A sina dos doze

1 Único - A sina dos doze


Notas iniciais
Fic random feita por uma pessoa gripada enquanto comia canja

Pobres de vocês, humanos, trazidos à este mundo apenas para viver uma vida sofrida e logo depois morrer. É injusto, não é? A sina que os Deuses jogaram sobre suas cabeças. Vocês nasceram, cresceram, sofreram e sobreviveram até aqui só para servirem de adubo para uma próxima geração. Quanta pena.

Pobre "imortal", cuja vida fora apenas estendida mais um pouco. Por quantas dores passaste durante tua existência? Quantas coisas os Deuses lhe deram e lhe tomaram bem diante dos seus olhos? Então, sabendo que viveria apenas para morrer mais tarde, revoltou-se e buscou uma maneira de sobreviver. Fora esperto, mas tua esperteza não levou-te muito longe, não?

Pobre da princesa que perdera tudo; o lar, a família, até mesmo as memórias por causa de um bem maior.

Pobre mestiço, este nascido em lar deturpado, abandonado num mundo sombrio e crescido como uma aberração. Sofreste tanto, caro albino. Não te iras que os Deuses tenham arquitetado tua vida moldada apenas em dor, humilhação e remorso?

Pobre do nobre cavaleiro, que tanto honrava a justiça e foi o próprio autor de uma chacina sem fundamento. Quantas almas inocentes veio a tomar por causa do plano dos Deuses para sua pessoa?

Pobre da maga, que sequer família teve. Injustos e frios são os Deuses que lhe fizeram órfã apenas para que chegasse onde está hoje.

Pobre espadachim, lançada numa busca sem fim. Teu pai se fora apenas para que tu mesma chegasse aqui. Lembra-se da tristeza que foi vê-lo partir? Da aflição que foi não ter notícias dele? Ou mesmo da angústia que sentes por não vê-lo retornar para teu lado. É tudo culpa dos Deuses.

Pobre cavaleiro de prata, testemunha do mal que corrompeu e levou aqueles que amava às cinzas. E serias tu, também, uma vítima, se os cruéis Deuses não o houvessem poupado apenas para usarem-te a vida mais tarde.

Pobre da sacerdotisa, reencarnação da salvadora mais uma vez fadada ao mesmo sacrifício. Exatamente, jovem Lin, nasceste apenas para morrer, como aquela que fora em outra vida. As trevas ainda tentaram salvar-te, afastando-te da luz que te guiaria ao fim. Mas fora tola, pobre de tu.

Pobre vulpino que nunca teve nada. Desde teu nascimento estava destinado ao desprezo alheio e solidão. E quanto achastes que bons foram os Deuses que lhe deram quem amar, os mesmos o tomam a vida antes que lhe reconhecesse como o "melhor". Pelos Deuses, mais uma vez fora tragado pela solidão e inveja.

Pobre paladina de fé cega. Pregando a paz e o amor ao longo de tua jovem vida, crendo cegamente nestes Deuses que tanto mal fizeram aos teus companheiros sacrifícios. És tão cega que pelos Deuses dará a vida em vão.

Pobre da gêmea ferida. Darás tudo pelo teu irmão que, por obra dos Deuses, nascera tão fraco e fora tomado por algum demônio. Teu irmão que, no teu lugar, deveria ter tuas patentes. É isso mesmo, cara Edel, é a vida dele a que estás vivendo. Pois se não, ninguém seria. Os Deuses a fizeram usurpar o posto que sempre deveria ter sido de Adel. Remorsada por saber? Pobre, pobre e inocente Edel.

E pobre do oráculo, da garota frágil, da mais jovem do grupo. Daquela que sabia de tudo mesmo antes que acontecesse. Oráculo que poderia evitar tanto sofrimento, mas pelo plano divino, manteve-se calada. Viu com teus próprios olhos castanhos todas as dores de todos aqueles que um dia viria a conhecer e nada por eles fez. Agiu bem para com os Deuses, mas para aqueles que a consideravam uma companheira, hoje não passas de uma traidora.

Irem-vos contra os injustos Deuses pois por eles vocês sofreram, e por eles morrerão. Não existe um milagre que venha os salvar.

Mas não se preocupem

Uma morte gentil é vosso direito.

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