A substituta
23 Amigo de infância
Lysandre é uma boa pessoa, eu não poderia contar a ele sobre mim, já bastava ter trazido problemas ao Castiel não queria prejudicá-lo também.
Respirei fundo e peguei meu celular. Apertei meu nariz, meu coração acelerou devido ao o que eu estava prestes a fazer. Eu tinha que suportar... E ficar com o Castiel.
Comecei a escrever uma mensagem de texto pra ele.
Castiel, por favor, não me dê ao Lysandre. Não irei te causar mais problemas. Escrevi.
Enfiei o celular no bolso da calça e voltei sorrateiramente pro quarto dele, lancei meu olhar pra dentro antes de entrar, ele parecia não estar ali. Corri e arranquei meu tênis do pé, arrumei rapidamente o edredom onde iria dormir e deitei do jeito que estava, me cobri com o cobertor e ouvi a porta do quarto se abrir.
Pelo jeito de caminhar só poderia ser ele, deu alguns passos na minha direção e falou.
—Você decidiu ficar comigo? —Senti um tom presunçoso, mas não dava pra ter certeza sem olhar o seu rosto.
Eu mexi minha cabeça fazendo um gesto que sim, exagerei no movimento pra que ele pudesse ver mesmo eu estando com a cabeça coberta. Ele ficou um instante em silêncio.
—Sabe que me trouxe muitos problemas, não é? —Eu assenti com o mesmo movimento. —Se sabe disso então durma na metade do edredom pra não me causar mais problemas. —ele parecia ter um tom feliz na voz.
Eu peguei a ponta do edredom e rolei, ele saiu de perto de mim.
Alguns dias depois eu consegui ficar fora do caminho do Castiel, e evitei problemas. O presidente Faraize decidiu gravar um vídeo clipe da musica que eu cantei e o Boris teve a brilhante ideia de chamar Castiel e a Ambre pra serem os protagonistas.
Segundo as palavras do Faraize ele queria um vídeo que contasse uma história de amor, e filmar nossa juventude beleza e paixão.
Ele locou uma escola para as filmagens, o figurino era basicamente um uniforme colegial tradicional japonês azul escuro e uma calça cáqui, a roupa ficava perfeita no Castiel, já em mim... Ficou aceitável. Eu coloquei uns óculos de grau pra me dar um toque mais colegial.
—Taylor, não precisa fazer nada complicado. —Disse o Faraize. — Apenas olhe para Castiel e Ambre. —Ele olhou pro Castiel. —Cuide do Taylor.
—Tenho que cuidar dele de novo? —Ele perguntou irritado. —Isso está ficando cansativo.
—Desculpe Castiel. —Eu disse me virando um pouco pra ele.
—Só façam isso rapazes. —Disse o Faraize. —E desculpe usar seu amor nos negócios. —Ele olhou pro Castiel.
Eu fiz o mesmo e em seguida abaixei a cabeça.
—A Ambre chegará assim que terminar a apresentação dela. Não dê atenção apenas para sua namorada, dê atenção ao Taylor também. Bom trabalho a vocês. —Ele se afastou.
Castiel esperou ele se afastar e resmungou.
—Que namorada? —Ele cruzou os braços.
—E – eu não vou atrapalhar vocês. —Me apressei em dizer. —Não se preocupe comigo.
—Tay. —Ele mal esperou eu terminar a frase e começou. — Quando a Ambre estiver aqui não saia do meu lado. —Eu olhei pra ele confusa e comecei a protestar.
—Não! Vou ficar o mais distante possível. — Ele olhou pra mim irritado.
—Eu decido onde você fica.
Ele saiu andando rapidamente, tive que quase correr para alcançá-lo.
—Quer que eu fique aqui?—Fiquei a mais ou menos trinta centímetros dele.
—Mais perto!
Exageradamente eu colei nele, nossos braços quase entrelaçados encostei a cabeça em seu ombro.
—Você é chiclete? —Ele sibilou. —Está perto demais.
Ele me afastou com sua mão e me deixou na distância que ele queria.
—Temos que gravar tudo isso antes de anoitecer, então preste atenção.
—Tudo bem.
Fomos para o primeiro lugar da filmagem, uma sala de aula. Os atores já estavam todos posicionados, Castiel e eu nos sentamos no fundo da sala. O diretor nos passou as instruções, Castiel tinha que olhar pela janela e pensar na Ambre.
Eu permaneci olhando pra frente.
—Taylor olhe para o Castiel. —O diretor pediu.
Eu me virei pra ele tentando ser natural, o rosto dele estava perfeitamente iluminado, seus traços perfeitos realçados. Ele estava encostando despreocupadamente a ponta de um lápis no lábio inferior, eu fiquei olhando fixamente pra boca dele e devo ter soltado um suspiro involuntário.
—Ei estudante! —O diretor disse. —Vire-se pra frente.
Eu me virei pra frente, ele repreendia um garoto de cabelo castanho. Eu me senti grata por aquela interrupção. Quando recomeçamos eu me concentrei melhor na gravação, logo o diretor pediu pra cortar, estava satisfeito.
Fiquei olhando o Castiel pelo canto do olho, ele me deu uma cotovelada.
—O que houve? — Perguntei. Ele estava olhando fixamente pra frente.
—Aquele cara continua te olhando. — Ele virou pra mim. —Quem é?
—Quem? —Olhei na direção que ele estava olhando antes.
Meu olhar encontrou com um par de olhos verdes me olhando com curiosidade. Ao ver que eu o olhei, ele pareceu corar e se virou pra frente. Era o garoto que o diretor repreendeu mais cedo.
—Ele está agindo de forma estranha. —Disse o Castiel. —Você o conhece?
Aquele rosto me era familiar pensei um instante.
—Talvez. Não conheço muita gente. —Continuei olhando pra ele mais um pouco. —Ah! —Disse no susto ao perceber quem era e cobri meu rosto com o livro. —Ele é amigo do meu irmão. Eles eram melhores amigos na escola!—Sussurrei pro Castiel
Eu olhei pra frente ele parecia me olhar frustrado.
—E agora? Será estranho se eu não reconhecer um amigo. —Eu disse.
—Então finja que o conhece e diga oi. — Ele disse normalmente.
—Eu nem me lembro o nome dele. —olhei pra ele de um jeito suplicante. —Castiel me ajude... — Ele me olhou irritado e respirou fundo.
Observei o garoto que me olhava sair da sala.
—Já volto. —Disse o Castiel sem dar muitas explicações e foi atrás do garoto.
Eu esperei um tempo e saí da sala também. Observei de longe o que ele iria fazer. Castiel se aproximou do rapaz com uma folha na mão, o rapaz parecia um tanto constrangido. O Castiel sempre tinha um plano.
Esperei ele vir até mim, o outro rapaz foi para o lado oposto.
—O nome dele é Kentin. — Castiel disse normalmente.
—Como fez pra descobrir?
—Disse que ele estava olhando demais pra mim. Perguntei se ele não queria um autógrafo e perguntei seu nome pra assinar.
—Sério? Eu nunca pensaria nisso. —Ele franziu os lábios. —Eu vou até lá falar com ele, obrigada. —Ele não pareceu ter gostado muito da ideia, mas não fez nada pra me impedir.
Eu corri até ele que estava sentado na arquibancada da quadra de esportes, cheguei perto dele com uma animação um tanto exagerada.
—Ei Kentin! —Eu disse amigavelmente.
Ele me encarou um instante surpreso e abriu um sorriso.
—Taylor! Você me reconheceu. —Ele disse feliz.
—Claro. Você é meu melhor amigo. — Eu dei um tapa amigavelmente no ombro dele. Tentei colocar um tom indignado na minha voz.
—Seu idiota. —Ele disse comovido e me prendeu em um abraço de urso, tentei me afastar, mas já era tarde. —Sabe quanto tempo fiquei bravo por achar que você iria me ignorar por ter ficado famoso? —Ele parecia me apertar mais mesmo não parecendo ser muito possível.
—Isso não aconteceria. —Eu disse sem fôlego. —Kentin, calma. —Ele estava me balançando. Depois me soltou e me segurou pelos ombros.
—Seu sonho era ser cantor e você conseguiu. —Nós sorrimos. —Você é mesmo legal. —Eu mal pude me recuperar e ele já estava me dando outro de seus abraços apertados.
—Taylor! —Alguém atrás de mim disse. —Precisamos voltar para as filmagens. Rápido — Era o Castiel.
Kentin me soltou e eu olhei pro Castiel que parecia bravo, acho que por eu estar atrasando as filmagens.
—Sim Castiel. —Disse com a respiração irregular.
—Você deve estar muito ocupado, afinal você é um astro. —Disse o Kentin chamando a minha atenção. —Ele fechou a mão em punho e esperou eu fazer o mesmo pra fazermos esse tipo de cumprimento.
Ele segurou a minha mão e a encarou, de repente sua expressão ficou séria, eu olhei pra ele com certo medo que ele tenha percebido algo.
—O – o que foi? —Eu disse.
—Cadê aquela cicatriz? Você machucou a mão quando andávamos de bicicleta. Aquilo foi bem grave — Meu coração acelerou sem saber o que dizer.
—Ah! É que... Que... —Tentei pensar rápido, mas o cérebro não acompanhava.
—Qual é Taylor não precisa ficar com vergonha de dizer ao seu amigo que fez algumas plásticas. —Disse o Castiel. Eu respirei aliviada.
—Sim... É eu retoquei. —Kentin levantou a sobrancelha.
—Ah. —Ele me encarou e chegou com o rosto a centímetros do meu. —Olhando melhor seu rosto parece mais feminino. —Eu coloquei a mão entre nós.
—Eu fiz alguns retoques aqui e ali... —Sorri nervosa. —Não fique me olhando.
—Tudo bem. Entendo. —Ele sorriu e se afastou.
As filmagens irão recomeçar, então quem precisa ir ao banheiro vá agora! O diretor disse pelo microfone.
—Eu preciso ir ao banheiro, vamos lá Taylor. —O Kentin passou o braço pelos meus ombros e me arrastou pro banheiro. —Lembra que a gente sempre apostava pra saber quem urinava mais longe? —Ele riu.
—Hã? —Eu tentei virar pra trás, mas seu braço no meu pescoço quase me enforcou. —Castiel!! —Eu o chamei.
Quando entramos no banheiro, encarei aquele mictório, ele abriu o zíper da calça e tive que manter meu olhar pra cima. Aquilo pra ele parecia ser tão natural.
—Kentin? —Alguém do lado esquerdo dele o chamou, ele virou a cabeça pra olhar e eu imitei o seu movimento, não tinha percebido o Castiel entrar, mas quase sorri ao vê-lo ali. —Parece que você é um fã, qual sua musica favorita? — Ele sorriu falsamente.
—Não conheço nenhuma musica da A.N.Jell. —Kentin parecia querer cortar conversa.
—Então. — Castiel segurou a atenção do Kentin para o lado dele. —Deve conhecer essa. —Ele começou a cantarolar a musica mais famosa.
—Ahh. — O Kentin continuou cantando o resto olhando pra frente.
—Terminei. —Fingi subir o zíper da calça. Kentin me olhou surpreso.
—Já?
—Sim, tenho que voltar.
Passei por eles desviando o olhar, Castiel também estava usando o banheiro e ver algo seria bem embaraçoso pra mim.
Fale com o autor