A suposta extinção das sereias
14 Capitulo 13
Notas iniciais
Harry saiu porta afora procurando pela a irmã. Olhou para os lados e não a encontrou. Como raios ela conseguiu andar tão rápido? Andou pela a rua completamente deserta àquela hora da noite, mas não a encontrou, então decidiu ir ao único lugar que ainda não tinha procurado, e que era meio óbvio. Era para onde ela iria nesse estado, ou seja, a praia, vizinha de todos naquela pequena cidade.
Harry deu a volta na casa indo para os fundos da mesma e em sequência, na praia, não andou muito e avistou algumas coisas jogadas ao chão na beira do mar. Se aproximou e viu um vestido florido jogado na areia de qualquer jeito, era o vestido de Hermione, ele reconheceria em qualquer lugar, ao lado do vestido, estavam as roupas intimas da menina, Harry desviou seus olhos das roupas da irmã e olhou para a água ela só podia estar ali. Olhou para os lados, procurando por algum humano e como aconteceu na rua, a praia estava deserta. Começou a se despir e colocou suas roupas ao lado das roupas da irmã, aproximou-se da água e quando uma onda particularmente grande veio em sua direção, mergulhou.
A transformação aconteceu e no lugar de suas pernas uma cauda com escamas vermelhas apareceu, de baixo d’água estava escuro e a única luz era a que vinha da lua, entretanto, a iluminação não era problema, ele conseguia ver perfeitamente bem, esteja de manhã ou à noite.
Nadou muito a procura da irmã, até que viu a cauda de escamas verdes brilhantes de sua irmã à alguns metros de onde estava. Começou a nadar mais rápido para alcançá-la e ela pareceu perceber o seu movimento, pois também aumentou o seu ritmo de nado.
Depois que os dois fizeram uma pequena “corrida”, Harry revirou os olhos e gritou pelo o nome da irmã e no mesmo momento Hermione parou de nadar e o olhou. Pela a sua expressão, ele percebeu que ela não o esperava ali e teve uma vaga impressão de que ela esperava que fosse seu pai ou sua mãe que sempre ia acalmá-la. Se aproximou de Hermione e os dois se olharam profundamente por alguns instantes e então Hermione praticamente pulou em cima de Harry e o abraçou fortemente, ele apenas retribuiu.
Hermione olhou para cima e em seguida para Harry, ele entendeu, ela queria conversar na superfície. Ele olhou para os lados verificando onde estavam e quando descobriu, pegou na mão de Hermione e a puxou, os dois nadaram apenas mais um pouco até que, Harry, ainda segurando a mão de Hermione, nadou para a superfície.
— Nós estamos...? – Hermione o questionou depois de verificar onde estavam dando uma rápida olhada.
— Sim, estamos. – Harry a respondeu subindo em uma das grandes rochas que tinham por ali em alto-mar.
— É para aqui que você foge? – Hermione o perguntou, depois se sentar-se ao lado do irmão, sem parar de olhar para os lados, admirada com o lugar.
— Sim. É mais bonito a noite, como pode ver... mas de dia também não é de se jogar fora. – Ele respondeu também olhando para os lados.
— É realmente lindo.
— Mione, não encana com o que o papai disse ta? Ele só...
— Só é muito machista Harry! – Ela o cortou. — Só porque sou menina não posso fazer as mesmas coisas que você? Isso não é justo! E afinal não estávamos fazendo nada demais. Ele acha mesmo que faríamos alguma coisa com você e Gina no quarto? Me poupe! – Ela falou usando o tom de voz que usava quando estava argumentando em alguma discussão. — E mesmo se vocês não estivessem lá, nós não iriamos fazer nada. Nem namorados somos, só estamos saindo.
— É, ele é um pouco machista, e bastante ciumento, e isso não é justo, mas Mione, ele é huma...
— Não, Harry! Ele não é humano, ele é uma sereia, assim como nós dois e a mamãe. – Ela o cortou outra vez. — Não venha me dizer que ele é humano e que todo o humano erra, porque ele não é humano! – Ela implicou cruzando os braços, o que fez Harry lembrar de quando eram pequenos e ela ficava emburrada quando ele a vencia nas corridas que faziam no mar.
— Tem razão. – Ele concordou mesmo sabendo, que apesar de não serem humanos, agiam e pensavam como um. E no fundo, sabia que Hermione também sabia.
Ficaram alguns minutos sentados ali, apenas observando a vista até que Hermione quebrou o silêncio.
— Harry... – Hermione o chamou sem para se olhar a vista.
— Sim?
— Me desculpe, por aquele dia, em que eu disse que podia ser uma sereia que estava te seguindo e que iria contar a mamãe e ao papai. – Ela falou, parando de olhar o céu estrelado e encarando-o.
— Tudo bem, Hermione. Só...- Harry falou no tom de quem iria confessar alguma coisa, mas a frase morreu em sua boca.
— Só...? – Hermione o encorajou a falar.
— Esquece. – Ele falou e viu Hermione arquear a sobrancelha e cruzar os braços, esperando uma resposta. – É que eu também acho que podia ser uma sereia, se formos seguir o seu raciocínio, que quase não falha. – Ele confessou quando viu que Hermione não desistiria de fazê-lo falar.
— Então, você também acha que podia ser uma sereia?
— Não sei. Isso não é possível, é? – Falou em dúvida se realmente seguiria o raciocínio da irmã.
— Também não sei, temos que investigar. O que acha? – Ela sugeriu.
— Eu topo. – Harry concordou depois de ver que não teriam outra solução.
— Ótimo.
— Mas ainda não contaremos nada para mamãe e papai. Principalmente para mamãe, certo? – Harry pediu querendo evitar magoar ainda mais os pais.
— Certo. – Hermione concordou.
— Nós temos que voltar, amanhã acordamos cedo para a escola. – Harry a avisou.
— Harry Potter preocupado com a hora de chegar na escola? Normalmente esse é meu papel, maninho. – Hermione indagou.
— Eu só quero ver a minha ruivinha amanhã, maninha. – Harry explicou.
— Ah! É claro que tinha que ter Gina no meio.
— Hermione, vamos logo. – Harry falou e entrou na água urgentemente com o olhar alarmado, antes mesmo que Hermione pudesse perguntar o porquê da urgência.
E logo em seguida sentiu seu irmão puxá-la com pressa para a água e empurra-la para trás da maior pedra dali, e no segundo seguinte posicionou-se ao seu lado.
— Mas o que...? – Hermione tentou questiona-lo, mas Harry lhe tapou a boca com a mesma rapidez que a puxou para a água.
Harry indicou com a cabeça além da pedra enorme e a soltou, Hermione esgueirou-se para a lateral da pedra e viu o porquê da urgência de seu irmão em leva-la para a água. Arregalou os olhos em surpresa e nervosismo e, rapidamente, mas sem emitir som algum, ela mergulhou na água deixando apenas seus olhos do lado de fora.
Olhou para Harry de esguelha e o viu do mesmo jeito, voltou seu olhar para o barco cheio de pescadores que por sinal estava muito perto de onde estavam. O que diabos eles estavam fazendo ali àquela hora da noite e tão longe da área permitida para os pescadores? Quer dizer, ela não tinha certeza se estavam longe, não conhecia aquela área, apenas Harry conhecia o lugar. Olhou novamente para ele e com apenas o olhar, Harry entendeu o que ela quis dizer, tirou a boca da água e sussurrou:
— Não, aqui não é permitido pescadores.
— Então, o que eles...?
— Não faço a menor ideia! Devem ser clandestinos. – Ele a cortou já sabendo o que ela iria perguntar.
— Clandestinos? – Hermione sussurrou voltando a espiar o barco.
— Vai me dizer que não sabe o que é clandestino?
— É claro que eu sei, Harry, não seja estúpido! Mas é que...- Hermione respondeu um pouco ofendida e logo calou-se e Harry a viu apertar os olhos, tentando enxergar melhor.
— Mas é que... O que? – Harry perguntou curioso.
— Eles não te lembram nada? – Ela o questionou dando espaço para Harry poder olhá-los.
Harry dirigiu o seu olhar novamente para as pessoas no barco e arregalou os olhos apavorado. Seu medo e o da irmã aumentou quando o barco, que já não era tão grande como eles se lembravam, aproximou-se ainda mais de onde estavam.
Escondidos, rapidamente voltaram a mergulhar, deixando apenas os olhos do lado de fora, depois que o barco passou pelos dois, Harry puxou a irmã para baixo d’água e ainda a puxando, nadou com a intenção de voltar para a areia. Queriam e deviam se afastar dali o mais rápido possível. Não podiam ser vistos por eles de jeito nenhum.
Chegaram a areia mais rápido que nunca. Estavam cansados de tanto nadar e seus corações ainda estavam acelerados e os dois ainda estavam em estado de choque. Com medo de que eles pudessem ser vistos por aquelas pessoas caso tivessem a maravilhosa ideia de irem para areia, eles se arrastaram para o mais longe possível dali. – Por conta das caudas. — Pegando suas roupas quando as alcançaram. Aproveitaram a sombra que a casa deles estava provocando e manteram-se ali, ainda mais cansados que antes.
— Harry...
— Mione...
— Eram... eram eles, não é? – Hermione o perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
— Estava escuro, não dava para ver direito. – Harry tentou negar. Não queria aquela assombração de volta na sua vida.
— Ah é? Então porque estamos escondidos e nadamos feitos loucos até aqui? – Hermione perguntou sarcástica.
— Eu não sei! O barco, navio, o que quer que seja, era menor. – Harry tentou argumentar.
— Eles podem ter roubado outro, Harry! Já se passaram anos. – Ela contra-atacou.
— O que eles estariam fazendo aqui? – Harry indagou considerando aceitar a possibilidade de aqueles monstros estarem de volta.
— Eu não sei! Mas, não podemos dizer a mamãe e ao papai que vimos os piratas que atacaram o nosso povo anos atrás. – Hermione constatou o que Harry já sabia assim que os viu.
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