A viagem do tigre - Pov dos tigres
33 O sétimo pagode - Ren
—Que bom. Agora, escutem o que tenho a dizer com muita atenção. Vocês obviamente estão em busca do Colar e contam com a proteção de Durga—Kaeliora fez uma pausa para cheirar os botões de lótus mais uma vez.—Caso contrário, eu não iria ajudá-los. Continuem a seguir este caminho. O túnel vai levá-los de volta ao oceano. Sugiro que percorram o gelo com rapidez, porque algumas das criaturas mais antigas do mundo fazem deste reino seu lar e não apreciam intrusos.
Kaeliora nos disse como chegar ao pagode e que o colar estaria dentro de uma concha, dentro de uma lagoa leitosa, frisando que apenas Kishan poderia entrar na lagoa e procurar a grande ostra. A sereia começava a congelar e pediu para que Kelsey a aquecesse, antes de começar a nos contar sobre o que, segundo ela, seria a parte difícil da missão. Kelsey ergueu a mão, mas nada aconteceu.
—Ela não consegue mais. Está exausta—explicou Kishan.
Imediatamente, eu retirei minha luva e agarrei o pulso de Kelsey. Um raio de luz dourada saiu de sua palma e aqueceu a água da fonte. Kaeliora comemorou.
—Isso é maravilhoso! Você não faz ideia de quanto tempo faz que não me sinto quente de verdade. Obrigada.
—Não tem de quê.
Kelsey abaixou o braço e tentou soltar minha mão, que ainda segurava seu pulso. Ela me olhou com raiva e se afastou, ficando ao lado de Kishan, que nos olhava surpreso. Kelsey parecia constrangida, como se tivesse sido pega em flagrante, cometendo um crime.
—Não é nada—ela sussurrou diante do olhar inquisidor de Kishan.
A sereia discordou.
—Ah, eu diria com toda a certeza que é alguma coisa, sim. Não vejo uma conexão assim tão forte há milênios.
—Como assim, conexão?— indagou Kishan com educação, mas com um toque de desaprovação na voz.
—Aquela luz é mais poderosa do que a que ela consegue produzir sozinha. Ele funciona como… bom, como um filamento. Ela despeja a própria energia nele e ele a aquece. Então ele envia de volta a ela, como uma lâmpada. Eles criam um tipo de vácuo entre si; é dessa conexão que eu estou falando. É muito especial e rara de se ver. Quando eles se tocam, nada existe além dos dois. Só têm consciência um do outro.
Aquilo que a sereia falou não foi nenhuma surpresa para mim. Ela explicou de forma didática exatamente o que eu sentia quando tocava Kelsey. Não havia como negar e agora Kishan sabia.
Olhei rapidamente para Kelsey e sua expressão era de compreensão. Kishan, por outro lado, parecia chocado e magoado. Ele olhou para Kelsey como se estivesse esperando uma explicação. Ela segurou sua mão e tentou sorrir.
—Bom, acho que isso explica por que nós não conseguimos criar a luz dourada juntos, se é que podemos acreditar no que a sereia diz a respeito da analogia toda da lâmpada. Como se ela pudesse saber… Até parece que trocou muitas lâmpadas aqui no fundo do mar. — Kelsey riu, depois pigarreou e continuou. —Mas com toda a certeza é uma ferramenta útil. Salvou a sua vida agorinha mesmo, Kishan.
Ela olhou para Kishan quase suplicante, depois pediu para que Kaeliora continuasse.
—É, sim… Do que eu estava falando mesmo?
—Da parte difícil—completei.
—Ah, sim. A parte difícil não é entrar. É sair. O Colar vai ajudar vocês a escapar. É só pedir a ele um caminho até a superfície. Ele é capaz de manipular a água, do mesmo jeito que o seu outro item manipula tecido. Mas há um grande predador à espreita no Sétimo Pagode. Ele não come. Ele não caça. Ele não dorme. Sua única razão de existir é impedir que vocês façam o que vão fazer.
—Ele é capaz de romper os túneis de gelo?
—Ele não vai precisar fazer isso. Vocês não podem voltar pelos túneis.
—Por que não?
—Porque, uma vez que atravessarem o limiar para dentro do pagode, os túneis vão derreter para impedir que qualquer ladrão em potencial fuja. A única maneira de chegar à superfície é pelo mar.
—Mas a pressão vai nos matar!
—Não se estiverem com o Colar. Mesmo assim, ainda vai ser muito perigoso. Compreendam isso antes de tomarem uma decisão. Vocês ainda podem voltar atrás se não quiserem se arriscar.
Kishan e eu olhamos para Kelsey. Nós aceitaríamos sua decisão e a seguiríamos onde quer que ela fosse. Ela mordeu o lábio e decidiu:
—Nós vamos seguir em frente. Afinal, chegamos até aqui.
—Muito bem. Antes de irem, tenho um presente para você, Aquele que Encontrou a Chave. Pode encher o seu cantil na minha fonte—disse ela com um floreio.
—O meu cantil?—perguntou Kishan, curioso.
—Sim. Um cantil. Um recipiente qualquer. Não tem nada assim? Durga deveria ter dado um a você.
—Durga?
—Sim, sim.
—Um recipiente de Durga? É o kamandal!Você está com ele agora?
Ele puxou o cordão que trazia ao redor do pescoço e tirou a concha de dentro da camisa.
—Está falando disto? Mas não tem rolha.
—Não faz mal—garantiu a sereia.—Apenas mergulhe-o na fonte. Não vai precisar de rolha. Nenhuma gota vai derramar, a não ser que você deseje usá-lo.
Ele posicionou a concha sob um filete da água leitosa.
—O que devo fazer com o líquido? Matar alguém?
A sereia deu risada, um som borbulhante e alegre.
—Não. Suas propriedades vão mudar quando saírem deste lugar. Já não vai mais machucar vocês. O néctar da imortalidade deve ser usado quando estiver mais desesperado. Confie nos seus instintos. Usá-lo sem prudência é alterar o destino. Um homem sábio enxerga o caminho que todos devem percorrer e adota o livre-arbítrio da humanidade, mesmo que assistir a seus desdobramentos lhe cause dor.
Kishan assentiu e pôs o kamandal embaixo da camisa.
—Se a decisão de vocês for por avançar, sugiro que se apressem.
Kishan e eu fomos preparar o trenó enquanto Kaeliora conversava com Kelsey. Nos transformamos em tigre e Kelsey nos arreou e montou no trenó e nós seguimos pelos túneis de gelo. Não demorou para que os animais do lado de fora se interessassem por nós e começassem a tentar quebrar o gelo para nos alcançar. Uma criatura enorme começou a bater no gelo, o que nos fez subir e cair.
Voltamos a correr, mas a criatura continuava nos perseguindo e causando rachaduras no gelo. Por mais que corrêssemos, a criatura ainda estava à nossa frente.
Mais tarde, uma enguia imensa se juntou à primeira criatura. Ela usou seu rabo enorme para se enrolar no túnel e apertá-lo. A água começou a entrar, cobrindo as paredes e deixando o gelo escorregadio. Tivemos que diminuir a velocidade para conseguirmos fincar as garras no gelo e não derraparmos.
As criaturas começaram a brigar do lado de fora. Kishan e eu aumentamos a velocidade. Fizemos uma curva e vimos uma projeção de pedra e um brilho dourado adiante. O Sétimo Pagode. O túnel levava diretamente para sua porta dourada.
Mas as criaturas voltaram sua atenção para o túnel e começaram a bater no gelo, que começou a se quebrar. Àgua gelada desceu pelas rachaduras, dificultando nossa chegada.
Com dificuldade, chegamos à porta do pagode. Kelsey soltou suas amarras e me soltou. Eu me transformei em homem e fui soltar Kishan.
—Corra, Kelsey! Enfie a chave na fechadura. — Gritei.
Kelsey não conseguia avançar rapidamente, pois a água gelada já alcançava sua cintura. Kishan e eu a alcançamos, quando uma onda de água gelada nos jogou contra a porta dourada. Kelsey alcançou a chave e tentava coloca-la na fechadura, sem sucesso. Eu coloquei minha mão sobre a dela e a guiei. Conseguimos abrir a porta.
Uma onda nos lançou para dentro do Sétimo Pagode. Kishan e eu nos levantamos rapidamente e nos jogamos contra a porta, para fechá-la. Cansados, nos sentamos no chão, arfando.
—Conseguimos. Estamos no Sétimo Pagode.
Nós precisávamos descansar. Então nos trocamos, comemos e fomos dormir. Kelsey preparou a barraca e três sacos de dormir. Cada um escolheu o que comeria e Kelsey me olhou de cara feia quando eu escolhi massa recheada, pães e salada, a primeira refeição que ela preparou para mim. Depois de tudo o que passamos, eu só queria me lembrar de um lugar melhor e de uma época feliz.
Depois do jantar, Kishan entrou na barraca e logo começou a roncar. Eu também estava exausto e queria ir dormir, mas vi que Kelsey parecia relutante.
—Você vem?
—Vou… daqui a um minuto
Eu a observei por um tempo. Pensei em conversar com ela, tentar convencê-la a mudar de idéia em relação à sua escolha. Mas eu estava cansado demais para argumentar. Entrei na barraca e me deitei, deixando um espaço no meio para Kelsey, que não demorou a entrar também. Ela não se deitou no meio. Pegou sua colcha e foi se deitar do outro lado, ao lado de Kishan. Ouvi o som do tecido se entrelaçando para aumentar o tamanho da barraca. Fiquei magoado e falei, irritado:
—Até parece que vou atacar você enquanto estiver dormindo…
—Fico com muito calor entre vocês dois.
—Eu podia ter trocado de lugar com você.
—Eu não ia querer que Kishan entendesse mal as coisas.
Suspirei consternado, ao perceber que ela não queria ficar perto de mim. Ela não queria de Kishan, seu namorado, o escolhido, ficasse com ciúmes.
—Boa noite, Kelsey.
—Boa noite.
Apesar de exausto, eu não consegui dormir naquela noite. Lembranças de uma época feliz com Kelsey não saíam da minha cabeça. A dor de saber que eu nunca mais seria inteiro novamente, já que ela escolhera outro, não me deixava relaxar. Eu simplesmente não conseguia aceitar. Eu acreditava que se arrependeria, que algo aconteceria e Kelsey voltaria para mim.
Assim que amanheceu, Kishan acordou e levantou-se. Kelsey e eu o seguimos. Saímos para explorar o pagode, que ainda estava escuro. Encontramos alguns incensos e uma bacia com areia. Colocamos os pauzinhos em pé na bacia e Kelsey os acendeu usando seu poder.
O lugar se iluminou, mostrando todo o seu esplendor. A sala enorme apresentava pilastras douradas que se erguiam à altura de três andares e sustentavam o teto pintado abobadado. Janelas grossas em forma de arco exibiam o mar. Pergaminhos e murais detalhados estavam emoldurados nas paredes, mas, fora isso, as paredes e o teto eram pintados de vermelho com dragões laqueados soltando chamas.
O piso era feito de lajotas pretas reluzentes. Uma fonte pequena pingava num lago amplo que ocupava a maior parte do espaço. A água era branca como a do lago da sereia, logo, era impossível enxergar o que havia no fundo. Eu comecei a observar os murais pintados. Kishan e Kelsey juntaram-se a mim.
—Aqui está ele. O Colar. Estão vendo como repousa dentro da ostra?— falei animado, ao avistar um mural que representava o Colar de Durga rodeado por centenas de ostras.
—É… mas não dá para ver nada através da água. Ela é turva demais. Como é que Kishan vai encontrá-lo? E o que mais tem lá embaixo?
—De acordo com o mural, nada. Só um leito de ostras. Ele vai precisar abrir todas as conchas— dei um tapinha no ombro de Kishan.—Fico feliz que você tenha bebido o soma e não eu.
—Valeu! Bom, quanto antes melhor. Vocês dois fiquem me esperando aqui na beirada que eu vou jogar as conchas.
Kishan tirou a camisa e os sapatos, então agarrou a cintura de Kelsey que estava de costas, olhando o mural.
—Quer nadar comigo, linda?
Com raiva e com ciúmes, respondi por ela, sem me virar:
—A água vai matá-la.
Ouvi Kelsey sorrir. Vi pelo canto do olho que ela se virou para abraçá-lo.
—Quem sabe mais tarde. Estou achando que precisa se exercitar mais, Kishan. Está ficando todo flácido com a idade avançada.
—Onde?
Kelsey deu uma risada alta.
—Estou brincando. Daria para ralar queijo na sua barriga. Ainda bem que não existem outras garotas por aqui. Todas elas estariam jogadas aos seus pés.
Ele sorriu.
—Uma garota jogada aos meus pés me basta. Além do mais, um homem precisa ser forte o bastante para salvar sua donzela em perigo, não é verdade?
Eu estava com raiva. Pensei se Kelsey estaria apenas tentando me provocar ciúmes. Eu não gostava de testemunhar as carícias entre eles, de testemunhar as intimidades de casal que eles estavam demonstrando. Doía.
Me virei irritado e impaciente e os vi abraçados. Kelsey estava com a mão sobre a barriga de Kishan, apalpando a musculatura. Eu os interrompi rapidamente.
—O que vai usar como faca?—perguntei.
—Vou usar o chakram. Como você vai abrir as ostras?
—Nós vamos pensar em algo.
Kishan se soltou do abraço de Kelsey, mas continuou segurando a mão dela. Eu o empurrei em direção à água. Ele sorriu e apertou a mão de Kelsey antes de entrar devagar no lago.
Alguns segundos depois, ouvimos um baque quando uma ostra pesada bateu no piso. Kelsey afastou-se e deu a volta no lago. Kishan continuou jogando as ostras enquanto eu as abria usando o tridente. Kelsey subiu as escadas que levavam ao alto da fonte. Após alguns minutos, ela me chamou:
—Ren? Acho que encontrei Parvati e Shiva! Indra também está aqui!
—Já vou olhar. Só um minuto.
Eu continuei abrindo as conchas que Kishan jogava. Ainda havia algumas fechadas, então eu abriria aquelas, depois iria até Kelsey. Ela me chamou novamente.
—Ren? Será que você pode vir aqui? Por favor!
—Só um minuto, Kelsey. Quase consegui abrir esta aqui.
Depois de abrir aquela concha e constatar que não havia nada dentro dela, resolvi fazer uma pausa para ver o que Kelsey tinha encontrado. Comecei a subir os degraus quando ouvi a voz dela. Ela parecia estar assustada com alguma coisa, sua voz era quase chorosa:
—Não-não-não-não.
Subi a escada rapidamente e parei à frente de Kelsey. Ela estava perto da cascata que descia até o lago. Sua expressão era de medo. Sem pensar duas vezes eu a abracei, mantendo seu corpo junto ao meu, e massageando sua nuca, para acalmá-la.
—Não… o quê, Kelsey?
—É impossível— ela sussurrou, com o rosto encostado em meu peito.
—Vamos. Mostre o que você encontrou.
Ouvi Kishan sair da água e gritar por nós. Eu estava muito preocupado com Kelsey para lhe responder. Ele reclamou e começou a abrir as conchas.
—Está tudo bem— tentei acalmar Kelsey—Vamos dar uma olhada. Eu vou com você.
Eu afastei meu corpo e segurei a mão dela. Ela agarrou minha mão com a outra, apertando-a e colocou seu corpo perto do meu, como uma criança amedrontada. Eu toquei meus lábios de leve em sua têmpora, para demonstrar que eu cuidaria dela.
Nós subimos os degraus e passamos pela cascata. Havia estátuas ali. Uma mulher abraçada a um homem, que lhe oferecia um colar de pérolas. Outro homem os observava com ciúmes. Eu soube naquele momento que eram Parvati, Shiva e Indra. Kelsey começou a tremer de novo. Eu examinei as estátuas e não vi nada de errado nelas.
—Não estou entendendo. Qual é o problema, strimani?
Ainda trêmula, Kelsey ergueu a mão e apontou para a mesma direção que a estátua de Indra apontava.
—É…—Sua voz tremeu.—É grande demais.
Kelsey fixou os pés no chão e não deu nem mais um passo. Estava aterrorizada. Eu soltei sua mão e caminhei na direção que ela apontara, atrás da fonte. Desci as escadas e caminhei ao redor de uma parede de mármore. Então entendi o que havia causado o pânico em Kelsey.
Uma estátua de um mármore representava um tubarão morto. Mas aquele não era um tubarão comum. Ele era maior do que o maior tubarão conhecido. A boca estava aberta e era grande o suficiente para morder um dos dragões. Talvez ele fosse pré-histórico. Fiquei chocado. Me abaixei perto da cabeça, para examinar melhor a estátua. Ela tinha dentes grandes e pontiagudos e era realmente impressionante. Fiquei preocupado se aquela seria a reprodução do tubarão da profecia. Tentei afastar esse pensamento e tranquilizar Kelsey.
—Vai ficar tudo bem, Kelsey. Tente não se preocupar.
—Tentar não me preocupar? É um tubarão gigante!
—É, mas…
—Ren! Um macaco-aranha está para o King Kong do mesmo jeito que um grande tubarão-branco está para esta coisa!
—Eu sei, mas…
Kishan me interrompeu, gritando irritado do andar de baixo:
—Onde vocês estão?
Kelsey foi até a amurada e acenou.
—Estamos aqui em cima. Vamos descer já, já.
—Tudo bem.— Ele não parecia satisfeito.
Kelsey se virou para mim, irritada.
—Mas o quê? Você não entendeu? Este é o grande caçador que não dorme nem come… a coisa sobre a qual a sereia nos avisou. Sua única razão de existir é impedir que nós cheguemos à superfície!
—Nós não sabemos se esta é a mesma criatura de que ela falou.
—Para mim parece bem provável que seja!
—É o seu medo que está falando. Sei que está assustada, mas não adianta nada entrar em pânico por causa de algo que ainda não aconteceu e talvez nem aconteça.
—Eu não quero ser comida por um tubarão.
Eu a abracei e sorri.
—É bem mais provável que você seja comida por um tigre. Lembra?
Ela acenou positivamente com a cabeça e fungou. Eu me afastei para olhar seu rosto e uma lágrima desceu e escorregou até seu nariz. Eu lhe beijei na testa e acariciei sua bochecha.
—Nós vamos ficar bem. Eu prometo. Está bem?
—Está bem.
Ela levantou o rosto e nossos olhos se encontraram. Eu passei os polegares por baixo de seus olhos, para enxugar suas lágrimas. Ela prendeu a respiração por alguns segundos, depois respirou com mais pressa. Seu coração disparou, mas ela se afastou de mim.
Eu fiquei ali parado, olhando para ela, decepcionado e triste. Kelsey caminhou até à estátua de Parvati e ficou observando-a. Eu corri os olhos pela cena e vi Indra, irado, olhando Parvati e Shiva juntos. Pensei que nós dois nos sentíamos da mesma forma: preteridos, trocados injustamente por outro homem.
Neste momento, Kelsey estendeu a mão pra tocar em Parvati, mas a estátua tremeluziu e desapareceu. Kelsey assustou-se, assim como eu. Ela se virou para mim:
—Ren!
—Eu vi o que aconteceu!
As estátuas de Indra e Shiva também tremeluziram e desapareceram. Olhei para baixo e o tubarão também sumiu. Kelsey deu um grito de pavor, no mesmo instante em que Kishan deu um grito de triunfo:
—Ei, pessoal! Achei! Estou com o Colar!
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