A sua cor

22 Afastando o inevitável


Notas iniciais
Boa noite, gente!!! Bom, o último capítulo foi um grande desafio para mim - o primeiro de muitos que ainda virão nessa fic. Mas posso dizer que vocês são incríveis, e que os reviews que recebi foram absurdamente especiais. Não sei se tenho palavras para descrever tudo que senti lendo o que comentaram, mas saibam que foi uma motivação mil vezes mais intensa para continuar escrevendo. Gostaria de agradecer novamente à Paola Saad pela lindíssima recomendação, e dizer que todos os comentários já foram lidos e serão respondidos com muito carinho. E este capítulo não seria postado hoje, mas decidi presenteá-los com uma surpresa no meio da semana haha Ele está curtinho, mas os próximos serão recheados de conteúdo. Daqui pra frente, ouso dizer que se apaixonarão ainda mais por esse casal incrível. Beijos e boa leitura!

O vento batia com força nas janelas, uivando de maneira assombrosa do lado de fora. A maré estava agitada, fazendo as ondas quebrarem violentas na praia. A chuva ameaçava mas não caía, fazendo Hermione pensar com ironia na semelhança entre a tempestade e a guerra prestes a estourar. Só que era apenas chuva lá fora, somente pingos no vidro, algo que daria mais vida depois de cair. Com a guerra não seria assim. Tremeu só de pensar o quão real era aquilo, e que muitos não sairiam vivos. Torturou-se ao pensar: quem? Quem não sairia vivo? Quem sairia machucado?

Por um momento todo o controle que estava mantendo se esvaiu ao pensar na pessoa que não sairia viva: Harry. Era certo. Hermione pensou no amigo, nos momentos em que passaram juntos; pensou em Rony e no quanto ele sentiria; pensou em Gina... ‘Oh meu Deus, Gina! Ela não vai aguentar! Não vai!’, repetia começando a se descontrolar e a desabar em lágrimas.

– Granger! O que aconteceu? – o vulto negro estancou à porta, preocupado. Hermione pareceu não ouvir, pois continuou abraçada às próprias pernas enquanto chorava e sussurrava coisas desconexas.

– Hermione... – sussurrou, aproximando-se da menina – O que aconteceu? – perguntou, com uma delicadeza que a fez parar.

– Porque isso importa? – devolveu, magoada – Desde aquela noite não fala comigo, não me olha, não faz questão de me deixar a par da situação lá fora. – sua voz transparecia raiva e mágoa, embora o tom fosse baixo e pausado.

O vento escolheu o momento para ficar ainda mais feroz, e a chuva que ameaçava cair finalmente dava alguns ares de sua presença, lançando pequenos respingos na janela.

Snape apenas se virou para sair, ignorando Hermione.

– Vai fugir? Bem sonserino da sua parte! – estourou ela.

– O que você quer que eu diga, Granger? – perguntou, baixo e distante, como se não se importasse. A raiva dela só fez aumentar.

– QUALQUER COISA! – gritou.

– Está bem – começou, ainda mais calmo – Aquilo foi um erro.

– Aquilo? – perguntou de maneira retórica – Então é assim que define um beijo? – ela estava muito magoada, embora soubesse que ele só estava tentando afastá-la.

– Por Merlin, Granger, não faz a menor diferença. – disse, com desdém – O que importa é que não se repetirá. – completou, resoluto e frio.

– Como não se repetirá se nos casaremos amanhã? Ou se esqueceu que devemos... enfim, consumar o matrimônio? – perguntou, desconcertada e temerosa, tentando deixar as lágrimas de lado.

– Eu não preciso te beijar para consumar o ato menina tola. – disparou, sorrindo maliciosamente. Merlin, fui longe demais. Não precisava de tanto... Mas você tem que afastá-la Severo. É o melhor para ela.

– Isso foi completamente desnecessário. Até mesmo para você. – disse, se esforçando para os olhos não marejarem ainda mais. – Saia do meu quarto, Snape. Agora.

O mínimo que ele podia fazer era atendê-la. Sabendo que tinha extrapolado, só acatou ao pedido da jovem e rumou se odiando chalé adentro.

A jovem dos olhos cor de mel e cabelos volumosos não saía dos pensamentos do professor desde que ele fora avisado sobre os planos do diretor. Só que o modo como ela estava o invadindo mudou ao longo do tempo em que conviviam, e isso era algo que o brilhante Severo Snape não previu nem por um momento.

Ele não queria tê-la beijado, e antes disso, não queria ter se preocupado com ela. Ainda pior que se preocupar com ela, também com que a fazia feliz – o gato e seus amigos. Querer afastá-la era mais preocupante, pois demonstrava um zelo inquestionável. Ele não se preocupava em trair a memória de Lílian, pois por mais conturbado que fossem seus pensamentos, ele aprendeu a separá-los depois de muitos erros, e o lugar da ruiva era diferente daquele que Hermione estava aos poucos preenchendo. Tampouco queria prevenir-se do sofrimento inegável que seria amá-la, pois já estava acostumado às tormentas. Mas fazê-la sofrer... Não, isso seria inadmissível. E era o que aconteceria segundo ele: a magoaria.

E teriam que compartilhar a mesma cama, o mesmo momento. Teriam que sentir o gosto um do outro e alcançar o ápice da intimidade. Snape tentava a todo custo se afastar das imagens que o remetiam a desejar o corpo de Hermione, pois ele sentia-se ainda mais impuro de ansiar por alguém tão distante e inocente. Mas rapidamente a pele clara o atordoava, seguido pelo sorriso sincero e os olhos de mel. Hermione era, sem dúvida, uma mulher que não precisava de esforços para ser incontestavelmente e naturalmente linda.

– Inferno. – praguejou – Porque ela tinha que aceitar o maldito beijo?!