A víbora

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Bom, A víbora, acabou aqui. Agradeço a todos que me acompanharam ao longo desses capítulos todos, agradeço imensamente todos os comentários e espero revê-los em outra Fic ! Muito Obrigada !!!!

Fiquei no sofá sentada, estática, segurando firme a mão de Jason. Segurei forte o suficiente para ele entender que não deveria sair do meu lado.

– Fique calma, foi apenas um black out.

– Eu se o que foi.

Respirei fundo, e fechei os olhos mesmo no escuro, e percebi o quão patética estava sendo ao temer o escuro, justo eu que deveria ser uma heroina,mas não podia evitar, minhas pernas tremiam. Mesmo com todo o meu medo, eu soltei a mão dele, me levantei e fui até a janela ao lado da porta.

Os cachorros latiam muito, a chuva ainda caia forte, e ao longe, podia-se ver, vultos e sombras correndo, e logo após pessoas gritando. Eram infectados, e com certeza não era apenas um ou dois. Corri até a porta da cozinha e a tranquei, colocando a mesa com as cadeiras atrás dela, e por fim, feches e tapei todas as janelas da casa.

– Por favor, fique aqui, e faça silêncio, e de maneira alguma ascenda a lanterna ou até mesmo as luzes. Há muito infectados la fora. Eu ja volto.

Mesmo trajando apenas um roupão de banho, eu sai correndo de casa, fechei a porta com as minhas chaves antes que Jason pudesse refutar minha decisão, e guardei as chaves no sutien. Corri de encontrou ao tumulto. Na avenida principal, haviam muitos corpos, banhados com sangue e chuva. E muito mais fugindo dos infectados, uma delas, uma jovem com um menino no colo passou por mim gritando em prantos, logo atrás dela, uma mulher com o rosto cortado, e completamente fora de si. A observei por alguns segundos, e infelizmente ela era uma infectada. Tomei impulso, e então soquei o rosto dela, como eu faço com todos os outros, e a cabeça dela explodiu, lançando sangue e miolos por todos os lados.

Eu deveria proteger as crianças, guarda-las em algum lugar seguro, mas eu nem se quer olhei para eles. Eu senti algo dentro de mim se apagar, morrer,andei tranquilamente até onde a concentração era maior, e os que estavam por perto, nem mesmo notaram minha presença. Eu os soquei, arranquei suas cabeças de seus corpos. Eu fazia aquilo como se fosse um trabalho, eu não sentia prazer nem mesmo arrependimento, eu os matava, porque tinham que morrer.

A chuva ainda teimava em cair forte, lavando o banho de sangue que eu deixei nas ruas. As luzes ainda eram poucas, falhavam e piscavam sem controle. O ambiente estava perfeito para mim, eu me senti um paz, não tinha medo, nem vergonha e muito menos arrependimento, eu simplesmente estava em paz, comigo e com minhas ações. Quando finalmente as luzes voltaram, e foram todas ao mesmo tempo, lembrei que havia deixado Jason em casa, sozinho.

Voltei correndo, forçando meus músculos o máximo que pude,e no meio do caminho, eu evaporei, eu senti cada pedaço do meu corpo virando uma fumaça vermelha, era uma
sensação estranha, mas que não causava dor. E então voltei a minha forma física normal, fiquei ali, parada no meio da rua, olhando para as minhas mãos e pés, tentando entender o que houve, mas não havia o que entender, só consegui entender que eu poderia me desmaterializar, só não entendi quando.

Ainda surpresa, eu corri até em casa, apesar da minha descoberta, eu estava realmente preocupada com Jason. A porta por onde sai ainda estava fechada, e as luzes apagadas, meu coração se acalmou, finalmente alguma vez desde que fui infectada eu teria um final feliz.

– Jason! Voltei, pode acender as luzes, está tudo bem agora.

Ninguém me respondeu, e imediatamente pensei que eu o encontraria morto, degolado na minha frente.

– Jason, por favor, me responda, acenda as luzes!

Então eu resolvi acender as luzes, e por um ponto final nesse mistério. E apenas uma lampada acendeu, toda as outras foram quebradas, e propositalmente a lampada da sala, mostrou a mensagem feita de sangue na parede.

" Só há amor, quando não há limites".

Apesar de ser um frase,ridícula,ela me assustou, como jamais eu havia sentido na vida. Meus músculos e ossos tremeram, eu senti cada parte do meu corpo esfriar com o maldito calafrio que percorreu pela minha espinha. No chão, havia uma flecha feita também com sangue eu fui até onde ela apontava, e então, outra flecha, e por fim, estava na rua novamente. Alguém estava brincando comigo, de uma maneira medonha.

Antes de seguir, fui obrigada a me vestir, eu sabia que essa noite acabaria com uma morte, e eu não poderia admitir que fosse a minha. Então rapidamente aparamentada, segui apé todas as flechas desenhadas aleatoriamente até me levar ao hospital. No caminho, eu só podia pensar em Jason, no que vivemos e no quanto eu me sentia culpada por tudo isso. Eu deveria ter me afastado mais, sido mais dura, eu deveria odiá-lo e fazer com que me odiasse também

As flechas me levaram até o hospital onde trabalhávamos. Entrei pela porta da frente com pressa, la dentro havia uma rebelião dos pacientes mais agressivos, de alguma maneira conseguiram sair da segurança m que viviam, muitas enfermeiras corriam e gritavam, esbarravam em mim, mas eu estava vazia, eu simplesmente matava os infectados que vinham em minha direção, mas desta vez, eu sentia raiva, sentia ódio, deles, e da sua maldita doença, que acabou por fim, estragando a minha vida, por inteiro. Eu cheguei decidida até o corredor, onde a flecha seguia.

Desde vez, não haveria amarras, eu não me limitaria a nada, esta noite eu mostraria o pior de mim, e da minha infecção, desde vez, eu mataria por puro e completo prazer da morte. Cheguei até a sala fria do hospital, abri a porta com força. E assim que entrei eu ouvi alguém fechas as portas e as luzes se apagaram novamente. O frio começava a subir pelo meu corpo.

– Jason, apenas faça barulho se estiver aqui.

Ouvi apenas o barulho de uma bandeja de aço, caindo no chão. Ele deveria estar amarrado e amordaçado, ele nunca foi de seguir minhas regras, provavelmente fazer barulho foi realmente o único jeito de se manifestar.

– Ora, ora, então a loirinha é muito mais inteligente do que gosta que saidam.

– Eu não gosto de brincadeira, e seu amante deve ter lhe contado isso, muitas vezes.

Eu reconheci a voz na hora. Era a maldita loira devassa, que desta vez, além de acabar com meu casamento, acabou com a minha sanidade mental.

–Você não está em posição de der rude garotinha.

– Jason deve ter lhe contato que não sou nada previsível, e muito menos consequente.

Jason era agora minha única defesa, eu não podia ver, e quase pouco sentir a presença dela, além da sua voz, eu precisava tirar o máximo que pudia da sua paciência e então força-lhe a atacar primeiro.

–Jason não é todo esse herói em cima do cavalo branco como você desenha.

– Não me importo com o que Jason é. Me importo com a minha chefe que você matou.

As luzes se acenderam, e lá estava a loira, vestida completamente de vermelho, inclusive o rosto.

– Que roupa ridícula.

– Eu não tive escolha, aquela era muito metida, e acabou descobrindo que eu era. Tive que queimar arquivos, você sabe como é...

– Não eu não sei, e nem quero saber, só fique parada, quanto antes eu fazer panqueca da sua cara horrorosa melhor.

Ela sorriu para mim, maliciosamente. Nem mesmo quando estava prestes a morrer ela deixava de ser o que sempre foi. Nos lutamos com tudo, ela era uma infectada nula como eu, nós tínhamos todos os benefícios, sem os efeitos negativos da infecção.

Usamos toda a força que tínhamos nos braços, pernas e até mesmo,psicológica. E no fim, as duas estavam quase sem ar no chão, com o rosto desconfigurado, lábios cortados e sangue por todos os lados.
Eu nunca havia enfrentado um infectado tão resistente. Meus braços estavam pesados e minhas pernas pareciam borrachas. Meus olhos estavam quase fechados, eu não aguentava nem mesmo respirar.

– Jason? Está satisfeito? Duas mulheres lutando por você?

Disse a loira cuspindo sangue e tentando se levantar novamente.

Ele estava amarrado e com um fita prateada cobrindo a boca, pela primeira vez, vi Jason chorando. Foi de cortar o coração, ele chorava como uma criança apavorada e perdida atrás da mãe, seus olhos pareciam pedir perdão para mim, estavam inchados e pareciam fixados em mim, e eu só podia o olhar deitada, estava no meu limite físico. Finalmente meu coração parecia então liberar tudo que havia preso, eu pude ver meu filho logo acima da mim, ela era uma projeção minha,eu nunca tive a oportunidade de vê-lo, mas na minha cabeça, ele tinha os olhos do pai, e a pele da minha cor, era como um anjo me vigiando. A loira estava mais recomposta que eu, estava sentada em cima de mim, desferindo socos, e ainda que cansada, doiam o suficiente para que e chorasse. Me virei e olhei novamente para Jason e o vi chorando.

Ele não parava nunca, olhava pra mim com pesar. Será que ele finalmente pediu perdão? Será que finalmente se sente culpado pela morte do filho, e a minha possivelmente ? Ele finalmente viu que pertence a mim? Eu resolvi entender que sim. E agora eu só tinha uma última chance, um único soco, poderia acabar com tudo, ou ser o meu fim e o dele. Mas se morrêssemos, morreríamos juntos. Juntei todas as últimas forças que havia no meu corpo, prendi a respiração,e enquanto recebia os socos, que estavam esfacelando o meu rosto, e esmagando meus olhos, eu sorri, foi um sorriso de liberação.

Liberei de mim, toda raiva, frustração e ódio, deixei sair e mim, todas as minhas tristezas e rancores, eu tentei, mas não pude acumular forças para um soco, mas alguém além de jason, estava a meu favor, a gravidade. Ela estava cansada, e estava em cima de mim, se eu pudesse puxar a cabeça dela, até a minha seria o golpe final, para nós duas. E foi o que eu fiz, de repente, puxei com toda força, e um pouco mais a sua cabeça contra a minha, e a vi em câmera lenta se aproximando, seus olhos abrindo pelo espanto,sua boca falando algo que não ouvi, ou entendi, e eu comi seu rosto inteiro,
comi até passar dos ossos da face, eu mastiguei e cuspi cada pedaço de carne que havia nele, comi como um leão após dias de fome, eu finalmente acabei com ela. Eu a engoli. E só parei quando senti seu corpo parar de mexer, já que seu sangue tapou meus olhos, que mal enxergavam.

Acordei duas semana depois, com o rosto coberto por bandagem e tubos ligados a mim, apenas meu olhos direito estava destapado. Aparentemente a loira me deixou belas e profundas marcas antes de morrer. Pude ouvir perto de mim, a voz de Jason falando com os médicos.E então ele voltou para o meu lado.

– Oi meu amor. — Disse ele sorrindo delicadamente, como se não tivesse acontecido nada.

Eu tinha muitas coisas para falar, muitas coisas para explicar, mas meus lábios e maxilar não se movimentavam.

– Bom, você passou dois fora do ar. — Disse ele rindo, e me foleando um jornal, ainda que assustada procurei manchetes sobre mim, mas tudo em vão.

– Pisque uma vez, para voltar e duas para avançar.

Eu li tudo muito rápido, e piscava para que ele passasse por todas as paginas, mas nada sobre o acontecido. E então pisquei, para voltar folha por folha, até a primeira página, olhei então a data.

Meu coração acelerou, Comecei a tremer involuntariamente. Eu estava apenas um dia após a minha infecção. Tudo, que eu vivi, que eu senti, a raiva, o ódio, a traição, eu inventei tudo, e como um milagre não havia nada a ser dito, nada a ser libertado. De repente tudo que eu queria que Jason soubesse, não faria o menor sentido. E fechei meus olhos novamente, eu não precisava dizer nada.

Pensei imediatamente nas coisas que vivemos durante a vida, e coisas que deveriam ser ditas, mesmo duras, todas os " eu te amo" e os "Eu te odeio", que jamais foram ditos, todos os "Obrigado" e " Fica comigo" e até mesmo os " Vá embora para sempre" que nunca saíram dos pensamentos alheios, se cada uma dessas pessoas que engoliram suas frases, soubessem que essa seria a sua última oportunidade de refazer a sua vida, elas jamais se calariam diante a qualquer situação.
E você, tem o que dizer hoje?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!