A substituta

30 Não se meta!


Que droga! Sibilei.

Corri pra me esconder atrás de muitas cadeiras amontoadas quando ouvi um barulho na porta.

O vigia disse pra eu não deixar ninguém me ver!

Cobri a boca quando ouvi os passos se aproximarem de onde eu estava. Quando ouvi a porta se fechou respirei aliviada e saí do meu esconderijo, ao me levantar eu derrubei a pilha de cadeiras fazendo um barulho muito alto. A porta se abriu de novo, mas eu me escondi do lado da parede, torci com todas as minhas forças pra pessoa não entrar outra vez por que ali eu seria vista.

Por algum tipo de milagre o celular da pessoa tocou e ela fechou a porta. Respirei fundo de novo agora parecia seguro. De onde eu estava vi um brilho no chão que me chamou a atenção.

—Minha presilha! —Corri exultante até ela.

Me abaixei no chão pra analisar os danos, não estava tão mal, um pouco de cola daria um jeito.

—Encontrei! —Eu olhei emocionada pra ela. —Como não te vi antes? Sou tão sortuda.

Voltei pra casa de táxi, quando cheguei em casa nem me senti sono, fui procurar um cola pra consertar o fecho da minha presilha.

Fui até a mesa da cozinha e montei ali uma verdadeira operação de recuperação. Colei peça por peça, mas eu era tão desajeitada. Talvez o Castiel fosse bom com isso... Mas se ele souber que eu estou com a presilha irá achar estranho, ela iria descobrir sobre os meus sentimentos.

Fiquei segurando a presilha ali, já estava perfeitamente colada. Quando a soltei percebi que colei meu dedo indicador e o anelar da mão esquerda ao polegar da direita.

—E agora? —Tentei puxá-los.

Ouvi passos, peguei a presilha rapidamente e a escondi no bolso do meu moletom. Coloquei as mãos no colo e olhei despreocupadamente pra quem se aproximava.

—Castiel. —Disse surpresa, ele estava todo arrumado, parecia que tinha acabado de chegar da rua.

—O que está fazendo? —Ele perguntou surpreso também.

—Chegou agora? —perguntei, ele se aproximou da mesa.

—E você onde esteve? —Ele ignorou minha pergunta.

—Em casa... Por quê?

—Em casa? Em que parte? —Perguntou desconfiado.

—Por aí... Não fui a canto nenhum. —Tentei ser convincente.

—Hum, pensei que... —Ele olhou pra mesa, eu tinha feito uma bagunça com a cola. — O que está fazendo?

—Algo precioso pra mim quebrou eu só estava tentando colar.

—O que era? —Ele levantou a sobrancelha.

—Ah... —Olhei em volta. —Um copo, tentei colar e... —Mostrei meus dedos. —Acabei colada. Mas não se preocupe pode ir pro seu quarto. —Ele balançou a cabeça devagar em negativa.

Foi até a pia e encheu um recipiente de vidro com água, e colocou na minha frente, me fez colocar os dedos de molho. Tirou seu casaco e o jogou em uma cadeira e sentou do meu lado com um pincel na mão.

—Já está bom. —Ele disse.

Eu tirei minha mão da água e ele começou a tentar separar meus dedos passando o pincel, as cerdas me faziam cócegas tentei segurar o riso.

—Ai, faz cócegas. —Fiquei me mexendo.

Ele me encarou irritado, desfiz o sorriso na hora.

—Não sei como meus dedos foram se colar assim.

—De quem são esses dedos mesmo? —Ele disse concentrado no que fazia.

—Sinto muito. —Comecei a rir de novo. — Está fazendo cócegas.

—Por que foi colar justo os dedos? Se fossem os lábios, agora estaria calada. —Ele disse suavemente. Eu apertei os lábios.

Fiquei olhando hora pra ele hora pros meus dedos.

—Desculpa causar mais problemas...

—Tudo bem, graças a você posso parar de pensar em problemas. —Ele parecia tão sereno.

—Algo ruim aconteceu? —Perguntei tentando não parecer intrometida.

—Tem uma pessoa me pedindo pra fazer algo sem sentido. No fim eu aceitei. —Ele ficou com o olhar longe.

Me lembrei na hora que a sua mãe havia lhe pedido pra gravar aquela musica, fiquei com olhar perdido também. Depois olhei pra ele.

—Estranho é que, quando minha mente fica confusa por causa daquela pessoa, você aparece. Como hoje. —Eu fiquei olhando pra ele me sentindo triste.

—Que bom que meus dedos foram úteis. —Forcei um sorriso. —Se soubesse, teria colado todos os dez. —Tentei animá-lo.

Ele olhou pra mim e sorriu estava tão próximo a mim como nunca tinha estado, meu sorriso foi se desfazendo à medida que o meu coração acelerou como um louco ao ver o sorriso dele assim tão perto de mim. Ele pareceu pensar em algo consigo mesmo e desviou o olhar ainda com um vestígio de sorriso nos lábios.

—Pronto. —Ele me encarou de novo com um sorriso maior.

Meus dedos estavam soltos, o único impulso que eu tive foi pressionar a ponta do meu nariz e virar meu rosto pro outro lado.

—Por que continua fazendo isso? —Ele já estava sério.

—É — É bom pra saúde.

—Tem algum segredo por trás disso, não é? —Ele aproximou o rosto do meu.

—Claro que não.

—Esqueça. —Ele se afastou e começou a bocejar. —Estou com sono de tanto ficar com você. Vou pro meu quarto.

Ele pegou o casaco dele e foi pro quarto. Eu tirei o meu dedo do nariz e peguei a minha presilha.

—Meus sentimentos são um segredo. —Escondi a presilha na minha mão.

Os dias se passaram, e as fãs da banda acamparam frente à gravadora pra dar os parabéns para o Lysandre por seu namoro. Eu e Lysandre ficamos olhando aquela cena da sacada.

— Suas fãs estão sofrendo por um mal entendido. —Eu disse.

—Todos querem saber quem é a tal garota. Isso cansa. — Eu o encarei.

—Deve estar sendo difícil. —Ele deu de ombros.

—Isso está incomodando a garota que eu gosto. —Me senti pior ainda.

—Sinto muito por ela. —Ele sorriu.

—Talvez se você fosse comigo até ela e me ajudasse a esclarecer essa historia, ela acredite. —Eu olhei mais animada pra ele.

—Vamos fazer isso sim.

—Você irá comigo? —Perguntou surpreso.

—Claro, foi tudo por minha culpa. Mesmo se precisar explicar cem vezes eu vou.

—Então irei achar um lugar adequado e você irá comigo.— Ele sorriu.

Voltamos para o estúdio pra terminarmos nosso ensaio, Lysandre me ajudou com algumas notas e Castiel parecia inquieto.

—Tay. —Alexy chamou. —Quando formos pra casa, aceita dar uma volta comigo e com a Jolie na montanha?

—Ah tudo bem. —Respondi.

—O clima está bom, vamos jogar badminton lá. — Lysandre disse.

—Ah. —Alexy disse menos animado. —Você vai também? — Lysandre se virou pra mim.

—Não quer que eu vá?

—Tudo bem, vamos todos. —Eu sorri.

—Taylor, nem pense em jogar. —Disse o Castiel autoritário. — Vamos ficar aqui até você memorizar a musica inteira.

—Já memorizei quase toda. —Disse com a voz mais grossa. — não preciso que você fique comigo.

—Quero te ajudar, mas você não quer? —Ele perguntou perplexo.

—É, não quero. Vou jogar badminton.

Fomos até a tal montanha, Castiel no fim aceitou vir com a gente. Ele tinha vestido uma roupa esportiva, preta e um tênis. Era primeira vez que o via assim. Os outros rapazes e eu também vestimos uma roupa mais esportiva.

—Aqui é frequentado por idosos. —disse o Lysandre, então ninguém nos reconhecerá. —Lynn você faz dupla comigo.

—Eu não sou muita boa em badminton, mas se estiver tudo bem pra você eu aceito. —ele me entregou uma raquete.

—Não, Lynn se afasta, e o Lysandre faz dupla comigo. —Disse o Castiel.

—Assim a dupla deles vai ficar fraca. —Disse o Lysandre.

—Sim — disse o Alexy correndo até nós. — Lynn faz dupla comigo, não me importo.

Alexy me puxou e eu fiquei do lado dele da rede, o Castiel começou, quando ele batia a raquete parecia que ele queria me acertar com o volante, ele acertou na minha cabeça e eu caí no chão. Nas outras vezes Alexy me ajudou e me salvava toda hora que o volante ia acertar em mim.

—Qual é Castiel, isso é apenas diversão. Está treinando para as olimpíadas? —Disse o Alexy.

—Vai Lynn pega. —Lysandre jogou devagar pra mim e eu consegui rebater.

Ficamos jogando só nós dois praticamente e eu comecei a gostar do jogo. Castiel passou na frente do Lysandre e jogou a pena em mim de novo. Eu fiquei olhando pra cara dele brava.

—Você não consegue rebater nenhuma golpe meu. —Ele deu um sorriso irônico. —Você não é boa em nada, já terminamos vamos voltar.

—Ah é? Se fosse outra coisa eu venceria você. —Disse decidida.

Eu fui pra um dos aparelhos que os idosos usam pra fazer exercícios e me pendurei.

—Posso ficar assim o dia inteiro!— ­­Eu disse. —Quando eu era criança ganhava de todos os garotos.

—Já vimos que você é boa nisso então pode descer, é cansativo. —Disse o Lysandre.

—É comovente querer nos mostrar isso porcoelho. Bom trabalho! Isso serve? Agora desça. —Disse o Castiel.

—Eu disse que ia ficar até o fim do dia então por que você está se metendo?

—Uhh não vai descer nem mesmo depois de o Castiel reclamar. —Disse o Alexy. —Minha vez de tentar. —Ele correu até a minha frente. —Ah, tão geladinho. —Ele fez uma cara de bobo eu comecei a rir. —derrete na boca.

—Mesmo sendo engraçado, não vou sair daqui. Vou mostrar a alguém que sou boa em algo.

—Minha vez de tentar. —Disse o Lysandre.

—Não importa o que você faça... —Comecei.

Ele se aproximou de mim tão rápido e beijou o meu rosto, eu fiquei encarando ele boquiaberta quando ele se afastou, perdi o controle do meu braço e caí sentada no chão.

—Venci. —Ele disse sorrindo.

—Isso é contra as regras! —Alexy disse.

—Não fizemos regras, e Lynn você perdeu pra mim. —Ele estendeu a mão pra me levantar.

Eu olhei pra mão dele por um instante me levantei sem pegá-la.

—Você me assustou. Não faça mais essa brincadeira. —Eu disse.

—Eu não estava brincando...

—Lysandre, não assuste a Lynn. —Alexy disse.

Eu olhei o Lysandre pelo canto do olho e saí seguindo Alexy no passeio com a Jolie. Durante o passeio Lysandre foi atender a um telefonema importante, e Alexy me pediu pra levar uma limonada pro Castiel que estava de mau humor.

—Alexy pediu pra trazer isso, disse que você gosta de limão. —Sorri.

—Lynn, você disse que ia aguentar ficar naquela coisa até o fim, e nem se importou com o que eu disse. —Ele olhou pros lados. —Por causa do Lysandre você não aguentou e caiu.

—Aquilo só aconteceu porque eu me assustei.

—Não foi isso, estava na cara que você queria mostrar o seu melhor pra ele. —Ele estava falando comigo num tom arrogante. —Você gosta dele!

—Castiel. —Gemi. —Já disse que não é verdade. —Ele me ignorou.

—Ele irá descobrir logo, e vai sentir pena de você. —senti um soco no estômago ao ouvir isso, engoli o choro que se formava e perguntei.

—Gostar de alguém é algo ruim? —Pensei na minha situação atual. —Não esperar por nada e tomar cuidado pra que não saibam dos meus sentimentos... Não posso fazer isso?

—Você age assim? —Ele gritou. —Se eu fosse o Lysandre me sentiria extremamente enojado.

Apertei os lábios olhando pra ele, a imagem dele ficou embaçada, foi então que eu me dei conta de que estava chorando. Chorando sem tirar os olhos dele. Então era isso que ele sentiria se soubesse o que eu sinto.

—Você... Está chorando? —Ele perguntou com a voz baixa, as lágrimas escorreram pelo meu rosto como uma torneira aberta.

—Não estou. —Passei a mão no rosto.

—Apesar de ser um problema... Você quer que eu arranje as coisas entre vocês?

—Não! —Gritei. —Não se meta! Finja que não sabe e fique quieto.

—Ta bom, então vamos ver até onde você aguenta.— ele disse.

Saí de perto dele correndo. Minhas lágrimas iam deixando o meu rosto junto com o vento que batia nele.

O que eu sinto causa nojo nele. Aguentarei tudo e sairei desse lugar.

Senti minha presilha no bolso.

Vou abandonar a minha estrela.