A substituta
32 Aquilo foi muito bom
Pov. Castiel
O que a Lynn é pra mim? Preciso olhar o rosto dela no claro e pensar.
Meus pensamentos foram interrompidos quando o Faraize me ligou pedindo pra que eu encontrasse em um jantar com ele e a Valerie pra discutimos a gravação da musica. Fui até lá de má vontade.
__O Castiel é tão teimoso, como conseguiu convencê-lo a gravar a musica com você? __Faraize perguntou pra ela.
__Ele deve ter gostado da canção, além do mais, aquela letra é importante pra mim. __Ela disse olhando pra mim.
Letra em que o cara implorava uma reconciliação, tsc.
__Já resolveu o problema com os direitos autorais.
__Sim, conversei com a irmã do compositor. __Ela ficou com olhar triste. __Infelizmente o autor da canção já faleceu.
Eu olhei surpreso pra ela, não sabia que o compositor já tinha morrido, sempre achei que eles estavam vivendo um tórrido romance. Dei de ombros.
__Ele tinha filhos gêmeos, acho que posso encontrar um deles. Eles devem estar bem crescidos agora. __Ela sorriu.
__Você e o Philippe eram íntimos? __Faraize perguntou. __Até conhece os filhos dele.
__Eu os vi quando eram crianças então nem se lembrarão de mim. Eles cantavam bem e eram lindos. __Ela abriu um grande sorriso. __Lembro de levar biscoitos e eles comiam todos. __Ela me lançou um olhar provocativo.
Eu mantive os punhos cerrados com as mãos abaixadas em baixo da mesa, engoli em seco.
__Só um momento, meu telefone. __Faraize saiu pra atender ao telefone que eu nem ouvi tocar.
Eu larguei os talheres na mesa.
__Então o cara morreu. __Eu disse.
__Se estivesse vivo eu estaria ao lado dele. Por que tentaria criar lembranças com uma musica? __Ela tomou um gole do vinho.
__A mulher que abandonou o próprio filho e o cara que escreveu uma musica pedindo pra ela voltar pra ele mesmo tendo esposa e filhos, vocês formavam um belo casal. __ironizei.
__A mãe das crianças faleceu após o parto. __Ela olhou séria pra mim.
__Então você levou biscoitos e bancou a mãe deles? __Disse irritado.
__Isso mesmo! Eu amava tanto aquele homem, que teria me tornado a mãe de seus filhos.
__Tornado o que? __Eu acho que não tinha ouvido direito.
__Se ele não tivesse morrido, aquelas crianças seriam seus irmãos.
__Alguém como você querendo ser mãe... Esse seu amor é mesmo assustador. __Ela riu.
__Meu amor é assustadoramente profundo. __Engoli em seco.
__Então vá atrás deles e os adote. Farei até uma musica pra vocês.
Peguei minhas coisas e me levantei da mesa, sai sem dizer mais nenhuma palavra. Dirigi de volta pra casa com raiva daquela mulher. Talvez se eu estivesse com a Lynn ela me distraísse daquilo. Me lembrei do dia que ela me abraçou no meu aniversário, a imagem bem vivida na minha memória fazia a sensação ser bem real.
Pov. Lynn
Quando cheguei em casa o carro do Castiel estava lá, fiquei preocupada depois que o Alexy disse que ele ia ter uma reunião com o Faraize e a Valerie que é sua mãe. Me perguntei se ele tinha ficado chateado por causa dela.
Entrei no meu quarto e tomei um banho, mas eu estava inquieta, eu precisava vê-lo. Fui até a porta do meu quarto e abri um pouco pra olhar o corredor, não tinha ninguém, sai um pouco pra ver se as luzes do quarto dele estavam acesas.
Quando olhei pro lado ele estava voltando da cozinha com uma garrafa de água, ele ficou me olhando com uma expressão surpresa. Eu tinha acabado de ser pega no flagra espiando.
Nós dois começamos a olhar pros lados disfarçando, eu entrei no meu quarto e bati a porta.
Fiquei caminhando de um lado para o outro no meu quarto com meu celular na mão. Ele não parecia estar de bom humor, era melhor não incomodá-lo.
A imagem dele me beijando veio outra vez à minha mente.
Seria melhor avisá-lo que eu estou bem. Comecei a digitar uma mensagem pra ele. Pensei em escrever: Castiel aqui está tudo bom.
Digitei tão rápido com os dedos ainda trêmulos. Coloquei o celular no bolso.
Espera, escrevi algo errado.
Peguei meu celular de novo e olhei o que mandei: Castiel aquilo foi muito bom
__Oh não! Oh não. __Disse em pânico. __Não quis dizer isso, ele vai ler e entender mal. __Coloquei as mãos na cabeça.
Comecei a correr pelo quarto sem saber o que fazer, tentei apagar a mensagem, mas isso não teria efeito algum. Saí do meu quarto, fui até a porta do quarto dele uma musica alta estava tocando, provavelmente ele não tinha lido ainda. Se tivesse visto teria ido até o meu quarto falar umas pra mim.
Abri um pouco da porta do quarto e espiei por uma fresta, ele não estava á vista. Abri a porta de uma vez e entrei no quarto dele, ele devia estar no banheiro.
Comecei a olhar em volta eu tinha que achar aquele celular rápido, olhei no criado mudo, escrivaninha. Quando olhei pra cama dele lá estava o celular. Corri até ela e o peguei, nessa hora alguém estava abrindo a porta do banheiro eu me joguei no chão do outro lado da cama, bati meu nariz na queda.
Eu encarei o celular dele, precisava deletar aquilo.
Senha? O que é isso? Qual é a senha? __Pensei em pânico
Fiquei tentando algumas possibilidades e ele abaixou o som.
__2911. __Ele disse.
Eu quis morrer na hora, virei devagar pra trás e ele estava me encarando. Eu me levantei rapidamente.
__Castiel aquilo foi muito bom? __Ele disse com os braços cruzados.
__Foi um erro, um erro. Só quis dizer que eu estava bem. Nada a ver com aquilo foi bom, é que eu digitei rápido demais, foi sem querer... __Comecei a tagarelar.
__Você nunca me decepciona. __Ele sorriu. __Foi bom mesmo?
Fechei os olhos com força.
__Sinto muito. __Passei por ele de cabeça baixa e lhe entreguei o celular.
__Ei. __Ele me chamou. __Quis dizer que estava bem mesmo? __Ele tinha uma expectativa no olhar.
__Sim, estou bem. __Ele voltou os olhos pro celular dele.
__ótimo, vou apagar aquela mensagem então. __Ele me mostrou a tela do celular. __Mas se eu apagar, tudo que aconteceu hoje também será deletado. Quer isso?
Pensei um instante no que dizer, hoje teve uma parte confusa e boa, mas também tinha sido dolorido.
__Sim, apague.
Ele apagou a mensagem e ficou me encarando.
__O que? __Eu disse.
__Parece que você se machucou. __Ele apontou o dedo no meu nariz. Quando ele disse realmente começou a doer. __Vou pegar uma pomada.
Ele foi até o banheiro e pegou a pomada me entregou.
__Isso vai ajudar a não deixar roxo. __Ele se virou. Eu peguei e comecei a esfregar no rosto inteiro. __Só tome cuidado pra não cair nos olhos.
Tarde demais eu já tinha passado nos olhos, começou a arder e eu comecei a mexer fiz menção de esfregar, mas ele me impediu.
__Vamos ter que lavar isso.
Ele me puxou pro banheiro e começou a molhar meu rosto com a mangueira do chuveiro. Quando terminou me fez sentar na cama dele e pegou um colírio pra pingar nos meus olhos que eu mal conseguia abrir.
__Você vai ficar melhor depois que dormir. __Ele disse. __ Pode ir pro seu quarto.
__Sim, boa noite.
Eu me levantei e comecei a andar sem ver nada, tropecei no tapete e quase caí.
__Cuidado! __Ele me segurou por trás me pegando pela cintura.
__Desculpe...
Tentei andar pra frente, mas ele não me soltou.
___Lynn, vamos.
Ele tirou a mão da minha cintura e pegou a minha mão. Foi me guiando, parecia que ele apertava a minha mão com mais força a cada momento.
__Castiel você está bravo? __Perguntei.
__Nem consegue me ver, por acha que estou bravo.
__Está apertando minha mão com força. __Ele afrouxou um pouco.
__Nesse momento estou sorrindo, não estou com raiva de você. __Eu abri um sorriso.
__Que alivio.
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