A toca do tigre
1 único
Atsushi tinha plena consciência de que talvez estivesse exagerando em sua vontade de criar um clube de karuta no colégio. Ele mal sabia jogar aquele jogo, mas, mesmo assim, quando aprendeu pareceu tão divertido…
Então, quando Dazai deu a ideia de Atsushi mesmo fundar um clube, pareceu ser tão simples e empolgante.
Até que de repente não era mais.
Ele precisava de no mínimo três membros para seu clube e até o momento só Kyouka tinha se juntado a sua causa. Dazai tinha recusado, dizendo não saber jogar, Kunikida era o representante de sua turma e tinha obrigações demais em seus ombros… E Atsushi não conhecia mais ninguém que soubesse jogar bem o suficiente e que estivesse disposto a se juntar ao clube.
— Por que não tenta com o Chuuya da minha turma? — Dazai sugeriu um dia, olhando entediado para o desesperado Nakajima.
Atsushi conhecia Nakahara Chuuya só de vista e das brigas que seu amigo e ele tinham, mas então Dazai garantiu que o ruivo sabia jogar, apesar de inserir vários adjetivos nada agradáveis para o colega de classe no meio de sua sugestão.
De qualquer forma, pareceu uma boa opção e Atsushi decidiu tentar mesmo assim.
O “não” ele já tinha, certo? Precisava se arriscar e tentar conseguir uma resposta positiva do garoto, não tinha muita escolha.
— Ah… Chuuya-san? — Atsushi o chamou então, timidamente, do batente da porta da sala de aula, um dia depois de sua conversa com Dazai.
Chuuya estava arrumando suas coisas para ir embora e, ao ouvir seu nome, ergueu o olhar para o garoto, curioso. Atsushi nunca tinha lhe procurado antes, não fazia ideia do que ele poderia querer.
— Você sabe jogar karuta, não sabe?
— Quem te disse isso? — Chuuya perguntou, suspeito. Ele não era muito de falar sobre sua vida para as pessoas a sua volta, mas havia alguém em particular que sempre se metia na vida de todo mundo ali naquele colégio.
Atsushi sorriu, parecendo sem graça.
— Dazai-san… — falou em tom de voz baixo, coçando a cabeça.
Claro.
— Aquele idiota não tem mais nada pra fazer? — A essa altura, Chuuya nem estava mais com raiva. Bem, na verdade estava, ele sempre teria raiva de Dazai, mas pelo menos não descontaria no pobre garoto que não tinha nada com isso.
Depois acertava as suas contas com Dazai por ficar espalhando curiosidades da sua vida por aí.
Ele olhou para Atsushi novamente, enquanto o menino se aproximava de sua mesa.
— De qualquer forma, por que quer saber?
— Porque… estava pensando em formar um clube de karuta, mas preciso de mais membros para isso.
— Clube de karuta, é? — Chuuya suspirou, se levantando. — Foi mal, garoto, não estou interessado em perder tempo com brincadeiras.
Não era exatamente verdade, o ruivo amava karuta e qualquer coisa que envolvesse poesia, mas ele não estava disposto a explicar aquilo para um desconhecido. Principalmente porque não tinha qualquer interesse em entrar para um clube onde um dos amigos mais próximos de Dazai estava envolvido.
Tudo o que Chuuya queria era distância daquelas pessoas e um pouco de sossego.
Ambas as coisas extremamente difíceis de se conseguir estudando naquele colégio, aparentemente. Ainda mais tendo em vista que Atsushi parecia não ter desistido, segurando o pulso de Chuuya quando o ruivo passou por ele para ir embora.
— Por favor, Chuuya-san! Dazai-san me disse que você é ótimo em karuta, eu preciso de alguém como você no clube!
Aquilo fez o Nakahara parar por um segundo. Ele lançou um olhar desconfiado para Atsushi.
— Dazai disse que eu sou “ótimo”? — Ah, aquilo não soava nada como Dazai.
— Bem… Sim! — Atsushi afirmou, ocultando o fato de que não tinha sido bem assim que Dazai tinha falado, mas Chuuya não precisava saber disso.
O ruivo continuava olhando-o de forma desconfiada, sem acreditar muito na resposta do garoto.
— Uma partida. Jogamos uma partida e eu vejo se vale a pena entrar para esse clube.
E aquilo foi tudo o que Atsushi precisava ouvir para respirar aliviado.
Depois disso, Atsushi o levou para uma sala vazia onde planejava realizar os encontros do clube. Era uma sala mais afastada do prédio principal do colégio e ainda estava um pouco empoeirada por não ter sido usada com frequência, mas serviria para os propósitos deles naquele momento.
Ao chegar no local, encontraram Kyouka já os esperando. Ela faria parte do clube, como Atsushi esclareceu para Chuuya, embora o ruivo não tivesse ficado exatamente surpreso com isso. Ele conhecia Kyouka de eventos anteriores e, apesar de não gostar muito da garota, sabia que ela tinha aprendido a jogar karuta com a mesma pessoa que tinha ensinado a ele.
Chuuya se sentou no chão, pegando metade das cartas que Atsushi lhe entregava e, assim como ele, começou a organizar sua parte com cuidado, memorizando a posição de cada carta como sempre fazia.
Não demorou muito para Kyouka começar a recitar a poesia do karuta, fazendo ambos os jogadores se inclinarem para frente, olhando as cartas e ouvindo com atenção.
— “Baía de Naniwa, possui uma flor que desabrocha até no inverno. Quando chega a primavera, a flor torna a desabrochar.” — Kyouka terminou a poesia de abertura, pegando uma carta. Agora sim começaria o jogo. — “Vento que precede a tempestade…”
E aquilo bastou para Chuuya achar a carta referente à poesia que Kyouka recitava. Com precisão, a mão dele correu pelo chão à sua frente, retirando a carta entre as outras dispostas em sua parte do jogo.
Atsushi piscou, sem deixar de ficar surpreso.
Ele era muito rápido.
E a partida transcorreu assim, com Chuuya acertando todas as cartas de ambos os lados, sem deixar Atsushi sequer chegar perto de tocar qualquer uma delas.
Assim que tudo terminou, com a vitória certa do ruivo, ele suspirou, se levantando.
— Oi, você é muito ruim, garoto.
Aquilo fez o Nakajima rir, sem graça.
— Atsushi aprendeu a jogar há uma semana, é claro que ele é ruim — Kyouka, mais afastada, esclareceu de forma neutra, guardando as cartas que tinha lido.
Chuuya olhou surpreso para Atsushi.
— Aprendeu a jogar há pouco tempo e quer montar um clube? — Ele fechou os olhos, abrindo-os logo depois e começando a andar para a porta de saída. — Não conte comigo, não estou interessado.
Não quando claramente o garoto que o chamou para participar do clube ainda não levava a sério o karuta e só estava naquilo pela empolgação. Ele não sabia nem jogar, para começo de conversa.
Mas se Chuuya achava que sua resposta fosse ser o suficiente para Atsushi parar de convidá-lo para o clube, ele estava completamente enganado. Nos dias que se sucederam, o Nakajima o parava sempre depois da última aula, seja na sala ou nos corredores, reforçando o convite para Chuuya entrar no clube de karuta.
O ruivo, certa vez, até mesmo ameaçou enchê-lo de porrada, mas nem isso pareceu ser o bastante.
— Ele não vai desistir — Dazai o informou quando estava saindo da sala de aula. Ele andava ao lado do ruivo quando avistou Atsushi mais uma vez parado no batente da porta.
E Chuuya suspirou, irritado.
— Aposto que você está se divertindo com isso, não é, maldito?
— Com certeza! — Dazai riu, brincalhão, passando por Chuuya e acenando para Atsushi ao sair da sala.
O Nakahara lançou um olhar nada amigável tanto para Dazai quanto para Atsushi, que entrava agora no local quase vazio, conforme a maioria dos estudantes ia embora.
— Eu já disse que não-
— Chuuya-san, você já ouviu falar do provérbio do tigre? — Atsushi o interrompeu em um tom de voz firme, decidido.
— “Se não entrar na toca do tigre, não pegará o seu filhote” — Chuuya recitou o provérbio, um pouco surpreso pelo garoto ter mencionado aquilo. — Por que está perguntando?
— Porque o provérbio diz que é necessário assumir riscos para conseguir o que queremos, foi o que eu fiz vindo até você! Eu nunca tinha falado com você antes, mas decidi que te quero no meu clube mesmo assim e... Quero que me ensine a ser melhor também! — Atsushi explicou, o nervosismo finalmente transparecendo em sua voz, mas mesmo assim ele ainda parecia decidido.
Estava claro em seu tom de voz que ele não desistiria mesmo, não importava quantas vezes Chuuya recusasse seu convite.
E o Nakahara, que até então ficou em silêncio, surpreso pelas palavras do outro, finalmente suspirou, descruzando os braços.
— Por que quer criar um clube sendo que mal sabe jogar? — ele perguntou, genuinamente curioso, já que não entendia o motivo do garoto gostar tanto de karuta.
A irritação e relutância foram parcialmente abandonadas depois de Atsushi falar sobre o provérbio e por que o queria no clube.
— Eu… Eu nunca tive tanta oportunidade para brincar quando criança — o Nakajima começou a explicar —, e mesmo tendo aprendido karuta só agora, pareceu tão divertido! E foi a primeira vez que vi a Kyouka-chan se divertir também, então pensei que não seria tão ruim criar um clube para jogarmos todos juntos. E eu vi como você gosta de karuta quando jogou comigo, por isso quero ainda mais você no meu clube. Por favor, Chuuya-san! — Ele curvou seu corpo, fechando os olhos, enquanto esperava pela resposta de Chuuya.
O ruivo o encarou por alguns segundos em silêncio, absorvendo todas aquelas palavras, realmente considerando o convite e a motivação de Atsushi.
Ele respirou fundo, antes de finalmente responder:
— Tudo bem. — Porém, antes que Atsushi pudesse comemorar, ele continuou: — Mas se eu vir que é perda de tempo e vocês me irritarem demais, eu estou fora. E nada de Dazai no clube!
Atsushi sorriu.
— Certo!
Então, com isso, Chuuya começou a passar as tardes na sala já não tão abandonada e empoeirada do agora oficial clube de karuta. Ainda eram apenas ele, Atsushi e Kyouka, mas eram pessoas o suficiente para jogar e fazer o clube funcionar.
Além das horas normais de clube, o ruivo também passou a gastar uma hora a mais por semana com Atsushi naquela sala. A ideia de treiná-lo acabou não sendo tão ruim assim, afinal de contas. O Nakajima não tinha dificuldade de entender suas instruções e dicas para realizar as melhores jogadas — Chuuya se provou ser um treinador bem melhor do que Kyouka.
Sendo assim, com o tempo Atsushi foi aprendendo que Chuuya não gostava de karuta apenas por ser uma brincadeira, ele realmente apreciava as poesias japonesas, assim como os mais variados provérbios também.
Sempre que não estava jogando, o ruivo se encontrava com algum livro em mãos, concentrado de tal forma em sua leitura que muitas vezes não percebia o que acontecia à sua volta.
Segundo Chuuya, por trás de cada palavra existia um significado profundo e reflexivo. Ele era apaixonado por tudo aquilo, ainda que fosse negar caso Atsushi fizesse essa constatação em voz alta.
Mas, de qualquer forma, Atsushi gostava de ver o Nakahara agir daquele jeito, era até mesmo inspirador. E ele, mesmo sem se dar conta disso, começou a passar mais tempo com o ruivo além das horas normais no clube. Atsushi, então, sempre o acompanhava à biblioteca, seja para seguir suas indicações de livros para ler ou discutir sobre as diversas poesias de karuta. As conversas muitas vezes se prolongavam até nos intervalos entre as aulas.
Era simplesmente confortável estar com Chuuya.
Ele era diferente de Dazai, Kunikida e Kyouka. Apesar de aparentar ser nervoso e agressivo, Chuuya era o oposto disso — ao menos com Atsushi, que não o irritava e nem tinha motivos para isso.
E, por mais que no começo Chuuya não conversasse tanto e possuísse aquele ar de desinteresse, com o tempo ele foi se abrindo também, demonstrando mais interesse até mesmo no próprio Atsushi, deixando claro que também gostava de sua companhia.
— Como você aprendeu a jogar karuta? — Chuuya perguntou certa vez, curioso.
Eles estavam sozinhos na sala do clube. Kyouka tinha ido embora mais cedo, visto que precisava estudar para uma prova que teria no dia seguinte, deixando assim apenas os dois organizando as cartas para mais uma partida.
— Com a Kyouka-chan — Atsushi comentou, dando de ombros. — Sei que muitas pessoas conhecem quando são crianças, mas não ensinam esse tipo de jogo no orfanato em que morei…
Chuuya parou de organizar as cartas e ergueu os olhos para o garoto.
— Não, não ensinam, eu sei disso.
Aquilo também fez Atsushi encará-lo, surpreso.
— Você também veio de um orfanato? — Ele não sabia muito da vida de Chuuya, é claro, apenas as poucas coisas que Dazai tinha lhe contado. — Sempre pensei que tinha aprendido desde pequeno, já que é tão bom nisso!
— Eu aprendi com a Kouyou, depois que ela me adotou — Chuuya explicou. — E ela é bem melhor que eu.
Atsushi sorriu com aquilo. Ele não conhecia Kouyou, mas já tinha ouvido falar dela por Kyouka, visto que eram parentes. Mas a garota não parecia ter tanto contato e afinidade com a mulher, ao contrário de Chuuya. Era perceptível a admiração em sua voz quando a mencionara.
— Ela deve ser mesmo incrível — concordou então, pensativo. — Será que algum dia ela joga comigo?
Chuuya riu com o comentário dele, se aproximando do aparelho de som que tinham colocado na sala do clube, visto que Kyouka não estava lá para recitar a poesia naquele momento.
— Quem sabe se algum dia conseguir me derrotar…
Então mais uma partida começou, fazendo-os ficarem imersos nas poesias e nas cartas novamente.
§
Atsushi podia ver como a amizade entre ele e Chuuya tinha evoluído. Era nítido como os dois passavam tempo juntos e, quando não estavam juntos, tudo o que ele fazia era pensar nos livros que Chuuya tinha recomendado, nas jogadas que tinha ensinado, e principalmente nele.
O que Atsushi não podia ver era como o que sentia estava tomando uma proporção ainda maior do que uma simples amizade deveria ser.
Mas foi Kyouka que, um dia, no intervalo entre as aulas, esclareceu tudo para o Nakajima, deixando-o paralisado em sua cadeira, com a comida completamente esquecida em sua mesa.
— Você gosta dele.
— E-eu o quê?! Eu não… — Atsushi gaguejou, nervoso, erguendo as mãos, sentindo o coração mais acelerado do que nunca.
Ele gostava de Chuuya?
Ainda que não tivesse pensado naquela hipótese antes, quando pensava agora sobre tudo o que estava sentindo e como ficava quando estava ao lado do ruivo… Aquilo realmente fazia sentido.
— E ele gosta de você — Kyouka falou novamente, como se fosse algo óbvio, voltando a comer.
Mas, apesar do primeiro comentário dela fazer sentido na cabeça de Atsushi, o segundo apenas o deixou ainda mais surpreso.
— Ele… o quê?!
Ela, no entanto, não disse mais nada, como se aquele assunto fosse muito entediante para conversar, ainda mais tendo em vista que o professor entrou na sala logo depois, fazendo com que a conversa entre os dois fosse encerrada daquela forma.
Para o desespero de Atsushi, que não conseguiu se concentrar em mais nada pelo resto da aula e até mesmo do dia.
Ele sentia seu corpo agitado por dentro, pensando no que Kyouka tinha dito e como ele e Chuuya vinham se comportando desde que o ruivo entrara no clube de karuta, desde que tinham passado a ter mais tempo juntos.
— Ei, você está bem? — Foi justamente a voz de Chuuya que o fez despertar de seus pensamentos naquela tarde quando já estavam no clube.
Atsushi deveria estar organizando suas cartas nas costumeiras três colunas do karuta, mas estava tão distraído ainda pensando em tudo o que sentia, que nem ao menos percebeu que Chuuya já havia terminado de organizar a parte dele e agora o olhava preocupado.
— Ah, estou bem! Não é nada! — exclamou, sem conseguir esconder o nervosismo, fazendo o outro ficar ainda mais confuso.
— Tsc… Eu vou te ajudar a organizar isso — Chuuya falou ao mesmo tempo em que Atsushi também esticou sua mão para o seu baralho de cartas, intacto no chão até aquele momento.
A mão de Chuuya cobriu a sua e Atsushi arregalou os olhos, mas sem afastar sua mão.
— Hm… Chuuya-san? — Atsushi o chamou, respirando fundo. Mas sem levantar sua cabeça para encará-lo, continuando a falar timidamente: — Você... Você já gostou de alguém antes?
Atsushi não viu o olhar surpreso do Nakahara e também não ouviu quando ele murmurou algo como “você é péssimo nisso”, nervoso demais para conseguir prestar atenção em qualquer coisa, ainda sentindo o calor da mão do outro sobre a sua.
— Atsushi — Chuuya falou, em voz clara, depois de um tempo em silêncio. E não retirou sua mão do lugar, fazendo Atsushi finalmente erguer os olhos, encarando os seus azuis. O ruivo prosseguiu: — Você já ouviu falar do provérbio do tigre?
Atsushi não respondeu, em vez disso, arregalou um pouquinho os olhos, sem conter a surpresa.
“Chuuya-san, você já ouviu falar do provérbio do tigre?”
Era impossível não se lembrar daquilo com aquela pergunta.
— “Se não entrar na toca do tigre, não pegará o seu filhote.” — Chuuya não deu chance dele responder, recitando o provérbio. Seus olhos desceram para os lábios do Nakajima, tal ato que não passou despercebido por ele, seu olhar também recaindo nos lábios do ruivo a sua frente.
Eles estavam tão perto.
E os lábios de Chuuya pareciam tão tentadores, ainda mais conforme continuava a falar.
— Acho que agora é a minha vez de assumir riscos para conseguir alguma coisa.
O que aconteceu depois foi o que ambos esperavam e desejavam há muito tempo, ainda que só fossem ter certeza do que sentiam recentemente.
Em um primeiro momento, os lábios deles se tocaram de uma maneira tão suave que quase parecia ser imaginação. Mas, conforme foram tomando coragem e se aprofundando, eles iam sentindo o gosto um do outro, o calor um do outro, e percebendo que aquilo era tão real quanto queriam que fosse.
E ambos sabiam que o beijo poderia mudar tudo naquilo que, até então, era apenas uma amizade entre colegas de clube.
Sabiam que estavam arriscando tudo o que tinham construído naquele momento.
Mas, ei, se você não entrar na toca do tigre, não vai poder pegar o seu filhote, não é?
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