Eu queria ir atrás de Kelsey, preocupado por ela ficar sozinha na selva, entre outras coisas. Kishan se preparou para ir atrás dela, mas foi impedido por Phet, pois, segundo ele, Kelsey deveria ficar sozinha para pensar. Ele nos garantiu que ela estaria segura.

Phet voltou a falar sobre os cuidados que devemos ter com a flor, que é frágil e delicada. Desta vez eu não tive dúvidas sobre a flor da qual ele estava falando.

Depois de quase uma hora, Kelsey voltou. Ela tinha os olhos vermelhos e inchados. Meu coração ficou apertado. Eu me levantei e caminhei em sua direção, mas ela me lançou um olhar que me fez parar. Seu rosto sem emoção se virou para Phet:

— Então não há nada mais que você possa fazer por nós?

— Phet sente muito. Não pode ajudar com isso.

— Certo. — Ela virou-se para Kishan. — Eu gostaria de ir embora agora.

Ele meneou a cabeça e começou a aprontar as mochilas.

— Kelsey— Estendi minha mão, mas a recolhi quando ela a olhou com desprezo— Precisamos conversar.

— Não temos nada sobre o que conversar. — Ela segurou a mão de Phet —Obrigada por sua hospitalidade e por tudo que fez por nós.

Phet se levantou e a abraçou.

— Não se preocupe, Quel-si. Não se esqueça de que água e terra se satisfazem juntas.

— Não esquecerei. Mas acho que estou mais para lua. Nada de água para mim.

O xamã apertou seus ombros e disse:

— Tem água para Quel-si. Talvez lua, mas lua puxa a maré, de todo modo.

— Tudo bem — falou baixinho. — Obrigada pelo otimismo. Vou ficar bem. Não se preocupe comigo. Adeus.

— No futuro uma visita com você mais feliz, Quel-si.

— Espero que sim. Vou sentir saudade de você. Desculpe por sair assim de maneira abrupta, mas de repente fiquei ansiosa para acabar logo com essa maldição.

Kelsey pegou sua mochila e saiu apressada pela porta. Kishan pegou as coisas dele e correu para alcançá-la, despedindo-se de Phet rapidamente:

— Kells — começou ele.

— Será que podemos só caminhar durante um tempo? Não estou a fim de conversar.

— Claro.

Eu abracei Phet para me despedir e me transformei em tigre. Alcancei Kelsey e rocei meu pelo em sua mão, tentando fazer com que as coisas ficassem bem. Kelsey não olhou para mim, mas segurou as alças da mochila e passou para o outro lado de Kishan, que olhou para ela, depois para mim. Eu diminui o ritmo e fiquei para trás, triste.

Eu não queria tê-la magoado novamente. Eu não queria que ela me deixasse de lado. Mas não sabia como fazer com que ela me perdoasse.

Depois de muitas horas caminhando, sem parar nem para comer, encontrei o tigre negro ao lado de uma fogueira. Kelsey estava dentro da barraca, dormindo. Eu me transformei em homem e pedi algo para o fruto. Kishan continuava quieto enquanto eu comia. Ele bufou, deitou a cabeça sobre as patas e fechou os olhos.

Eu fiquei pensativo, me perguntando se deveria ir até a barraca de Kelsey para conversar, mas não sabia o que dizer, como me desculpar. Eu não conseguia imaginar um motivo para ter escolhido esquecer uma mulher tão especial quanto ela. Muito menos o porquê de eu estar bloqueando esta memória. Me transformei em tigre e fui dormir.

Kishan levantou-se quando ainda estava escuro e me disse que ia caçar, me pedindo para não sair de perto de Kelsey até que ele voltasse.

Ainda estava escuro quando ouvi Kelsey se mexer dentro da barraca. Me transformei em homem e me afastei, encostando-me em uma árvore, enquanto a esperava se levantar.

Kelsey saiu da barraca, mas não me viu. Ela jogou tocos de madeira na fogueira que se extinguia, reacendendo-a, depois sentou-se e pediu uma bebida ao fruto.

— Teve um pesadelo?

Ela se virou para trás, surpresa ao me ver.

— Não. — Voltou a olhar para o fogo. — Já dormi o suficiente, só isso.

Eu saí de onde estava e me sentei em um tronco perto da fogueira. Kelsey soprou a bebida quente e olhou para todos os lados, exceto para mim. Depois me perguntou por Kishan.

— Saiu para caçar. Ele já não pode fazer isso com muita frequência, e é algo de que gosta.

— Bom, espero que ele não esteja achando que eu vou ficar tirando espinhos de porco-espinho da pata dele — resmungou. — Se pegar um desses, ele que se vire sozinho. — Deu mais um gole. — Por que você não foi junto?

— Porque estou tomando conta de você.

— Não precisa. Sou bem grandinha. Vá caçar se quiser. Aliás, provavelmente é o que devia fazer. Ainda está muito magro.

— Bom saber que reparou. Eu estava preocupado, achando que você tivesse esquecido tudo ao meu respeito.— Eu falei, um pouco ressentido.

Kelsey me olhou cheia de raiva e então explodiu:

— Esquecer você? Eu? Esquecer você? Eu... Sabe de uma coisa? Você está começando a me irritar de verdade!

— Que bom. Você precisa colocar tudo para fora.

Ela colocou a xícara no chão e se levantou:

— Ah, você bem que ia gostar disso, não é mesmo? Ia achar o máximo que eu confessasse meu amor infinito por você enquanto dá risada na minha cara e faz pouco caso de mim!

Eu também me levantei.

— Eu não estou fazendo pouco caso de você, Kelsey.

Ela lançou as mãos ao ar:

— Tem certeza? Você me tirou a coisa mais importante do mundo! Arrancou o meu coração, o esmagou nas mãos e deu para os macacos brincarem. Eu não devia ter confiado em você! Que idiota eu fui de acreditar que gostava mesmo de mim. Que se importava comigo. Que tínhamos que ficar juntos. Você não passa... não passa de um travesseiro quadrado. E recentemente descobri que gosto dos redondos!

Eu ri da comparação estranha que ela fez, o que a deixou ainda mais irritada.

— Eu sou um travesseiro quadrado? O que isso quer dizer?

— Significa que nós não fomos feitos um para o outro, nada mais. Eu devia saber que você iria partir o meu coração. Todas as coisas que disse, todos os poemas que escreveu... não significaram nada para você. Assim que chegarmos em casa vou fazer questão de devolver todos os seus poemas.

— Como assim?

— É, eles já não são mais importantes. Podem muito bem ser atirados no fogo, porque é o único calor que terão a me oferecer.

— Você não faria isso.

— Espere só para ver.

Ela entrou na barraca e voltou com seu diário nas mãos. Ela o folheou e pegou uma folha. Tratava-se do poema “pérola inestimável”, que eu teria escrito para ela.

— Kelsey — Ela levantou a cabeça e nossos olhos se encontraram — Não faça isso.

Eu estava desesperado. Apesar de não me lembrar de ter vivido as coisas que estavam descritas no diário, ele passou a ser algo importante para mim. Eu gostava de lê-lo e imaginar como deve ter sido bom viver tudo aquilo com ela. E eu recentemente conseguia entender o que eu sentia por Kelsey.

— Que diferença faz? O homem que escreveu essas linhas está morto, na melhor das hipóteses, ou é um fingido.

— Você está errada. Só porque não me lembro de você não quer dizer que o que eu sentia antes fosse mentira. Não sei por que ou como fiz isso comigo mesmo nem por que me esqueci de você. Não faz sentido. Mas posso garantir que não estou morto. Estou vivo e parado bem aqui.

Ela sacudiu a cabeça:

— Você está morto para mim — e largou a folha.

O papel rodopiou no ar e caiu na fogueira. Corri para resgatá-lo quando o canto da página já pegava fogo. Fechei a mão sobre o local para apagar.

— Você sempre foi uma garota assim teimosa, cega e obtusa?— falei irritado.

— Está me chamando de burra?

— Estou, só que de um jeito mais poético!

— Ah, então vou fazer uma poema para você: “Siga seu caminho e se perca nele!”

— Eu já estou perdido! Isso devia ser óbvio! Por que não consegue enxergar o que está bem na sua frente?

— O que eu deveria ver? Um tigre que por acaso é príncipe? Um homem que me odeia tanto que me apagou da própria mente com um feitiço mágico? Um cara que não suporta ficar no mesmo lugar que eu durante mais do que alguns minutos? Que não aguenta encostar em mim? É isso que eu devo ver? Porque, se for, então estou vendo muito bem!

— Não, sua esquentadinha! O que você não está vendo é isto!

Eu vinha tentando resistir àquilo há semanas, com medo de não suportar a dor. Mas eu não conseguia mais evitar. Havia uma necessidade física, apesar do mal estar. Eu queria estar com Kelsey mais do que eu queria respirar.

Eu a agarrei e puxei seu corpo para junto do meu. Eu tinha a esperança de que ao beijá-la, minha memória voltasse. Senti uma queimação onde minha pele encostava na dela, mas ignorei. Encostei meus lábios nos dela e a beijei com desejo, com paixão. Senti meu corpo todo queimar e meu coração se acelerar, de um jeito bom. Era como se eu estivesse me encontrando nos lábios de Kelsey.

Mas muito rápido, meu corpo começou a queimar de verdade. Eu não conseguia respirar, então me afastei rápido, apoiando-me em uma árvore. Meu corpo se dobrou para a frente e eu tremia incontrolavelmente.

— O que você queria provar com isso?

— Se precisa perguntar, então obviamente minha tentativa não deu certo.

— Certo, então você me beijou. E daí? Não significa nada.

— Significa tudo.

— Como sabe?

Eu comecei a me recuperar, mas ainda estava ofegante. Me encostei na árvore e olhei para ela, que me encarava com os braços cruzados e o rosto sério.

— Significa que estou começando a sentir algo por você e, se estou sentindo isso agora, a possibilidade de que sentisse a mesma coisa antes é muito grande.

— Se é verdade, então remova o bloqueio.

— Não consigo. Não sei o que é, como passou a existir nem o que pode ser o tal ativador. Eu estava torcendo para que beijar você resolvesse a questão. Mas parece que não é isso.

— Como é que é? Você achou que podia beijar a sapa e transformá-la na sua princesa encantada? Bom, detesto destruir suas ilusões, mas não tem como melhorar o que está aqui na sua frente!

— Por que diabos você acha que eu não me interessaria pelo que está na minha frente?

— Eu realmente não quero discutir isso com você outra vez. Já esgotamos esse assunto, apesar de você não se lembrar. Mas na memória de curto prazo que você de fato tem, talvez se lembre de ter dito que Nilima era linda.

— Sim, eu me lembro de ter dito isso. E daí? Dizer que ela é linda por acaso é o mesmo que dizer que você não é?

— Foi o jeito como você falou. “Pena que não era por Nilima que eu estava apaixonado... ela é linda.” E isso implica que eu não sou. Você não sabe nada sobre mulheres? Nunca diga que uma mulher é linda na frente de outra.

— Eu não disse. Você que estava bisbilhotando.

— Meu argumento não deixa de ser válido.

— Certo! Então vou lhe dizer o que penso, e que eu nunca mais faça uma refeição se estiver mentindo! Você é linda.

Ela continuava séria, mas eu vi a sombra de um sorriso em seus lábios.

— Sei.

Eu passei a mão pelos meus cabelos, frustrados, sem saber o que fazer para convencê-la de eu estava sendo sincero.

— Tem alguma coisa que eu possa fazer para consertar isso?

— Provavelmente, não. — Colocou as mãos na cintura. — Eu não consigo entender por que você fez uma coisa dessas. Se me amasse mesmo, por que escolheria isso? A conclusão mais lógica é que nunca me amou de fato. Eu sabia que você era bom demais para ser verdade.

— Como assim?

— Você mesmo disse para Kishan que não conseguia se imaginar amando uma pessoa como eu. Está vendo? Até você sabia que nós não combinávamos. Você é o Mister Perfeição e eu sou a Miss Mais ou Menos. Qualquer um é capaz de ver isso, e esses eram os seus verdadeiros sentimentos logo depois que resgatamos você.

Eu dei uma risada desesperada.

— Pode acreditar, estou bem longe de ser perfeito, Kelsey, e você é tão mais ou menos quanto Durga. Eu mal a conhecia quando disse essas coisas, e você continua interpretando minhas palavras da maneira errada!

— Como?

— Eu... o que eu quis dizer foi... o que eu disse foi... Olhe! Você não é a mesma pessoa que eu achava que fosse na época.

— Sou exatamente a mesma pessoa!

— Não. Eu estava evitando você. Não queria conhecê-la melhor. Eu estava...

Ela arrancou outra página do diário, me interrompendo.

— Kelsey!

Eu corri até ela e arranquei o diário de suas mãos.

— Pare com isso! Nem pense em queimar outra página!

Ela tomou o diário de mim.

— As páginas são minhas e eu faço o que bem entender com elas.

Eu o puxei de volta:

— Você precisa parar de me julgar com base no que eu disse logo depois que voltei! Eu ainda estava traumatizado e não estava pensando de maneira coerente. Tive tempo de conhecer você e... eu gosto de você! — berrei. — Gosto de você o suficiente para achar que até entendo por que a amava, apesar de ser tão irritante!

Ela arrancou o diário de mim novamente:

— Você gosta de mim... o suficiente? O suficiente! Bom, o suficiente não é suficiente para mim.

— Kelsey, o que mais você quer de mim?

Puxou de novo.

— Quero o meu velho Ren de volta!

Aquilo doeu. Eu queria poder ser o velho Ren para ela, mas eu não sabia como. Na verdade, eu não sabia quem era o “velho Ren”. Eu só sabia que este Ren queria ser o melhor para Kelsey. Eu agora entendia perfeitamente o que Kishan quis dizer. Rosnei baixinho e respondi, resignado:

— Bom, não sei o que dizer. Talvez o velho Ren tenha desaparecido para sempre. E... este novo Ren não quer perder você.

Eu olhei para ela e passei a mão pelo seu pulso e, dessa vez, em vez de pegar o diário, eu a puxei para mais perto de mim. Então, disse:

— Além do mais, você disse que nós podíamos recomeçar do zero.

— Não acho que isso seja realmente possível.

Ela deu um puxão e se afastou de mim alguns passos. Eu serrei os punhos e falei.

— Então faça com que seja possível.—Minha voz saiu mais grave do que eu pretendia.

— Você tem expectativas demais.

— Não. Você tem expectativas demais — dei um passo em sua direção— Não está sendo razoável. Preciso de algum tempo, Kelsey.

Ela ergueu os olhos e agora parecia triste:

— Eu teria lhe dado todo o tempo do mundo se Phet não houvesse dito que você mesmo fez com que isso acontecesse.

— “Quão pobres são aqueles que não têm paciência! Qual ferida se cura se não for gradativamente?”

— Shakespeare não vai salvar você desta vez, Super-Homem. Seu tempo acabou.

— Talvez eu devesse estudar A megera domada!

— Ah, sim. Aqui está a sua primeira lição: “A minha língua vai revelar a fúria do meu coração. A porta está aberta, senhor; ali está vosso caminho.”

— Não preciso de lição nenhuma. Já sei como acaba. O cara ganha. “Acredita que gritos possam desencorajar-me?” — eu ergui o dedo e fiz um gesto, chamando-a para mais perto. — Aliás... “Venha aqui e beije-me, Kate.”

— Você passou dos limites. E vai descobrir que não sou tão fácil de ganhar quanto Katherine.

Kelsey estava irredutível e eu já estava ficando impaciente. Joguei as mãos para o alto.

— Você venceu. Se insiste em devolver todos os poemas, então devolva. Mas não os queime.

— Ótimo! Concordo em não queimar se você concordar em me deixar em paz durante o resto desta viagem.

— Ótimo! E, aliás, não entendo como posso ter acreditado que você era uma pessoa calorosa, afetuosa e gentil. É obviamente tão espinhosa quanto um porco-espinho. Qualquer homem que chegue perto de você vai acabar todo espetado!

— É isso mesmo! Uma garota precisa ter algumas defesas contra os homens que querem devorá-la no almoço. Principalmente quando esses homens são tigres selvagens à espreita.

Ela estava me instigando, e eu estava irritado, mas divertido ao mesmo tempo. Estreitei os olhos, peguei a mão dela e dei uma mordida de leve em seu pulso, depositando um beijo ali. Tentei disfarçar a dor que o gesto me causou.

— Você ainda não viu como posso ser selvagem, subhaga jadugarni.

Ela limpou o local com raiva e perguntou o que eu tinha dito.

— Significa... “bruxa adorável”.

— Elogios não vão levar você a lugar nenhum, muito menos essas gracinhas. Estou vacinada contra seus truques verbais.

Eu sorri e olhei para seus lábios, que me atraiam irresistíveis:

— Devem me levar a algum lugar, ou você não teria um diário cheio de poemas.

— Você não tem nada para caçar, não, hein?

— Claro. Deixo você sair na frente.

Ela me olhou com raiva.

— Não nesta vida.

Eu cruzei os braços sobre o peito e sorri para ela.

— Não faça isso. Só me deixa mais irritada.

Mas não era o que parecia. Eu percebi o rosto dela mudar, e ao invés da raiva de minutos antes, ela parecia triste.

— Você nunca tinha me chamado disso antes.

— De quê? De subhaga? Eu tinha outros apelidos para você?

Ela fez uma pausa e respondeu lentamente:

— Tinha.

— Como eu a chamava? Teimosa, cabeça-dura, temperamental, impaciente...? — Perguntei brincando.

Seus olhos lacrimejantes de repente arderam em raiva e ela gritou comigo:

— Chega! — batendo os pés em minha direção.

Ela me empurrou, mas eu não me movi, rindo dela. Então ela me deu um choque leve com a palma da mão.

— Ai! Tudo bem, gatinha. Você me mostra as suas garras, e eu lhe mostro as minhas.

Eu a agarrei pela cintura, imobilizando-a. Beijei seu pescoço e falei baixinho:

— Eu sabia que estava louca para pôr as mãos em mim.

— Seu... seu... devorador de porcos-espinhos!

— Se está tentando me convencer a devorá-la como sobremesa, vou considerar a possibilidade. Claro que vou precisar adoçar você um pouco.

Eu ri e beijei seu pescoço novamente. Ela me empurrou e correu para longe de mim. Ela estava trêmula e visivelmente nervosa. Então, Kishan surgiu na forma humana saindo da selva.

— Por que essa gritaria toda? — perguntou.

— Você pode, por favor, dizer para este seu irmão patético que eu não estou mais falando com ele?

Kishan sorriu.

— Sem problema. Ela não está mais falando com você. — Ele deu risada. — E eu preocupado que vocês dois estivessem se dando bem demais. Já devia imaginar...

Eu olhei com raiva para o meu irmão, depois olhei para Kelsey e apertei os olhos.

— Por mim, tudo bem. Pelo menos assim eu não vou ter que escutá-la.— Com uma mesura sarcástica, completei: — E sem nada mais a dizer, aceito de bom grado os seus termos de rendição.

— Eu não estou me rendendo a nada, ó Príncipe da Batalha dos Cinco Cavalos. E por mim tudo bem, também, porque não espero mesmo que você me escute!

— O certo é Campeão da Batalha dos Cem Cavalos!

— Ah, é? Então por que você não galopa de volta para o Jeep, Campeão?

— É isso mesmo que eu vou fazer!

— Ótimo! Vá pela sombra!

Passei por ela com raiva e frustrado e a encarei. Ela devolveu meu olhar raivoso. Então falei baixinho para ela:

— Tenho pena do coitado do Kishan, que precisa caminhar o resto do trajeto com você.

— Tenho certeza de que ele vai sobreviver.

Então eu olhei com raiva para meu irmão, que parecia confuso e olhei de cima a baixo, com ciúmes:

— Sem dúvida. Encontro vocês no Jeep.

Kishan meneou a cabeça e eu hesitei, Mas Kelsey cruzou os braços e me provocou:

— E então? Está esperando o quê? Um beijo de despedida?

Eu olhei para os lábios dela, louco para beijá-los novamente:

— Cuidado com o que deseja, mohini stri.

Ela entrou em pânico, temendo claramente que eu aceitasse o desafio. Mas com Kishan por perto, achei melhor acabar com aquele jogo de provocações. Saltei sobre a fogueira e segui pela trilha. Cheguei ao jipe muito antes de Kelsey e Kishan.

Depois de muitas horas, Kelsey apareceu, mas estava sozinha. Procurei por Kishan, mas ele não estava à vista, embora eu já o tivesse farejado. Fiquei irritado por ele ter deixado Kelsey caminhar sozinha, embora imaginasse que ele não estivesse muito longe. Me transformei em tigre e entrei na trilha para procurá-lo.

Kishan de fato não estava longe de Kelsey. Ele se transformou em homem e me disse que ela estava nervosa e queria caminhar sozinha, assim, ele preferiu não contrariá-la.

Chegamos ao jipe e encontramos Kelsey sentada em uma toalha. Kishan a encarou por alguns instantes, depois entrou no jipe, no banco do motorista. Eu pulei para o banco de trás e Kelsey se sentou ao lado de Kishan, pegou um travesseiro, ajeitou o banco e cochilou.

O trajeto até em casa foi bem silencioso. Quando chegamos, Kelsey desceu do jipe imediatamente e entrou em casa. Ela foi para o quarto, assim como eu.

Eu tomei um banho, me vesti e fui falar com Kadam. Queria desabafar e pedir conselhos a respeito dos meus sentimentos, já que não me sentiria a vontade falando sobre isso com Kishan. Desci até a sala do pavão e encontrei Kadam muito satisfeito. Ele veio falar comigo empolgado:

— Ren, que bom que você chegou.Terminei finalmente de decodificar a terceira profecia e gostaria que vocês descem uma olhada. Mais tarde vou pedir à senhorita Kelsey que leia e me dê sua opinião.

Eu li o papel que estava na mão de Kadam:

Pedras preciosas de um preto reluzente

Enfeitaram sua pele de cetim no passado.

Um malfeitor implacável despiu seu pescoço;

O cordão submergiu bem no fundo.

Agora as contas estão escondidas, enterradas no mar;

Um bravo as tira de lá.

Monstros letais mordem e aguilhoam...

Terríveis demais para serem derrotados.

Mas o tridente em riste, o kamandal que embebe,

E a senhora que tece a seda

Vão guiar e garantir que você deite

A coroa no mar de leite.

Busque os reis dragões dos cinco oceanos

Dos pontos cardeais quando mergulhar:

As estrelas do Dragão Vermelho se movem no tempo astral;

A montanha do Dragão Azul aponta o caminho;

O Dragão Verde ajuda a enxergar através do clima;

A cidade do Dragão Dourado situa-se abaixo das ondas;

O Dragão Branco abre a porta para luzes glaciais.

Tome os braços dela bem em riste

Seu prêmio imaculado a ser conquistado.

Capture o fio com poder fluido;

Tome o caminho de casa mais uma vez.

Refresque as terras da Índia com orvalho precioso;

Rio, riacho, a chuva vai encher.

A terra seca e o coração renovar,

Porque o poder de cura ainda está latente

Antes que eu pudesse dizer algo, ouvimos a voz de Kelsey:

— Senhor Kadam, não imagina como senti falta de estar perto de um cavalheir...

Ela parou de falar quando me viu, fechando a cara para mim. Ela ainda estava implicando comigo.

— Senhorita Kelsey, entre — chamou Kadam e se aproximou dela, erguendo os braços. Ela o abraçou enquanto eu cruzava os braços divertindo-me com sua braveza.

— Vou deixar vocês dois sozinhos

Passei por ela e encostei meu braço no dela, de propósito. A caminho da cozinha, eu a ouvi dizer baixinho:

— Espero que tenha doído.