na era da internet, o que foge do objetivo desta fanfic.
Na verdade, Melc gostou mais do “primo pobre” Bucky e do outro que estreou posteriormente, o El Hazard. Mas ele conseguiu ver poucos episódios, pois em um momento o pai do Melc começou a implicar com o videocassete gravando e passou a desligar o aparelho.
E quanto a Globo?
Vocês devem se lembrar de que no capítulo anterior, disse que a Globo exibiu Digimon, que fez bastante sucesso, então é claro que ela viria com outros animes. Nessa mesma linha de bichinhos esquisitos teve Monster Rancher, que ninguém lembra, e ainda Hantaro, que até era bonitinho mas Melc já estava um pouco velho pra curtir desenhos daquele tipo. Outro que poucos lembram mas que Melc gostou bastante foi Super Pig. Uma garota da oitava série ao estilo Sailor Moon recebeu poderes de um porquinho vindo do planeta Porco e ela se transformava numa porquinha super heroína. E o mais interessante: ela gostava do suposto garoto bonito da escola e ele não dava nem ideia pra ela, mas quando ela estava na forma de heroína (ou seja, de porca) ele ficava todo assanhado pro lado dela. Cruz credo!
Mas Super Pig não durou muito e foi logo cancelado, mas algum tempo depois a TV Plim Plim veio com um dos shoujos mais famosos do mundo: Sakura Card Captors. Acho que não preciso explicar do que se trata, e praticamente todo mundo que curtia desenhos animados acompanhou, desde crianças pequenas até adolescentes e jovens adultos. Passou sem interrupções, reprises ou mudanças de horários, sendo uma das melhores experiências que um otaku das antigas poderia ter.
Fale com o autor