Helena, por vezes “Elê”, por outras “Lena”, mas sempre Helena.

Helena é uma mulher de vinte e dois anos, alta e de cabelos negros e curtos. Há alguns anos, se você rodasse a galeria do celular dela, veria fotos cheias de amigos e risadas, se você olhasse suas conversas poderia enxergar uma grande quantidade de grupos (colegas da faculdade, do ensino médio, pessoas que curtem um violão num sábado pela noite…). Hoje em dia um quarto dessas pessoas ainda andam ao seu lado.

São pessoas importantes, sem dúvidas, mas Helena sempre se doou muito em seus relacionamentos (não somente em namoros) e para ela sempre doeu muito quando haviam perdas envolvidas.

Alguns momentos de sua vida ela se isolou, para pensar sobre as coisas que estavam acontecendo ao seu redor, sobre sua vida, sobre si. Momentos ruins sempre invadem nossas vidas de vezes em vezes e pessoas próximas tendem a nos cercar com positividade, o que é algo maravilhoso. Mas Helena pensou mais.

Não adiantava se criticar tanto sobre suas notas na faculdade ou sua aparência, não podia viver sempre achando que seu corpo era uma prisão. Não adiantava sair somente quando alguém a convidava: boas companhias trazem boas memórias, mas as vezes precisamos ser nossa própria companhia.

A vergonha de ir assistir um filme no cinema sozinha sumiu, Helena via em si uma pessoa confortável para comprar um ingresso e uma pipoca. Não se preocupava mais em ir tomar café nas padarias sentada sozinha na mesa, ou em ir para um restaurante por pura vontade numa quarta-feira.

Lena sempre foi uma pessoa muito carismática e simpática, que gostava de conhecer pessoas novas para que essas invadissem sua vida e criassem raízes lá, mas ela também aprendeu que não há motivo para procurar nos outros aquilo que queremos em nós. “Não preciso procurar alguém que goste muito de sushi e convidar para ir comer comigo, posso fazer isso sozinha”.

Hoje em dia suas ótimas tardes são preenchidas com animações de sua infância e baldes de pipoca (ou algumas vezes brigadeiro, nunca se sabe a vontade do dia de amanhã).

Seremos nossa principal companhia (e, às vezes, única) pelo resto de nossas vidas. É importante sermos nossos melhores amigos. Um egoísmo acaba sendo bom quando bem aplicado, quando sendo usado para cuidar de si (ou a vaidade que se torna cuidar do próprio corpo, tanto na saúde quanto com outros métodos).

Acho que depois desses pensamentos Helena começou aproveitar mais ela mesma e suas amizades, as coisas faziam mais sentido e eram mais alegres. .

21:01, uma boa hora pra pedir uma pizza, quer um pedaço?