A sua cor

55 Uma última noite antes da tempestade


Notas iniciais
Este capítulo é especial para mim, e espero que seja o mesmo para vocês. Escrevi com muito carinho, e confesso que me emocionei. Revisitei uma cena muito querida por vocês, leitores, e acho que vão gostar. Também temos uma cena hot mais ao final. A sua cor está quase no fim e não sei o que fazer comigo mesma haha aos novos leitores, sejam muito bem-vindos. Contextualizando: comecei a escrever esta história em 2013, e a postar em meados de 2014 no Nyah. De lá pra cá, foram altos e baixos, muitas coisas acontecendo, cursos largados e cursos iniciados, muitas mudanças, o mundo louco lá fora, mas o que nunca mudou foi o meu carinho pela escrita e por estes dois personagens incríveis que tem tudo em comum. Mas chega de conversa haha leiam e, por favor, comentem!

— Posso ajudar em alguma coisa? – Severo perguntou, tentando ser o mais casual possível.

— Pode descascar as batatas, por favor? – Hermione pediu, de costas para ele, enquanto preparava as salsichas.

— Bangers and Mash? – a voz dele ecoou perto dela enquanto ele se inclinava para pegar alguma coisa no armário. Por alguns segundos o corpo de Severo a envolveu por trás, e Hermione teve que se controlar para não estremecer. Sentir a presença dele na pequena e aconchegante cozinha do chalé era demais, e ela quase se arrependeu de tê-lo convidado. Quase, mas não o suficiente.

— Hm, sim. – ela gaguejou uma resposta, se batendo por dentro. Tenha controle, Hermione!

— Você disse alguma coisa? – ele perguntou, dessa vez à uma distância segura.

— Não, não. Só... pensando alto. – ela murmurou, colocando toda a sua atenção na receita simples.

Os próximos quarenta minutos passaram num silêncio não muito confortável, mas eles contornaram bem. Hermione fazia o jantar, e Severo a ajudava em coisas simples. Era quase uma dança de gestos comedidos e passos combinados em torno um do outro. De vez em quando se esbarravam, e um pedido de desculpas vinha na forma de um murmúrio tímido de ambas as partes.

A mesa simples foi colocada por Severo, e Hermione olhou ansiosa para ele enquanto se servia. Ela sabia que não precisava mais ser validada por ele porque não estavam na escola, mas sua opinião, Hermione suspeitava, seria sempre de peso para ela, mesmo que fosse apenas sobre um jantar.

— Está uma delícia, Hermione. – ele finalmente disse, e ela podia ver que era genuíno.

— Obrigada – ela sorriu em resposta, ignorando o pequeno salto que seu coração dera ao se dar conta de como a cena era íntima. Seria tão fácil apenas fingir que essa era a vida deles... Mas não, ela não faria isso esta noite.

— Parece que estamos recriando algumas cenas hoje. – Severo decidiu depois de um tempo.

— Sim – Hermione concordou, brincando com a taça de vinho. – Parece uma vida inteira desde que eu tentei cozinhar pela primeira vez aqui.

— Agora não há mais nada que não possa fazer – Severo brincou suavemente, apontando para os pratos.

Hermione riu, incapaz de se segurar – Ainda não posso voar, Severo. E não acho que alguém possa comer purê de batatas e salsichas para o resto da vida.

— Você sabe voar, apenas não gosta. E se as batatas e salsichas estiverem tão boas quanto as que fez hoje, garanto que eu poderia. – ele disse, e imediatamente se arrependeu. As implicações eram tantas... Ele percebeu, num vislumbre, que Hermione fechara os olhos, e seus dedos tremeram um pouco antes de se ocuparem a dobrar e desdobrar o guardanapo.

— Então está, como você disse mesmo daquela vez? Comestível? – Hermione brincou, levantando a sobrancelha numa imitação barata dele mesmo. Severo riu, baixo e rouco, fazendo-a estremecer.

— E veja só, estou até usando talheres.

— Muito engraçado – ela sorriu – Não ficou muito temperado? Acho que posso ter errado a mão no tem-

— Ficou perfeito. – ele a cortou educadamente, e Hermione finalmente olhou para ele, para encontrá-lo a estudando atentamente. Os olhos negros dele estavam fixos nela que Hermione se viu incapaz de se mexer.

O contato se quebrou abruptamente quando o rádio que Hermione tentara ligar mais cedo dava sinais de vida, passando sozinho de uma estação à outra até parar na lista de nomes que o Ministério atualizava todos os dias com o número de mortos pelos ataques.

— Sinto muito, eu... bem, tentei ligar depois que saiu com o Draco. Queria só ter notícias. Mas parece uma ideia tola agora, vou desligar.

— Não, tudo bem. – ele a impediu, e juntos ouviram os últimos nomes sendo ditos.

Quando o último nome foi enunciado, ambos estavam congelados na cadeira, olhando para pontos específicos da cozinha, totalmente perdidos na sensação angustiante de esperar e ao mesmo tempo não querer de jeito nenhum que um nome conhecido fosse lido.

— Vou dizer uma coisa horrível agora, mas me sinto... aliviada de não conhecer nenhum dos nomes. – ela sussurrou depois de um tempo, sentindo-se entorpecida pela sensação de medo.

— Qualquer pessoa ficaria, Hermione. Não se cobre. Não quer dizer que não sente profundamente cada uma dessas mortes, no entanto. – ela assentiu, terminando o último gole de vinho antes de se levantar. No rádio, baixinho, começou a tocar uma música bonita que Hermione reconheceu vagamente, e antes que pudesse entender o que estava acontecendo Severo estendeu a mão para ela num convite claro.

Ela deveria aceitar? Era prudente? Tantas perguntas bombardearam sua mente naquele momento, mas tudo que ela conseguia pensar era: ele está aqui. Na minha frente. Sua presença é tão forte, está em todos os lugares. Eu preciso dele. Preciso tocá-lo. Porque de repente seus dedos estavam entrelaçados nos dele e nada, absolutamente nada mais importava.

Eles dançaram assim, tão unidos que pareciam um só, por muito tempo, balançando suavemente com a música, sentindo a presença um do outro, se contentado com o momento. Hermione deitou a cabeça no peito dele, sentindo o pulsar do seu coração, e Severo apoiou o queixo na cabeça dela, memorizando o perfume do seu cabelo, a suavidade do seu corpo, o lembrete persistente do quanto eles se encaixavam.

— Hermione – ele sussurrou depois de um tempo, segurando as mãos dela enquanto sustentava o seu olhar – mais cedo, quando perguntou sobre a Lílian...

— Você não-

— Preciso, sim. – ele a interrompeu – Você viu na floresta que o meu patrono não é mais uma corça. E não é a bastante tempo. Não tenho mais sentimentos por ela. Lílian parou de me fazer refém. Mas ainda tenho uma dívida, e prometi proteger o filho dela. Além disso...

— Eu sei. Não é mais sobre pela sua promessa. – Hermione sussurrou, olhando para ele.

Eles estavam tão perto.

Uma sensação de calma e paz se estabeleceu sobre eles, e incerto, Severo estendeu a mão para tocar o rosto dela, segurando-a suavemente. Hermione ofegou, virando a cabeça levemente para beijar o polegar que acariciava sua bochecha.

O mundo ao redor deles congelou. Hermione fechou os olhos, sentindo a respiração suave dele no seu rosto.

— Hermione... – sua voz aveludada soou tão perto.

— Eu- ela tentou dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas sua mente não trabalhava. Um trovão ecoou por todo o chalé, quebrando a conexão entre eles. — Estou muito cansada. Acho que vou subir.

Severo assentiu, o sentimento de perda o tomando por completo quando ela se desvencilhou dele aos poucos.

Hermione se afastou, mas antes de subir para o quarto olhou novamente para ele. E ali, parado no meio da sala, Severo Snape a olhava tão intensamente que ela vacilou. Algo não dito se passou entre eles, e ambos entenderam.

Ela subiu as escadas que um dia eles se beijaram sentindo todo o corpo anestesiado, numa espécie de transe. Seria sempre assim com ele? Como se fosse a primeira vez? Era ridículo que ele a fizesse se sentir completamente fora de si, porque ela mal conseguir se concentrar em passar pelos degraus sem tropeçar. E quando Hermione finalmente chegou ao quarto, o quarto deles, ela se apoiou contra a porta fechada, o coração batendo rápido, a respiração irregular e ofegante, o corpo cantando em expectativa.

Ao contrário do que ela disse para Severo, não estava cansada. Seu corpo estava totalmente renovado, e ela se sentia viva. Foi doloroso descobrir tudo que havia descoberto mais cedo, mas ao mesmo tempo, ela foi tomada por uma força poderosa de viver.

Ela mal se deu conta dos gestos mecânicos enquanto tomava banho, sua mente muito distante dali. Ou melhor, a poucos metros. Hermione sentia que a atmosfera estava diferente, e não de um jeito ruim. Com o corpo ainda úmido, ela vestiu a camisola fina que Gina a presenteara no Natal, sem entender exatamente o porquê.

Ela se deitou, mas não estava com sono. Seu corpo ansiava por ele. Ela se mexeu, trocou de posição, arrumou os travesseiros. O contato da pele nua com o tecido fino só a deixara mais acordada. Era inútil.

E então, quando ela decidiu que precisava fazer alguma coisa, ouviu três toques na porta. Baixos, mas firmes.

Com o coração a mil ela caminhou lentamente, embora todo o seu corpo gritasse para que ela corresse. Quase sem fôlego, ela girou a maçaneta e abriu a porta.

Do outro lado estava Severo. Impassível. Todo envolvido nas suas vestes negras. Ela percebeu vagamente que ele sequer tirara o casaco, e de alguma forma isso a excitou mais. Era ele, e apenas ele, e deuses, Hermione o queria.

Não tinha como evitar.

Eles não disseram nada, mas Hermione segurou o seu olhar enquanto dava alguns passos curtos para trás. A luz suave e fraca do quarto a envolveu, e ela pode ver os olhos negros dele brilhando de puro desejo enquanto a percorriam dos pés à cabeça.

Sem saber ao certo o que estava fazendo, mas decidida, Hermione soltou as alças da camisola fina e sentiu o tecido escorregando pelo seu corpo até se formar um amontoado de seda pura aos seus pés.

Ela estava nua para ele.

Em todos os sentidos.

Com gestos deliberados, Severo fechou a porta com um feitiço não verbal, sem nunca tirar o olhar do rosto dela. Ficaram a centímetros de distância, ofegantes, suspensos no momento, até que...

Até que tudo era urgência. Severo a puxou para si, tomando a boca dela na sua enquanto a levantava do chão. Hermione cruzou as pernas nas costas dele, sentindo o frio dos botões na pele nua, e estremeceu.

Logo ele estava beijando seu pescoço, enquanto ela se arqueava totalmente entregue ao toque dele. Cegamente, Severo a levou até a cama, colocando-a com cuidado no centro, tomando todo o tempo do mundo para olhá-la.

O cabelo espalhado pelo lençol, a boca entreaberta, os seios subindo e descendo com a respiração ofegante, a pele brilhando de desejo, os cachos de veludo entre as pernas...

Severo sentiu a boca salivar com a visão dela, e sem um pingo de elegância começou a tatear cegamente o casaco para tirá-lo.

Hermione afastou ainda mais as coxas, se expondo para ele. Sem saber ao certo o que estava fazendo, deixou as mãos tocarem seus próprios seios, apertando-os, e depois escorregou uma das mãos pela pele suave da barriga até finalmente desaparecer por entre as pernas.

— Merlin. – ela ouviu vagamente Severo sussurrar, antes de sentir o calor do seu corpo a envolvendo. Os pelos do peito dele fizeram contato com os seus seios e Hermione gritou, sem se importar com nada esta noite. Suas coxas o seguraram firme pela cintura enquanto ele deslizava dentro dela.

Hermione estava pronta para ele, e Severo a encheu completamente.

Eles ofegavam e gemiam, balançando num ritmo só deles, enquanto eram consumidos pelo prazer. Tão bom.

Nenhuma palavra era necessária. Eles se conheciam no escuro.

Severo fechou os olhos e as imagens começaram a nadar. As sensações reverberaram através dele: o corpo dela, os movimentos lentos e constantes, o ardor crescente... ele sentiu os lábios dela no seu ombro, beijando-o suavemente, antes de ser substituído pelas unhas cravadas na sua pele.

— Severo!

— Hermione... você é tão linda. Tão, tão bonita.

E então uma coisa estranha aconteceu. Eles estavam de tal forma conectados que os pensamentos de ambos se fundiram em um só. Hermione foi invadida pela voz de Severo na sua cabeça, e as palavras que ele sussurrava no fundo de sua mente, sem nunca ter sido verbalizada, a fez ficar momentaneamente em choque.

Havia dúvidas, ainda, de como ela poderia amá-lo. Havia pensamentos de insegurança dentro dele que ele nunca verbalizara completamente. Havia a total surpresa e descrença de como uma jovem mulher como ela, bonita e brilhante, poderia estar ali, com ele. Hermione sentiu o que ele sentia por ela, viu o quanto ele a perdera quando ela saiu para encontrar Harry e Ron na floresta, e a profundidade do medo de que algo ruim acontecesse a ela. E então...

Como você viveu sem ela por tanto tempo?

COMO esta mulher está aqui, comigo?

Eu a amo tanto...

Amor.

Tão rápido quanto veio, a conexão entre eles foi rompida quando ambos chegaram ao clímax, ofegantes, tremendo e completamente exaustos, tanto pela entrega física quanto mental. Hermione só tinha forças para pensar, muito superficialmente, que Severo perdera tanto o controle de si mesmo para estar com ela esta noite que estabeleceu uma conexão que ele não previra. Foi a magia mais elementar possível.

Quando os corações começaram a, finalmente, se acalmar, Severo saiu de dentro dela e a puxou com ele numa posição confortável. Eles não falaram nada por vários minutos, os dedos dele deslizando pelo corpo dela num carinho incontestável.

— Eu amo você, Hermione.

— Eu também te amo, Severo. – Hermione respondeu.

— Sinto muito. – ele brincou, irônico, mas Hermione sabia que ele estava falando sério.

— Não seja bobo. Eu não sinto. – ela segurou o olhar dele, tentando mostrar o quanto falava sério.

Mas você sentirá. Severo queria dizer. Aconteceria num futuro muito próximo. Mas ele tentou não se deixar levar por esse pensamento. Porque só por essa noite, ele aproveitaria.

— Eu pude ouvir os seus pensamentos hoje. – Hermione sussurrou, aconchegando-se ainda mais perto em busca de calor.

Severo apenas assentiu, traçando padrões ao redor dos seus seios. – Eu não sei como aconteceu. Não foi planejado.

— Eu gostei. – Hermione se sentou, trazendo o lençol junto ao corpo. Severo encostou na cabeceira para vê-la melhor, mas Hermione percebeu que ele ficara tímido com o assunto. Ela o viu vulnerável em todos os aspectos, e poder ter acesso aos seus pensamentos e sentimentos foi a última barreira entre eles. – Você gostou da camisola? – ela decidiu que mudar de assunto era o melhor caminho.

Severo relaxou, dando aquele meio sorriso de tirar o fôlego. – Camisola? Eu mal reparei, bruxa.

Hermione riu, incapaz de parar o rubor que esquentou seu rosto. Não ajudou quando ele pegou a varinha e fez a peça levitar até ele na cama. – Severo! – ela sussurrou horrorizada enquanto ele estudava de perto o tecido ousado em suas mãos.

— Verde? – ele levantou a sobrancelha, sugestivo, adorando provocá-la.

— Foi um presente da Gina. – Hermione deu de ombros, ainda sorrindo.

— Ginevra Wesleay? – ele perguntou, chocado.

— Sim – Hermione sorriu na expressão dele – No Natal. Na época ela já sabia que eu, bem, tinha sentimentos por você. Ela apoiou desde o começo.

— Foi um presente e tanto, e você ficou deslumbrante nela, é claro. Mas devo dizer – ele tocou o lençol que a cobria, descendo aos poucos, até deixar os seios dela a mostra. Ele se aproximou do pescoço dela, soprou, deu um beijo suave, e sussurrou no seu ouvido – que a prefiro nua.

Hermione estremeceu, sentindo a boca secar. As mãos dele deslizaram na pele ao lado dos seios, depois uma das mãos os envolveu, massageando-os levemente, enquanto a boca dele descia sobre a sua. – Você está insaciável hoje, marido.

— E você, Senhora Snape, é deliciosa. – ele brincou de volta, mordendo o lábio dela. Hermione, no entanto, o surpreendeu, montando dele para ficar no topo.

— Quem poderia dizer que o professor Snape seria tão... devasso. – ela se inclinou sobre ele, mordiscando seu queixo, enquanto as mãos grande dele envolviam a sua bunda. Severo riu, dividido entre o prazer completo e a diversão pelo comentário dela.

— E quem diria que- Ah! – ele se perdeu quando ela guiou seu membro duro para dentro dela novamente, montando-o.

— Você não é um dos bruxos mais brilhantes que já pisou em Hogwarts? – ela sussurrou, provocante, amando se sentir tão no controle, tão dona si, tão mulher.

— Você está- ele ofegou – completamente louca... deuses! se pensou que ter uma mulher linda em cima de mim me faria ter algum controle sobre os meus...

— Os seus?

— Pensamentos... Merlin! Você... – ele desistiu, fechando os olhos, enquanto ela comandava o ritmo dos seus corpos. Ele forçou seus olhos a abrir novamente, e visão dela, dos cabelos indomáveis caindo em cascatas pelos seus ombros, os seios balançando, a boca perfeita entreaberta... foi demais.

Eles gozaram juntos, e Hermione caiu completamente exausta sobre ele.

Depois de um tempo, Severo teve a força necessária para conjurar um feitiço rápido de limpeza em ambos, e ajudou uma Hermione sonolenta a entrar debaixo dos lençóis. Ele queria memorizar cada detalhe dela, cada pedaço de pele, todos os cheiros. As sardas, o pequeno nariz arrebitado, as mãos delicadas que continham tamanha força.

Sem conseguir lutar mais, o sono o venceu, e ele foi envolvido, como sempre acontecia quando ele estava com ela, em um mar de sonhos felizes e calmos, em que não dominavam a escuridão ou as trevas, e sim um futuro do qual ele queria, com todas as forças, que fosse real.

...

Notas finais
Gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.