A substituta
4 Duvida
Notas iniciais
Madre superiora, eu tive um sonho bem estranho. Eu estava em lugar lindo. E nesse lugar as três estátuas, Davi, Tomas e Julian estavam reunidas, será que eu estou no céu?
Eu acordei de manhã, e parecia que estava cercada por pétalas de flores, eu parecia estar sonhando ainda, olhei a minha volta eu tinha dormido no tapete da sala. Me levantei confusa tentando lembrar o que tinha acontecido na noite anterior, fui até o jardim da casa pra respirar.
— O que aconteceu? — Eu murmurei.
Não me lembrava como tinha chegado a casa, olhei minhas roupas pra ver se estava tudo certo, nada ruim parecia ter acontecido, apenas minha roupa estava suja.
Toquei nos meus lábios, tinha um pequeno ferimento no canto da minha boca, pode ter sido na queda. Mas em quem eu havia caído? Isso não pode ser real, comecei a rezar. Quando abri os olhos, o Alexy estava de frente pra mim,chupando uma laranja, comecei olhar fixamente pros lábios dele. Ele se aproximou mais ainda de mim.
—Lábio... — Eu disse.
— Se você se lembra de lábio, é porque está tudo bem. — Ele disse bravo.
— Então... Foi você... — Virei o rosto. — Não me lembro de nada.
— Olha esse cara mentindo. — Ele segurou o meu queixo e virou meu rosto pra ele. — Você se lembra sim, não é?
— Me solta.
— Se agir novamente como ontem você morre, fazendo coisas absurdas. —Ele começou a gritar. —Você não vale uma casca de laranja, seu otário.
— Sinto muito. — Eu disse, meus olhos estavam enchendo d’água.
— Se sente muito, vá se desculpar. — Olhei pra ele confusa.
—Hã? Então não foi você?
—Se fosse comigo, você não estaria mais aqui. Eu tinha te jogado do terraço, vá se desculpar.
Eu me levantei e sai de perto dele, esse cara só podia ser bipolar. Bom mas se não foi com ele com quem foi? Eu andei pra dentro da casa. Vi o Lysandre sentado na cozinha e ia passando por ali sem fazer barulho.
—Sente – se aqui. —Ele disse sem se virar pra trás, eu levei um susto. —Vai se sentir melhor se tomar um chá.
Eu fiquei parada um instante, então fui devagar me sentar ao lado dele, ele me estendeu uma xícara e chá.
—A noite passada... Foi incrível... —Ele disse com um sorriso no rosto. —Incrivelmente absurda.
Ele começou a passar os dedos nos lábios, então me dei conta de que havia sido com ele.
—Me desculpe. —Me adiantei. —Fui ao terraço porque estava com dor de cabeça. Mas então... — Pensei um instante.
— Você caiu num lugar infeliz. — Ele completou.
—Sim! Foi como se eu tivesse caído no chão vazio. —Tentei amenizar a situação.
— Chão vazio? — Ele me olhou surpreso.
— Bem, não estou dizendo que você seja um chão vazio. Só estou dizendo que... — Olhei pros lados sem saber o que dizer. — Enfim, sinto muito mesmo. —Ele sorriu.
— Ei! —Disse o Alexy entrando na cozinha. — Eu mandei você se desculpar e você fica aí tomando chá? — Eu me levantei rapidamente.
— Mas eu estou me desculpando. — Disse brava.
— Não foi com o Lysandre. — Ele disse entre dentes.
—Não? — Eu olhei pro Lysandre.
—Não. Foi o Castiel. Ele foi atingido por você e desmaiou. — Eu olhei pro Lysandre com os olhos arregalados.
— Como assim desmaiou?
— Você caiu em cima dele, e bateu com a boca na dele. — Ele hesitou um momento. — Depois você vomitou nele. Ele é obcecado por limpeza, então sofrer daquele jeito foi o suficiente pra ele desmaiar.
Eu olhei pros dois chocada, como eu poderia ter feito algo assim?
— Se quer se desculpar vá até o quarto do Castiel. Só não sei se ele irá aceitar. — Olhei pro lado, eu estava perdida, logo ele!
Eu ia ter que esforçar pra pedir desculpas, após ter tomado um banho, fiz um chá de ervas e preparei uma bandeja bonita com uma vela colorida aromatizante pra levar até ele como pedido de desculpas, abri a porta do quarto, ele já estava acordado.
—Com licença. — Eu disse.
— Como ousa entrar aqui? —Ele perguntou com ódio, ele estava com a mesma marca que eu no lábio. — Saia! —Ele gritou.
Eu levei um susto, mas resolvi insistir.
— Eu... Vim pedir desculpas pelo o que aconteceu ontem. — Disse decidida.
—Não consigo decidir agora. — Ele parecia atordoado. —Não consigo te perdoar agora, então saia. Tenho que tomar banho. —Ele se cheirou e fez uma cara de como se fosse vomitar. —Esse cheiro é nojento.
— Então, está me perdoando por enquanto? —Eu disse feliz. Ele me encarou.
— Perdão? Por que deveria?
— Bom, porque... Você é uma boa pessoa. — Eu já estava inventando coisas.
Ele deu um sorriso assustador e se aproximou de mim.
— Quando tenho uma péssima primeira impressão de alguém, continuo a odiá-la. Porque as pessoas que odeio continuam fazendo coisas que eu odeio. Odiei você desde a primeira vez, e previsivelmente você fez algo que eu odeio. —Eu ouvia acuada. — Tenho certeza que vai continuar fazendo este tipo de coisa, e eu vou continuar te odiando. Perdão? Isso não vai acontecer nem agora, nem nunca. — Ele ergueu o tom de voz. — Então saia do meu quarto! Seu nojento, bafo de vômito.
Ele me encarou por um instante e se virou indo direção ao banheiro. Eu continuei parada na porta dele, fiquei em choque com aquilo, pensei nas palavras dele, eu nunca tinha sido odiada antes.
Eu já ia dar meia volta pra sair dali, mas eu olhei a bandeja. Eu tinha preparado aquilo com tanto cuidado, seria melhor eu deixar no quarto dele, a essência suave ia fazer ele se sentir melhor.
— Já que disse que sentiu um cheiro ruim, essa vela vai ajudar. — Disse em voz alta.
—Você ainda está ai? —Ele gritou do banheiro.
—Estou saindo. — Eu disse me apressando.
Fui em direção a sua mesa pra colocar a bandeja lá, mas um pouco da cera da vela pingou no chão, se ele visse isso ia ficar ainda mais bravo. Me abaixei e deixei a bandeja ali pra tentar limpar com a mão, mas estava quente e queimou meu dedo, eu fui pra trás de uma vez devido ao susto e bati com as minhas costas na estante. A estante virou em mim eu a escorei com o corpo, mas os muitos CDs caíram no chão. Eu fiquei olhando aquela cena com a boca aberta.
Por que essas confusões sempre acontecem comigo?
O controle do ar condicionado caiu no chão, e umas folhas de papel começaram a ir em direção a vela.
Não papelzinho! Não se aproxime do fogo.
Eu tinha que desligar o ar condicionado, tentei alcançar o controle com o pé, mas não consegui. O jeito era apagar o fogo, a maneira mais rápida seria cuspir na vela.
Me concentrei e cuspi, de primeira não consegui apagar, tentei de novo e consegui na segunda vez. O cuspe foi certeiro e eu apaguei o fogo da vela, nem deu tempo pra eu comemorar, meus olhos fixaram o rosto do Castiel olhando aquela cena perplexo, parecia que ele ia ter ataque cardíaco.
Ele olhava pra mim e pro lugar no chão onde eu tinha cuspido.
— Você... — Ele falou pausadamente. — Cuspiu no meu quarto? — Disse incrédulo.
—Não! Bom... Porque — Senti medo dele. — Para apagar o fogo, perigoso.
Ele me olhou, parecia que estava prestes a me assassinar, caminhou lentamente até mim e me encarou de perto. O quarto dele parecia um caos, folhas e CDs espalhados naquele espaço.
Ele esticou suas mãos, e empurrou a estante para trás a colocando no lugar, mas seus braços me prenderam entre ele e a estante, ele ficou tão perto de mim que eu pude sentir sua respiração, fiquei constrangida pelo olhar dele, e pensei em alguma forma de sair dali, já que ele não iria tirar os braços. Comecei a me abaixar, pra sair por baixo do braço dele.
— De pé. — Ele disse, eu me endireitei na hora.— O que faz no meu quarto? —Disse num tom baixo.
—Vim pedir desculpas. — Nem eu acreditava mais naquilo.
— E pede desculpas assim? —continuava falando num tom baixo, eu engoli em seco.
— Sinto muito. —Abaixei a cabeça.
—Então devo te perdoar dessa maneira? —Ele gritou e bateu com a mão na estante, um objeto pesado caiu na minha cabeça, o impacto foi forte e eu desmaiei.
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