A substituta
10 A sem noção
Quando cheguei em casa, treinei melhor os meus autógrafos, fiz vários e levei o caderno até o Castiel e pedi pra ele escolher um.
—Por que eu deveria escolher? —Ele disse.
—Porque seu autógrafo é tão legal. Vai escolhe um desses. —Coloquei o caderno na frente dele, ele começou a folhear e fazia uma careta quando via cada um.
—São todos péssimos. —Ele cruzou os braços. —Um autógrafo acompanha o seu dono, como você é sem noção e lerda, seu autógrafo será assim.
—Então... Sofisticado Castiel, pode fazer um sofisticado autógrafo pra mim? —Ironizei.
—Por que eu deveria? —Ele me encarou.
—Só achei que deveria ter um bom autógrafo... Desculpe o incomodo. —Eu peguei o caderno — Farei um melhor.
Eu saí do quarto dele, e fui pro jardim pra tentar mais alguns, não custava o Castiel me ajudar.
—O que está fazendo aqui? —Disse o Lysandre se aproximando de mim, levei um susto.
—Nada. — Eu coloquei o caderno contra mim.
—Então por que esta escrevendo seu nome com tanta raiva?
—É que... — Eu mostrei o caderno pra ele. — Estou tentando criar um autógrafo, só que não ficou muito bom. —Ele se sentou ao meu lado.
—Tem razão, estão péssimos. —Eu fiz uma careta.
—Castiel também disse isso. —Eu disse desanimada.
—Você... Mostrou pra ele primeiro? —Ele fitou o longe parecendo desconfortável. — A partir de agora, se quiser uma opinião, fale comigo primeiro. —Ele sorriu.
—Hum? —Perguntei surpresa.
—Nós somos.— Ele começou a se inclinar pra perto de mim como se fosse me beijar, eu me afastei pra trás. — Pessoas que matam cachorros juntos, lembra? —Eu olhei pros lados pensando.
—Ah sim. —Lembrei da história dele. —Somos. —Sorri, ele passou a mão no meu cabelo.
Ele colocou a caneta na minha mão, em seguida pegou nela me ajudando a fazer o contorno de um autógrafo.
—E então? Esse é fácil não é? —Ele perguntou quando terminamos.
—Sim, fácil. E é muito legal. — Fiquei olhando meu autógrafo novo, feliz. —Obrigado Lys.
Entrei de volta feliz por ter conseguido ajuda para o autógrafo, quando estava entrando no quarto o Castiel me chamou.
—Taylor. —Me virei pra ele. —Onde estava e o que fazia?
—Ah, eu estava praticando o meu autógrafo. —Disse animada.
—Sobre aquele autógrafo no seu quarto...
—Eu fiz um. —Disse feliz.
—O que? —Ele disse surpreso.
—Meu autógrafo, o Lysandre fez pra mim. — Ele ficou em silencio por um instante.
—Lysandre, verdade? —Ele pareceu pensar.
—Quer ver? —Eu me aproximei dele. —Ficou bem legal.
—Não, não. Não tenho interesse no seu autógrafo. — Ele fechou a cara.
—Claro, me desculpe. —Eu fiquei olhando a folha.
—Taylor, você é leve como essa folha e não tem integridade. —Ele disse de repente.
—O que?
—Esqueça, saia da frente! —Ele saiu bravo.
O que integridade tem ver com esse pedaço de papel? Fiz algo errado? Pensei confusa.
Voltei feliz olhando meu autógrafo pro meu quarto.
Pov. Castiel
Eu não deveria ter ajudado uma pessoa tão sem noção como ela.
Mais cedo eu havia feito alguns autógrafos para ajudá-la, e escolhi o mais fácil pra que ela pudesse copiar, entrei no quarto dela e deixei sobre alguns papeis que estavam espalhados sobre a mesa.
Como aqui é bagunçado o papel pode sumir. Pensei
Eu peguei a folha novamente e olhei um lugar mais seguro no quarto, vi um baú no canto perto do abajur, havia uma imagem da virgem Maria ali então provavelmente ela ficava naquele canto rezando. Abri a porta do baú e deixei o papel ali.
Só a estou ajudando por ela ser desse jeito, totalmente sem noção. Disse pra mim mesmo.
Quando saí do quarto dela, ela estava voltando com um sorriso estranho no rosto, era o autógrafo que ela havia feito com o Lysandre.
—O autógrafo que deixei... —Tive o impulso de ir lá pegá-lo de volta — Como ela é lerda pode ser que nem encontre, e mesmo que encontre pensará que ela mesmo fez. —Pensei um instante. —Não. O autógrafo é muito bom, ela vai perceber que fui eu.
Olhei pro alto e pensei um instante no que ela acharia.
''Castiel, por que fez um autógrafo pra mim? Gosto mais do que o Lysandre fez. ’’ Em seguida ia começar a rir compulsivamente. Isso me deu arrepios, eu tinha que pegar de volta.
Eu fui decidido ao quarto dela, quando abri a porta e as luzes já estavam apagadas, só a luz do abajur iluminava. Fechei a porta cuidadosamente e entrei em silencio. Quando me aproximei do baú, ela estava deitada com a cabeça em cima dele, eu respirei fundo.
Algo que eu deixei sem ninguém notar pode ser retirado da mesma maneira.
Me abaixei perto dela, notei que ela estava com a cabeça em cima do autógrafo que o Lysandre fez, afastei a cabeça dela pra olhar.
Não é tão bom. Sorri.
Fiquei atrás dela e a puxei pelos ombros, já dava pra abrir o baú, deixei o corpo dela apoiado em mim, peguei a ponta da folha e puxei.
Você é tão superficial e perdeu um grande autógrafo. Pensei encarando a folha.
Peguei no ombro dela, e já estava empurrando ela de volta pro lugar, mas ela mexeu o braço e me desequilibrou, eu caí de costas e ela por cima de mim, o abajur caiu junto então o quarto ficou completamente escuro. Fiquei desesperado sem conseguir ver nada.
—Tay. —Comecei a sacudir ela. —Tenho cegueira noturna, não enxergo com pouca luz. Acorde!—Eu me levantei e a empurrei de volta com a cabeça no baú, ela nem se mexia. —Sua inútil!
Eu me levantei, e calculei as direções, me virei 120 graus até a saída. Fui andando com cuidado, mas tropecei em uma mesa, quando finalmente saí do quarto dela respirei aliviado.
—Como pensei, essa garota é perigosa. Por que fiz aquilo?
Fale com o autor