A víbora
8 Capítulo 08
Me recompus fisicamente, eu e você sabemos que deste trauma eu não me livraria, vou lembrá-lo e alimentá-lo para sempre. Ele fez parte de mim, e quero que fique comigo para sempre, diferente de Jason e de London. Tomei o meu banho, segurando o choro e as lágrimas, eu já não tinha mais força para chorar e nem mais tempo. Quando sai do banho, resolvi pensar em mim, em dar um jeito de compensar a perda do meu filho, de compensá-lo pelo que eu e Jason fizemos.
Eu deveria ter procurado um modo diferente de lidar com os sentimentos. Talvez de jogá-los fora. Porque se um dia eu voltasse a ser mãe, eu não queria passar por isso de novo, só porque reprimi e externizei os sentimentos de maneira bruta demais.Sentei na ponta da cama, enrolada em uma toalha, e olhei a janela. Vi apenas luzes públicas acesas e ninguém na rua. Imediatamente me lembrei do cara que me abordou na rua, meu corpo reagiu se arrepiando, mas não consegui entender se foi de excitação ou medo.
E então aqui estava meu primeiro empasse,o que eu sinto quando mato alguém? Medo ou satisfação? Eu não sabia, mesmo, tantas coisas aquele dia podiam dar errado, eu poderia morrer no meio da rua, com a barriga aberta e as entranhas para fora, poderia ter apenas cedido ao desejo mútuo, mas eu o matei, isso quer dizer, eu escolhi matá-lo ? Fiz isso conscientemente ? No meu interior eu queria matar alguém? vê-lo sangrar, agoniar diante meus pés ? Eu precisava descobrir, o que eu sentia, e lidar com ele, afinal essa era minha nova meta de vida.
sai de casa, usando a mesma roupa que eu estava aquele dia. Achei que de algum modo, fosse atrair outros infectados até mim. Andei pelas ruas com calma, e vi alguns casais passeando a luz do luar e das estrelas, pareciam felizes e despreocupados, fiquei com inveja na hora. Eu daria tudo para sentir o amor de alguém como antes, de se sentir importante, ter a atenção dele, mas eu sabia, que esse tipo de vida não era mais parte de mim.
Quando cheguei a um beco, muito bem iluminado vi atrás de mim, uma garota. Ela tinha cabelos longos e loiros, e os olhos verdes, lembrei exatamente daquela cara, era a mesma mulher que eu vi com Jason naquela maldita casa de boneca. Ela em partes foi responsável pela morte do meu filho, e pela minha separação. Com certeza eu a mataria e com requintes de crueldade se eu tivesse tempo hábil. Ela se aproximou de mim de vagar, sorrindo friamente, parecia querer me dizer algo, algo ofensivo, do tipo " Peguei seu marido" ou " Ele sabe o que é bom de verdade, porque eu o mostrei como é", e só de imaginar que realmente fosse isso que a maldita loira queria me dizer, eu corri até ela, e daria o soco mais forte e certeiro que já houve em Sínomo.
Mas aqui, parece que todos podem ler a minha mente, antes que pudesse chegar até ela, uma equipe de elite de Sínomo e cercou, e a levou para longe. Eles vestiam roupa preta e andavam totalmente cobertos, para que não houve infecção. Carregavam armas grandes e aparentemente pesadas. Um deles se aproximou de mim, jogou a luz branca de uma lanterninha nos meus olhos e perguntou gritando qual era meu nome. Eu disse, e ele imediatamente buscou meu histórico de vida, em uma micro tela grudada em seu pulso. Lá então ele viu que hoje busquei meu filho morto, morava sozinha e que meu marido era Jason, até mesmo as informações de Jason apareceram lá. Entendi na hora, que se eu fosse uma justiceira sexy e lasciva, não poderia ter um nome.
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