Notas iniciais
Galera que tá acompanhando, desculpa a demora. Eu planejei em postar a cada duas segundas feira, mas meu celular pareceu não entender o alarme... Mas o cap tá aqui. Espero que tenham uma boa leitura.

Saí rapidamente e comecei a correr em direção à loja. Velocidade e Dimensão alternativa estavam guardadas numa proteção de cartas que eu tenho. Deixei meu deck original do Yugi em casa, e guardei as cartas dentro dele. Chegando à loja, fui diretamente conversar com o dono, pra saber a origem da carta.

– Oi, seu Burlin, boa tarde.

Thomas Burlin era um gaulês rico, muito rico, e principal fornecedor da loja. Tem uns cinquenta anos, mais ou menos, e era bem amigável, isso era comigo.

– Ahá, bom dia, pequeno homem. Conseguiu achar algo de interessante hoje de manhã? O caixa disse que você saiu correndo depois da compra.

– Achei, e é sobre isso mesmo que eu quero falar com o senhor diretamente.

– Pois diga, diga, estou aqui para ajudar a muitos!

– Certo, certo. — Disse, com um sorriso no rosto. — Eu comprei duas cartas aqui. Lindas, dê uma olhada. — Tirei as duas e mostrei pra ele. — Queria saber de onde vieram. Tem jeito?

– Sempre tem, meu bom pequeno homem. Venha comigo. — Disse ele, e começou a ir aos fundos da loja.

Passando pelas prateleiras, seguindo logo após o caixa, cheguei até os fundos da loja. Sem notar muito o ambiente ao redor, segui até uma mesa, onde nos sentamos.

– Aqui está um registro detalhado de tudo o que entra e sai da loja. Qualquer coisa desde quando eu abri a loja, 12 anos atrás. Minha primeira venda, um baú de madeira que foi usado por piratas de verdade. — Ele falou. — Olha só essa, um vaso usado nos rituais egípcios de velamento. Esse foi particularmente difícil de encontrar. — Ele falou mostrando as fotos.

– Lindas peças, senhor Burlin, mas e quanto as cartas?

– Acalme-se, pequeno homem, vai ser difícil de achá-las. — Disse, enquanto avançava as páginas. — Tudo aqui está em ordem de entrada na loja, não de saída. Eu mantenho um registro também no computador de saídas, mas ele só é atualizado depois das seis.

– Certo, então continue.

– Olha essa. Incrível set de xadrez turco, o original, de quatro jogadores. Esse foi rápido pra vender. — O tabuleiro era bem rudimentar, e horrível pra jogar, já que precisa de quatro pessoas, mas pelo fato de ser um dos tabuleiros originais, valia a pena comprar.

– Vasos, bonecas de porcelana, móveis... Essa espada usada na primeira guerra mundial... Bonecas... — Ele avançava as páginas com velocidade, mas elas ainda não apareciam. — Uma tumba pequena, pra decoração. Haha, esse foi legal. Eu tive que ir no Egito pegar. — Ele falou. — Bons tempos.

– Deve ter sido muito legal viver a sua vida, senhor Burlin.

– E ainda é muito legal, pequeno homem, e ainda é muito legal.

As páginas seguiam e contavam suas histórias. Egito, China, Austrália, França, Alemanha. Lugares perto, lugares longe, mas as minhas cartas não apareceriam tão fácil.

– Aqui tem umas cartas, são essas? — Ele falou, logo me passando o livro.

– Não, não são essas. Esse é um deck completo, e o que eu estou procurando são duas cartas unicamente.

– Bom, então vamos continuar.

Passando uns vinte minutos de busca, finalmente achamos o que eu procurava. Pelo que diz o livro, elas tinham chegado dois anos atrás, juntas, por doação anônima.

– Deixa eu ver nos detalhes dela. Aqui diz que foi deixada na loja, sem identificação.

– Hmm... Curioso.

– Curioso o que, pequeno homem?

– Eu queria saber se tinha mais de onde essas vieram. Caso apareça mais algumas que pareçam isso, você pode me avisar?

– Sem dúvida, rapaz. Só deixe o seu telefone que eu ligo no mesmo segundo. — Completou com um sorriso.

– Claro, aqui está.

Dei meu telefone e saí da loja. Chegando em casa, logo após confirmar onde minhas novas relíquias estavam. Percebendo que minha mãe tinha feito restrições, dizendo que queria saber meus movimentos, fui reportar a minha missão. Chegando onde ela estava, na sala com meu pai, marchei até o lado da televisão.

– Filho 001 reportando resultado da missão, senhor! — Falei, imitando um soldado.

Minha mãe, como sabia do que tinha falado, começou a rir. Meu pai ficou sem saber o que fazer.

– Contexto, por favor... — Meu pai falou, buscando entender.

– Comandante-mor requisitou relatório completo sobre missões fora da base, senhor! Estou aqui para dar o relatório completo, senhor! — Falei, já me segurando.

– Ok. — Ele deu uma pausa. Mulher, contexto, por favor... — Ele falou olhando pra minha mãe.

– Ele e o quarto fizeram uma peça, onde ele era Katrina e o quarto era Nova Orleans. — Ela falou. Sem dúvida já tinha se acalmado. — Pedi pra ele me falar sobre onde iria de agora em diante.

– Ahh, entendi. — Meu pai falou, agora entendendo quase tudo. — E o relatório?

– Senhor, fui à loja da esquina, senhor! — Agora já ríamos. — Tá, chega. Eu fui na loja que tinha falado, mãe, e lá fui buscar uns itens que tive interesse. Desculpa a demora.

–Bom, pode ir pro seu quarto agora. — Ela completou.

Saí em silêncio, sem nem ouvir o que eles falaram depois. Pelas risadas de meu pai ela tava contando sobre a pose que fiz antes.

Subi, me deitei na cama e comecei a pensar alto.

– Velocidade e Dimensão alternativa estão comigo. Será que existem mais além dessas? Velocidade e Dimensão alternativa... Vamos ver no velho amigo Google.

Peguei meu notebook e comecei a procurar. Nada relacionado, parecia até que nunca existiram. Mas estava na loja do senhor Burlin por dois anos, então deveria existir alguma coisa. Busca por texto não funcionou, então vamos aumentar a tecnologia. Scaneei as cartas pelo meu telefone e enviei pra busca do Google por imagens. Apareceram várias cartas de Pokemón de raio, algumas magias de Yu-gi-oh, e então achei uma. Não era Velocidade ou Dimensão alternativa. Era uma outra, chamada Transformação. Sua descrição não era visível, porque estava muito baixa a resolução. Não dava pra ver as costas, então não sabia o que era. Pelo seu símbolo eu podia imaginar o que fazia. Era um pequeno círculo branco, com uma sombra quadrada maior, um pouco mais fraco. Sem dúvida era algo sobre mudar a aparência. Busquei o site onde a imagem estava, e ele me levou a um perfil do Facebook.

Tentei ver se estava na parte de fotos, álbuns e tal, mas não achei mais nada sobre ela. Procurei de novo no Google com mais atenção e achei o link da publicação. Infelizmente o link não abria mais, dizendo que foi deletada a postagem. Mas o perfil dela era bem interessante.

Amanda, eu estava procurando na internet, e vi que você achou uma carta similar a que eu tinha, e perdi. Eu queria saber se é a minha mesmo. Você pode me mandar uma foto melhor dela? Acho que assim tá bom. Enviar. Agora é esperar... Deixa eu ver se tem mais alguma coisa que eu posso saber sobre ela. Mora na cidade, na zona norte. Estuda... Na mesma escola que eu. Isso é perfeito. Assim teremos um ponto de encontro fácil. Procurando mais sobre ela, meu estômago roncou.

Ah, sim, claro, nem tinha notado isso antes. Só tinha comido de manhã, e a bagunçaria do quarto me distraiu. A descoberta das cartas me tomou muito tempo, e ir na loja do senhor Burlin me iludiu ainda mais. Com o resultado positivo, correndo pra casa, a fome sumiu e só voltou agora. Fome demaaaaaaais. Desci as escadas, e cheguei na cozinha, encontrando minha mãe preparando a janta. Olhei no relógio, curioso. Eram nove e quinze. Eu nem acreditava no que tinha visto. Que horas tinha ido pra loja do senhor Burlin?

– Mãe.

– Diga.

– Que horas eu saí hoje?

– Que horas? — Perguntou confusa. — Acho que umas três horas.

– E voltei umas quatro, né?

– Por ai.

– Valeu, mãe. Vou pegar uma maçã. — Eu fiquei quase cinco horas pesquisando elas na internet?

– Isso não vai atrapalhar seu apetite? — Ela questionou.

– Mãe, nem tinha percebido, mas até agora fiquei desde manhã sem comer nada.

– Como isso foi possível?

– Muitas coisas aconteceram hoje. E tudo foi muito bom.

– Oh, bom pra você, filho. Vi o trabalho que você fez no quarto. Muito bom, saiu da condicional. — Ela falou sorrindo.

– Brigado, mãe. Vou voltar pro meu quarto agora, ok?

– Vai lá, que eu te chamo quando tiver pronto.

Subi as escadas satisfeito. Uma maçã ia enganar um pouco minha fome, e agora tenho que esperar. Esperar Amanda me responder. Esperar pra saber mais sobre essas cartas. Velocidade. Isso é muito legal. Dimensão alternativa. Talvez tenha algumas limitações especiais. Deitei na cama e comecei a ler as condições especiais de cada carta.

Aparentemente Velocidade só aumenta certos aspectos, como corrida, pulos laterais que ficam mais rápidos, velocidade das mãos. Velocidade de pensamento, como a própria carta diz, não é influenciado. Efeito aprimorável. Aprimorável como? Essa parte não entendi. Terei que testar isso depois. Dimensão alternativa movia objetos para uma dimensão imaginada, e depois os trazia. Ela diz que só se tem uma única dimensão de uso, diz também que é proibida a entrada do usuário da carta. Isso é uma pena, ia ser demais fazer isso. A próxima era preocupante. Não é recomendado o envio de corpos biológicos vivos. Acho que nem vou testar.

Levantando da cama, peguei Velocidade e aproximei meu rosto, a carta se ativou, e senti desta vez a mudança que ela ocasionou. Não quis testar seus efeitos, não dessa vez, quis testar outra coisa. Peguei também Dimensão alternativa, e aproximei do meu coração, como da última vez. Ela sumiu, mas não notei diferença nenhuma no meu corpo. Hora de testar.

Saí do meu quarto e segui para o começo do corredor. Disparei para o lado oposto. Em menos de três segundos eu corri a distância do corredor, que sempre demorava uns dez segundos pra correr tudo de ponta a ponta. Entretanto, cansei bem mais do que normalmente cansaria. Parece que a carta aumenta a velocidade e também o custo de energia pra fazer. Não é tão boa quanto se pode imaginar.

Dimensão alternativa, entretanto, não tem efeitos negativos, até onde eu sei, então farei testes de espaço. Mandei meu travesseiro. Entrou e sai tranquilamente. Resolvi mandar algo maior. Minha cadeira. Ia ser uma tristeza se desse errado. Mandei. Comecei a torcer e me concentrei para trazê-la de volta. Voltou inteira, sem nada diferente. Ok, próximo teste.

– Filho, a janta tá pronta! — Ouvi o grito.

– Tô indo, mãe! — Gritei de volta.

Desci correndo. Até demais. Dez segundo e já estava sentado na mesa. Minha mãe se assustou com aquilo.

– Meu Deus, você teleportou pra cá?

– Não, mãe, vim correndo mesmo.

– Mas eu não ouvi você vindo.

Agora o que eu faço? Conto sobre as cartas? Minto? Por enquanto vou mentir, não sei a natureza delas e não vou divulgar agora pra ela.

– Treinei correr abaixado. — Não era mentira, mas na hora... — Diminui o barulho correr na parte da frente do pé e abaixado.

– Ok. Vem se servir que eu vou chamar seu pai. — Bem, ela acreditou, tá bom pra mim.

– Beleza.

Após a janta voltei ao meu quarto. Tirei Velocidade para evitar atenção desnecessária. Testarei mais uma coisa com Dimensão alternativa. Mandei uma caneta e um lápis separadamente. Tentei chamar o lápis. Ele voltou normalmente. A caneta também. Então tentei mandar os dois juntos. Funcionou perfeitamente, mas na hora de chamar não consegui, então chamei cada um individualmente. Último teste. Mandei o lápis e esqueci dele. Vamos ver quanto tempo demora pra ele voltar sozinho, se é que volta. Comecei a cronometrar o tempo, e voltei para o computador. Depois de um tempo rodando em um monte de sites, tentando achar algo sobre as cartas, desisti depois de um tempo e fui jogar. O barulhinho do face me despertou do jogo chato que estava jogando. Fui ver quem tinha falado comigo, e vi que era Amanda. Ela tinha me respondido. Todo resto de chatiadisse que tinha em mim sumiu, e comecei a ler a mensagem dela.

Oi, Filipe. Eu postei pra procurar o dono, e ele já me contatou. Provavelmente não é essa carta aqui. Boa sorte na sua procura.

Não acreditei numa palavra do que ela disse, tirando o meu nome. Eu ia falar com ela pessoalmente. No perfil dela, obrigado Facebook, eu soube o sobrenome dela, tinha também algumas fotos, mas todas com o cabelo coberto, e também as reclamações da vida e da escola, coisa comum. Não achei a sala dela, nem amigos que eu conheço. Vou procurar amanhã, na hora do intervalo. Torcer pra ela sair e eu reconhecer ela.

Saindo do computador, dei boa noite pra minha mãe e meu pai, e fui me preparar para dormir. Repassei mentalmente o que iria fazer pra achá-la, e o meu plano ia funcionar.

Notas finais
E Filipe virou um perseguidor. Alguém chuta o que vai acontecer?