A viagem de Julia

1 Capítulo 1- A chegada de Julia ao bosque


O conto a seguir narrado aconteceu a muito tempo num vetusto bosque que jazia nas encostas das estradas que cercavam as cidadezinhas rurais de "Lugar Nenhum". Em uma das ditas "Cidades Grandes" de Lugar Nenhum, morava Julia, uma linda garota de quinze anos com longos cabelos ruivos, uma pele clara como a neve, simplórios olhos castanhos e sardas no rosto. Todo ano, Julia passava suas férias no sítio de seu avô materno, o que para ela, causava um profundo desalento.

Julia vinha de estar no carro de seus pais indo para o sítio, porém, desta vez algo diferia esta de outras viagens: Estava frio, chovia forte, as estradas estavam molhadas e uma leve neblina cobria todo o caminho. Em algum ponto do caminho, o carro veio de morrer a uns 2 km de qualquer civilização.

–- Filha! Filha!-- grita a mãe de Julia tentando chamar a atenção da menina que, no momento, estava de fones de ouvido.

–- O que foi, mãe?!-- responde a menina com o seu humor ácido (típico dos "aborrecestes", como sua mãe dizia) enquanto tirava os fones de seus ouvidos.

–- Julia Aravis Drumond Mattos! Olha bem como você fala com a sua mãe, mocinha! Não vai querer que eu te coloque de castigo de novo, não é?-- após um silencio tomar conta do carro, Lúcia, a mãe de Julia, prossegue-- Então filha, a mamãe precisa que você vá caminhando ao posto mais próximo que, de acordo com um site que eu li em meu celular, é a uns dois quilômetros daqui por iss...-- Julia a interrompe irritada.

–- Porque logo eu quem tem que ir? Porque você ou o papai não vão?!

–- Filha, você sabe que eu tenho aquele probleminha no joelho e sobre o seu pai, oras, ele está cansado por dirigir o dia todo. Julia, você só tem quinze anos e eu e o seu pai já passamos dos quarenta, não custa nada você ir.

–- Mas mãe...-- tenta Julia argumentar.

–- "Mas" nada, mocinha, vá agora! Sem mais nem menos, vá!

Julia não entendia a, como ela mesma chamava, "tirania anarquista" de sua mãe, mas afinal, qual filho vem realmente a entender? No fim das contas, após um pouco de discussão, Julia obedeceu a mãe e foi a procura do tal posto.

Enquanto caminhava em direção ao suposto posto, um carro passou muito perto de Julia, a fazendo pular de susto. O exato ponto onde Julia caiu dava-lhe visão para um pequeno bosque, que curiosamente, como se houvesse uma cúpula ou um enorme guarda chuva sobre o mesmo, algo impedia de chover dentro dele. A curiosidade matou o gato e Julia entrou no bosque.

Em fato, o bosque era possuidor de uma beleza indescritível. Nele, havia uma exuberante diversidade de árvores, folhagens, relvas altas e pássaros tão bonitos que eu estragaria a beleza deles se aqui tentasse narrar-la. Dentro daquele aprazível bosque, tudo era tão calmo que Julia poderia passar horas e horas apenas contemplando as folhas que vinham a cair vagorosamente das altas e inveteradas árvores. Enquanto a menina dos cabelos ruivos caminhava por aquele lindo e fantástico bosque, ouvia alguns barulhos, tais barulhos que a fazia sentir-se como se alguém estivesse a seguindo, e de fato alguém estava.

–- Por acaso, a senhorita sabe o que estás a fazer caminhando sozinha por este bosque? -- pergunta uma voz extremamente afável e agradável aos ouvidos .

–- Na verdade, não faço a mínima ideia. Mas afinal, quem é você?-- nesse momento, pôs-se de frente a Julia um donairoso garoto que aparentava ter uns dezesseis anos de idade. O rapaz era dotado de cabelos cacheados brancos, usava fabulosas vestimentas vitorianas e, curiosamente, possuía orelhas de raposa.

–- Eu sou apenas um dos espíritos que um dia já veio a vagar por este bosque. Bem, a formosa senhorita pode me chamar de Tom, se quiser.

–- Um espírito?-- questiona Julia com uma voz pálida ( espero que você saiba o que é uma voz pálida)

–- Sim, um espírito! Se, por gentileza, permite-me explicar-te, o que acontece, minha graciosa senhorita, é que este bosque, não vem a ser somente um bosque, mas também um lar para os mais diversos espíritos, tanto bons quanto ruins, que zelam pelo equilíbrio das coisas.

Julia de inicio não acreditou nas sinceras palavras de Tom, mas após ver um ou dois espíritos de aparência que para nós, meros humanos, é incomum, a garota dos cabelos ruivos deixou-se cativar com a ideia. Após alguns minutos de conversa entre os dois com o intuito de conhecer um ao outro, Tom vira-se para Julia e diz:

–- Pois bem, jovem dos olhos brilhantes como a lua cheia sobre as águas do lago de Khartin, se agrada-lhe a ideia, gostaria de vir a tomar um chá em minha graciosa e nem tão exuberante moradia? Caso aceite, eu ficaria feliz em contar-te mais e mais sobre este venusto bosque...

–- Em fato, não posso vir de demorar pois meus pais estão a me esperar...-- responde Julia abobada e tentando dialogar formalmente ao ficar impressionada com o vocabulário de Tom-- Porém, nobre cavalheiro dos cachos brancos, não virei de recusar tal convite.

Tom conduziu Julia até um pequeno chalé, aonde serviu o prometido chá e algumas bolachas, diversos bolos e outras inúmeras guloseimas. Enquanto vinha de servir a comida a Julia, Tom contou historias e por fim, contou mais e mais historias sobre aquele fascinante bosque. Farta de comer extremamente confortável, Julia deu-se ao sono e acabou apagando no obro de Tom. Três fatos curiosos sobre o bosque: Primeiro fato curioso: Nele, as horas vem a passar mais três vezes mais rápido do que em nosso mundo, sendo assim, minutos aqui correspondem a horas lá. Segundo fato curioso: Quando alguém, em vida, vem a entrar no bosque, quase de imediato, se perde e dificilmente achará o caminho de volta. E por fim, o terceiro fato curioso sobre o bosque: Em vida, quanto mais tempo se passa dentro do bosque, mais você vem a se esquecer de quem um dia já veio a ser.

Ao acordar, Julia encontrou-se corada por estar aos braços de Tom e ao perceber quanto tempo se passara, a menina saiu correndo para vir de se encontrar com seus pais. Antes que Julia pudesse sair do bosque, Tom a segurou a pela mão e com um doce sorriso estampado disse que ela não precisava vir de se preocupar pois depois ele a levaria de encontro ao seus pais.

O resto daquele dia, toda vez em que Julia tocava no assunto, Tom comentava outra coisa fascinante sobre o bosque. No fundo, ela não queria voltar para seus pais, pois, mesmo sem ter uma explicação lógica, Julia via-se extremamente feliz por passear de mãos dadas com o menino dos cachos brancos, mas então, quando o sol já se esvaia e uma leve penumbra tomava o céu, aconteceu o inevitável:

Cansada de Tom tanto desviar do assunto, a menina largou a mão do mesmo e correu em direção a saída do bosque por onde veio a entrar, porém, nem sempre conseguimos vir de encontrar aquilo o que queremos quando e como queremos. Ao sair por onde entrou no bosque, Julia viu-se em frente a uma cena horrenda: Uma garota fora morta à beira da estrada e, pelo o que aparentava, a causa da morte veio a ser atropelamento. Julia começou a chorar em desolamento e desespero. Tom, que veio correndo atrás dela, logo a abraçou. E a menina, chorando, disse:

–- Tom, eu não vou voltar para casa, não é?

–- Desculpe-me, mas creio que não, você está morta. É, eu sei que é difícil aceitar porém se você.. --Julia o interrompe.

–- Mas porque isto veio de acontecer logo comigo?

–- Não acho que coisas como assim precisam realmente de um porquê, as vezes elas apenas são o que são pois são aquilo que precisam ser.

Um abraço forte foi tudo o que Tom podia e deu a ela naquele momento, depois de um tempo Julia voltou ao bosque, mas nunca voltou a ser a Julia que antes fora. E este, contrariando o que você possa estar pensando, não foi, de certa forma, o fim da vida de nossa protagonista. Acredito eu que a palavra "fim" é apenas uma das diversas maneira de se referir a "um novo começo".

Notas finais
Se quiserem, comentem, ficarei feliz em responder seus comentários e melhorar a historia no que precisa ser melhorada. Muito obrigado por lerem, podem um próximo capitulo pois o mesmo já está sendo feito, Grato, H. J. Carmine
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.