A sua cor
8 Granger...
Notas iniciais
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Ficando para trás e observando Snape entrar no chalé, Hermione sentia a indignação por todos os poros. Não queria voltar para casa, mas também não podia ficar dando voltas como se estivesse em um dos passeios à Hogsmead. ‘Talvez um pouco de ar puro não faça mal algum’, pensou ela. E olhando para o céu que assumia uma cor cada vez mais acinzentada, ela entrou na floresta.
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Hermione
O cheiro de orvalho era delicioso, e alguns pingos já insistiam em cair, umedecendo a grama e as folhas. Desde que cheguei naquele lugar não havia colocado os pés para fora, nem mesmo para chegar próximo ao mar. Não aguentava mais o silêncio, a incerteza, a falta de notícias. Com os meus amigos eu podia desabafar, falar das minhas descobertas e pesquisas. E mesmo com a falta de tato de Rony ele me fazia sentir bem de alguma forma. Harry estava prestes a se tornar maior de idade e eu nem ao menos sabia se conseguiria encontrá-lo, e Snape não era capaz de ter uma conversa contínua que durasse mais de dez minutos. Era uma frase e um longo silêncio. Ou só silêncio. Não que eu não prezasse isso, mas três semanas era demais! E quanto mais disso teria que aguentar?! E com a minha cabeça dando voltas segui batendo o pé floresta adentro.
– Você tem que ser forte! Disse a Dumbledore que aceitaria isso e sabia que seria difícil! – gritei para mim mesma, como que me encorajando a dar meia volta e enfrentar a minha realidade. ‘Pálida, arrogante e difícil realidade...’, pensei. E nesse momento, um trovão vociferou anunciando a tempestade que já caía, e antes que eu me desse conta já estava completamente perdida.
– Ótimo. – grunhi. E enquanto corria para tentar me esconder em algum lugar peguei imediatamente minha varinha. Apesar de duvidar muito que algum comensal estivesse a minha procura antes que a proteção de Harry caísse, não quis arriscar. Não poderia comprometer o esconderijo ou o segredo que mantinha com o professor Snape. Criar uma chave de portal também era impossível, já que o próprio Ministério detinha o poder de controlar os protocolos. Tampouco lançaria um Periculum para que ele me salvasse.
– Pense, Hermione, pense!
Mas a chuva caía torrencialmente, e o tempo nublado escurecia ainda mais a floresta. Havia perdido tanto tempo pensando num modo de encontrar o caminho de volta que nem me dei conta da temperatura, que havia caído de forma drástica. Sentia tanto frio que mal segurava minha varinha, e a energia que ainda me mantinha de pé foi suficiente apenas para encontrar uma maneira de me proteger da tempestade. E foi pensando nisso que me lembrei que o chalé estava envolto em vários feitiços protetivos. ‘Como não pensei nisso?!’, sussurrei, com o queixo batendo. Era algo tão óbvio de se lembrar e eu nem sequer raciocinei sobre isso a tempo. Senti raiva de mim mesma por deixar algo tão estúpido passar, e por cogitar que poderia precisar da ajuda de Snape.
– De jeito nenhum! Não vou pedir ajuda... Tenho tudo que preciso bem aqui na bolsa! – E seguindo com a minha teimosia e orgulho, olhei ao redor ainda a procura de um esconderijo. Mas não havia absolutamente nada, e apesar de ainda ser dia, as nuvens e as extensas árvores impediam a claridade, deixando tudo muito mais difícil. Comecei a correr em vão, sem saber ao certo onde chegaria, e de repente tudo ficou escuro. Aconteceu tão rápido que de um segundo para o outro eu já estava caindo. Somando a velocidade em que meu corpo caía e o frio congelante, não consegui lançar nenhum feitiço a tempo de impedir um estrago maior... Até que finalmente bati em alguma coisa e comecei a perder os sentidos, até desmaiar de vez. E o mais estranho de tudo isso é que meu último pensamento consciente foi: ele vai me fazer engolir a minha idiotice para o resto da vida.
...
Estava semiconsciente quando senti alguém me segurar. Não consegui distinguir quem era até que ouvi, bem distante, o típico resmungo: ‘Granger...’. Acho que sorri ao saber que era ele, e perdi a consciência novamente.
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