A sua cor

37 Um plano catástrofe?


Notas iniciais
Eu sei o quanto é chato quando uma autora demora a postar o próximo capítulo. Perdemos, muitas vezes, o gosto pela estória, como se a emoção tivesse ficado pelo meio do caminho, naquele capítulo postado há semanas. Portanto, eu venho implorar o perdão de vocês. De verdade, desculpem! Mas o período de final/início de ano é sempre muito conturbado, e eu simplesmente não conseguia me concentrar. E não quero absolutamente estragar essa fic com capítulos ruins rs Mas agora eu realmente voltei, coloquei a escrita em dia e estou pronta para postar regularmente. Mais uma coisa MEGA importante: os comentários mais que maravilhosos que recebi serão respondidos em breve. No mais, espero que gostem!

– Harry, o que nós vamos fazer? – perguntou Rony, aflito, e no silêncio de Harry ele tentou mais uma vez – Harry?!

– Droga, Rony! Não sei! – respondeu, tentando se concentrar com a dor de cabeça latejante.

– Nós não podemos deixá-la se virando sozinha! Eu sei que é a Hermione, mas droga, são Comensais! Nós temos que fazer alguma coisa!

– E você acha que eu não sei?! – gritou Harry, ríspido, fazendo Rony se retrair – Desculpe, eu só...

– Tudo bem. – respondeu o ruivo, parando finalmente de andar em círculos – Vamos pra minha casa e...

– Não! Não, Rony, não. – descartou – Hermione fez essa loucura por um motivo: não envolver sua família nisso. Então não dá pra simplesmente aparecer n’Toca e pedir pra usar a lareira. – completou exasperado, sentindo a cabeça pesar cada vez mais.

– Então o que você sugere? Gritar o nome dele e te entregar como um presente? É isso?

– Eu só sei que precisamos de um plano... – murmurou ele, tentando pensar em uma saída enquanto sua cabeça parecia querer explodir.

– Tem um jeito... – quebrou Ron, aproveitando cada fio de esperança – Podemos ir até a casa do Gui e da Fleur. Envolvê-los é menos que pior que envolver a família toda, e além do mais eles já estão nessa...

– Você sabe chegar lá? – perguntou Harry, com uma expressão que dizia ‘Sim, pode dar certo’.

– De lá nós podemos pedir ajuda à Ordem... – opinou o ruivo.

– Não para a Ordem... Para Lupin. Hermione disse alguma coisa sobre ele e Severo estarem mais... amigáveis.

– Pode dar certo. – tentou Rony.

– Ou muito errado. Mas é o melhor que podemos fazer sem colocar tudo a perder. No momento, eu só estou feliz porque você-sabe-quem está... – hesitou.

– Calmo? — franziu Rony, achando a ideia improvável.

– Eu não diria calmo... Ele só está distante, eu acho. Há dias não vejo nada, absolutamente. – e perdendo o olhar nas últimas faíscas que crepitavam na fogueira, Harry pediu aos céus que você-sabe-quem estivesse mais fraco, mesmo sabendo que isso soava muito absurdo.

– Se pelo menos soubéssemos o que ele está planejando... – arriscou Rony, lançando um olhar esperançoso para Harry.

– Não posso, Rony. Não posso arriscar... Sabemos de muita coisa agora, digo, sobre o Snape e sua real fidelidade, e também sobre... bem, sobre ele e Hermione. Não sei se conseguiria evitar que ele visse tudo isso. Não sou bom o bastante. – descartou o bruxo, voltando o olhar para os últimos resquícios de fogo.

– Eu só espero que Hermione seja, então...

– Você sabe, ela é. Ela vai conseguir. – reconfortou Harry, no fundo temendo sobre suas certezas. – Ela tem que conseguir...

– Isso tudo é culpa minha. Se eu não tivesse perdido o maldito retrato, se eu não tivesse sido tão idiota, se eu pelo menos tivesse conversado com ela... Se ela tivesse desabafado comigo, eu...

– Não adianta pensar nisso agora. – interrompeu – Concentre-se em nos fazer chegar até o seu irmão sem sermos pegos no caminho. Depois... bem, depois você se entende com ela. Nós dois fomos idiotas, mas não conseguiríamos evitar que ela fizesse qualquer coisa pelo Snape ou por outra pessoa. É sobre Hermione que estamos falando. – e com o sorriso cúmplice de Rony, eles começaram a colocar o plano em ação.

***

– Até que ela é bem bonita... – falou um dos homens enquanto deslizava os dedos pelo rosto de Hermione – Essa pele... Pena que é uma sangue-ruim.

– Não-toca-em-mim. – sibilou ela de volta, enojada.

– Ora, ora, ora... Ela é bem nervosinha, não?

– Ela está vindo. Concentre-se, idiota!

E finalmente Hermione olhou para a mansão a sua frente. Um longo portão de ferro, seguido por enormes pilastras de pedra faziam a fachada da Mansão, e quando ela pode focalizar a figura que se aproximava teve medo que seu plano falhasse miseravelmente. A medida que o ponto minúsculo ia tomando forma, Hermione detalhou cada traço da mais fiel seguidora do Lorde das Trevas. Os longos cabelos pretos, a pele pálida, o semblante arrogante e algumas características que davam alguma ideia do quanto Bellatrix Lestrange havia sido bonita um dia. Mas o olhar doentio estava lá... Como sempre esteve.

– O que significa isso? – perguntou, com aquela voz fina, os olhos brilhando em expectativa.

– A cadelinha do Potter. – rosnou um deles.

– Eu sei quem ela é, imbecil. Quero saber o que ela faz aqui sem o amiguinho idiota. – rosnou de volta, sem tirar os olhos da menina – Diga, querida, ele te deixou pra trás? – e os braços passaram pelos contornos do portão para fazer uma das longas unhas tocar o rosto pálido de Hermione – Não se preocupe, você vai ser muita bem cuidada aqui. – e cada sílaba produzida com aquela voz horrível fazia o estômago de Hermione revirar, o terror estampado em seu rosto e a raiva por não conseguir contê-lo.

– Arrastem-na para dentro. – ela disse abruptamente, enquanto limpava os dedos no vestido preto — E não tenham cuidado. – completou, virando para Hermione e dando uma piscadela.

...

– Vocês não entendem. Eles não vão machucá-la, eles vão torturá-la até ela implorar a morte! Se alguma coisa acontecer à Hermione, Lupin, eu juro... Eu juro que mando isso tudo pro inferno para salvá-la.

As palavras ‘machucar’, ‘torturar’ e ‘morte’ ficaram ecoando na cabeça de Harry, Rony e do próprio Severo. Era demais imaginar Hermione sofrendo.

– Snape, calma. Vamos ser racionais. Sinto em dizer isso, mas você tem que ser o comensal agora.

– Lupin está certo, Severo – falou Minerva, com pesar na voz.

– É improvável que Bellatrix a entregue à você-sabe-quem sem ter certeza. Nós ainda temos tempo de tirá-la da mansão dos Malfoy antes que ele saiba. – falou Lupin, apreensivo.

– Não posso acreditar que isso esteja acontecendo... simplesmente me recuso a acreditar que eu deixei que a pegassem. – declarou um Snape atônito.

– Hermione não é nenhuma donzela indefesa, de qualquer forma. Ela é forte e você mais do que ninguém sabe disso. – adicionou Minerva, sem esperança que a fala desse algum conforto ao bruxo. É claro que Snape sabia que eram apenas verdades. Hermione era forte, e sua magia ia muito além de feitiços verbais e manuseios de varinha. Mas ele também sabia que, por mais talentosa que ela fosse – e ela era – não seria o bastante.

As mãos passearam sofregamente pelos cabelos que, sim, estavam oleosos; olheiras profundas davam a impressão de um rosto ainda mais magro. Severo estava completamente desequilibrado, muito distante daquela temperança que o acompanhava durante todos os anos como espião. A ideia de saber que Hermione estava correndo perigo estava enlouquecendo-o.

– Hey, vai dar certo. – declarou Remo, colocando a mão amigavelmente nos ombros de Severo. Ele não se afastou.

– Nós vamos pensar em algo. Vamos tirá-la de lá. – complementou Minerva, sem deixar o tom firme apesar das palavras doces.

– E vocês – cuspiu Severo, olhando para Harry e Rony – são tão incapazes a ponto de deixá-la fazer uma idiotice sem tamanho? Onde estavam quando ela saiu? Onde?! – e num instante Snape já estava agarrando Harry pelos ombros, sacudindo-o freneticamente.

Todos os outros que assistiam a cena ficaram estagnados. Snape perdendo o controle? Era o mesmo que ver Dumbledore gritando impropérios. Duas coisas que não se encaixavam em suas personalidades – pelo menos não naquela que eles tinham que expor ao mundo. Minerva foi a primeira a ter alguma reação, puxando Snape para trás. Rony parecia grudado no chão, sem acreditar que viveria o suficiente para ver Severo Snape tão afetado.

– Lupin! Acorde e me ajuda aqui! – gritou a bruxa.

– Esqueça – ele parou a todos a mão no ar – Eu já sei o que fazer. E ficar aqui discutindo com inúteis não vai salvar Hermione. – Harry estava cansado demais e preocupado demais para discutir os adjetivos que Severo acrescentava a sua coleção. A única coisa que ele conseguia pensar era que Snape estava certo, que havia sido o culpado pela loucura da amiga, e que não havia uma solução no inferno que trouxesse de volta ilesa.

– O que pretende, Severo? – perguntou Minerva, apreensiva.

– Eu vou até a Mansão. – e antes que alguém pudesse falar qualquer outra coisa, ele já tinha desaparecido.

***