A serpente e a estrela

3 De escravo a cortesão do faraó


Notas iniciais
Olá, leitores amados, Mais um capítulo de "A serpente e a estrela". Espero que gostem e que continuem comentando com o entusiasmo das últimas postagens. Sei que estou meio ausente, mas perdoem-me, é a vida que é doce, mas viver tá de amargarXD! Gostaria de agradecer especialmente a Álefe, Vagabond, Saiyri e Guima pelas lindas recomendações deixadas. Fiquei muito feliz, meninas! Beijos a todos que estão acompanhando, comentando, gostando da história. Espero que divirtam-se com esse capítulo. ACESSEM O BLOG! http://yaoifictions.blogspot.com.br/ Nele há informações bem curiosas sobre a fic e o mundo egípcio, é só copiar e colar o link. Declaro mais uma vez que as imagens presentes na fic não me pertencem e foram garimpadas na net. Se alguém souber o nome do fanartista e site de origem, favor me informar para que dê os devidos créditos com prazer. Referências: EGITO ANTIGO - Deuses, Pirâmides, Faraós. São Paulo: Editora Larousse -2003. Beijos a todos e boa leitura! Sion Neblina

“Meu bem querer é segredo, é sagrado e está sacramentado em meu coração.

Meu bem querer tem um quê de pecado, acariciado pela emoção.

Meu bem querer, meu encanto, ‘tou sofrendo tanto... Amor, e o que é o sofrer? Para mim que estou jurado pra morrer de amor...”

Djavan

De escravo a cortesão do faraó

Capítulo 3

O norte da África é ocupado por um extenso deserto de areia e rocha. No extremo leste, o deserto é cortado de norte a sul por uma longa fita verde, cuja largura raramente supera 30 km. Esta é a única região onde pessoas puderam se instalar: o vale do rio Nilo.

Dos planaltos da África oriental, onde nasce, até o mar mediterrâneo, onde deságua, o Nilo percorre quase 7000 km. Na antiguidade, as cheias atingiam esse gigante no início de Junho e inundavam o vale do Nilo até setembro. Ao baixar, a água deixava uma camada de lama fina e fértil sobre o solo: o limo. Essa camada que enriquecia a terra para a agricultura foi responsável por erguer, aos olhos do mundo, uma das maiores civilizações já conhecida, a grande civilização egípcia.

Os egípcios tornaram a terra negra símbolo do seu país e o chamavam de Kemet. O faraó de Kemet era o rei do alto e do baixo Egito.

O baixo Egito localizava-se no delta do rio, local mais próspero e fecundo, sua capital era Men-Nenfer (Mênfis), morada definitiva do grande faraó.

Saga, Hórus de ouro; aquele que tem duas mestras; aquele do junco e da abelha, filho de Rá,* era o faraó da primeira dinastia, quando essa história começa. Ele nasceu o primogênito da casa real. O deus na terra predestinado a trazer a paz entre Egito e seus inimigos, como o grande império babilônico. No entanto, para preocupação do faraó, ele não nasceu sozinho.

Alguns sacerdotes, após o nascimento dos irmãos, afirmaram que tal como Isis e Osíris, eles não deveriam ser separados. Isso causou grande confusão para o faraó, pois Ísis e Osíris eram gêmeos, marido e esposa, mas quem acompanhou Saga em seu nascimento foi outro menino: Kanon Amon; o que vem oculto*.

Para que a confusão e a dúvida não se instaurassem dentro do reino, o grande soberano foi ao templo e consultou os deuses, recebendo de Hórus a mensagem de que apenas um homem deveria reinar, pois ele habitava em apenas um dos gêmeos, Saga; o que veio primeiro ao mundo e único detentor da divindade.

O grande reino era dividido em pequenas comarcas governadas por homens de confiança do grande soberano, na maioria das vezes, parentes seus. O vale de Assuã no alto Egito era um importante nomo (província) e deveria sempre ser administrado por uma pessoa próxima ao faraó. O nomarca de Assuã ou Nekhen talvez fosse o homem mais importante do império depois do rei e do grão vizir. Esse foi o papel que coube a Kanon Amon; o oculto, em sua vida adulta.

Kanon acostumou-se a estar sempre à sombra de Saga. Quando andavam pelo castelo, deveria postar-se dois passos atrás do irmão. Nunca deveria interrompê-lo quando ele falava, nunca deveria contestá-lo ou aborrecê-lo. Deveria adorá-lo como o Deus que ele era.

Quando os meninos contavam a idade de 12 anos, morreu o grande faraó Djoser, Saga ascendeu ao trono, e Kanon foi retirado do castelo para estudar a administração do seu futuro nomo, ficando aos cuidados de Hades Miquerinos, o grande administrador. Saga foi tutelado por Shion Imhotep, o grão vizir e arquiteto das pirâmides. Quando o grande rei contava 20 anos, o vizir faleceu e ele elegeu seu melhor amigo para ocupar-lhe o lugar.

Aioros era todo bondade, justiça e honra, e a escolha do faraó foi louvada pelos deuses. Esses eram os três homens mais poderosos do império egípcio: Saga, o grande faraó, Aioros, o grão vizir, Kanon, nomarca de Nekhen. Esses três grandes homens se apoiavam e viviam em relativa harmonia, mas o que o faraó e o grão vizir não imaginavam era que o sábio Hades foi um grande mestre para o príncipe Kanon não somente na arte da administração, mas também na arte da magia e da dissimulação, inquirindo no jovem aprendiz a ambição desmedida e o desejo de se sobrepor àquele que ele deveria adorar: o deus na terra, o faraó.

A música da flauta e do címbalo se fazia ouvir enquanto o dançarino ensaiava seus passos no jardim suspenso do castelo. Seus pés nus estavam pintados com símbolos místicos e seus calcanhares adornados com pulseiras que tilintavam a cada passo criando harmonia com o ritmo da música. A saia vermelha longa, que nada mais era do que uma manta presa na cintura por um nó, balançava com seus passos e o peito nu exibia algumas gotículas de suor causadas pelos vigorosos movimentos de braços e quadril.

O Nomarca de Nekhen entrou no quarto iluminado apenas por archotes e ficou apoiado na parede, observando o belo homem e propriedade do seu irmão dançar. Os cabelos longos da cor do trigo estavam presos no alto da cabeça e serpenteavam com os movimentos, e os braceletes que adornavam os músculos delgados e definidos dos braços reluziam à luz das tochas.

Umedeceu os lábios, sentindo o desejo pulsar em seu corpo. Às vezes, se perguntava se o desejava tanto por ele ser realmente magnífico ou por ele pertencer ao seu irmão. Adorava vê-lo dançar e gostaria que ele dançasse apenas para si como fazia para Saga. Sim, havia danças especiais que eram dedicadas somente ao faraó, mas Shaka sempre dançava como se dançasse para os deuses. Por isso, era visto como um ser divino, um sacerdote dos deuses, cujo altar era o próprio e belo corpo.

O príncipe bateu palmas, e o dançarino interrompeu o ensaio, abrindo os olhos. Ele sempre dançava de olhos fechados para abri-los somente no final da apresentação, pois sabia que se os abrissem antes, o impacto que eles causava era tão grande que mais ninguém prestaria atenção aos seus movimentos.

Shaka observou o Nomarca do alto Egito se aproximar. Ele usava o nemés na cabeça, porque um príncipe, assim como o faraó, jamais poderia deixar seus cabelos serem vistos pelo povo, embora pudesse fazer isso na intimidade. O nemés nada mais era que um adorno listrado enfeitado na parte da frente com a serpente protetora dos faraós, embora no caso do irmão gêmeo de Saga, ele levasse apenas o arco e não a serpente, símbolo do poder que pertencia apenas ao Deus na terra – Saga, o faraó.

O dançarino observou o corpo forte, coberto pelo saiote de linho branco curto, os braços ornados pelos dois braceletes de ouro com serpentes talhadas, o peito definido desnudo, a pele amorenada brilhante pelos raios de luar que entrava. Não podia negar que o Nomarca era um homem atraente. Além do belo corpo, o rosto másculo era adornado por lindos olhos verdes e sobrancelhas negras espessas e muito bem desenhadas. O Khol negro que ele usava ao redor dos olhos evidenciava ainda mais os traços harmoniosos e o tornava irresistível... Mas não para Shaka, o belo consorte do deus na terra.

O loiro bateu as mãos, pedindo para que os músicos saíssem enquanto pegava um lenço e enxugava rosto e corpo.

— O que queres, Kanon? — perguntou calmamente. — Ficarás parado me olhando até quando? Não sabes que teu irmão não gosta que entres aqui? Nem mesmo que fales comigo?

— Estava admirando o presente do oriente... — ironizou o príncipe — Tu és mesmo uma tentação dançando, Shaka. Entendo porque os sacerdotes acreditam que Hathór e Hórus moram em teu corpo.

Shaka sorriu de lado com indiferença.

— Alguns dizem que eles não apenas moram...

Kanon riu de leve e o puxou para si com violência, prendendo a cintura delgada do persa e marcando sua pele com os dedos, fazendo Shaka gemer de leve.

— O que queres? — repetiu o dançarino, encarando-o em desafio.

— Você... — murmurou o príncipe, prestando especial atenção aos lábios pequenos e levemente carnudos, bem desenhados e macios do loiro. Era a boca mais bonita que ele já vira com certeza.

O jovem da Ária riu com ironia e desprezo.

— Não te atrevas! Se Saga souber que me tocaste, és um homem morto, alteza. — Ameaçou perigosamente.

Kanon segurou-lhe o queixo sem delicadeza.

— Contarás a ele então? Aliás, por que nunca contaste sobre meu assédio?

O loiro empurrou-lhe a mão e se afastou.

— Porque isso ainda não me pareceu interessante... — declarou — Mas não abuse da minha paciência...

Kanon voltou a puxá-lo para si e o beijou, prendendo o corpo menor de um modo que Shaka não conseguisse fugir. O beijo era tão intenso que machucava os lábios do dançarino, mas ele não sentia nada, nem uma única gota de desejo brotava em si. Na verdade, considerava-se inapto para isso há muito tempo. Há aproximadamente dois anos, utilizava-se apenas do ardil, da dissimulação e da mentira para sobreviver e agradar seu senhor, o faraó.

Deixou que o príncipe o beijasse até sentir a ereção dele pressionando contra a sua barriga, então o empurrou delicadamente e mesmo não querendo, sorriu com charme.

— Chega, alteza, acho que já tiveste o suficiente hoje não?

— Do que tu és feito, Shaka? Acaso é água que corre em tuas veias? — indagou o nobre ofegante, ainda próximo ao dançarino.

— Sabeis o que corre em minhas veias e o que se passa em minha mente, caro nomarca — respondeu o loiro. — Ambição. E no dia que conseguires me dar o que eu quero, estarei pronto para satisfazê-lo, mas até lá, mantenhas tuas mãos longe do que pertence ao faraó.

Kanon mordeu o lábio inferior e respirou fundo, tentando controlar a excitação frustrada. O Nomarca encarou o sorriso do dançarino. Há anos tentava vencer a resistência de Shaka, há anos o cobiçava e tencionava levá-lo para o seu palácio, mas claro que o ambicioso bailarino não trocaria o todo poderoso faraó Saga, representante direto de Hórus, por ele, e isso demolia o orgulho do gêmeo mais moço.

— Ainda serás meu, Shaka.

O loiro se aproximou dele e seus olhos de estrelas brilharam enquanto ele sussurrava:

— Sim, no dia em que possuíres mais poder que Saga... — falou bem devagar e sensualmente, roçando de leve os lábios nos de Kanon — Pois creia, alteza, ainda não possuis, então... até lá, contente-se com beijos roubados.

O mais velho segurou forte o braço do dançarino, fazendo-o gemer de leve, mas ainda sorrir com ironia.

— Um dia eu provarei que sou melhor que ele, e nesse dia eu o levarei para Nekhen e farei de ti um eunuco...

Shaka riu alto se libertando do braço dele.

— Eu só deixarei Men-Nenfer para ser livre.

Kanon crispou os punhos e seus olhos cravaram-se no bracelete de cobre que o loiro levava preso ao braço, algo que acabava chamando atenção ao lado dos demais braceletes de ouro. Era em forma de uma cobra negra, cuja cauda e cabeça eram feitas de pequenas pedras negras, numa superfície de prata e possuía olhos de esmeraldas.

— Por que não tiras esta porcaria do braço? Destoa das jóias que o meu irmão tão generosamente o presenteia, é quase uma ofensa! — sondou curioso.

Shaka mirou o Nomarca e depois o bracelete, levando a mão até ele.

— Esta é a única lembrança de um período da minha vida em que fui realmente livre — falou quase num sussurro, sentindo a dor voltar a consumi-lo — Agora saia, alteza, preciso descansar.

— Passarei a semana em Mênfis, é bom que saiba.

— Tua presença não me incomoda.

— Fico feliz com isso, Durrdana (pérola). — Falou Kanon, afastando-se.

Shaka o observou se afastar até que seus passos não fossem mais ouvidos, então caminhou para a sala de banhos, que era exclusivamente sua, em seu enorme e luxuoso quarto. No dia seguinte, haveria visitantes no castelo e sabia que por isso Saga o deixaria descansar aquela noite, pois precisaria estar em sua melhor forma para dançar e encantar seus convivas.

“Hórus e Hathór moram em meu corpo e por isso sou sagrado...”

Murmurou, querendo se convencer dessa verdade. Mas muitas vezes, tinha vontade de gritar. O Egito não passava pra si de uma gaiola de ouro onde vivia prisioneiro de deuses e crenças e de onde sabia que era quase impossível escapar. Por isso, preferia se manter alegre com a vida que levava, não era uma vida ruim, tinha prestígio, era quase venerado, mas o vazio que ficou em sua alma parecia que nunca teria fim.

Entrou na banheira de pedra perfumada por mel e leite de cabra, que tinham o objetivo de manter sua pele sempre jovem e sedosa, como o faraó gostava. Ficou nessa infusão por alguns minutos, seguindo depois para outra banheira com água, para finalmente depois mergulhar na última em que a água era misturada a óleos aromáticos. Nessa, permitiu-se relaxar, fechar os olhos e sonhar um pouco com momentos de sua vida passada...

Jamila soube de imediato à chegada a Karna, que o príncipe tamudaei era um aliado e não um inimigo, pois foi capaz de poupar Shaka, um garoto, mesmo sendo enganado por ele. A cortesã desenvolveu imediatamente um carinho genuíno pelo garoto agreste que nunca sorria.

A fortaleza do clã das Serpentes negras era escura, fria e militarizada, mas assim que chegou, as mulheres persas conseguiram levar um pouco de colorido ao harém de Omã, o que muito agradou o rei e fez com que ele resolvesse vender a maioria das concubinas antigas. Algo triste de se ver, mas ao qual o árabe fez sem nenhum escrúpulo.

A beleza e a vivacidade da mulher persa contrastavam evidentemente com as mulheres árabes e a competitividade entre elas não demoraria a se acirrar. Jamila sabia que precisava de uma estratégia que fosse capaz de salvar-lhe a vida e a de Shaka, pois algumas das mulheres que permaneceram tramavam contra eles.

Fazia já algum tempo que ele estava entre os tamudaeis. A guerra continuava e muitas vezes o clã se ausentava por semanas. Esse era um período sombrio para Jamila, período em que ela quase não dormia, preocupada com um possível atentado vindo das outras concubinas de Omã. Aliadas à grande esposa, que invejava a beleza e a juventude das mulheres persas, elas tramavam a morte, principalmente de Jamila e Shaka, sua protegida.

Quando o clã da serpente negra retornava a Karna, aconteciam as festas regadas à dádiva de Hassan. Mas os homens ficavam longe do harém e se divertiam apenas com escravas adquiridas recentemente. O harém era exclusivo de Omã e sua família e nenhum homem poderia adentrar seus domínios sem autorização. Em Karna, longe da selvageria da guerra, Omã se tornava menos cruel e protegia suas mulheres. Naquele momento, o grande emir tamudaei estava separado da primeira esposa. Zahira continuava sendo a detentora do posto, mas estava separada do líder e ocupava outra acomodação no castelo. Zahira não era a mãe de Ikki, que morrera alguns anos antes. A nova esposa nunca conseguiu dar filhos a Omã, por isso, a separação se fazia tão necessária ao líder tamudaei. Era como se, ao rechaçar a esposa, ele dissesse ao seu povo que a mulher era a culpada pela falta de filhos e não ele. Entretanto, o rei também não conseguia engravidar nenhuma das concubinas, o que o deixava nervoso, e um homem como Omã nervoso, era sempre perigoso para quem estivesse por perto.

Percebendo o que ocorria no clã das serpentes negras, a astuta Jamila resolveu agir. A bela mulher, precisava garantir sua sobrevivência e de Shaka. Sabia que o tempo do príncipe como concubina do filho do rei era breve, logo sua identidade seria revelada e ele seria morto, e isso, ela não poderia permitir.

Karna era um lugar quente, árido, onde um vento furioso estava sempre a soprar pelos corredores escuros da fortaleza e tempestades de areia varriam muitas vilas do mapa. Uma terra sem lazer, onde o único canto era o dos ritos religiosos e não havia prazer na dança ou na música. A bela persa resolveu que essa era sua maior arma contra aqueles homens crus e que a forma de domar O Chacal, era prendê-lo de forma aliciante às suas curvas sinuosas e à sua vagina. Essa era a única arma das mulheres naquele tempo de sombras.

A noite era quente e o corpo de Jamila também. Ela fez as contas que lhe permitiu saber que estava fértil. O rei Chacal descansava oprimido em seu trono quando a mulher apareceu, vestida numa saia dourada, tendo o busto coberto por uma peça pequena bordada, deixando a barriga lisa e formosa completamente nua. O rosto, que geralmente vivia coberto por uma máscara preta que deixava visível apenas os olhos, estava nu.

O Chacal sentiu o corpo quente e a boca seca ao mirar os lábios rubros e carnudos e os belos olhos castanhos agateado por pintura que os deixavam ainda maiores.

— Por que vem a mim, mulher? — ele indagou, confuso, mas não aviltado como deveria ficar ao ver uma de suas concubinas fora do harém sem sua permissão.

— Sinto que o senhor sofre e vir dar-te um tanto de prazer. Deixe-me dançar para alegrá-lo.

— Dançar para me alegrar? — o homem riu, incrédulo. — Como pode algo tão frívolo e imbecil me alegrar? Saia antes que eu mande matá-la por tal audácia!

Jamila ignorou o que Omã disse e começou a dançar mesmo sem música; com sua sensualidade única, movendo os quadris e ondulando a barriga de forma insinuante, ela foi derrubando as defesas do Chacal.

Omã ficou estático, mirando com adoração cada movimento opulento da bela mulher de estranho tom de cabelos. O sanguinário rei estava fascinado e não resistiu a tomá-la naquela noite. Apesar de um coito rude e sem nenhuma espécie de carinho, a mulher persa ficou satisfeita. No dia seguinte, ela ganhava um quarto apenas para si ao lado do harém e nele, pôde manter Shaka em segurança até o tempo em que conseguisse tirá-lo daquele lugar.

Os dias passavam devagar para Shaka, quando ele era obrigado a ficar no harém, cercado de mulheres. Mas Jamila conseguira salvar alguns dos seus pergaminhos e livros antes de eles serem queimados pelos tamudaeis. Então ele lia tudo que achava com apetite e felicidade. Refugiava-se no quarto da bela concubina, local em que podia ser menino sem que ninguém o percebesse, lugar também em que se livrava da horrenda máscara negra que o sufocava.

A jovem e bela concubina também lhe fez o favor de providenciar roupas apropriadas. Ele agora usava uma túnica longa, que chegava até os calcanhares e quando o rei Omã questionou suas vestimentas, a astuta mulher respondeu que Shaka ainda era uma criança, pois não tivera “regras” e deveria se vestir como uma criança.

O rei, ao saber disso, ficara confuso. Na tradição tamudeia uma menina passava a ser mulher aos 12 anos, após a chegada das regras; não entendia como aquela mocinha persa, aos 14, ainda não as possuísse — devia ser doente – ele pensava.

— Se tivesses me dito isso antes, eu evitaria que Ikki a tomasse! — reclamou o rei. — Mesmo para nós que sei que consideras selvagens, crianças não devem ser violadas!

Jamila franziu as sobrancelhas. Omã era um homem de comportamento muito estranho.

— Sim, meu senhor, mas eu tentei dizer que ela era apenas uma criança — ela explicou respeitosamente, com o olhar baixo e submisso, contudo percebendo o quanto Omã examinava Shaka. Aquilo fazia o sangue da mulher gelar. Sabia que o menino era muito bonito, muito bonito, sim, e logo deixaria de ser menino, tornando-se um rapazinho. O que seria dele se não fugisse logo?

— Meu senhor? — ela chamou o rei, que a mirou com seu olhar selvagem.

— Fale, mulher.

— Entre meu povo há o costume de acender velas aos deuses. Peço humildemente que permita que eu acenda velas à noite, para rezar por boa sorte para o clã.

Omã riu alto.

— Rezar por nós que massacramos tudo que tu amavas? — indagou com ironia.

— Eu era apenas uma escrava estrangeira, meu senhor, nada amava em Najah — mentiu Jamila, sentindo o peito doer.”Perdoe-me Sohan por violar tua memória, mas é pelo bem do teu filho. Já que não pude proteger o nosso filho, que consiga agora proteger o teu.”

— Mandarei providenciar as velas — disse Omã que embora não quisesse admitir, já estava completamente seduzido por Jamila.

Naquela noite de lua, a cortesã daria seu grande golpe contra o líder tamudaei.

Assim que Omã deixou o quarto, Shaka saiu de onde estava e se aproximou de Jamila. Ele fora instruído pela mulher a manter-se sempre longe do rei.

— Jamila, posso sair? — ele pediu.

— É perigoso que fiques andando sozinho pelo palácio. Onde está o príncipe?

— Está na arena de treinamento — respondeu Shaka. — Algum problema, Jamila?

— Não, mas preciso falar com ele. Se acaso eu não estiver aqui, peça para que me espere. Quando eu voltar dos aposentos do rei, acertaremos o preparativo para tua fuga. A partir de agora, o nosso código de comunicação será uma vela acesa próximo à porta, Shaka, certo? Quando não vires a vela, é sinal de que Omã está por perto e quero que te mantenhas distante. Tudo bem?

Shaka assentiu com a cabeça, mas sentiu algo estranho.

— Jamila...

— Fale, Nur — ela pediu, um pouco impaciente.

— Posso ir lá fora? Estou cansado de ficar trancado aqui dentro.

Jamila suspirou.

— Não, não pode. Contente-se com teus escritos e espere pela volta do príncipe à noite. Eu agora preciso ir ao harém, falar com as meninas. Fique em meu quarto lendo.

A mulher lhe deu as costas e deixou-o no meio do corredor. Só que Jamila esquecia que, como bem frisou, Shaka era uma criança, e crianças fazem travessuras. Assim que o corpo sinuoso da cortesã sumiu do seu campo de visão, ele saiu correndo pelo castelo, em direção ao pátio.

Naquela época, as mulheres do harém de Omã andavam com os rostos completamente cobertos com uma máscara negra que deixava apenas os olhos visíveis. Mas Shaka não usava naquele momento. E andava pelo castelo como um menino livre. Também não usava joias ou pinturas, comportando-se como o garoto que era em Najah. Todavia, a sua beleza chamava atenção de todos quanto o vissem, e a desculpa de que ele ainda era uma criança logo não seria suficiente. Isso preocupava Jamila e também a Ikki. Ambos se afligiam, pensando numa forma de tirá-lo dali e não encontrando muitos recursos.

As duas espadas curvas que o príncipe usava tilintaram no ar em um X e sua poderosa perna empurrou o terceiro guerreiro a ir ao chão.

— Junta de incapazes! É assim que querem conquistar a Arábia, seus imprestáveis?! — ralhou o adolescente contra os guerreiros que gemiam na areia vermelha e quente da arena tamudeia.

— Ikki!

Ele voltou-se e viu o ariano parado na entrada do castelo. Soltou as espadas e caminhou até ele. Shaka ficou admirando o corpo forte e suado coberto pela calça folgada negra, assim como os cabelos que eram cobertos por uma espécie de lenço da mesma cor, mas que deixavam escapar os fios negros que se grudavam à testa suada. O corpo do príncipe possuía alguns respingos do sangue dos adversários, e ele estava ofegante.

“Mesmo assim, eu o achei lindo, mesmo não entendendo o motivo. Na verdade, meus motivos eram apenas infantis!”

Shaka estava sentado no jardim do seu quarto, dedilhando a cítara, enquanto contava mais uma parte da sua história ao príncipe Mu. Desde que chegou ao Egito, tornara-se amigo do jovem destinado a se tornar faraó. Mu era o único filho homem de Saga e, embora muito jovem, já mantinha uma rotina dura de herdeiro. Ainda assim, sempre que podia, ele refugiava-se naquele jardim para escutar as histórias do dançarino. Era um rapaz curioso, que sonhava com grandes viagens e paisagens exóticas. O persa, a despeito da sua condição de escravo, era um homem culto e versado na arte da oratória e da escrita, por isso, Saga não fazia objeções ao contato entre eles, embora o limitasse por questões hierárquicas e sentimentais.

Shaka sentia um carinho sincero pelo rapaz. Apesar de ter jurado a si mesmo que nunca mais amaria ninguém, a empatia com o jovem egípcio foi assustadora. Inicialmente, ele tentou lutar contra o que sentia, mas Mu possuía um temperamento tão meigo e cativante que o belo cortesão não conseguiu resistir; embora mantivesse uma distância estóica de qualquer sentimento que o afastasse da sua missão.

— Ele deveria ser um garoto muito forte, não? — indagou o príncipe egípcio. — Como Aiolia?

Shaka perscrustou o rosto do rapaz com um olhar sagaz que fez Mu corar.

— Gostas do soldado Aiolia?

— Não! — o príncipe riu nervoso. — Aquele idiota é... é apenas meu amigo, eu o conheço desde que nasci... Não posso...

— Sim, não pode. Tu serás o faraó e não deves ter envolvimentos emocionais com pessoas fora do teu ciclo.

— Eu sei — murmurou Mu baixando o olhar. — Ele é mesmo somente meu amigo, Shaka, não te preocupes.

— Melhor assim, Mu. Não deixes que os sentimentos façam de ti um tolo, como fizeram comigo...

— Por que diz isso? Arrepende-te de ter amado o príncipe árabe?

Os olhos do dançarino brilharam tão intensamente que o mais novo calou-se fascinado.

— Arrepender-me? Arrepender-me da única coisa que me torna vivo e que mantém em mim algo de humano? — indagou, indignado. — Não sabes o que é ser um escravo, príncipe Mu, não sabes o que é ter tua vida nas mãos de outras pessoas sem que possas fazer nada para mudar a situação .

— Eu sei que deve ser horrível — falou Mu, condoído — E se houvesse uma forma de livrá-lo disso, meu amigo, eu o faria. Mas sei que o faraó nunca me ouvirá, meu pai gosta muito de ti...

“Gosta como gosta de um belo objeto que enfeita sua cama e lhe dar prazer”. Shaka pensou, mas apenas sorriu falsamente, concordando com o príncipe.

— Acho que chegou a hora dos teus estudos, alteza.

Mu se ergueu. Compreendia muito bem quando Shaka queria livrar-se de sua companhia.

— Certo. Até amanhã, Shaka! — sorriu o garoto, e saiu.

“Estúpido. Tão bondoso que beira a imbecilidade!”, resmungou o rapaz ária e sorriu com as palavras de Mu. Um vento gélido adentrou o jardim, e ele abraçou o torso desnudo, sentindo frio, algo muito raro no Egito. Então, voltou a se recordar daquela tarde quente do passado...

Ele olhou o corpo forte de Ikki com atenção quando o príncipe tamudaei se aproximou.

— O que foi? O que vieste fazer aqui? — indagou o árabe com impaciência, encarando os olhos expressivos do garoto.

— Tu és bonito — falou Shaka com um sorriso, e o moreno, mesmo sem saber o motivo, corou sem jeito.

— Bonito? Não, bonito és tu! Eu não preciso ser bonito! — respondeu selvagemente incomodado, voltando a caminhar em direção à arena, porque estava sem jeito e não sabia como agir.

— Mas você é! Eu quero ficar igual a você! — continuou Shaka o seguindo, dispensando a ele uma linguagem menos formal.

— Igual a mim? — Ikki não entendeu.

— Sim! Alto, forte! Estou cansado de ser confundido com uma menina! — ele disse e o príncipe parou e o encarou irritado.

— Se ficares igual a mim, teu disfarce e tua vida acabam — ele falou. — Então o melhor é que fique raquítico e pequeno até conseguir sair daqui!

Shaka emburrou, cruzou os braços irritado. — Eu não quero ser raquítico e pequeno para sempre! Eu sou mais velho que você!

— Cala essa boca e volta ao castelo. Não quero vê-lo mais aqui fora — demandou Ikki, voltando a andar em direção à arena.

Shaka não o seguiu, mas também não voltou ao castelo. Sentou-se numa pedra e ficou observando os homens duelarem sob o sol quente e a areia escaldante e estranhamente avermelhada. Só percebeu o tempo que se passou quando observou o horizonte vermelho. Estava distraído quando a voz autoritária e cruel falou ao seu ouvido e uma mão forte o puxou para cima pelos cabelos, fazendo-o gritar de dor.

— O que faz aqui fora?! — Omã grunhiu como uma besta selvagem, os olhos enfurecidos mirando o rosto de Shaka. — Por que está sem a máscara?! Nenhuma mulher que pertence ao clã das Serpentes negras deve andar sem a máscara!

Shaka tentava se libertar, segurando a mão que prendia seus cabelos, mas sem conseguir.

— Eu... Eu só estava olhando! — gemeu, seus olhos enchendo-se de lágrimas pela dor que sentia no couro cabeludo. — Solte-me!

— Ah, mulher estúpida, vou ensiná-la a não infringir nossas leis!

— Solte-me! — Shaka se debateu, sendo arrastado por Omã para dentro do castelo — Ikki!!!! — ele gritou,, chamando a atenção do príncipe que imediatamente abandonou a arena ainda com as duas espadas nas mãos.

— Solte-a , meu rei! — ele gritou de forma autoritária, e Omã parou o percurso e se virou para encarar o filho.

Soltou Shaka com violência, fazendo o garoto cair sobre a areia vermelha e chegou tão perto de Ikki que o árabe mais jovem sentiu o hálito dele na face.

— Podes me explicar por que tua escrava está infringindo as leis do clã? — ele perguntou de maneira fria e perigosa. — Não me digas que foste tu quem a autorizou a estar aqui, sem máscara? Porque se isso for verdade, eu terei que punir a ti e não a ela.

Os olhos de Ikki se prenderam aos apavorados de Shaka, que respirava forte ainda caído ao chão.

— Sim, fui eu... — murmurou o árabe mais jovem. Já havia sido punido outras vezes e sabia que suportaria por mais furioso que Omã estivesse.

— As regras da Serpente negra são para todos, meu filho. Então, prepare-te para o açoite!

O rei deu as costas ao príncipe e voltou ao castelo a passos decididos, antes, lançando um olhar de desprezo a Shaka que se erguia lentamente.

— Você está bem? — Ikki perguntou, aproximando-se dele.

Shaka levou a mão ao couro cabeludo, massageando-o.

— Estou, só... ele quase arrancou meus cabelos! — disse, e Ikki sorriu e levou os dedos ao queixo do menino menor.

— Você é muito teimoso!

— Sim, sou. E agora tu serás punido por minha causa — falou o loirinho, os olhos cheios de remorso.

— Já fui punido outras vezes, não será uma punição tão dura, tenha certeza — replicou Ikki com tranquilidade, mas isso não pareceu convencer Shaka, e o príncipe não gostava de ver o amigo aborrecido. Já conseguia saber exatamente quando isso ocorria, porque o loiro franzia a testa a ponto da graciosa pintinha que ele possuía nela desaparecer entre os fios dourados dos cabelos. — Venha comigo, quero te mostrar um lugar...

Ele tomou a mão do loiro e o levou para o alto de um dos morros que cercavam a fortaleza de Karna. Dele, eles podiam ver com nitidez todo o deserto de o pôr-do-sol vermelho.

— Uma lenda antiga diz que a todo anoitecer, a deusa Kalalic chora lágrimas de sangue... — o moreno disse, sentando-se e vendo o loiro fazer o mesmo.

— O pôr-do-sol de Najah era alaranjado com nuances de rosas — falou Shaka, suspirando. – Sinto saudades...

Ikki fitou o olhar marejado do garoto. — Ei... — ele apertou a bochecha de Shaka, fazendo os olhos azuis se voltarem para ele. — Não chores. Não quero mais te ver chorar...

— Eu... — Shaka não queria chorar, mas ainda era duro a falta que sentia da sua família e conviver em meio tão rude. Queria ser forte como Ikki para não chorar nunca. — Ensine-me a ser forte como você?

O moreno sorriu e apertou novamente a bochecha rosada do ariano.

— Não quero que sejas como eu. Não foste feito para matar, Shaka.

— Mas se eu soubesse matar, se eu fosse forte como você... Talvez minha mãe estivesse viva.

— Não estaria, Nur. A culpa não foi tua.

Shaka se calou e desviou o olhar para o pôr-do-sol avermelhado da Arábia. Aos poucos, ele foi se aproximando do corpo forte do moreno até pousar seu rosto no ombro dele.

— Ikki, tu e Jamila são meus únicos amigos. Eu gosto de ti. Amo-te.

O coração do moreno bateu forte...

“Não sabia por que me sentia daquela forma inédita, mas era como se, pela primeira vez, houvesse algo quente em mim, que fosse capaz de me salvar de todo o passado, de uma vida inteira de violência. Algo capaz de transformar a vida de um homem como eu.”

O mercenário mirou o beduíno que só o observava com os olhos rasos de tristeza. Então ele mergulhou novamente no relato do seu passado...

Ikki não respondeu, simplesmente passou o braço sobre os ombros de Shaka e encostou o nariz na pele macia da bochecha do loiro, aspirando seu cheiro e fazendo o único carinho que conhecia ao deslizar seu nariz por rosto e pescoço dele.

Shaka deixou-se acariciar por ele e envolveu-lhe o pescoço num abraço terno. Eles ficaram dessa forma por um longo tempo, até que soldados se aproximaram chamando pelo nome do príncipe. Ikki já esperava, então e se ergueu, sendo acompanhado por Shaka.

— Volte para o castelo — ele ordenou, e os olhos do loiro demonstraram todo seu desespero.

— Não! Não podes ser castigado por minha causa! Eu vou em teu lugar!

— Você, não — sorriu Ikki. — Vá, agora! Obedeça-me.

O escravo ainda hesitou, mas foi conduzido por um dos guardas de volta ao castelo. Ikki seguiria para a área dos castigos.

— Ikki! — Shaka chamou antes de ele seguir. O príncipe parou e o encarou. O loirinho se aproximou muito rápido dele e encostou seus lábios no rosto do moreno, se afastando em seguida.

— O que fez? — interrogou o árabe, confuso.

— Dei-te um beijo de boa sorte!

O loiro voltou correndo para dentro do castelo, e o príncipe tamudaei seguiu para o ádito dos castigos, onde levou 20 golpes de vara por ter desobedecido a uma ordem do clã.

Quando voltou ao seu quarto e após se banhar e vestir-se numa túnica negra longa, o jovem moreno deitou-se na cama e exigiu que um servo lhe levasse Shaka. O loiro correu até ele quando adentrou o quarto iluminado por longos e vivazes archotes.

— Ikki, você está bem? Está muito machucado? — ele perguntava com visível preocupação, tocando os braços fortes do menino moreno.

— Estou bem, mas...

— Mas? — indagou Shaka, aflito. — Algo que eu possa fazer?

— Sim — respondeu o moreninho e sorriu sapeca — Eu... Eu quero outro beijo...

Shaka riu feliz e tratou de encher seu grande amigo de estalados beijos na bochecha.

A Serpente e a Estrela

الثعبان والنجوم

Notas finais
ALGUMAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: 1 - LINGUAGEM: Não quero escrever a fic com uma linguagem excessivamente rebuscada, por isso, em alguns momentos eu utilizo o "você" em fez do "tu". pois considero que a frase se torna mais fluída. Tentei a mesma frase com o "tu" e por algum motivo a sonoridade não me agradou, então eu mudei. Isso pode ocasionar também a famigerada MISTURA DE TRATAMENTOS, tão condenada por nossa gramática normativa. Tenterei evitar o máximo, mas quando a sonoridade da frase exigir, pedirei licença a nossa amada gramática e farei também. 2- O processo de banho do Shaka era o processo pelo qual passava as cortesãs dos reis e me inspirei nele. Os egipcíos eram extremamente vaidosos e limpos. Espero que tenham gostado. Acessem o blog, neles estão todas as informações necessárias para a compreensão de alguns termos e também outras imagens.With, Kao, Mitchan Amamiya, Maya Amamiya, Franciane, Mililika, Pollymayfair, ddkcarolina, Hanajima, bondofflames, Sayuri, cici, Álefe, Vagabond, Bia Yuuji, Alone Chan, Koya.MUITO OBRIGADA! A todos vocês que leram e comentaram, OBRIGADA ESPECIAL a todos que recomendaram a historia. Fiquei realmente muito feliz!Beijos, pessoal e até mais! Sion Neblian