Hermione aparatou em casa – mas que casa? Onde ela ficava? Tudo estava muito aleatório. Era noiva de um homem que nem lhe dirigia a palavra, que nem a chamava pelo primeiro nome, que nem a via como mulher. Mas ela o considerava um homem. Homem por baixo de toda a roupa preta, o homem apesar de todo o passado, o homem por trás de todas as grosserias em sala. Um homem... Seu homem? Não, definitivamente. Não seu. Mas homem. Um bom homem. Sempre o admirara, era um excelente professor – excetuando as injustiças, claro. E descobrir que a morte de Dumbledore foi planejada e que Snape não tinha culpa fez com que o admirasse ainda mais.

Chegou a casa. Vazia. Não quis nem ao menos procurá-lo. Sabia que ele não estaria em casa. “Nossa casa”, ela pensou. Foi direto para o banheiro e tomou um banho. Tentou pensar na guerra que estava prestes a acontecer. Tentou pensar no Harry e no Rony. Tentou pensar no ano que não cursaria em Hogwarts. Tentou pensar em tudo que realmente deveria, mas sentiu-se egoísta porque não conseguiu. Só conseguia pensar no fato de que iria se casar em menos de dois meses e que estava dividindo uma casa presenteada por Alvo com ninguém menos que Severo Snape, o temível professor de poções.

- Professor Snape? – chamou-o, apenas para confirmar sua solidão. Não obtendo resposta, resolveu aquecer-se em frente a lareira da sala, sentando-se na poltrona em que ele estava sentado na noite passada.

Começou a domar seus cachos que pendiam molhados enquanto os secava com uma toalha branca com fios pretos. Pretos... “Snape”, pensou enquanto sem perceber um sorriso lhe brotava dos lábios. “Snape...”.