Tinha que contar para alguém, que ia sair com Alex, por isso entrei em contato com minha irmã.

— Aline, vou sair outra vez com Alex! – falei, empolgada, quando sua imagem apareceu na tela do meu computador.

— Quem? – ela perguntou, desinteressada, enquanto lixava as unhas, eu bufei irritada.

— Alex! O nadador olímpico gato! – Estava impaciente, por ela não se interessar por uma das melhores coisas, que aconteceram na minha vida nos últimos tempos.

— Ah! Esse! Que bom para você. Tentei falar com você hoje mais cedo.

— Mais cedo? Ah! Eu fui almoçar com Darius.

— Que Darius?

— Darius Ferrer, o escritor de livros policiais – disse, sem dar muita importância, minha irmã abriu um sorriso luminoso.

— Nossa, Darius Ferrer! – ela gritou, empolgada. – Não acredito! Ele é um gato!

— Você o conhece? – Fiquei surpresa por toda aquela animação.

— Eu o encontrei uma vez em uma festa destas. Está mandando bem, maninha! Darius no almoço e Alex no jantar!

— Não é nada disso, Aline! – repliquei, aborrecida. – Não estou interessada em Darius!

— Então, quando eu voltar, apresenta ele para mim. Você promete! – Ela fez um ar de súplica

— Prometo, mas tenho que me arrumar para encontrar com Alex. Até mais, Aline – Dei-me por vencida

— Outra coisa, Julia, se eu sumir por algum tempo, não se preocupe. Será por causa do trabalho. Vai começar a semana de moda por aqui, e está uma loucura, a gente não para um segundo, desfiles, provas, festas. Então, até mais, Julia.

— Até mais, Aline.

Mais tarde naquela noite, na hora marcada, eu estava pronta, depois de ter ficado um tempão escolhendo uma roupa e montando uma superprodução, para impressionar, mas sem exagerada. E valeu muito a pena ter todo aquele trabalho, pois, quando sai da minha portaria, encontrei Alex, displicentemente, encostado no seu carro, com mãos nos bolsos, não pode evitar de dar um longo suspiro e sorri encantada com aquela visão. Ele sorriu de volta para mim, assim que me viu, contudo naquele instante, por alguma espécie de instinto, olhei em volta desconfiada, sentindo como se me observassem, mais uma vez. Achei que estava ficando um pouquinho paranoica, principalmente, depois da conversa com Darius, mais cedo. No entanto, logo fiquei tranquila, ao ver Alex, gostoso, lindo e sexy, parado ali, bem na minha frente, esperando por mim. Ele veio na minha direção e beijou o meu rosto, suavemente, senti seu delicioso perfume.

— Você está bonita, Julia. – Ele me elogiou, eu estava nas nuvens.

Fomos até um pequeno e charmoso restaurante muito chique e com jeito de ser bem caro, mas não me importaria se tivesse que dividir a conta, valeria a pena. Tudo parecia um sonho se tornando realidade, Alex era tão naturalmente charmoso e inteligente, um verdadeiro príncipe.

— Então, como é ganhar uma medalha olímpica, Alex? – perguntei, curiosa, jogando charme, passando o dedo leve e maliciosamente sobre a borda da minha taça de vinho.

— Bem, você treina muito, abre mão de muitas coisas, dá o máximo de si e, quanto acontece, parece que não é com você. Para mim, era como um sonho ou um filme, que eu iria acordar ou que as luzes iriam se acender de repente, e tudo voltaria a realidade. Então, você se dá conta que está no alto do pódio, e estão colocando uma medalha no seu pescoço. É incrível! – Enquanto falava, os olhos deles brilhavam de empolgação pela lembrança, aquilo me deixou mais excitada.

— Deve ter sido mágico! – Sorri, contagiada pelo entusiasmo dele.

— Foi, mesmo! E você, por que quis ser escritora?

— Acho porque sempre gostei muito de ler, inventava histórias na minha cabeça a vida toda. Havia tantos mundos dentro de mim, precisa por isso para fora.

— Mas, por que uma história policial? Você não parece o tipo que escreveria uma história sobre o crime organizado.

— Não pareço? Qual parece seria o meu tipo de história?

— Acho que história de amor, tipo romance.

— Então, pareço uma mocinha romântica? – indaguei, com uma pontinha de sarcasmo.

— Não vejo nada de mais ser uma mocinha romântica. Acho até muito atraente – Ele me deu um sorriso travesso, eu o perdoei, no mesmo instante. – Mas você não respondeu, por que aquela história específica?

— Não sei, estava fazendo uma pesquisa para um livro e deparei com essa história. Gostei e escrevi – menti, descaradamente, sem pestanejar, acho que já estava quase acreditando nessa história de tanto repeti-la.

— Esse era um caso bem tão antigo?

— É, mas muito interessante. E você? É verdade que vai entrar na política? – Mudei de assunto, rapidamente, não aguentava mais aquela história de inspiração de livro, que não era o tipo que escreveria uma história policial, nem queria perder a minha noite com aquilo.

— Isso é coisa do meu pai. Você sabe, ele é político, assim como meu avô também foi.

— Então, está no sangue?

— Acho que sim – Ele deu um sorriso que não chegou aos olhos. — Vamos pedir? O que você prefere, Julia? O pato daqui é excelente! – Alex mudou para um tom alegre e leve, mudando de assunto.

Após o jantar, regado a muito vinho, Alex me levou de volta para casa, estava animada, imaginando mil possibilidades e o que eu deveria fazer. Premeditando cada movimento se ele me beijasse, como reagiria, se deveria parecer tímida e regatada ou ser mais atirada e impulsiva? Ou se ele propusesse de subir para o meu apartamento, deveria aceitar ou não? Se ele subisse como deveria agir, sexy ou sofisticada? Minha cabeça rodava pelo vinho e a presença daquele homem ao meu lado. Fingia estar relaxada e confiante, mantendo uma conversa informal e leve, até que, finalmente, chegamos na frente do meu prédio, seria agora.

— A noite foi ótima, Alex! A comida, a bebida, a conversa, tudo excelente! – disse, virando-me para ele, com o meu melhor sorriso sedutor no rosto.

— Que bom que você gostou, Julia. Você é uma excelente companhia! – ele falou, educadamente, seguiu-se um momento de silêncio, esperei, ansiosa – Então, boa noite, Julia – ele se inclinou e me deu um beijo no rosto, tentei segurar o sorriso que derretia lentamente, pela decepção.

— Er... Então, boa noite, Alex — disse, e comecei a sair do carro devagar, esperando por algum rompante de paixão, que ele me puxasse e me beijasse intensamente, mas nada aconteceu. Fora do carro, ainda me virei para dar um adeusinho, sem graça, que me respondeu com outro, rumando para a portaria, pensando no que eu tinha feito de errado.

Abri a porta e me arrastei para dentro de casa, sem poder encarar o vigilante anjo acusador, parado bem na minha frente, joguei minha bolsa em cima de algum lugar, acendi a luz.

Meu coração quase parou, fiquei com um grito preso na garganta, apavorada, ao encontrar James, sentado, de pernas cruzadas, na poltrona diante de mim, enquanto Uriel confortavelmente deitado no seu colo, dormia, sendo acariciado por ele, suavemente.

— Como entrou? O que está fazendo aqui? – murmurei com um fio de voz, que eu conseguia emitir.

— Eu estava esperando por você, Julia. Tenho a chave deste apartamento – ele falou com naturalidade, porém muito sério, olhando-me nos olhos, parecia aborrecido por alguma coisa, pensei que ele pudesse ser um louco, um psicopata ou algo parecido.

— Por que? – Foi a única coisa, que eu lembrei de perguntar.

— O que você fez, Julia? – Ele se levantou, abruptamente, derrubando o gato do seu colo, que deu um miado estridente, reclamando, caindo de pé. James andou calmante na minha direção, fiquei paralisada de pânico, não conseguia correr ou gritar.

— Fiz o que? – perguntei atordoada, quando ele muito próximo de mim, ergueu a mão, achei que era uma arma e que eu iria morrer a qualquer segundo.

— Por que você fez isso, Julia? – Ele me mostrou o meu livro.

— Meu livro?

— Sim, seu livro. Porque contou esta história. Sua avó me jurou que tinha destruído tudo que havia sobre isso, que não existiam mais provas – O tom da voz dele era de raiva contida.

— Que história? – perguntei, meio tonta, com o pensamento um tanto lento pelo vinho do jantar.

— Essa história – James bateu com as costas da outra mão sobre a capa do livro. — Ela tinha que ter sido esquecida, ter ficado enterrada no passado e, agora, você a trouxe de volta à vida. Colocou todos nós em perigo! – ele falava alto, seu rosto bem próximo ao meu me deixando amedrontada

— Mas, eu não sabia – murmurei, cheia de culpa.

— É claro, que não sabia. Ninguém tinha que saber sobre isso! – ele exclamou, irritado — Sua avó não devia ter guardado nada. Aquela tola sentimental! – Senti uma ponta de ternura nesse final. — Tem segredos que devem permanecer em segredo para sempre!

— Por que disso tudo? Quase todo mundo dessa história teve estar morto ou preso.

— Aí que você se engana, Julia! Alguns ainda estão bem vivos e outros deixaram herdeiros, que não querem que seu passado seja descoberto ou que só conhecem parte da verdade. Mas, agora, sabem que você pode conhecer toda a verdadeira história do passado deles, que queriam que ficasse esquecido e enterrado. Isso deixa você em uma situação bastante delicada e perigosa, Julia – Engoli seco, estava com muito medo, daquela história toda que desencavei do passado, poderia trazer problemas para mim, que eu nem desconfiava quais seriam.