A resistência de Dorne
1 Capítulo 1 - Garth
Notas iniciais
Garth
O sol ardia forte como sempre. A luz da manhã aos poucos adentrava o bordel, incomodando os que dormiam bêbados com as suas cabeças apoiadas na mesa e chamando os cachorros sem dono a pedir comida para Lourdys. Já era uma rotina da qual Garth havia se acostumado. O sol aos poucos atingia o seu corpo em sua cama. Revirava-se no colchão procurando uma posição confortável mas o calor fazia a sua grande massa gorda suar e molhar a superfície, tornando insuportável permanecer ali.
Descendo as escadas, após colocar uma bota furada, uma calça, com dificuldade, e uma camiseta leve, os degraus velhos rangiam de encontro ao seu peso – era conhecido como “Barril” devido ao formato de seu corpo, moldado por infinitas cervejas – e assim acordava os dorminhocos restantes da noite anterior do bordel. Pegou um pouco de sua bebida preferida no pequeno bar e complementou seu café da manhã com pequenos pedaços de porco. Lembrou que hoje seria o funeral da Princesa Nymeria, e então refletiu sobre a sua estranha morte. Não conseguia acreditar que ela poderia ter sido assassinada de forma tão simples – envenenada pelas mãos da Casa Cantell, maior rival dos Redthorn... algo estranho havia ali. Garth começou a acordar os 3 bêbados da noite passada, que dormiam debruçados em 2 das 4 mesas de madeira redondas. E aos poucos os convenceu a beberem junto à ele – era muito bom nisso – e então começaram a conversar sobre a morte da princesa. Percebeu do que foi dito dos homens de ressaca, que a população ainda insistia em culpar o Príncipe Bartolomys pela morte dela. Alguns apontavam o vício dele em mascar erva vermelha como prova de que não podia ser confiável. Outros o acusavam de ter raiva dela por ser pouco fértil. Garth não conseguia acreditar nisso. Ele tinha um apreço enorme pelo Líder da Casa Redthorn desde que o mesmo poupara sua vida anos atrás e sabia que não seria capaz de qualquer envolvimento nessa fatalidade, afinal ele a amava intensamente – um deslize de planejamento? Talvez sim... mas um plano mal bolado não é algo de se esperar de um general de guerra bom como Bartolomys. Indagava questões com si mesmo, mas não avançava seu raciocínio.
Desistindo de imaginar conspirações, caminhou até o Salão das Velas, onde seria o local de início do funeral da princesa. Se juntou à multidão de camponeses e aldeões que se agrupavam para ver a cerimônia, afastada por guardas que protegiam o caminho de saída do salão, onde moravam os nobres da Casa Redthorn. Pensou em tentar passar os guardas e ir junto aos nobres, que começavam a fazer sua caminhada conforme abriam-se as portas do grande salão, mas lembrou que apesar da proximidade que Garth possuía com Bartolomys, seria melhor manter-se junto afastado. Avistou seus 2 amigos, Ragnar Sand e Mukyf “Quebra-ossos”, dois enormes guerreiros de 2,10 e 2,20 metros de altura respectivamente. O primeiro impunha medo, afastava todos de perto com seu escudo de corpo de 1,5 metros e o seu mangual no lado direito do corpo, permanecendo sério e sem emoções mesmo frente à uma tristeza generalizada, e o segundo, procurando uma chance para oferecer seus serviços ao príncipe Redthorn, intimidava a todos mesmo desarmado. Os três se reverenciaram mas permaneceram quietos conforme o funeral continuava.
Na frente alguns guerreiros lideravam a procissão, logo atrás deles 4 camponesas jogavam no chão pétalas de flores nas cores vermelho e azul (símbolos da Casa Redthorn), seguidas por Bartolomys que carregava sua filha, Tanda, de 1 ano de idade no colo, e a seu lado sua prima Alayne Redthorn, com seu marido Gregor e sua filha Nyra, e as irmãs de Nymeria: Myra e Osha, atrás deles vinham 4 servos carregando uma maca com o corpo da princesa, de barriga para cima deitada sobre véus e segurando duas flores, uma anil e a outra rubra. Outros nobres da Casa vinham depois, seguidos de bardos e uma cantora que tocavam uma fúnebre canção, e terminando a procissão vinham guerreiros protegendo a retaguarda. Os guardas que protegiam a entrada do salão agora protegiam as laterais da comitiva. Garth, seus dois amigos e a plebe caminhavam juntos ao o ritual.
Lembranças da princesa vinham à mente de “Barril”. Ela sempre fora amada por todos de Yronwood – era uma verdadeira líder, que inspirava grande confiança. Sua sombra agora pairava sobre todos, trazendo um ar deprimido aos ali presentes. Cada pétala que as camponesas jogavam sobre o chão representava uma lágrima que caía em meio ao pequeno grupo de pessoas. Encerrando seu percurso na chamada “Floresta dos cactos”, próxima ao Mar de Dorne e ao porto, o corpo dela foi deitado no chão, os nobres se posicionaram ao lado do septão de Dorne, que abria algumas notas e começava o seu discurso:
— “Não podemos negar o destino que espera todos nós. Mas é o que fazemos em vida que define como será nosso encontro com os 7. Nymeria Redthorn não poderia ser mais bem sucedida nessa missão. Pela sua carisma e charme, tornou-se um ídolo em vida. Pela sua consistência e perseverança com sua Casa, torna-se uma heroína em sua morte. Por seu amor à família e aos seus cidadãos, torna-se eternizada em sua filha Tanda. Que o Pai a julgue com sabedoria. Que a Mãe a abençoe pela mãe que foi no pouco tempo que exerceu sua função. Que o Guerreiro a empreste força no caminho aos Deuses. Que o Artífice cunhe suas asas aos céus com vigor. Que a Anciã lhe dê sabedoria. Que a Donzela proteja a linda menina que aqui deixou. Que o Estrangeiro a recompense pelo que fez em vida. Que os 7 estejam com você, Nymeria Redthorn.”
Garth se deixava tocar pelo discurso. Sob efeito do vinho que tomava de seu odre, deixava escorrer lágrimas de lembrança da princesa, da grande mulher que fora, e que agora criava um mar de dúvidas em tantas frentes. Como morrera? A quem culpar? Como Bartolomys reagiria? A Guerra contra os Cantell vinha acontecendo há tempos, seria a hora de um golpe final preenchido de raiva? Lembrando da perseverança e confiança dela, Garth secou suas lágrimas e disse a si mesmo baixinho “Nós resistimos”, lema da Casa Redthorn.
Servos cobriram o corpo com um grande véu preso por pedras nas suas pontas, e a cobriram com areia, colocando depois um pequeno saco com sementes de cacto em cima de sua cabeça. O ritual que já vinha sendo feito desde Aenald Redthorn, criador dessa Casa nobre, mostrava cada vez mais a resistência dessa família, que mantinha-se estável e unida a cada geração por vir. Cada cacto guardava um corpo. Cada corpo uma luta. Cada luta uma grande resistência. Tocando a todos com o lindo encerramento, a procissão iniciou seu caminho de volta ao Salão das Velas.
Conforme chegavam de onde partiram, quietos, apenas ao som dos bardos e da cantora, Garth avistava algumas pessoas, reunidas na entrada dos aposentos nobres arremessando tomates, legumes e pedaços de metal naqueles que retornavam do funeral. Berravam “ASSASSINO!”, “MORRA!”, “VÁ NO LUGAR DELA!”, confirmando os boatos que Garth havia ouvido: a população de fato culpava Bartolomys pela morte da princesa. “Barril” sentiu seu coração acelerar, o álcool tornava-lhe mais amigável, de forma que falava de volta aos protestos “Não façam isso! Vamos todos beber em homenagem à Nymeria! Resolvam isso depois...”. Enquanto isso, via os guardas ativamente protegendo toda a nobreza e a música sendo encerrado conforme todos tentavam se defender. Garth viu Ragnar protegendo Bartolomys ativamente com seu escudo e corpo, enquanto Mukyf mostrava que não era apenas seu rosto que intimidava os outros: a gigante massa de músculos foi, desarmada, até um dos manifestantes e, segurando-o pela camisa, o levantou à 50 centímetros do chão e o obrigou a respeitar o fim da cerimônia, intimidando-o de tal forma que todos os revoltosos deram alguns passos para trás. Sentindo o álcool lhe entorpecer, Garth deu risadas com o que viu. Alguns ousaram continuar gritando, demonstrando o fulgor do povo com a estranha morte da tão querida princesa – no entanto terminaram quando Ragnar e outros guardas voltaram de dentro do salão após garantir a segurança dos nobres. O gigante olhou para os protestantes com raiva e lhes disse, apontando para o seu escudo: “Quem sujou meu escudo de tomate?”. “Barril” não pode evitar rir, tirando um pouco do peso que o funeral havia gerado em seus ombros. Os guardas conseguiram, enfim, dispersar os protestantes.
O gordo ficou imaginando o que seria feito com essas pessoas que afrontaram o Príncipe Redthorn. São apenas servos e camponeses, a justiça chegaria à eles de alguma forma e em breve possivelmente – muito embora Bartolomys não possuía fama de ser cruel. Mas o fato é que aqueles sob o domínio dessa Casa nobre sempre lidaram diretamente com Nymeria. É um mistério o que vai acontecer daqui para frente, é um mistério. Já com dor de cabeça de tanto pensar, Garth seguiu para o bordel onde bebeu mais cervejas enquanto conversava com Lourdão, agora com seus 63 dias de seu nome e cafetina, mas que muitos anos antes o fizera um homem.
Pouco depois de acordar no dia seguinte, um homem familiar veio avisar Garth de que o Príncipe Redthorn estava o convocando para uma conversa. Lisonjeado, aceitou as ordens e instantaneamente seguiu o mensageiro até o Salão das Velas, onde encontrou Ragnar Sand e Mukyf “Quebra-Ossos”. Os três se entreolharam surpresos. Ragnar e “Barril” já eram amigos de longa data. O recém-chegado Mukyf não ficou para trás na amizade no entanto, integrando a dupla e formando um interessante trio, que aparentemente havia chamado a atenção de Bartolomys. "Barril" já sabia que sua habilidade de extrair informações de pessoas era valorizada pelo recém-viúvo. Quando jovem, o agora líder da Casa Redthorn teve a missão de dar um fim no gordo, que dava trabalho para a corte pois sabia segredos demais, mas os dois se embriagaram e o jovem acabou esquecendo da missão, sendo obrigado a lhe oferecer uma saída que o barrigudo aceitou: seus serviços como espião. Possivelmente esse era o motivo de ele estar sendo chamado ali agora. Alguma investigação relacionada à morte de Nymeria? Ansiava que sim.
Seguidos por guardas, os 3 amigos seguiram pelos corredores do salão, construído com pedras na cor de areia, ostentando diversas bandeiras — decoradas com faixas que alternavam as cores da Casa e com cactos verdes no meio — uma grande escadaria e duas outras menores auxiliares levando ao segundo andar, o antigo lugar, famoso por construir velas de barco, hoje protegia uma Casa Nobre. Mais um símbolo da resistência Redthorn. Os soldados então abriram uma porta de madeira marrom retangular, de 2,5 metros de altura e 3 metros de largura. No centro da sala havia uma grande mesa de pedras, com 8 cadeiras ao seu redor. No fundo da sala uma cortina tentava tampar o sol que trespassava o tecido, iluminando o local com uma luz amarela forte do amanhecer. Ao lado da mesa um belo quadro, de Bartolomys, Nymeria e sua recém nascida filha Tanda. O príncipe, em uma cadeira ao fundo da mesa, com o Castelão da Casa, Hugar Fowler, ao seu lado, acenou para que os guardas os deixassem a sós.
Bartolomys já possuía 45 dias de seu nome, pele queimada do sol, barbas e cabelos grandes na cor preta, olhos azuis e uma grande mistura de massa gorda com massa magra, ostentava lãs finas de grande valor, sempre com as cores de sua Casa. Sério, como Garth nunca havia o visto antes, visivelmente abalado pelos eventos recentes. Hugar, em pé e de braços cruzados, nunca inspirou confiança em “Barril” devido sua feição sombria, escondendo parte de seu rosto com seu cabelo preto liso. Os 3 convocados sentaram-se, pedindo licença e Garth se reverenciando ao príncipe – seus dois amigos pouco entendiam das etiquetas de ser um nobre. Sem os receber cordialmente, o que era comum ao príncipe, conhecido por ser carismático, ele começou a falar:
— “Nosso pedido de ataque aos Cantell, enviado à Casa Footly enquanto eu retornava com nossas tropas de choque da batalha, foi aceito. No entanto, Niclas Footly exige que tragamos a Casa Pine para o nosso lado antes. Ele concorda com o extermínio dos Cantell, mas acredita que os Pine podem ser úteis em um futuro próximo. Vocês estão encarregados de realizar essa missão. Saiam imediatamente para realiza-lá, prepararei nossas tropas enquanto isso”.
Garth se reverenciou conforme saía da sala e enquanto Ragnar e Mukyf o seguiam, ambos novamente esquecendo da formalidade, os três em silêncio devido ao clima pesado que havia entre as paredes daquele Salão. Após os guardas fecharem a enorme porta atrás deles, começaram seus preparativos para a viagem que duraria cerca de uma semana provavelmente. “Barril” estava um pouco nervoso, nunca havia recebido uma responsabilidade desse tamanho. Será que era algum jogo de Bartolomys? Tomou um gole de vinho deixando esses pensamentos de lado enquanto raciocinava o que deveria levar para a sua aventura diplomática.
Após dois dias, já no meio do deserto, Garth fazia vigia na tenda que haviam montado para passar o dia. Fizeram o trajeto desta forma: viajando de noite e descansando durante o dia. As dunas de Dorne eram rigorosas, o calor intenso durante o sol e o frio congelante durante a lua. Alternavam turnos de sono para se manterem seguros, pois provavelmente já estavam em território inimigo e vacilar ali não seria uma boa ideia. Olhou para seus dois amigos dentro da tenda e viu dois gigantes dormindo igual a dois bebês babões. Mukyf havia trocado seu turbante por uma espécie de casaco/elmo, feita da pele dos lobos selvagens que eles caçaram e comeram no dia anterior. Foi quando “Barril” notou que estava em boas mãos, já que os lobos com certeza eram uma grande ameaça ao gordo, mas a matilha dos 5 animais ficou assustada após alguns golpes do gigante, e dois deles conseguiram fugir ilesos. Encheu mais um odre de vinho no barril que trouxeram e tornou a beber, quando avistou algumas sombras no horizonte.
Fez uma aba com as mãos e se indagou “Quem vem lá?”, conforme sentia muito levemente uma tontura devido ao álcool. Aos poucos notou que soldados se aproximavam e, por precaução, acordou seus dois amigos os avisando do que viu. Ambos prepararam suas armas, Ragnar colocando seu couro rígido no corpo com auxilio do Mukyf e este optando por não vestir armaduras. Garth foi ao lado de fora da tenda para esperar quem vinha, pouco tempo depois percebeu que eram 5 guardas com lanças e escudos e atrás deles 5 arqueiros, todos usando vestimentas leves de pano nas cores branco e amarelo. “Barril” lembrou que essas cores eram da Casa Pine, comprovando que ele estava certo em temer que já estavam em território rival. Um dos soldados se aproximou e gritou à Barril:
— “Vocês estão em território inimigo. Se rendam e ninguém sairá machucado”
— “Território inimigo?”, retrucou Garth, “eu só estou viajando pelo deserto e procurando uma boa taverna para eu beber porque meu vinho não vai durar muito! Você se enganou meu caro”
Por alguns segundos Garth viu uma feição de confusão no olhar do soldado, que então olhou para trás conforme os demais guerreiros conversavam, até que um deles suspirou algo em seu ouvido, e então tornou a gritar:
— “Vou lhe dar mais uma chance, renda-se e ninguém se machucará”
— “Bom, já que você insiste”, disse Garth cruzando os braços conforme via, com o canto do olho, seus dois amigos preparados para o combate dentro da tenda, “que seja pela violência!”
O soldado que parecia ser o líder do bando gritou para que os outros 9 fizessem uma investida. O que o barrigudo deixou de pensar, talvez pelo efeito do vinho, é que ele era um alvo fácil para os arqueiros dali. Assim, enquanto os soldados avançavam, os arqueiros começaram seus disparos. Correu instantaneamente para trás da tenda para tentar se proteger. Tomou 5 flechadas no entanto. Duas passaram cortando sua pele, outras duas penetraram levemente através de seu couro rígido, e a ultima fincou com profundidade em sua panturrilha esquerda, fazendo com que ele tivesse de rastejar para dentro da barraca por trás. Foi quando ouviu um enorme estalo de ossos quebrando e, quando olhou de dentro da cabana para a saída dela, viu Mukyf terminando um golpe enquanto um soldado voava na direção de outros dois, de forma que os três caíram. Logo após, Ragnar saiu gritando “Surpresa!” conforme acertava seu mangual no peito de um dos homens que foram ao chão, jorrando sangue em todas as direções e o deixando irritado – ele odiava sujar suas roupas e armaduras. Como Garth havia pensado antes: ele estava bem protegido.
Saiu rastejando e depois mancando em busca de sua besta, ouvia diversos barulhos de batalha no lado de fora enquanto isso – aproveitou para tomar mais um gole de vinho. Puxou um pouco do pano para ver a situação e viu Ragnar segurando um dos soldados no alto e depois o trazendo até seu joelho, em uma tentativa quase bem sucedida de quebrar a sua costela; Mukyf correndo na direção do capitão com seu mangual e acertando um golpe debaixo para cima nele, de tal forma que o soldado desmaiou na hora, saindo alguns centímetros do ar e caindo de costas no chão — com certeza virara eunuco; os arqueiros deferiam mais golpes contra Mukyf e Ragnar, sendo bem sucedidos em alguns, mas a maioria parando nos escudos dos gigantes, na armadura, ou não causando danos o suficiente para que as duas massas de músculos reclamassem. Quatro dos dez soldados já haviam sido mortos, outros quatros fugiam, sobrando apenas dois arqueiros corajosos o suficiente para tentarem acertar Mukyf, que vinha correndo na direção deles com seu escudo e mangual. Garth havia pego sua besta e um dardo e saia da tenda mancando, tentando manter-se em pé, mirando em um dos soldados que fugia. Viu Mukyf largar suas armas logo antes de chegar aos arqueiros, pulando neles com seus punhos nos pescoços antes que eles conseguissem acertar mais uma flechada no gigante. "Barril" conseguiu fazer uma flecha passar raspando na perna do soldado fugitivo, mas não o suficiente para danificá-lo de alguma forma.
Após ouvir Mukyf gritar “Isso! Corram e contem ao seu comandante o que aconteceu aqui”, voltou para dentro da tenda e viu Ragnar arrastar o capitão para lá, seguido de Mukyf levando um dos arqueiros que acertara – o outro provavelmente havia morrido quando caiu de encontro ao chão. Jogaram o corpo do capitão desmaiado em um canto e começaram a conversar olhando para o arqueiro, que rastejava para trás de medo e gritava por clemência
— “Ora, ora, ora... se não é o filho da puta que me encheu de flechas”, disse Barril
— “Eu acho que ele te acertou duas, cadê o meu machado?”, respondeu Mukyf
— “Pegue o meu ali no canto”, respondeu Barril
— “Não lembro a última vez que havia matado alguém com uma lança”, disse Ragnar ensaguentado e jogando uma lança, que ele havia pegado de algum dos soldados, suja de sangue, no chão. “Acho que esse aqui virou um Eunuco. Um eunuco que não quer acordar”, disse dando risadas, “Bom, o que faremos com esses dois?”
Garth viu o medo no olhar do arqueiro — muito machucado do golpe que havia tomado e por ser arrastado na areia quente do deserto. Ouviu então o possível capitão da tropa deles gritar de dor – havia acordado, e finalmente descobrira o que havia acontecido com seu corpo. Sentindo novamente sua panturrilha doer muito, e tirando as outras duas flechas de seu peito, o barrigudo disse consigo mesmo: “Nós resistimos”.
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