A ultima caçada.

2 A ferramenta ideal.


Quase taquei meu celular na parede por causa do despertador, mas após alguns minutos reunindo forças, consegui me arrastar para fora da cama. Coloquei uma saia vermelha e uma regata de seda cor creme. Escovei os dentes, dei um jeito na cascata de cabelos negros e ondulados, e passei meu bom e velho batom vermelho.

Minha rotina é muito simples: acordo todos os dias as 9:00 e vou pra faculdade, enquanto tomo meu café e como minhas rosquinhas no caminho, dentro do meu carro. Tenho aulas normais como matemática e física, e depois saio para o almoço, as 12:30. Uma hora depois, entro nas aulas que realmente importam. Faço faculdade de astronomia, pois sempre foi minha maior paixão, ou melhor, uma das. Passo o resto da tarde de bobeira e no anoitecer, saio para minha caçada, que faço uma vez por semana, e dependendo do caso, duas. Acontece que rosquinhas e arroz com salada não satisfazem minha fome.

Meu tio, Tomaz, me ensinou tudo o que sei. Me levou aos lugares certos e me mostrou os alvos certos. Deu muito trabalho, seguir todas as dicas e fazer tudo da forma correta. Mas, ou eu obedecia ordens e garantia que ninguém descobrisse esse meu passatempo secreto, ou eu morria de fome. Optei pela opção um.

Lembro do meu primeiro treinamento como se fosse ontem. Meu tio me colocou em frente a uma mesa que transbordava armas, ferramentas, e alguns instrumentos que certamente poderiam ser usados em uma caça. Eu olhei para ele espantada e berrei:

“- Mas tio, eu não sei usar nada disso! E como poderei carregar tudo isso em uma caçada? É impossível!”

Ele olhou meu rosto apavorado e eu pude perceber que ele segurava o riso.

“-Carol, lhe trouxe aqui para que você faça uma coisa bem simples, escolha duas ferramentas ou armas que estão aqui, apenas duas, e eu lhe ensinarei a usar.”

Observei a mesa e procurei uma ferramenta que despertasse algo em mim. Olhei um arco, e ao seu lado havia uma bolsa cheia de flechas. Quando eu era pequena, minha mãe fez um arco caseiro para mim, e desde então sempre fui apaixonada.

Peguei o arco e as flechas e entreguei ao meu tio.

“-Agora escolha mais um.”

Olhei novamente a mesa e meus olhos demoravam em cada objeto sobre ela. Tinha acabado de analisar um soco inglês, quando vi algo que me tirou o fôlego.

O cabo era de madeira, protegido por uma camada de verniz em tom marrom escuro. O “quadrado” preso na pronta do cabo tinha a cor que considerei como cobre. A lateral circular, afiada e mais fina que uma folha de papel, cintilava sob um facho de luz que surgia do telhado quebrado do porão. Peguei o machado e o analisei mais de perto. Era lindo. Sempre tive uma paixão por machados e ia a loucura sempre que avistava um nos filmes ou seriados, principalmente depois do filme “Abraham Lincoln: caçador de vampiros”.

Mostrei o machado ao meu tio e ele ergueu uma sobrancelha, demonstrando surpresa.

“- Você tem certeza?”

Olhei novamente para o machado com um brilho nos olhos e com a boca salivando de prazer, abri um sorriso triunfante e disse:

“- Nunca tive tanta certeza.”

Notas finais
Eai, gostaram?! Espero que sim! Volto segunda que vem com um capítulo novo cheio de surpresas. Comentem, e elogiem ou critiquem, isso pode me ajudar. Xoxo :*