A trilha de um sábio
2 Capítulo 2 - Como fazer uma criança ficar imóvel.
Notas iniciais
“Fascinante.”, mais uma vez repetia Fukusaku, sábio sapo do monte Myoboku.
Shima revirava os olhos com a repetição do marido. Já era a quarta vez que ele estava nisso, enquanto encarava o corpo da criança desacordada e com um imenso inchaço na região da bochecha esquerda, onde Shima o bateu. Por parte da sábia sapo do monte Myoboku, ela tinha que lidar com um Jiraya que tinha entrado em estado de choque, ficando parado como uma estátua, a face de surpresa absoluta congelada em sua face. Shima já estava bastante irritada, pois não só foi chamada de fraca por um moleque abusado, como também foi interrompida do preparo do almoço, um dos seus momentos favoritos do dia.
Assim, ela simplesmente deu outro salto e deu um tapinha de leve na face de Jiraya, algo que quando associado a senjutsu, foi equivalente a Jiraya levar um murro na cara de um Jounnin. Assim, ele caiu no chão, com o mundo explodindo em dor e um grito para acompanhar com a sensação.
“Levante-se, homem! Humanos são tão dramáticos!”, afirmou em um tom irritado a fêmea sapo.
Jiraya se levantou, com o a mão pressionada na região que levou o golpe e rapidamente, tudo que aconteceu voltou a sua mente e ele foi em direção a Fukusaku, ignorando Shima, que bufou em irritação com tudo isso. Ela poderia voltar para a sua casa, mas mesmo ela admitia que o fato de uma criança conseguir invocar ela e seu marido era algo que deveria ser averiguado, assim, foi em direção ao pequeno grupo.
Fukusaku ainda encarava com os olhos focados algo ao redor de Naruto e quando Jiraya estava ao seu lado, logo ouviu a pergunta de Jiraya, com um tom de extrema urgência: “Como ele fez isso?”
“Existe senjutsu dentro dele.”
Jiraya arregalou mais uma vez os olhos em choque, procurando freneticamente por qualquer sinal de uso de energia natural no corpo do garoto, mas não vendo nada, ele voltou a encarar seu mestre e iria questionar por mais explicação, mas Fukusaku logo completou: “Não é uma quantidade que possa ser usada em batalha, ou que cause mudanças no corpo dele, mas foi o suficiente para invocar a mim e minha esposa.”
De fato, como Jiraya não estava no modo Sennin, ele não poderia ver o que Fukusaku e Shima, que ficou ao lado do seu esposo, poderiam ver. A energia da natureza, a energia primordial de todo ser vivo, de alguma maneira, tentava continuamente entrar no corpo do garoto. Obviamente, por não ser treinado, seu corpo não estava preparado para permitir a entrada, mas de tanto essa energia ser continuamente atraída para a criança, quantidades minúsculas entravam no corpo dele. Para invocar sapos como Fukusaku e Shima, além de uma quantidade de chakra gigantesca, era necessário uma quantidade pequena de energia natural para misturar e ai então fazer a invocação.
“Vamos levar ele para o Monte Myoboku.”, afirmou Fukusaku.
Jiraya voltou a sua atenção para o sapo menor, mas infinitamente mais poderoso que ele, e disse em um tom aflito: “Acha que ele pode se transformar?”
“Dificilmente. Se fosse, ele já teria partes do corpo transformada em pedra.”, respondeu Shima, para o alívio de Jiraya.
“Muito bem, sendo assim, Anbu!”
Com o final da frase, instantaneamente um Anbu com a máscara de urso, sendo responsável pelo o turno de vigia de Naruto nessa semana, surgiu ajoelhado em frente a Jiraya: “Hai, Jiraya-sama?”
“Relate para Hiruzen o que houve e diga a ele que estarei partindo numa missão de treinamento com Naruto fora da vila.”, ele continuou, num tom de voz mais sério, “Tudo que você viu e ouviu só deve ser contado para Hiruzen e mais ninguém, entendido?”
“Sim.”
Com a partida desse, Jiraya se virou para Shima e de forma humilde, ele pediu: “Shima-sama, você poderia fazer as honras?”
Shima suspirou, mais uma vez odiando esse sistema de shinobis e toda essas paranóias e intrigas de poder que eles faziam questão. Assim, ela abriu a boca em direção a um canto da floresta, e como um raio, sua língua partiu em alta velocidade, tendo vários poros espalhado por todo o órgão e na ponta da língua, um rosto com um sorriso malvado e dentes pontiagudos. Entrando na mata profunda, Shima encontrou o espião, enlaçando ao redor do shinobi e rapidamente liberando uma secreção paralisante, travou qualquer reação.
Quando trouxe a sua língua de volta, ela segurava um corpo de um shinobi com uma máscara totalmente branca e um casaco amarelo de corpo inteiro junto com um capuz cobrindo a cabeça. Soltando o corpo no chão, Jiraya jogou uma kunai e perfurou a cabeça do shinobi com facilidade. Com o espião de Danzo morto, não se preocupando em catar o corpo, já que não faria diferença alguma, ele se virou para Shima a agradecendo e então falou: “Muito bem, podemos partir.”
Shima e Fukusaku assentiram, com os dois sapos retornando para o monte e segundos depois, Jiraya e Naruto desaparecendo numa nuvem de fumaça.
Quando eles voltassem, as fundações do continente elemental seriam drasticamente alteradas.
[...]
Quando enfim Naruto acordou, ele sentiu estar deitado em uma cama e abrindo seus olhos, viu um teto que parecia ser de pedra e contemplando todo o pequeno quarto, o local inteiro parecia que havia sido esculpido da pedra. Ele não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo, mas ele pode sentir uma atadura na sua bochecha esquerda, na região onde ele levou um tapa daquela sapo fêmea irritada. Ele pensava que Sakura conseguia bater forte, ficando atrás apenas de Tsunade, mas uma nova competidora apareceu na disputa e ela já conseguiu ficar de igual para igual para a mulher reconhecida no continente inteiro pela a sua força lendária.
Se sentando, ele viu mais detalhes do quarto, com a dita cama, também sendo feita de pedra com um colchão feito de folhas com algum estofamento que tornava agradável para dormir. A cama era bastante baixa, apenas alguns centímetros acima do chão, também feito de pedra e com uma grande folha no meio do quarto que assemelhava a um tapete. Além disso, não havia mais nada no quarto e logo ele pode ver o primeiro sapo que Naruto invocou, falando em um tom amistoso ao entrar no quarto: “Que bom que acordou, Naruto-san! Vejo que o antigo quarto de Jiraya-chan é perfeito para você. Já é um problema a menos.”
Naruto ainda mantinha uma expressão de confusão e afirmou em um tom exasperado: “Onde eu estou, seu sapo velho?”
Fukusaku não gostou do tom atrevido, mas já sendo avisado antecipadamente por Jiraya sobre isso e sabendo que não era o momento e nem o local para repreender o jovem, ele respondeu calmamente: “Estamos no Monte Myoboku, lar dos sapos e você acordou em minha casa e de minha esposa, Shima. Agora, venha comigo, o almoço está pronto.”
Dando pequenos saltos, ele saiu do quarto e Naruto não tinha escolha além de seguir, saindo do quarto e entrando num corredor, com uma entrada no lado esquerdo que ele presumia que dava para o banheiro, vendo um buraco oval no chão de pedra, além de um outro cômodo que não tinha como saber pois estava com a entrada coberta por um pano. Ele seguiu Fukusaku até o final do corredor, que dava para a sala, com uma mesa oval de pedra, com Jiraya já sentado, tomando uma bebida que Naruto presumia ser chá pelo o cheiro e a sapo fêmea que o estapeou, colocando diversas comidas em cima da mesa. Fukusaku se sentou e vendo Naruto, Jiraya o chamou: “Venha garoto, você deve estar com fome. A comida de Shima-sama é extremamente nutritiva, quem sabe assim você cresce alguma coisa?”
“Cala boca, Ero-sennin!”, falou o garoto em um tom alto e logo fez um grito de dor com algo acertando a sua testa com força.
“Respeito durante as refeições, seu pirralho!”, bradou Shima.
Naruto se calou, com um rosto amuado, esfregando a testa vermelha e dolorida. Shima apontou para o canto restante para se sentar e ele assim fez, ficando do lado direito de Jiraya e de frente para Fukusaku, que estava sentado ao lado de Shima.
Quando Naruto olhou para os pratos, vendo os insetos que estavam aos montes em cada um e alguns ainda vivos, ele iria reclamar, mas Jiraya apertou a coxa de Naruto como se fosse uma garra e antes que o garoto fosse protestar, ele afirmou com um sorriso no rosto: “Muito obrigado por preparar essa comida toda, Shima-sama! Tenho certeza que Naruto também agradece pelo o esforço que fez.”
Com o final da frase ele olhou para Naruto com um sorriso grande e congelado, ainda apertando com força a coxa de Naruto e o garoto logo entendeu que ele deveria concordar e comer a comida. Com Naruto acenando com força, Shima logo deu um sorriso e falou que era algo que gostava de fazer. Enquanto falava, Jiraya soltou a coxa de Naruto, que pôde suspirar em alivio.
O adulto e os dois sapos começaram a comer e Naruto se encontrou na situação difícil de comer a comida a sua frente. Sabendo que Jiraya deixou bem claro que ele deveria comer e que até seu estômago estava roncando em fome, já que não comeu muita coisa no café da manhã, Naruto aceitou seu destino e apenas pegou a comida menos estranha para ele e começou a comer.
Foi uma experiencia não muito boa, mas por sorte uns dos pratos que Shima preparou era uma espécie de farofa misturada com insetos fritos e triturados. Foi estranho, mais era a comida mais semelhante com o que ele comia normalmente. Ao final da refeição, Shima começou a levar tudo usado no almoço para a cozinha e enquanto tomava chá, Fukusaku começava a sua explicação:
“Primeiramente, acredito que devo desculpas pelo o que Shima fez. Tenho certeza que ela fará isso depois, mas no momento precisamos nos focar em seu treinamento.”, vendo a expressão confusa de Naruto, Fukusaku continuou, “Normalmente, você não deveria poder nos invocar, Naruto. Mesmo sendo sapos pequenos, como alegou, nem de longe somos fracos. Na verdade, somos uns dos sapos mais poderosos de nossa espécie.”
Naruto arregalou os olhos em surpresa e logo fez um grande sorriso convencido. Algo que Fukusaku achou meio infantil, mas que Jiraya, conhecendo o passado do garoto, provavelmente foi um dos poucos momentos da curta vida dele que fez algo que outros o elogiavam. Retomando a explicação, Fukusaku prosseguiu: “Para nos invocar, além de uma enorme quantidade de chakra, algo que tem de sobra, também é necessário ter uma energia em seu corpo, chamada Energia da Natureza, que é tudo que existe ao nosso redor e que pode fortalecer uma pessoa em dezenas de vezes ao se misturar com o chakra.”
Naruto mostrava uma cara de confusão, claramente não entendo o que foi dito e logo Jiraya explicou de uma forma mais simples: “É como se fizesse um ramén do Icharaku, e o Senjutsu fosse ingredientes adicionais que melhoram o sabor, como um ramém grande de carne de porco.”
“Ohhh, entendi!”
Fukusaku suspirou com isso e Jiraya apenas deu de ombros, já começando a se adaptar como professor para Naruto. O garoto tinha suas qualidades e o fato de ser bastante lento, não era algo que seria magicamente mudado, então deveria trabalhar com o que tinha.
“De qualquer forma, o fato de você demonstrar tal capacidade é o suficiente para estar apto para o treinamento. Jiraya me explicou a situação que você está nos exames e esse treinamento será de extrema importância para a sua vitória.”, concluiu o sábio.
“Yoshh, sendo assim, vamos começar!”, afirmou, praticamente gritando com extrema empolgação.
Fukusaku ainda não gostava do tom alto da criança, mas repreender ele em um momento tão feliz não iria ajudar em nada para o treinamento. Obviamente, ele teria muitas oportunidades para o disciplinar e transformar ele em um sábio do Monte Myoboku.
[...]
Já fora da casa de Fukusaku e Shima, com Naruto usando uma camisa preta e calça laranja, que Jiraya havia arranjado, ele descobriu que a casa realmente foi feita toda de pedra. O Uzumaki, Jiraya e o sábio sapo andaram no Monte Myoboku, um lugar incrivelmente bonito na opinião de Naruto, com uma vegetação extremamente vasta e exótica, numa grande explosão de cores da flora. Os sapos eram tão exóticos quanto ao lugar, com os mais diversos tamanhos, de sapos menores que Fukusaku, até de tamanho de prédios como 3 enormes sapos que estavam bebendo e conversando a dezenas de metros do caminho de pedras que eles estavam andando.
Um dos sapos, de cor vermelha, gritou em alto e bom som, claramente bastante bêbado: “Jirayaaaa! Junte seu traseiro aqui e vamos beber, seu desgraçado!”
Jiraya riu com isso e olhando par Fukusaku buscando autorização, o sapo respondeu: “Pode ir, irei explicar o básico do treinamento de Naruto e então iremos começar. Qualquer coisa, irei pedir para alguém lhe chamar.”
Assentindo e se despedindo de Naruto, Jiraya partiu em um shunshin até os sapos gigantes, com Naruto ainda impactado com o tamanho colossal deles. Vendo a expressão de Naruto, com uma leve risada, ele explicou: “Aquele que chamou Jiraya era Gamabunta, o chefe dos sapos do Monte Myoboku, um dos maiores títulos da nossa espécie. Os outros, o da cor verde, com duas katanas nas costas e o vermelho com uma armadura de batalha completa, são seus irmãos, Gamahiro e Gamaken. São os mais poderosos sapos depois de mim e minha esposa.”
“Incrível! Eu posso invocar eles?”, perguntou com empolgação o Uzumaki.
“Vai ser preciso fazer um teste com cada um deles e caso passe, terá o direito de os usar em batalha.”
Com isso, os dois prosseguiram, até chegar em um espaço aberto, com dezenas de estátuas de sapos de tamanho variados ao redor e uma grande fonte com um líquido marrom escorrendo de uma cachoeira. Fukusaku parou e então retornou à explicação, dessa vez, tentando ser simples: “Esse é o local de treino para o senjutsu. Aqui, durante séculos, centenas de iniciante na arte do senjutsu começaram seu treino aqui. Incluindo eu e minha esposa.”
Dando uma pausa para que o garoto pudesse contemplar o lugar, Fukusaku continuou: “Enquanto você dormia, Jiraya removeu o Gogyō Fūin de você, então seu controle de chakra deve estar melhor.”
Ao ouvir isso, Naruto logo fez um selo de mão para concentrar seu chakra e sentiu ser muito mais fácil de fazer.
“Então, esse tempo inteiro, era esse selo idiota que atrapalhava meu exercício de andar sobre a água?”
“Sim.”, respondeu com simplicidade o sábio.
Naruto começou a resmungar e xingar tanto Jiraya quanto Ebisu por não terem dito isso e Fukusaku interrompeu os pensamentos do garoto voltando a falar: “Você pretende continuar resmungando sobre os outros ou começar seu treino?”
Isso fez o efeito pretendido no garoto, se calando e demonstrando um maior foco. O sábio deu um sorriso em resposta, já começando a se acostumar com o garoto e meio que apreciando o espírito dele.
O caminho para ser um sábio havia começado.
[...]
Quatro dias havia se passado desde do início do treinamento. Jiraya adoraria afirmar que Naruto havia feito progresso na arte do senjutsu, mas infelizmente, havia um problema que era algo intrínseco a toda criança e que era um enorme obstáculo para o caminho de um sábio.
Ele não conseguia ficar parado.
“Ai!”, gritou o garoto, usando apenas uma bermuda vermelha e o tronco nu, pela provável centésima vez nesse quarto dia de treino, o tom da voz muito mais irritado que o usual.
“Você tem que relaxar, Naruto! Pare de pensar e deixe seu corpo relaxado!”, disse Fukusaku, pela também provável centésima vez.
“Eu estou tentando, droga! Eu só não consigo!”
Jiraya deu outro suspiro. Era claro que isso não estava indo para lugar algum. Fukusaku era o sábio sapo responsável por treinar todos os sapos que começavam o caminho do senjutsu, assim como treinou todos os invocadores de sua espécie. Mesmo ensinando Jiraya quando criança, não havia como se comparar a uma pessoa indisciplinada como Naruto. De certa maneira era até compreensível, pois a quantidade de chakra que Naruto tinha, quando Jiraya estava na sua idade, era facilmente dezenas de vezes maior. O garoto era um oceano de energia e isso se refletia em seu corpo e mente, não parando um instante e nunca se cansando.
Jiraya havia pensando muito sobre o que fazer. Apesar de ele ser um sensei experiente, nada que ele já ensinou para seus alunos anteriores serviria para Naruto. No início, ele achou que era por Naruto ser inferior a Minato ou Nagato, mas era apenas o fato de que todos eles eram diferentes entre si. Como professor, se seu aluno não conseguia aprender corretamente, cabia a Jiraya modificar sua forma de ensino.
Se Naruto era uma pessoa prática, então era o que ele faria.
“Pausa, por favor.”
Com o pedido, Fukusaku deu o último golpe com sua vara preta de treino, impedindo a transformação em sapo do garoto e rendendo outro grito de Naruto, cheio de pequenos hematomas pelo o corpo e um temperamento de pura irritação, frustrado com a falta de progresso no treino e nos golpes que recebia a 4 dias por seu fracasso.
Jiraya percebia isso e apenas firmou mais ainda a crença que se ele não fizesse algo diferente, a chance de Naruto simplesmente desistir como havia feito com seus próprios estudos na academia seria grande.
“Posição de meditação e feche os olhos.”
Naruto olhou de forma meio temerosa para Fukusaku e Jiraya e o Sannin afirmou com tranquilidade: “Não se preocupe Naruto. Não haverá mais golpes. Eu te prometo.”
A confiança por trás da fala foi tamanha, que Naruto, ainda levemente hesitante, fez e então, ele sentiu um papel ser pregado em sua testa e não conseguia mais mexer um centímetro do seu corpo.
Internamente começando a entrar em pânico, Jiraya o tranquilizou: “Relaxe, é um selo de paralisia corporal. Não vai te fazer mal algum. Isso é para que você tenha uma sensação real de como ficar imóvel.”
Fukusaku ergueu as sobrancelhas com o método diferente. Certamente, faria mais efeito do que estava fazendo nos últimos dias.
“Com a questão do corpo imóvel resolvida, acho que poderíamos cuidar da mente. Eu não tenho um selo para isso, infelizmente.”, dando uma leve risada com a própria piada, ele prosseguiu, “Contudo, eu posso contar uma pequena história de um garoto que era bastante parecido com você.”
Assim, Jiraya se sentou de frente a seu aluno e contou a história da sua vida. Desde da sua infância, contando a perda dos seus pais para a primeira guerra aos 5 anos, a solidão como um órfão, as dificuldades que sofreu vivendo sozinho, a entrada na academia, o preconceito que recebeu por seu um órfão entre colegas. Ele contou das alegrias que teve como shinobi, das perdas que teve nessa profissão, falou sobre as paixões que já possuiu e principalmente, do amor que nunca pode obter. Foram quase 20 minutos nisso, nesse meio tempo, o selo de paralisia, que estava programado para durar apenas 10 minutos já havia acabado e Naruto podia se mexer. No entanto, para a imensa surpresa de Fukusaku, ele ainda se mantinha parado, com os olhos fechados e as pernas cruzadas.
Obviamente, ele ainda se mexia minimamente, mas o progresso que já havia feito em relação aos 4 dias, já era gigantesco. Jiraya podia ver as lágrimas se acumulando nos olhos de Naruto, algumas até caindo em seu rosto. O Sannin sabia do passado do garoto, das dificuldades que passou sendo órfã e alvo do ódio de uma aldeia inteira por algo que ele nunca fez. O fato dele ainda querer lutar, mesmo com tudo que a aldeia fez com ele, era algo que Jiraya sabia que nenhum dos seus alunos conseguiria fazer. Era um talento que apenas Naruto possuía.
O perdão.
Quando por fim Jiraya encerrou seu relato. Naruto abriu os olhos e logo começou a enxugar as lágrimas que caia de seus olhos. Jiraya dava um sorriso pequeno, mas genuinamente feliz com a reação do garoto.
“Como se sente?”
Naruto demorou para responder, ainda envergonhado com o fato de ter chorado, algo que nem Jiraya ou Fukusaku achavam motivo de vergonha.
“Estou bem.”
“Eu tive dificuldades na minha vida, assim como eu tenho certeza que você também teve. Foi difícil, mas com muito esforço, eu consegui dar a volta por cima e eu sei que você também consegue. Tudo que eu quero que entenda é que nunca, em hipótese alguma você deve desistir. Você será grande, fará grandes feitos e irá possuir um legado que tenho certeza que irá me orgulhar, mas principalmente irá te orgulhar.”
Naruto tentava ao máximo tentar segurar as lágrimas, mas estava ficando difícil fazer isso. Ele sabia lidar com gritos, com reclamações, com xingamentos e principalmente, com a falta fé absoluta de suas capacidades. Mas quando o contrário se mostrava, sua mente simplesmente bugava, pois poderia contar nos dedos quantas vezes isso já aconteceu.
“Quer voltar ao treino?”, questionou Jiraya, o novo mestre de Naruto a apenas alguns dias, mas que já estava marcado no coração do seu aluno.
“Sim, Ero-sennin!”
“Não me chama assim, seu pirralho idiota!”, reclamou o Sannin, o tom claramente não irritado com isso.
“Hahahaha!”
Depois disso, os progressos realmente aconteceram e foram rápidos. O garoto realmente havia nascido para isso, onde após conseguir aprender a permanecer imóvel mesmo que por alguns minutos, ele conseguia facilmente assimilar a energia da natureza com seu chakra. Com apenas 2 dias, ele já conseguia fazer o modo sábio imperfeito e mais 4 dias, ele já conseguia o modo sábio perfeito, com os olhos amarelos e íris vertical e uma pigmentação laranja ao redor dos olhos, mesmo que por poucos minutos, mas que mesmo assim, foi um ritmo de desenvolvimento que Fukusaku nunca havia visto em sua longa vida.
Um obstáculo que apareceu nisso, foi o fato que tanto Fukusaku quanto Shima, não conseguia se unir seus chakra com Naruto, da mesma forma que fazia com Jiraya, pois Kyuubi sempre os rejeitava. Inicialmente, isso fez Naruto acreditar que seria um grande obstáculo para usar o senjutsu em batalha, mas Jiraya sugeriu que ele poderia usar clones das sombras para reunir energia natural e misturar com chakra e quando os desfizesse, receberia todo o poder acumulado. Com alguns testes, foi comprovado ser possível de fazer e assim eles já puderam contornar. O modo senjutsu teria um limite de tempo em teoria, com um limite máximo de clones que Naruto poderia fazer para realizar essa tática sendo apenas 3, mas era melhor que nada.
Agora, enquanto todos almoçavam na mesa, faltando 15 dias para a terceira fase do exame Chunnin começar, Jiraya anunciava o que pretendia como próxima etapa do treinamento de Naruto: “Naruto, você precisa entrar em contato com a Kyuubi.”
O dito garoto, fez uma pausa em sua refeição, já no seu terceiro prato, totalmente acostumado em comer as comidas de Shima, para a grande alegria da cozinheira. Ele ainda não conseguia ter coragem de comer os insetos vivos que tinha aos montes na mesa, mas já era um progresso
“Você tem certeza? Eu não preciso do poder dela para a luta.”
A afirmação poderia parecer arrogante, mas era simplesmente um fato. O senjutsu era simplesmente poderoso demais, mesmo que o repertório de Naruto fosse pequeno na questão de ninjutusu, algo que Jiraya já estava trabalhando, ensinando alguns jutsus, ainda assim, o poder de tal modo era forte demais. Força física aprimorada, capacidade sensorial que apenas os melhores sensores sonhariam, um chakra reforçado extremamente potente e a capacidade de invocar sapos ao seu lado. Fora isso, Fukusaku já começava a treinar Naruto na Kata dos Sapos, um estilo de luta milenar e que aproveitava ao máximo as propriedades do Senjutsu.
“Eu sei, mas eu estou visando além do exame. Eu já lhe expliquei que para se tornar um Chunnin o mais importante é a mentalidade de alguém desse posto. Algo que talvez você não esteja pronto ainda.”
Ambos já tiveram essa conversa, com Jiraya explicando de forma mais detalhada sobre a vida shinobi para o garoto. O treino em Senjutsu ajudou bastante o garoto a conseguir se manter mais focado no que fazia e principalmente, a obter paciência. Ainda havia muito a aprender, mas apenas o fato de Jiraya afirmar de que ele ainda não poderia estar pronto e o garoto não se irritar, já era ótimo.
“A Kyuubi é a Bijuu mais poderosa de todas, seria um desperdício deixar esse poder de lado. Além disso, tudo que quero é que tenha contato com ela e conheça a fera. A partir do que você vê, podemos trabalhar em dominar seu poder.”
A criança assentiu e assim todos terminaram a sua refeição e os homens e sapo macho, partiram para o local de treino. Ao chegarem, Jiraya logo o pediu para que fizesse sua posição de meditação usual, que o garoto logo fez, e o Sannin começou a explicação: “Se fosse numa situação normal, eu iria lhe colocar numa situação de perigo, obviamente controlada, e o choque disso faria que entrasse em contato com a Kyuubi. No entanto, já que você aprendeu a meditação, já se torna mais fácil. Você deve se concentrar na sua rede de chakra, mas especificamente no local do selo e sentir o chakra da Kyuubi. Depois disso, é apenas se deixar puxar até lá. Com sorte, Kyuubi não irá lhe rejeitar.”
Naruto assentiu, já fechando seus olhos e logo percebendo sua rede de chakra e começando a direcionar seus sentidos até a região do estômago, no selo da Kyuubi. Ele não sabia o que estaria lidando, mas Jiraya já havia explicado sobre o selo e não havia chance que Kyuubi fizesse algo a ele enquanto mantesse sua mente forte.
Em um minuto, Naruto finalmente encontrou a fonte de chakra da Kyuubi e como Jiraya falou, deixou ser levada pela a corrente de poder.
Finalmente, o menino iria falar com o monstro.
Fale com o autor