A víbora

9 Capítulo 09


Pensei ali na hora mesmo,eu queria um nome que fosse sexy, e perigoso ao mesmo tempo, ou algo místico. Lembrei que a primeira e única vez que usei uma das habilidade adquirida, foi apenas um soco, e então ele morreu, minha linha de raciocínio era essa, animais ou doenças que matam rápido. Só pensei em cobras de diversas espécies, mas seria estranho por exemplo, me chamarem de Mamba, ou Cascavel, então optei Víbora, que é quase um genérico para cobras extremamente perigosas. E gostei, meu novo nome era perigoso e sensual.

Mas não adiantava ter um nome, e não ter uma fama. Continuei andando sozinha pelos becos, onde geralmente haveria perigo, e encontrei. Em um beco sem saída havia um homem já de meia idade comendo as entranhas de uma mulher que teve o azar de estar ali, naquele dia, e naquela hora. Eu hesitei um pouco, fiquei chocada com a cena, e com o cheiro doce e forte do sangue. Mas não tive muito tempo, ele me viu, e achou que eu seria um bom jantar, desta vez, senti uma raiva imensa dentro do meu corpo, como se eu estivesse o culpando só naquela hora por todas as frustrações da minha vida, eu corri contra ele, como toda a minha raiva e força, e o acertei com um único soco, no rosto.

E vi seus miolos e olhos voarem e respigarem na parede sem reboco, vi o sangue se juntando ao sangue da outra vítima no chão. Eu tentei me acalmar e não sentir nada, mas eu ainda sou humana, ou quase, e há coisas que eu não sei controlar, além da minha raiva. Acabei caindo de joelho alguns passos depois e vomitando. Minhas pernas tremiam, minhas mãos e o rosto estavam quentes, e meu estômago cheio de borboletas. Mas eu não podia fugir do que eu era agora. Voltei até lá e desenhei um V e um B na parede usando o sangue no chão, eu precisava que soubessem que havia alguém ali, e que esse alguém os mataria.

Agora completamente consciente de que o aumento da minha força física, depende diretamente da raiva que sinto, eu precisava me desligar de qualquer outro sentimento dentro de mim, deveria alimentar e armazenar apenas a raiva, e alimentá-la com, rancor, frustração, ciumes e tudo mais que eu pudesse. Não muito longe dali, mas desta vez em via pública, e bem iluminada, havia uma mulher andando, com os lábios cheios de sangue e o cabelo curto e escuro. Não chamei a atenção, e nem a alertei, como os heróis fazem " Parados, mãos para cima", apenas corri até ela, e explodi sua cabeça, como a do outro homem e no chão onde ela estava desenhei o mesmo V e B, com o sangue.

Aos poucos fui pegando o jeito de me aproximar, socar e desenhar. Só naquela noite tive oito oportunidade. E então ainda longe, o sol começou a brilhar e decidi que era hora da minha folga. Cheguei em casa com a mão direita, intacta, apesar das manchas de sangue. As lavei e as maquiei, para evitar que qualquer um visse qualquer ferimento. Eu não consegui dormir, a adrenalina ainda era muita, e confesso, estava feliz, senti no coração, que estava cada vez mais perto do meu bebê e da promessa que fiz a ele. Respirei fundo, e então fiquei sentada no sofá, pensando em como seria essa nova noite.

Liguei a televisão, e como se ela estivesse falando comigo, o assunto era justamente os assassinatos misteriosos contra os infectados, e depois do jornalista fazer uma reportagem completa, apareceram pessoas falando em quanto estavam felizes e seguros, com esse novo justiceiro, e outras que sentiam ameaçadas, porque achavam que eu ia sair matando toda e qualquer pessoa aleatoriamente. Desliguei a televisão e fiquei parada olhando para aquela tela preta refletindo a luz do dia.

Respirei fundo, sentada no sofá, sorri largamente e então soltei um grito tímido de alegria. Pela primeira vez desde que fui infectada e não ficava tão feliz e disposta. Com todo aquele dinheiro na minha conta, resolvi investir em mim. Mas não do jeito tradicional, indo a salão de beleza, ou comprando roupas, eu resolvi investir na minha doença. Eu queria saber o que mais, além da vontade incontrolada de comer carne humana e super força. Queria saber mais sobre a minha condição, para que eu pudesse usá-la com toda a eficiência dela.

Em Sínomo, estudos é a base de tudo, se você nasce aqui, nasce praticamente inscrito em alguma faculdade, geralmente a que você demonstra afinidade durante os primeiros anos escolares.Eu tenho curso superior em Biotecnologia. É um curso simples, mas complexo, e de alto rendimento em Sínomo. Já que tudo aqui é geneticamente programado antes mesmo de receber um nome. Decidi, que faria um curso rápido de genética. Desses que você deve ter ai, que duram uma ou duas semanas. Mas eu queria fazer esse curso em um hospital específico.