A verdade sobre o amor.

3 Tente apenas uma vez não ser tão covarde.


Notas iniciais
Tá tudo fluindo muito rápido, então, tô postando depressa. Boa leitura!

Acordei no sábado cedinho — a Trina não estava no quarto – e decidi voltar a fazer meus exercícios físicos, que não fazia desde que cheguei aqui. Depois de uma corrida pelo campus, tomei um banho relaxante — e a Trina não estava no quarto – e fui tomar café da manhã ouvindo Bon Iver, perfeito para um sábado de manhã. Comi e fui para a primeira aula do curso de astronomia, me inscrevi antes mesmo de começar a estudar aqui, acho super interessante e me disseram que aqui eles tinham uma ótima estrutura.

Terminando a aula, — que achei super incrível e fiquei super animada para a próxima — fui para o refeitório almoçar com a Trina, que não a via desde ontem:

– Menina! Onde você se meteu? Procuramos você ontem à noite, e hoje de manhã você não estava no quarto... Você saiu cedinho, hein?

– Oi, Jade! E aí, gostou de ontem? — Disse ela me dando um breve abraço — Eu fugi — Risos — Cara... Ontem foi louco!

– A gente teve de levar o Rex e o Sinjin bêbados para o quarto deles. — Disse.

– Foi mal não ter ajudado. Preciso te contar um segredo. — Ela falou se aproximando de mim e diminuindo a intensidade da voz.

– O que houve ontem, Trina? — Perguntei assustada.

– Eu fugi, literalmente, da universidade para encontrar o Robbie. — Ela disse eufórica — Ele não conseguiu entrar. — Ufaaaaa! Pensei besteira.

– Quem é Robbie? — Disse mais calma.

– O meu namorado. — Ela disse de forma banal.

– Ah, sim. Eu não sabia que você tinha um namorado. — Falei.

– Ah, eu não te contei, né? Foi mal. Eu queria que vocês o conhecessem, mas ele não conseguiu entrar ontem e eu tive que sair.

– Não, tudo bem.

– Vamos sair amanhã? Daí eu levo ele e vocês o conhecem. E aí? — Ela perguntou animada.

– Hm, por mim, tudo bem. Tem que falar com o resto do pessoal, e não esquecer que temos um trabalho pra fazer, hein. Ah! A Tori nos chamou pra assistir um filme hoje à noite, a gente escolhe lá e assiste. Vamos?

– Pode deixar, a gente faz o trabalho na segunda. Ah, que legal! — Disse abrindo um sorriso, mas logo fechando — Se não fosse pelo Robbie... Desculpa, amiga. Eu já combinei de sair com ele hoje à noite.

E agora? Eu vou sozinha?! O que eu faço?

– Aproveita e vê se vocês conversam mais a sós. Ontem vocês se olhavam mais do que falavam. — Tava tão na cara assim?!

– Poxa, ta bom, eu vou sozinha mesmo. — Disse nervosa só de pensar.

– Certo, Jade. Eu vou indo agora, tenho curso de inglês avançado, tá? A gente se vê depois. Beijo — E lá se vai a Trina, e lá vem minha psicose outra vez.

Será que vou mesmo assim, sozinha? E se ela achar estranho? Mas e o abraço de ontem, hã? Será mesmo que não significou nada para ela?

São tantas perguntas, porém, poucas respontas. Decido ligar para a Cat, já que tinha a tarde livre.

Passamos a tarde quase toda conversando e contei pra ela quase tudo sobre a Tori, até chegar no convite de hoje à noite e eu começar a ficar nervosa para falar:

– Ela me chamou para assistir um filme hoje à noite no quarto dela. — Consegui falar.

– Que ótimo! Vocês podem conversar mais a sós. — Ela anda falando com a Trina? – E quem sabe pode rolar algo, né.

– Ah, para, Cat! Eu nem vou! — Falei de imediato.

– Ora essa, mas por quê? — Ela intensificou a voz.

– Porque ela não chamou só a mim, ela chamou a Trina também, mas ela não vai poder ir porque já tinha combinado de sair com namorado dela, o Robbie. — Respondi.

– E daí? Você não vai só porque a Trina não vai? — Rebateu.

– Sim! Eu não quero chegar lá sozinha, vai que...

– Vai que, o quê, garota? Deixa de pensar besteira e vai!

Não respondi nada. Fiquei pensando.

– Tente apenas uma vez não ser tão covarde, Jade! Você consegue! Ela sente o mesmo, você vai ver! — Falou a Cat pelo telefone, me enconrajando.

Conversamos até o dia escurecer, desliguei o telefone, pensei e repensei no que ela disse. Fumei o cigarro do dia. Fui até um supermercado perto do campus
comprar várias pipocas de microondas, comprei de vários sabores, já que não sabia de qual ela gostava mais. Cheguei no meu quarto já com a sensação de estar atrasada. Higienizei-me o mais rápido possível, tomei outro banho de perfume e corri para o outro lado do prédio, onde fica o quarto da Tori.
Antes de bater na porta, pensei, e quase desisti. Não queria mesmo incomodar, nem que ela pensasse que eu estava pensando outras coisas. Apesar de estar pensando. Mas aí, lembrei, "Tente apenas uma vez não ser tão covarde!" Bati. Nada. Esperei um pouco. Bati outra vez, seria a última. Demorou meio segundo para ela abrir a porta. Estava usando um vestido florido lindo e um chinelo daqueles artesanal, eu jamais vi garota mais bela. Estava enfeitiçada.

– Oi! Você veio! Cadê a Trina?

– Oi... — Aonde foi a Trina mesmo? Nossa, que garota linda. — Trina...?

– Sim, a Trina. — Ela disse franzindo o cenho.

Parei. Respirei e respondi.

– A Trina não vem. Disse que ia sair com o namorado dela, o Robbie. Ela pediu desculpas e agradeceu pelo convite. — Falei tão rápido...

– Ah, tá. Beleza. Então somos só nós duas, como ontem.

– Como ontem. — Falei sorrindo por dentro.

Ficamos mais de meia hora escolhendo o filme até que decidimos assistir "500 days of Summer" e corremos para a Tv.

– Eu trouxe vários sabores de pipoca, não sei de qual você gosta mais. — Falei.

– Ah, poxa, não precisava. Trazia de qualquer um. De qual você gosta?

– Eu gosto de manteiga, queijo. E você?

– Os meus preferidos.

– Perfeito. — Falei com os olhos brilhando.

A pipoca ficou pronta, comemos e assistimos ao filme em silêncio. Tudo bem que meio contraditório ao que estava sentindo pela Tori, já que logo no início o narrador informa que aquele filme não é uma história de amor e a Summer não acredita que essa doença boa exista. Mas o filme é muito bem feito e até engraçado, pois vemos que o protagonista leva tudo numa boa no fim. Só espero que eu não tenha que passar pelo o que ele passou, né. Não sei como reagiria. O filme acabou e...

– Muito interessante... — Ela comentou.

– É, bem curioso esse filme.

– Sabe, acho que eles tão certos. Coincidência. É o que tudo é. Nada mais do que coincidência. — Ela falou e eu fiquei curiosa, mas em silêncio e ela continuou. – Se você não tivesse passado no vestibular, se não tivesse ido ao lago ou se não quisesse vir para a universidade. Teríamos nos conhecido?

Para! O que ela acabou de falar aí? Foi isso mesmo? Como ela sabe de tudo isso?

Eu não consegui responder nada, fiquei apenas pensando... Há uns meses atrás, antes de decidir vim para esta universidade, quando recebi o resultado do vestibular, eu também passei para estudar música.

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Flashback on

– Mãe, eu acho que não vou cursar História.

– Mas, por quê, filha?

– Não sei, mãe. Acho que vou cursar Música mesmo, na outra cidade. Ano que vem os garotos vão pra lá também, daí a gente fica juntos.

– Pense bem. O que você escolher, vai ser perfeito.

Estava confusa, mas deveria decidir o mais rápido possível, pois a data da matrícula estava marcada para daqui há dois dias. Passei esses dois dias pensando bastante. História sempre foi o curso que eu quis, mas Música sempre foi uma paixão e eu estava tendo a oportunidade de virar uma profissinal. Não aguentava mais de tanta dúvida.

O dia da matrícula chegou:

– E aí, filha? — Perguntou minha mãe, curiosa.

– Vai ser História, mãe. — Respondi.

– Ótimo, filha. Tenho certeza de que vai se dar muito bem lá! — Ela disse, alegre.

– Se eu desistir, tenho o resto do ano pra estudar e ir fazer música junto com os garotos.

– Boa expectativa, né. Não desista, mocinha, sempre foi o seu sonho. Mas, se caso acontecer, não fique triste, vamos lhe acolher de volta.

– Obrigada, mãe!

Flashbak off

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– Jade? — A Tori me olhava com confusão em seus olhos.

– Oi.

–Você tava tendo um flashback? — Essa garota é mutante, só pode.

– É... Tava lembrando umas coisas aqui. — Disse. — Você tem razão.

– Tenho?

– Tem.

– Então, por que a gente não aproveita isso? Por que nós estamos deixando esse acaso passar em branco? — Ela disse se aproximando. Meu coração estava mais acelerado do que um motor. Eu pensei que tinha engolido milhares de cubos de gelo de uma só vez. Ela estava tão próxima que podia sentir seu cheiro bom.

– Eu nunca sei o que pode estar passando pela sua cabeça, eu não sei se você sente o mesmo. — Falei aos tropeços, estava tão ofegante que parecia que tinha participado da Corrida de São Silvestre.

– Eu nunca tive a oportunidade de te falar. Mas eu sempre quis dizer o quanto eu me sinto bem quando estou à sua companhia, que você me deixa cheia
de borboletas na barriga. — Eu não acredito, ela está se declarando pra mim?

– Eu não sei como dizer isso, mas... — Ela riu enquanto me olhava profundamente. — O tempo foi tão curto pra eu sentir tudo isso que eu estou sentindo que eu fico com medo, realmente, de você não sentir o mesmo, de algum dia esse acaso não ter valido a pena.

– Jade, somos adultas e maduras o suficiente para saber que o que sentimos é recíproco, e se um dia acabar vamos saber lidar com isso. — Ela falou segurando a minha mão — E, sinceramente, eu espero que você não esteja pensando em acabar o que nem começou direito. — Ela disse rindo.

– Não, eu só tenho medo, acho que é normal. — Estava tão nervosa, mas apertei a mão dela, lhe passando segurança.

– Vai ser normal até eu provar que não precisa ter medo, certo? Te prometo. – Caramba, eu não acredito que escutei isso!

– Certo, mas e agora? — Perguntei se saber o que fazer.

– Agora eu quero um abraço como o de ontem à noite e quero que me prometa uma coisa também.

– Qualquer coisa.

– Prometa-me que vai permitir que você me conheça de verdade, antes de tomar qualquer decisão. — Ela disse com um olhar triste. — Eu preciso te mostrar quem eu sou. — Estou clamando por isso, garota!

– Claro que prometo. Mas, por que você tá dizendo isso? — Fiquei confusa.

– Um dia você vai saber, na hora certa. — Disse, me abraçando como se o mundo fosse acabar.

Estava me sentindo viva como nunca antes, sai do seu abraço colocando as minhas mãos sobre seu rosto e observando cada pequeno detalhe, seus olhos meigos, sua pele clara e sensível, seu nariz, mas parei nos seus lábios que me deixaram com vontade de beijá-los com o jeito que ela passou a língua neles antes de sorrir para mim. Eu acariciei suas bochechas com os polegares e encostei o meus lábios nos dela. Fiz isso com toda cautela e respeito, e ela retribuiu. Eu passei meus braços pela sua cintura e a puxei mais pra perto de mim. Ela avançou, abriu a boca e sugou o meu lábio inferior, eu fiz o mesmo logo depois. Ela terminou o beijo com um leve encostar de lábios e sorriu para mim como uma criança. Eu só conseguia olhá-la com cara de boba, estava hipnotizada. Como ela me cativou tão depressa?

Neste momento, eu estava sendo a pessoa mais feliz do mundo. Como uma garota poderia sentir o mesmo que eu, num intervalo de tempo tão curto? Só pode ser coisa de filme! Ou será que não?

Notas finais
Lembrem-se dessa 'coisa' que a Jade um dia vai saber, na hora certa. É importante. Até o próximo. Abraços.