A substituta
26 Amarelo, preto ou ...verde!?
Faraize ficou feliz com o andamento do vídeo clipe, que planejou uma grande festa pra comemorar. Eu estava começando a achar que ele era o pai do Alexy e que esse gosto por festas era hereditário.
Devaneios a parte, eu gostei da ideia. A lembrança da noite anterior ainda estava viva na minha mente, ia ser bom pro Castiel, de repente ele se divertiria um pouco.
A Rosalya deixou um conjunto de roupas que eu deveria usar, era uma calça jeans escura, tênis e camisa branca e uma grande jaqueta preta. Me olhei no espelho do banheiro, meu cabelo já estava começando a crescer, descia em ondas até a altura do ombro.
Entramos na van, Alexy segurava os adesivos da a.n.Jell que eu comprei pro Castiel.
—Isso é muito legal! —Ele disse, em seguida me encarou. —Tay, qual dos três você acha mais bonito?
Eu olhei pra cartela, os chibis deles eram realmente fofos. Olhei por um tempo maior pro chibi irritado do Castiel.
—Eu não sei... Disseram que o do Castiel é o campeão de vendas, mas eu gosto desse. —Apontei para o do Lysandre. — Gosto desse sorriso e os olhos são tão lindos quanto os de verdade. —Eu olhei pro Lysandre que sorriu.
O Alexy me pareceu um tanto decepcionado, senti o olhar irritado do Castiel nas minhas costas.
—Sério? —Alexy disse triste.
—Mas eu também gosto do seu. —Tentei animá-lo. —Ele é fofo.
—Mesmo? Então estou em segundo lugar, né? —Ele abriu um grande sorriso, eu assenti.
Logo chegamos a casa de shows, a mesma em que o Faraize fez minha festa de boas vindas. Eles logo me ofereceram um brinde pela minha carreira solo, mas eu resolvi não beber nada.
Saí de perto deles discretamente, e fui até um lugar menos movimentando. Ambre chegou perto de mim.
—Ei Taylor. —Ela sorriu, estava com uma garrafa de cerveja na mão. —A festa é pra você, devia estar mais animado.
Ela passou a mão no seu cabelo loiro, meus olhos acompanharam o movimento uma pequena presilha brilhante chamou minha atenção, era a presilha que o Castiel me deu. Fiquei confusa, onde ela a teria achado. Me lembrei de ter levado até as filmagens do vídeo clipe, provavelmente ela tinha pegado das minhas coisas, resolvi não acusá-la.
—Essa presilha... Você achou em algum lugar? —Especulei. —Se parece muito com a minha.
—Com a sua? Você é um homem como pode ter uma coisa dessas? —Ela tomou um gole da bebida.
—É da minha irmã. —Menti.
—Irmã? Sei. De qualquer forma isso é meu.
—Mas se parece tanto... —Disse sem tirar os olhos da presilha.
—É estranho um homem ficar olhando tanto uma presilha assim. Se perdeu compre uma nova pra ela. —Eu olhei pra baixo.
—Sim. —Disse em voz baixa.
Saí de perto dela quase arrasada, aquela presilha era muito importante pra mim e, no entanto eu esperava que só fosse parecida com a minha. Senti vontade de ir embora pra procurá-la.
Pov. Castiel
De onde eu estava conseguia ver a Lynn sentada em uma mesa com uma expressão de tristeza, como sempre antes que sobrasse pra mim resolvi me aproximar dela pra perguntar.
—Castiel! —A voz aguda e irritante da Ambre me fez parar ela seguiu o meu olhar. —Já está indo atrás dessa garota de novo, não acha cansativo?
—Sim, estou cansado. Ela não sabe mentir tão bem quanto você. — Ela fingiu uma expressão indignada.
—Mas ela gosta de mentir pra si mesma. Agora fica dizendo que minha presilha é dela que ela perdeu. Da pra acreditar?
—O que? —Eu olhei pro seu cabelo. — Essa daí é a que ela perdeu?
—Não! É minha. A dela sumiu e ela quer a minha.
—As duas são parecidas. —Eu estreitei os olhos, ela tomou uma gole da cerveja e eu vi uma etiqueta de preço na garrafa que dizia dois reais. —Ei fada má, sabe quanto custou essa presilha?
—Dois reais. —Ela de ombros.
—Não —Eu disse de forma presunçosa. — Custou 20.
—O que? —Ela perguntou surpresa.
—Devolve. —Estendi a mão. —Foi eu que comprei pra ela.
—Você... Comprou... Pra ela? —Ela gaguejou.
—Sim. Você mentiu pra sem noção apenas pra roubá-la? Devolva logo. —Ela olhou pros lados e em seguida tirou a presilha devagar do cabelo.
—É bom saber que você não sente vergonha ao mentir na minha frente. —Eu tomei a presilha da mão dela. —Caso contrário estaria morrendo de vergonha agora, não é?
Saí de perto dela que estava quase chorando.
Pov. Lynn
Eu estava olhando pro nada pensando, quando o Castiel se sentou do meu lado.
—Soube que perdeu uma coisa. —Ele disse.
—Ah, não tenho certeza. —A Ambre devia ter ido contar a ele, mas eu nem sabia bem se era a minha presilha.
—Você perde as coisas como uma demente. Não fique tão brava. —Ele estendeu a mão pra mim, mas eu o interrompi dizendo.
—Deixa pra lá, de qualquer forma fica melhor nela. —Eu disse isso, mas não era o que eu pensava. Aquela presilha era muito preciosa pra mim.
—O que? —Ele recolheu a mão.
—Ela não serve pra mim. —Ele olhou pra mim perplexo.
—Sua presilha deve ter fugido de você. Não ouse procurá-la. —Ele devia estar bravo defendendo a namorada. —Se tentar eu te mato. — ele cerrou o punho.
—Não irei procurá-la. —Ele olhou pra mim zangado e saiu de perto.
Me senti mal por dizer aquilo mas talvez fosse melhor, e aquela historia morreria ali, me levantei pra voltar a mesa do Lysandre e do Alexy. Ambre chegou perto de mim.
—Ei Taylor, você devia cantar uma musica. —Ela já estava sem a presilha.
—Não, acho melhor não. —Eu olhei pro palco, o microfone estava aberto pra quem queria ir lá se arriscar.
—Mas se a festa é sua, nada justo que você cante. Venha. —Ela pegou o meu braço e caminhamos até o palco.
—O que posso cantar? As musicas mais animadas que conheço são de natal.
—Vai lá, vai ser divertido.
Pensei um instante ela tinha razão, Boris estava terminando sua apresentação. Ambre avisou que eu ia cantar, ele me estendeu o microfone e ajudou a subir no palco. Olhei meio tensa pras pessoas embaixo. Comecei a cantar a letra de ‘’Rudolph, a rena do nariz vermelho. ’’
No começo as pessoas não entenderam bem, mas começaram a cantar comigo e eu fiquei feliz, inesperadamente uma água muito fria caiu do teto em cima de mim, me molhou inteira. Eu parei de cantar olhando pra frente todos me olhavam e eu fiquei completamente envergonhada. Fiquei abraçando o meu corpo sem saber o que fazer.
Lysandre e Alexy se aproximaram do palco continuando a minha canção, eu olhei pra eles comovida. Num movimento tão rápido Castiel se levantou e tirou sua jaqueta, subiu no palco mais rápido que os outros e a colocou nos meus ombros. Alexy pegou o microfone da minha mão.
—Nossa banda vai dar um presente de natal antecipado pra vocês!
Ele começou a cantar a canção e colocou a microfone na boca do Castiel que cantou também, aquilo acabou virando uma festa. Nós quatro nos divertimos com aquilo.
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No dia seguinte quando eu acordei, comecei a rolar de um lado pro outro antes de levantar, algo estava me incomodando, abri os olhos de má vontade pra olhar o que era. Me deparei com um bicho de pelúcia era um coelhinho, mas estava com focinho de porco.
—Porcoelho? —Eu murmurei, minha voz ainda ríspida. —Ah! —Disse feliz ao ver minha presilha na orelha do coelhinho. —Minha presilha, por que você está usando isso?
Olhei pra cama do Castiel que ainda estava dormindo, isso só podia ser coisa dele. Eu abri um grande sorriso e comecei abraçar o porcoelho.
Saí do quarto feliz e caminhei até a cozinha. Boris notou minha felicidade aparente. Castiel passou por mim, eu sorri pra ele que desviou o olhar, mas eu estava de tão bom humor que nem liguei.
—Atchim! —Eu espirrei alto, eles olharam pra mim.
—Você deve ter pegado um resfriado pelo banho de ontem. —Disse o Boris.
Lysandre e Castiel se aproximaram de mim.
—Beba água. —Castiel me estendeu um copo.
—Você parece resfriado, beba chá. —Lysandre disse, Castiel olhou pra ele.
—Tay! —Disse o Alexy se aproximando correndo. —Beba esse suco.
Eu olhei pros três confusa.
—Qual você escolhe? —Boris perguntou.
—Eu... —Comecei a tossir. —Quero algo quente.
Lysandre ficou feliz e colocou o chá na minha frente, Castiel disse algo que eu não entendi e bebeu a água.
Era melhor eu não ficar doente porque mais tarde teríamos outro trabalho em um estúdio fotográfico.
O trabalho era temático, Castiel vestiu uma roupa verde, Alexy amarela e Lysandre uma preta. Eu fiquei com uma roupa branca.
Durante umas das pausas, nosso diretor fotográfico nos trouxe uma surpresa, nada mais nada menos que a Ambre, nós quatro olhamos de um jeito desanimado pra ela que ficou sem graça.
—Castiel, você está de verde. É minha cor favorita. —Ela se aproximou dele.
—Como o Castiel é o mais popular entre as adolescentes e mulheres mais jovens, está de verde. —Disse o diretor. —Alexy é mais popular entre as crianças, então é o amarelo. Por sua calma, e por ser o favorito dos homens, Lysandre está de preto. —Diretor olhou pra mim. —Por sua imagem inocente o Taylor está de branco.
—Hmm. Castiel é o mais popular entre as mulheres. —Disse a Ambre. —Eu devo ficar feliz, não é Tay?
—Claro. —Eu disse surpresa. —É bom que ele seja popular.
—Bom? —Ele disse irritado.
—É bom que ainda gostem de você mesmo sendo tão mal humorado carrancudo e frio. — Deixei escapar essa, ele me olhou chocado. Tentei disfarçar. —Você é incrível Castiel. —Forcei um sorriso e ergui os polegares.
Ele desviou o olhar.
—E então Taylor, qual sua cor favorita? —Todos me encaram esperando minha resposta, eu fiquei corada.
—Hã... Eu. Prefiro preto. —Era a resposta óbvia por ser um homem. —Eu vou ao banheiro. —Era bom sair de perto daqueles olhares curiosos.
Caminhei pelo corredor, meu nariz estava cada vez mais entupido.
—Tay... —O Castiel veio atrás de mim. —Eu não ligo pras suas escolhas, mas você continua fazendo isso e me deixou nervoso.
—Castiel. —Respirei fundo, não estava afim de discussões. —Continue não ligando pras minhas escolhas.
—Por que está me menosprezando? —Eu revirei os olhos pro outro lado, que ego esse rapaz tem.
—Já entendi, você é o numero um, feliz? —Tentei continuar andando.
—Espere. Diga de uma vez, qual sua cor favorita? —ele me encarou.
—O que? Já falei que é preto. —Disse irritada.
—Aquilo foi quando fingia ser um homem. Qual a verdade? —Ele começou a se aproximar de mim, eu dei uns passos pra trás até encostar as costas na parede, ele apoiou o braço nela pra me impedir de sair. —Qual você mais gosta? Fale. —Ele estava com o rosto a poucos centímetros do meu, pensei em colocar o dedo na ponta do nariz, mas segurei o impulso.
Ele começou a piscar seus olhos castanhos esperando a minha resposta, eu engoli em seco.
—Na verdade... Gosto de branco. —Ele deu um sorriso de desdém pra esconder sua decepção.
—Se saiu dessa muito fácil.
Ele tirou o braço da parede e se afastou, eu respirei fundo aliviada. Era melhor jogar água no rosto. Fui pro banheiro masculino e lavei o rosto, realmente estava ficando difícil respirar Castiel e resfriado eram uma dupla imbatível.
—Aí está você. —Disse a Ambre.
—Ambre? —Disse surpresa ao vê-la ali.
—Acho que veio ao lugar errado, então vim te escoltar. —Ela estava com uma expressão irritada.
—Esse é o banheiro masculino. —Olhei pros lados, os mictórios estavam ali pra confirmar.
—Sim, masculino. O que faz aqui? Você devia ir ao banheiro feminino. —Eu não consegui disfarçar minha expressão de espanto e medo, então ela sabia sobre mim, acho que eu não tinha forças pra mentir pra ela. —Você é garota. Não vou ficar apenas olhando mais.
Ela apertou o meu pulso e me arrastou pra fora do banheiro, de onde aquela garota tinha tirado tanta força? Eu não consegui fazê-la parar.
—Me solta. —Eu disse.
—Cala boca! —Ela gritou.
Quando estávamos na porta do estúdio ela parou e me encarou.
—Você se divertiu bastante andando com eles e fingindo ser um homem, né? —Meus olhos e lábios tremiam. —Qual a cor que você mais gosta? Amarelo preto ou... Verde. —Ela disse pausadamente e disse a ultima cor com mais ênfase.
—Ambre... —Ela respirou fundo.
—Não diga meu nome! Diga de quem você gosta. Serei mais direta. Alexy, Lysandre ou... Castiel! —Ela gritou no terceiro nome.
Eu fiquei olhando pra ela com os olhos arregalados, ela estava tentando arrancar de mim o que eu mais queria esconder.
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