A verdadeira magia
13 O compreender
Notas iniciais
Voltei ao local onde Amanda e Will ainda estavam. Will continuava de bunda no chão, mergulhado numa poça de água que estava ali. Amanda tinha se encostado de costas na parede, se soltando até sentar no chão.
– Ok, pra minha casa agora. – Falei, tentando chamar a atenção dos dois. – Temos muita coisa pra conversar. – Eles estavam ainda estáticos. – Achei outra carta!
Isso pareceu funcionar, porque Will olhou pra mim assustado e Amanda deu um pulo pra ficar em pé.
– Uma nova? Qual? Onde? Com quem? – Eles perguntaram quase que juntos.
– Em casa, agora vamos. – Cortei. – Will, sua carta. – Falei, estendendo minha mãe na sua direção, chamando Inteligência na minha mão. O efeito passou rapidamente, e logo minha mente voltou ao estado de antes.
– Mas e quanto...
– Em casa. – Cortei de novo. — E somente lá. Vamos. – Me virei e segui no caminho oposto, saindo rapidamente em uma avenida movimentada. Amanda e Will seguiam rapidamente, me fazendo algumas perguntas que cortei até que desistissem, o que não ocorreu.
Andando eu percebi meu estado. Minha roupa estava bem molhada na frente, e o cheiro estava forte de lixo. Como não tinha percebido antes? Olhei para Amanda e Will e suas roupas estavam quase iguais. Deve ter sido quando aquelas sombras subiam para seguir Jessica. Ignorando o cheiro, nós prosseguimos para minha casa.
Chegamos rapidamente em casa, e logo entramos. Minha mãe nos recebeu com um sorriso, isso até nos ver, porque o rosto dela se contorceu de leve por causa do cheiro, e logo ela cobriu o nariz com a mão.
– Filipe, o que aconteceu com vocês?
Movi meu braço pra trás encostando de leve em Will e Amanda.
– Foi quando vínhamos pra casa. – Comecei. – Um carro passou por uma poça rápido demais e nos molhou.
– Meu Deus, essas pessoas de hoje em dia não tem mais educação. – Ela falou, parecendo acreditar na minha mentira. Se bem que é acreditável isso.
– Eu sei, mãe, então deixe a gente subir pra podermos tentar arrumar isso. – Falei, logo me dirigindo às escadas. – Precisamos de duas toalhas, mãe, tem como?
– Tem, eu vou pegar lá no varal. – Ela falou, indo para a cozinha.
– Vamos lá pro quarto, eu pego algumas roupas pra você, Will. – Falei, então olhei pra Amanda. – Quanto a você...
– Qual carta era? – Amanda disse, e Will balançava a cabeça rapidamente em apoio.
– O que? – Falei, ficando meio que pouco conformado com isso. — Vamos primeiro nos arrumar, que tal? – Falei, e logo subi.
– Isso depois, me diga o que você descobriu. – Will falou agora, e Amanda abriu os olhos esperando a resposta.
– Somente depois de vocês tomarem banho e se arrumarem. – Concluí. — Por favor. – Então eu olhei em direção ao quarto. – Venham comigo. – E subi. Ao menos esse cheiro nada agradável pode tirar o cheiro das flores que ainda estava no quarto.
Eu subi os degraus com Amanda e Will na minha sombra, e entramos no quarto. Lá, eu comecei a tirar algumas roupas simples para Will usar, um shorts azul longo e uma camisa simples minha. Para Amanda, entretanto, foi uma tarefa mais difícil. Procurei uma roupa pra ela que seu pai não fosse implicar depois, e a busca me deu um resultado. Para a parte de baixo achei uma calça minha de educação física, e também uma camisa de manga mais longa, até o cotovelo.
– Aqui Will, acho que isso servirá por enquanto. Amanda, use isso, por favor. – Estiquei as roupas em direção a eles. – Peça pra minha mãe pra usar o banheiro do quarto deles, eu acho que seria melhor. – Eles ainda não falavam nada. – Façam isso e eu conto sobre as cartas.
– Cartas? – Will falou. – Tem mais de uma?
– Tomem banho e eu digo. – Terminei de falar isso e minha mãe bateu na porta do quarto.
– Aqui Amanda, Will, as toalhas. – Ela disso, esticando uma toalha vermelha e uma azul pra eles.
– Mãe, mostra o seu banheiro pra Amanda, por favor. – Falei.
– Claro. Amanda, vem querida, vem comigo. – Ela falou, bem amigável.
Amanda seguiu minha mãe quietamente, deixando Will e eu no quarto.
– Will, por aqui, deixa eu te mostrar o banheiro. – Falei, basicamente empurrando Will pro banheiro do corredor.
Depois de deixar Will lá eu me dirigi ao banheiro de baixo pra tomar banho. O banho foi bem rápido, mas eficiente, até passei perfume leve depois, e quando terminei voltei pro quarto. Fui o primeiro lá, então me sentei na cadeira para esperar os outros dois. Quando apoiava minha cabeça na mesa eu ouvi a porta abrindo. Virei a cabeça e vi que era minha mãe.
– Filipe, pergunta fácil e simples, o que vocês estão fazendo aqui? – Ela soltou.
– Aula de matemática, saímos mais cedo. – Falei, o que não era mentira.
– Oh, entendi. – Ela respondeu. – Mas porque vocês vieram pra casa?
– Eu... – Hesitei. – Meio que fiquei com... Pena? – Falei.
– Entendi. – Mas o que? – E eles já avisaram aos pais? – Ela perguntou.
Pensei um pouco. Will não teria problema, mas Amanda seria mais complicado...
– Eu falo com eles, não se preocupe. – Falei.
Dizendo isso, não entendi o porquê, mas minha mãe concordou com a cabeça e saiu. Will chegou logo depois, com o cabelo ainda molhado, entrando rapidamente no quarto.
– Diga, qual carta? – Ele falou logo.
– Não tem problema de você ficar aqui hoje? – Desconversei.
– Não. E quanto a carta? – Ele desdesconversou.
– Amanda ainda não voltou. Se segura. – Falei. Wil parecia que ia dizer algo. – Não. Espere ela chegar.
Will se sentou na cama, ainda de má vontade e eu fiquei sentado vendo o computador. Alguns minutos depois Amanda chegou e logo também me perguntou.
– Filipe, conta mais sobre a carta. – Ela falou.
– Antes de tudo. – Falei, levantando a mão. – Amanda, falou com seu pai? – Eu já sei, e é percebível, que o ponto fraco dela é o pai. Tudo bem vir depois da escola pra fazer trabalho, mas no sábado não tem muito sentido.
– Eu avisei antes de tomar banho. Expliquei que estava aqui porque havia me sujado. – Ela falou rapidamente. – Explica agora sobre as cartas.
– Ok, tá bom, eu conto. – Falei, me virando na cadeira para olhar a cama. Will e Amanda olhavam pra mim esperando a história. – Cartas novas. Não sei o nome, nem as vi realmente, mas é um único usuário. Jessica. Ela tem duas cartas. – O olhar deles havia mudado. – Uma tem o poder de criar flechas de fogo, vocês viram, e a outra é o rastro de gelo, que eu acho que vocês também viram. Quando eu peguei a carta do Will, eu consegui correr pelo telhado e a achei, falando com ela. Foi ali que eu descobri seu nome. – Concluí. Simples, mas ia tentar explicar as dúvidas, que é melhor. – Perguntas?
– Eu tenho uma. – Will falou. – Quando você pegou minha carta?
– Eu te pedi e você me deu. Não se lembra? – Ele estava meio que em choque, é explicável. – Foi muito rápido tudo...
– E o que era... Aquilo? – Amanda perguntou.
– Não sei, nem ela me falou. Ela disse simplesmente que elas devem ser destruídas. – Falei. Refleti nisso um pouco.
– Filipe, e agora? Temos que andar desconfiando de tudo? – Will falou.
– Sim, eu acho. – Respondi. – Será mais difícil pro Will, já que Inteligência não é boa pra combate. Mas Transformação também não é útil pra combate... – Tentei raciocinar.
– A Amanda deveria usar Velocidade. – Will falou.
– Porque pra ela? – Eu perguntei em seguida.
– Porque não pra mim? – Ela falou, soando muito incomodada.
– Porque você tem Transformação, e talvez você consiga se transformar em alguma coisa pra combater ou correr. Tem jeito usar a carta imediatamente?
– Sim... – Amanda falou hesitando. – Posso transformar imediatamente.
– E se você tiver transformada antes? Tem jeito de se transformar quando se está em uma transformação? – Falei. Eu sabia sobre ela estar transformada agora mesmo, e sabia que usava ela sempre, por isso perguntei. Seria muito importante pra ela poder se transformar enquanto transformada, e seria prático também.
– Não, não posso. – Ela respondeu. – Eu preciso quebrar a transformação atual para me transformar de novo. Isso respeitando o limite de tempo.
– Por isso Amanda deve usar Velocidade. – Will continuou. – Assim ao menos ela pode correr das sombras.
– E você conseguiria fugir delas? – Falei soando bastante preocupado. Passei a carta para Amanda.
– Correr deve ser fácil. – Ele falou. — Mas e você, Filipe? Como vai se defender?
– Eu ainda tenho uma carta, e essa é muito útil pra combate. – Falei, me referindo a Dimensão alternativa. – Só vou ter que treinar pra poder fazer mais rápido. Acho que vou mudar o modo de mandar coisas.
Nesse momento ouvimos a campainha, logo ouvindo a voz eloquente de Fred. Amanda desceu rapidamente pra falar com ele, e eu meio que segurei Will no quarto.
– Will, ela teve que trocar de roupa aqui, é melhor você ficar aqui por enquanto.
Will concordou com a cabeça, e eu prossegui descendo as escadas. Vi Amanda e Fred na porta, com Fred gesticulando bastante e falando um pouco mais exaltado. Ele me viu e se dirigiu a mim.
– Filipe, o que aconteceu hoje? – Ele estava claramente exaltado. Não ao ponto de ódio, mas ao ponto de revolta.
– Um carro sujou a gente quando íamos passar na loja do senhor Burlin. – Disparei. – A gente saiu mais cedo da aula hoje e fomos pra lá pra ver os itens novos. – A mentira até que tava saindo boa. Mas tinha uma grande variável a se levar em conta. A mãe. Por sorte ela tava na cozinha, fazendo um café.
– E quanto a isso? – Ele falou, apontando Amanda.
– Sobre as roupas? – Perguntei. Ele concordou com a cabeça. – Era melhor do que ficar com roupa suja de água parada da rua. – Ele ficou olhando pra mim. — Eu tomei banho aqui em baixo, se isso ajuda. – Continuei.
Ele estava olhando pra mim com um olhar assustador. Ele não pareceu melhorar com a gracinha, e Amanda segurou em seu braço.
– Pai, se acalma, não precisa se preocupar com o Filipe. Ele sabe o que acontece quando eu não gosto de alguma coisa que ele faz. – E olhou pra mim do mesmo jeito que olhou ontem quando estava com o livro de História.
– É... – Respondi sem graça. – Livro de História na cabeça... – Terminei passando a mão no galo ainda existente de ontem.
Fred parecia se acalmar. Mas nem estava estressado antes pra começar. A sua postura ficou mais relaxada, e Amanda soltou seu braço.
– Obrigado por explicar. Eu... – Ele fez uma pausa. – Eu estava preocupado... – Ele estava mais acalmado mesmo.
– Olha, mas se você não fala ninguém percebia. – Brinquei. Fred deu um riso fraco, e logo se virou pra Amanda.
– Amanda, vamos indo. – Ele falou e ela concordou. Ele falou com uma voz um pouco mais alta. – Dona Esther, muito obrigado pela oferta, mas hoje vou passar o café. Temos que ir.
Minha mãe apareceu para se despedir, e logo Amanda partiu para casa, deixando eu e minha mãe na porta. Ele seguiu com ela, parecendo falar alguma coisa que não pude ouvir. Voltei a subir pro quarto para fazer companhia a Will. Logo que cheguei ele se levantou da cama e se dirigiu à porta.
– Filipe, eu vou indo. – Ele falou. – Tá perto da hora de “sair da escola”, então eu vou indo.
– Oh, ok. – Falei, dando passagem pra ele. – Bora lá. – E segui ele até a saída, descendo a escada de novo. Seguimos até a porta, onde Will se despediu de minha mãe e saiu em direção a sua casa.
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