A trilha de um sábio

4 Capítulo 4 - O início de uma nova vida.


Notas iniciais
Naruto está abalado e esse capitulo e os próximos, serão focados em construir e amadurecer o Naruto que estou escrevendo.

Quando o garoto havia chegado na casa, Shima mal pode o reconhecer sem seu sorriso e sua energia abundante. Os ombros envergados, a face triste e o silêncio que o acompanhava era algo estranho de associar a alguém como Naruto. A princípio, Shima foi insistente em tentar conversar com ele, mas Jiraya havia pedido para respeitar o desejo dele por privacidade. Ele sabia que em algum momento Naruto se abriria para eles.

No dia seguinte, mais uma vez, Jiraya havia pedido para que não houvesse qualquer treino hoje e Fukusaku respeitou o pedido, deixando que Jiraya pudesse tentar se aproximar do Uzumaki. Por parte de Naruto, o garoto havia optado por apenas passear pelo o Monte Myoboku, querendo espairecer e refletir sobre o que tinha acontecido num espaço tão curto de tempo. Esse momento certamente seria muito melancólico se não fosse a presença de dois pequenos sapos que há quase uma semana haviam conhecido Naruto e não largavam o pé dele desde de então.

“Então o Gamatatsu derrubou a bebida importada do pai e nós tivemos que correr até Shima-sama para papai não nos dar umas palmadas.”, contava Gamakichi, terminando o seu relato sobre quão desastrado era seu irmão, Gamatatsu.

“Irmão, eu já pedi desculpas!”, dizia de uma forma lenta o dito irmão, claramente envergonhado de falar desse episódio para seu novo amigo.

Naruto queria ficar sozinho, mas simplesmente não conseguia dizer ‘’não’’ para aqueles dois, que seguiam ele para todos os lugares quando o Uzumaki não estava em treino.

“Tenho certeza que Gamakichi não queria fazer de propósito.”, afirmou de maneira vaga o Uzumaki, claramente pensando em outra coisa.

Os irmãos ficaram em silêncio e se encararam num tom confuso. Umas das coisas que eles mais admiravam em Naruto era a vivacidade que ele tinha sempre, algo não muito comum no Monte Myoboku, com a taxa de jovens e crianças sendo muito baixo. Na realidade, Gamakichi e Gamatatsu eram os únicos filhotes do local, tendo nascido há mais de 50 anos.

“Está tudo bem, Naruto?”, questionou Gamatatsu, com seu tom de voz natural que o deixava adorável nessa idade.

O Uzumaki demorou um pouco para responder. Por fim, ele respondeu de maneira vaga: “Não sei.”

“Qual o problema? Eu e Gamatatsu podemos te ajudar, apesar do meu irmão ser desastrado.”, ofereceu Gamakichi, sempre disposto a ajudar seu novo amigo.

“Eu não sou desastrado! As coisas apenas caem da minha mão misteriosamente!”, afirmou Gamatatsu de maneira irritada, mas logo continuou olhando para Naruto: “A gente pode ajudar, Naruto. Prometo me esforçar muito para isso!”

A forma como eles se ofereciam, com verdadeira preocupação para o Uzumaki foi como um verdadeiro baque para ele. Foram apenas algumas semanas, mas nesse tempo, Naruto conheceu vários indivíduos que não os odiavam, como estavam dispostos a lhe ajudarem.

“Sim! Nós somos seus amigos!”, terminou por fim, Gamakichi, falando como se tal fato fosse a coisa mais natural do mundo.

Naruto nunca tinha ouvido isso em toda a sua vida.

Ele tinha colegas de turma, tinha um homem que considerava seu avô, tinha seus companheiros de equipe e seu sensei, mas nunca, em toda a sua curta vida, ele ouviu alguém afirmar como se fosse a coisa mais natural do mundo:

Somos seus amigos.

“Ahhhh! Olha o que você fez, Gamatatsu, Naruto está chorando, seu idiota!”, reclamou Gamakichi.

“Ehh! Porque a culpa é minha? Eu não fiz nada!”

Enquanto os irmãos brigavam, Naruto continuava a deixar algumas lágrimas a cair, no entanto, o que nem Gamakichi e Gamatatsu percebiam era que havia um pequeno, mas genuíno sorriso em sua face.

Se sente pronto para conversar com alguém, Naruto?”, questionou mais uma vez, ao longo do dia, Kurama, num tom de voz calmo.

Dessa vez, a resposta que ele obteve foi positiva.

[...]

Os picos de pedra eram um local na borda do Monte Myoboku, que era usado para o treinamento avançado em senjutsu. O local havia sido esculpido pessoalmente por Fukusaku, em seu primeiro ano como mestre no ensino de senjutsu, há mais de 600 anos, sendo basicamente imensos picos pontiagudos de pedras, com altura de dezenas de metros. Jiraya havia recebido o chamado de Gamakichi, dizendo que Naruto queria conversar com ele em tal local.

Assim, Jiraya carregava em sua mão uma tábua de madeira, onde a usaria para se equilibrar na ponta do pico em frente ao que Naruto estava, já localizando o garoto. Quando enfim subiu até o topo, viu Naruto totalmente equilibrado em sua tábua, sem mexer um único milímetro do seu corpo. Ao ver tamanha maestria no senjutsu, em um tempo de dias, Jiraya tinha certeza do futuro grandioso que o garoto teria.

Colocando sua tábua e se equilibrando, Jiraya passou alguns minutos com olhos fechados e respirando de maneira rítmica, assim como Naruto fazia. Ele tinha um objetivo para estar aqui, mas nem por isso, deixaria de aproveitar o lugar para fazer uma leve meditação e, como bônus, dar o tempo que Naruto precisava para falar.

Minutos se passaram e por fim, com Jiraya quase entrando em um transe meditativo e se esquecendo da razão para estar lá, ouviu a voz do garoto loiro, que há pouco tempo atrás só aprendia falar em um tom alto, mas agora, era calmo e controlado.

“Eu sei sobre meus pais.”

A frase simples abalou bastante o Sannin, fazendo abrir seus olhos repentinamente, vendo a expressão neutra de Naruto e quase caindo do pico que estava, mas que conseguiu retornar o equilíbrio. Encarando o seu aluno, Jiraya questionou num tom levemente surpreso: “Como assim? Kyuubi lhe contou? Naruto, ele é um demônio...”, ele continuaria em seu pequeno sermão, dizendo para não acreditar numa besta assassina demoníaca, mas o loiro o interrompeu.

“Antes de falar qualquer coisa, me deixe contar como aconteceu e aí poderemos conversar.”, pediu o garoto.

Jiraya se calou, avaliando o seu aluno. Vendo que ele parecia precisar desabafar, assentiu e se pôs a ouvir a história. Naruto começou relatando em detalhes tudo que aconteceu e parando logo após ter aceitado deixar que Kurama falasse com seu pai, já que não tinha ideia o que houve, sem poder ouvir o que era dito. Ele havia deixado de lado a parte do ataque de pânico, já que não se sentia confortável em contar isso para Jiraya.

Jiraya ouvia tudo com atenção, internamente se lamentando que ele tivesse que descobrir sobre seus pais dessa maneira. O Sannin sabia sobre o que havia acontecido com Naruto em sua infância. No entanto, ele apenas descobriu quando leu seu relatório, 12 anos depois de seu nascimento, e quando descobriu, demorou dias para que Jiraya não sentisse nojo de si mesmo.

Foi duro para o Sannin descobrir que seu amado discípulo havia sido morto, assim como Kushina, uma mulher que ele considerava como a sua filha. Quando soube da existência de Naruto, recém-nascido, de fato havia um desejo de colocá-lo sobre sua tutela. Seria provavelmente um desastre, mas o homem estaria disposto a fazer essa loucura pelo seu afilhado. No entanto, o conselho, com Hiruzen assumindo o manto de Hokage após a morte de Minato, havia sido irredutível: ninguém teria a guarda de Naruto Uzumaki, que seria tratado como uma força autônoma de Konoha e não estabeleceria laços com clã ou indivíduo algum durante sua infância. Jiraya era poderoso, um shinobi influente e reconhecido por todos, mas ainda assim, ainda era um shinobi de Konoha e o conselho era a força máxima nessa questão: suas decisões seriam acatadas e ponto final.

“Eu lamento por isso.”, afirmou da forma mais sincera possível.

Naruto não disse nada, apenas olhando para Jiraya e então perguntou: “Como está relacionado comigo?”, vendo o rosto de confusão de Jiraya, ele continuou: “Você era mestre do meu pai. Isso, junto ao fato de você surgir repentinamente para me treinar são coincidências que simplesmente não posso ignorar. Me responda: como está relacionado comigo?”

A pergunta, num tom levemente desesperado, mostrava a resposta que Naruto já suspeitava, mas que internamente temia que fosse verdade. Jiraya ficou alguns segundos em silêncio, encarando o semblante de Naruto, e com um suspiro, ele respondeu:

“Eu sou seu padrinho, Naruto.”

Naruto não reagiu além de fechar os olhos, mostrando o foco que estava em sua posição e principalmente a sua mente forte o suficiente para aguentar a informação que temia, mas era claro para Jiraya como essa informação abalou o garoto. Antes que ele tivesse que ouvir de maneira dolorosa do loiro o porquê dele ter o abandonado, Jiraya começou a falar:

“Ser um Jinchuurinki é difícil. Além de todo o ódio que você recebeu, existe outras coisas que tornam a vida de uma pessoa sujeita a isso, mas miserável ainda. Quando um jinchuurinki surge numa aldeia shinobi, cada uma tem à sua maneira de lidar com eles. Alguns apenas o mantém preso até a sua morte, outros utilizam do poder do Jinchuurinki e o tratam como uma arma, e outras também usam esse poder, mas sabem respeitar e tratar o indivíduo que o possui como um cidadão digno. Infelizmente, no caso de Konoha, a relação é de ódio com essas criaturas para maioria das pessoas. Eu poderia explicar os detalhes por trás disso, mas creio que você não quer saber.”

“Quando Minato tomou essa decisão, eu tenho a certeza absoluta que ele nunca esperava que você sofreria tanto. Minato era um gênio, um homem à frente do seu tempo e que logo mais se tornaria uma lenda sem igual, mas infelizmente ele se sacrificou pela crença de que seu povo iria saber tratar seu filho, que carregava tamanho fardo. Ele não esperava que o conselho decidisse fazer dessa informação um segredo, que logo vazou, e sem dúvida, não esperava que as pessoas fossem impedidas de lhe adotar.”

A informação chamou a atenção de Naruto, sendo percebido por Jiraya, que logo explicou: “Sim, Naruto, havia pessoas querendo lhe adotar. Seu pai e sua mãe tinham amigos na aldeia e eles queriam cuidar de você, mas foram impedidos pelo o conselho, não somente de lhe adotar, mas também de se aproximar de você, sobe a alegação de que qualquer contato seria uma tentativa de influenciar você.”

“Você era apenas uma criança e eles lhe tratavam como uma arma.”

Antes que Naruto começasse a associar o conselho com Hiruzen, Jiraya logo esclareceu: “Sandaime queria que você fosse adotado, e ele passou 5 horas tentando de todas as maneiras fazer com que alguém tivesse a permissão de lhe adotar, mas o conselho, formado por civis e shinobis, haviam se firmado nessa decisão e, mesmo sendo uma aldeia militar, Konoha segue uma linha mais democrática que outras. O Hokage deve cooperar com as decisões do conselho, com a exceção de emergências.”

Tudo que Jiraya falava, apenas deixava Naruto cada vez mais triste. Jiraya percebia isso e lhe partia o coração a crueldade com que o destino havia tratado esse garoto, mas Jiraya iria garantir que isso não acontecesse mais.

“Agora, me escute, tudo isso que lhe falei é a verdade e existe muito mais por trás. Não apenas coisas ruins, mas também coisas boas. Eu tenho muito a falar de sua mãe por exemplo.”, com a reação positiva de Naruto, Jiraya prosseguiu com mais confiança: “O que eu quero que saiba é que seus pais lhe amavam. Eles sonhavam com o dia que seriam pais, quando descobriram você. No entanto, eles erraram, pois são humanos e como todos, sempre o farão. Você sofreu com o erro deles e eu lamento profundamente por isso, porque eu e muitos outros também erramos com você.’’

“Mas agora você não é mais uma criança indefesa.”, olhando com intensidade para os olhos azuis de Naruto, Jiraya prosseguiu: “Você é um Uzumaki, um shinobi e agora, um sábio. Você possui o poder de moldar seu destino Naruto, não mais tendo que sofrer por escolhas erradas de outros. Você pode ser o que quiser e eu te garanto que não só eu, como Fukusaku, Shima, Kakashi e muitas outras pessoas estarão dispostas a te apoiar no que for escolher.

Internamente, Jiraya rezava que Naruto não escolhesse destruir Konoha.

O loiro se manteve em silêncio, olhando para baixo e não conseguindo ter forças para olhar Jiraya. Na realidade, tudo que Naruto parecia agora era cansado. Um garoto normal não deveria ter tamanho desgaste mental nessa idade, mas no dia que Minato decidiu por colocar uma Bijuu dentro de seu filho, ele tirou essa vida de Naruto.

No entanto, vendo o pequeno sorriso que Naruto deu ao levantar seu rosto, Jiraya acreditou que isso seria o início da nova vida de seu afilhado.

Seria o caminho do bebê sacrificado para o novo sábio do continente elemental.

[...]

Como vai, Naruto?

Quem questionava era Kurama, de frente a Naruto, por trás de um portão de ferro intransponível e no esgoto que era a sua mente. O próprio Uzumaki parecia mais leve, depois de tanta coisa que aconteceu e tendo o tempo que precisava para ao menos conseguir suportar melhor esse peso. Não era ainda o ideal, havia traumas demais para serem lidados e superados, mas era um início, e apenas isso, mostrava a força que aquele garoto carregava dentro de si. Algo que Kurama em seus séculos de existência poderia respeitar e, de certa forma, admirar.

“Estou melhor. Obrigado por tudo que vem fazendo por mim.”, agradeceu novamente, de maneira sincera.

Já está se tornando bastante repetitivo isso, não acha?”, a pergunta era retórica e logo Kurama complementou: “Você é forte garoto. Possui o espírito de quem passou por muita coisa, mas que também nunca se curvou ou direcionou para o caminho errado. Isso é algo que poucas pessoas já conseguiram realizar e, de certa maneira, eu pude aprender bastante estando dentro de você.

Eu que agradeço por essa experiência.

“Eu ainda irei te libertar, Kurama. Você merece ser livre.”, afirmou com convicção o humano menor que a unha de Kurama.

Sim, eu sei disso. Só que não precisa ter pressa, não quando as coisas irão se tornar tão interessantes.”, afirmou de maneira vaga a Bijuu.

Naruto deu um sorriso em resposta e questionou:

“Então é só liberar o selo?”

Sim, libertando o selo, terá acesso a todo o meu chakra. Não poderemos utilizar o poder total livremente, mas nada que algum treinamento não resolva. De qualquer forma, apenas tendo acesso ao meu poder já será algo acima e qualquer coisa que já tenha visto.

A afirmação para muitas pessoas, trariam ganância, arrogância e diversos outros sentimentos que não seria bom para pessoas extremamente poderosas, mas tudo que Kurama captava de Naruto era curiosidade genuína do que aconteceria. O garoto era tão idiotamente puro que Kurama não conseguia comparar a mais ninguém além de um velhote que por muito tempo tentou enfiar coisas na cabeça de Kurama.

Finalmente, Kurama faria algo que orgulharia o seu pai.

Naruto assentiu, e assim, ele levantou a camisa preta que usava, mostrando o selo que tinha no estômago e ativando o chakra na sua mão esquerda, diversos selos surgiram na sua mão, junto com seus dedos se acendendo em chakra. Enquanto ele se preparava para colocar os dedos no selo e girar a chave, que havia pego com Geratora, Kurama novamente explicou:

Lembre-se, você precisa reformular o selo do zero, de maneira que melhor se adeque a você. Minato teve o cuidado de criar o selo e a chave de maneira que todo o processo fosse puramente instintivo, então se foque em como você quer que seja esse lugar.

Naruto ouviu o que Kurama disse e assim, colocou os dedos no selo, fazendo com que toda paisagem mental tremesse. Kurama continuava a encarar Naruto, esperando com paciência enquanto o garoto criava a coragem para girar a chave e liberar o selo que lhe prendia. Naruto não era burro. Sabia que no momento que liberasse o selo, Kurama poderia simplesmente o atacar e o matar para se libertar definitivamente, sendo tudo que aconteceu um mero artificio. No entanto, ele não só queria, como precisava acreditar que tudo que acontecia tinha algum sentido e Kurama era quem estava trazendo isso para ele. Mesmo que o pior acontecesse, Naruto era um sábio e estava imóvel para poder estar dentro de sua paisagem mental, então ele facilmente poderia entrar no modo sennin.

Com isso tudo em mente, ele virou a chave e a fechadura do imenso portão, com um papel com kanji “selo” nele, teve uma explosão de chakra e o papel foi rasgado em milhares de pedaços. A fechadura do portão era uma espécie de redemoinho que começou a girar de fora para dentro num movimento circular, até não haver nada e os dois portões serem abertos com violência pela força do chakra da Kurama.

Uma palavra que Naruto poderia definir para o chakra de Kurama era avassalador. Não havia um início ou fim que pudesse sentir. Era um poder enorme e sem igual que Naruto sentia como se a própria gravidade do lugar aumentasse em várias vezes repentinamente.

Isso era o peso de tamanho poder para o corpo ainda não plenamente desenvolvido de Naruto. Caso continuasse assim, ele seria dominado mentalmente apenas pela presença que Kurama emanava naturalmente. Esse seria o melhor momento que já teve na vida como uma bijuu aprisionada para se libertar. Apenas um pouco mais de chakra ou um simples movimento de sua pata destruiria Naruto e se tronaria livre. No entanto, sua intenção nunca havia sido essa:

Faça.

Com as palavras, Naruto deu um sorriso, ainda se sentindo sobrecarregado com tamanho poder, estando levemente encurvado pelo peso que sentia, mas a única palavra que Kurama disse foi o suficiente para reunir as forças que precisava.

Pois ele realmente possuía um amigo.

Naruto havia feito um movimento com as mãos para a direita em seu estômago, para liberar o selo e agora, fez um movimento para a esquerda, retornando à posição inicial de sua mão e consequentemente, retornando a fechar o selo.

No entanto, algo que é aberto, nunca mais pode ser fechado da mesma maneira.

Rachaduras começaram a surgir por todo o local, os canos desmoronando e a água começava a diminuir até secar. Kurama observava tudo com fascinação e assim, todo o lugar foi destruído e uma paisagem do mais puro branco surgiu. Com os olhos ainda fechados, Naruto se focava no que queria, no que seu coração sentia ser o melhor para esse lugar e principalmente, no que seria melhor para Kurama viver.

Assim, 9 tooris surgiram ao redor de Kurama e Naruto, criando um círculo, e a paisagem branca começou a ser preenchida de cores e formas. O teto se tornou azul e nuvens começaram a surgir para criar um céu bonito. O chão, que antes era apenas uma superfície suja com um liquido escuro, semelhante a um esgoto, teve uma grama crescendo até onde se podia enxergar pelos os olhos de Kurama e sendo uma raposa de sentidos superiores, isso era um território enorme. Um lago cresceu a algumas dezenas de metros de onde estavam, e por fim, há mais ou menos um quilômetro de onde estavam, uma floresta gigantesca cresceu de forma instantânea. Podia se considerar gigante, pois Kurama percebeu que poderia escalar elas e agora, teria um playground para si.

A criatura ancestral riu com o desejo tão puro da criança. Uma felicidade genuína surgindo dentro de si e que a muito tempo não conseguia expressar em séculos de sentimentos ruins. Com um sentimento de gratidão e agora, com o desejo de retribuir, Kurama fechou seus olhos e nos momentos finais da criação da nova paisagem mental, o Bijuu deu a sua contribuição.

Afinal, o que seria um céu sem o seu sol?

Quando por fim Naruto abriu seus olhos, ele olhou para cima, esperando ver o rosto surpreso de Kurama, mas não vendo a face peluda de seu amigo, outra coisa atraiu a sua atenção e olhando totalmente para cima, Naruto via uma bola dourada de luz e com uma expressão confusa, pois não havia pensado nisso, ele ouviu a voz que se tornava cada vez mais familiar para si:

Aquilo é meu chakra.

Olhando para baixo, Naruto viu Kurama, mas agora, a raposa não possuía uma altura titânica, mas o tamanho de um adulto humano. Vendo a expressão de confusão, Kurama complementou: “Eu reuni meu chakra no seu céu e tornei o sol. Assim, você poderá ter acesso ao meu poder sem precisar de mim. A quantidade de poder que usei seria o suficiente para me deixar uma aparência esquelética se mantivesse meu tamanho natural, então diminui um pouquinho.

Com a explicação, Naruto se aproximou de Kurama e ambos observaram a criação que o Uzumaki fez e Kurama deu o toque final. Poucas pessoas poderiam dizer que construíram um mundo, mas Naruto estava na lista dessas pessoas. Observando Kurama, enquanto a raposa olhava a paisagem com calma, a criança sentia um desejo enorme em seu peito, mas que estava envergonhado demais para falar em voz alta. O que ele se esqueceu, era que eles estavam dentro da mente de Naruto e assim, Kurama poderia sentir e interpretar facilmente o que o garoto pensava.

Com um suspiro, Kurama falou num tom de voz tranquilo, olhando para Naruto: “Você tem 10 segundos e mais nada. Tenho uma imagem para zelar, afinal.

Com um sorriso no rosto, Naruto se aproximou de Kurama e sem hesitar, confiando na palavra de seu amigo, se jogou no torso da raposa e se deleitou no pêlo, que era bastante macio. Kurama mantinha uma expressão entediada, mas internamente se divertia. 10 segundos se passaram e de forma obediente, Naruto se afastou de Kurama, com um sorriso divertido no rosto.

Agora que está satisfeito, vou até lago para saber como é a sensação de beber água depois de décadas de estar privado disso. Eu retorno quando terminar a sua conversa.”, assim Kurama partiu, com seu trote suave e elegante, não fazendo nenhum barulho ao andar.

O que ele havia falado era algo que Naruto já estava ciente e que Kurama havia informado, nos dias anteriores, onde os dois planejaram esse momento. Com um inspirar e expirar profundo, se preparando para esse momento, ele se virou e encarou uma pessoa que surgiu repentinamente nesse lugar, pois quando Kurama havia sido selado dentro de si, um mecanismo de defesa foi instalado e continha dois chakras.

Agora, na sua frente, com uma roupa que parecia ser de uma típica dona de casa, um rosto que mostrava a sua beleza sem igual e cabelos longos e ruivos que eram facilmente a coisa mais linda que Naruto já viu, estava a sua mãe, Kushina Uzumaki, com uma expressão confusa olhando ao redor, mas que quando focou em Naruto, derramou lágrimas e um sorriso de pura felicidade surgiu em sua face.

Por parte de Naruto, ele sequer se esforçou de segurar as suas lágrimas. Seu coração estava carregado durante dias de muitas coisas e na hora de se livrar de todo essa carga negativa, ninguém poderia se comparar ao conforto de uma mãe.

Assim, Naruto correu em direção a sua mãe em grande velocidade e a abraçou com força, sendo correspondido da mesma maneira.

O momento de seu pai havia sido algo que marcaria para sempre Naruto e infelizmente, lágrimas de dor e tristeza seriam lembrados.

Com sua mãe, a únicas lágrimas que seriam derramadas eram de felicidades.

Notas finais
Em F.S.K, eu afirmo que o Hokage tem total autonomia nas questões militares da vila, mas decidi modificar isso em “A trilha de um sábio”. Além disso, sim, Naruto também terá o poder da Kurama, agora o nível disso ainda será revelado. Continuem comentando e deixando esse escritor feliz, pois cada comentário, é um enorme incentivo para continuar escrevendo. Elogios, críticas, dúvidas e sugestões são bem-vindos. Todos os comentários serão respondidos com a devida atenção.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.