A redenção de Nathalie
3 Uma nova chance para Marinette
Notas iniciais
No dia seguinte, após a aula, Marinette chegou em casa e foi surpreendida pelo aviso de sua mãe.
− Filha, você tem visita.
A menina se assustou ao se deparar com Nathalie sentada no sofá da sala. Seria algum problema com Adrien? Alguma reclamação de seu comportamento na mansão? Mas ela nem fez nada errado!
− Olá, Marinette. Eu preciso de uma ajuda e creio que você pode me socorrer.
− Claro! – respondeu solícita, − se eu puder...
− É um trabalho de costura. Será devidamente remunerado!
− Filha, leva a moça para seu quarto. Lá vocês conversarão melhor – propôs A Senhora Dupain-Cheng.
− Não, mãe. Aqui é mais espaçoso... e ventilado... e meu quarto tá meio bagunçado... não tem onde sentar... – Marinette se esforçava em arranjar uma desculpa para que Nathalie não subisse e visse as várias fotos de Adrien pelas paredes.
− Ok. Vou trazer um chá. – Sabine se retirou.
− No que posso ajudar?
− Bem, Adrien me disse que você é a garota mais talentosa e criativa que ele conhece. Foi ele quem me indicou você. E eu pude ver seu trabalho com o chapéu de penas. Muito bonito!
− O-o-o Adrien disse isso? – Marinette parecia nas nuvens. Teve que se esforçar para ouvir com atenção o resto das informações.
− Preciso de um colete masculino em linho, com forro em cetim. Mas o problema é que será um presente de Natal, e é surpresa, então a pessoa que irá ganhar não pode vir aqui tomar medidas, nem servir de modelo. Mas eu tenho as medidas dele anotadas. E eu mesma providencio os tecidos, os botões, as linhas, o que você precisar.
Marinette olhava Nathalie falando. Tão leve, nem parecia a mulher super séria que a recebeu na mansão. Ela pegou as medias, fez um desenho da peça, alguns cálculos e formulou uma lista de materiais. Modelo aprovado, acertos feitos, elas se despediram.
− Senhorita Nathalie, só preciso desse material o quanto antes, pois ainda tenho outro serviço de costura para antes do Natal – Marinette pensava no próprio presente para Adrien.
− Você o terá ainda hoje – prometeu. E poucas horas depois, Gorila entregou tudo que estava na lista.
Nathalie estava colocando em prática seu plano de redenção. Fez com que Marinette se sentisse elogiadada e reconhecida por Adrien. E daria em nome dela o colete para o modelo, como presente.
Marinette pôs-se a trabalhar no colete. Depois de cortar o tecido e ver o tamanho da peça, pensou consigo mesma “Caberia no Adrien. Será que ela quer dar o colete para o Adrien? Ah! Então precisa ficar perfeito!”. Com isso em mente, passou os dias trabalhando com esmero redobrado. Não foi difícil se inspirar, com tantas fotos do modelo por perto. Deu alguns toques extras e “voillá”, colete pronto com direito a lenço perfumado no bolso e uma linda caixa decorada – não incluída no acordo, mas como poderia ser para o Adrien, valia a pena. Ligou para Nathalie que, no dia seguinte, foi pessoalmente buscar o colete.
− Marinette, ele está lindo! Quantos detalhes! Se dissesse que é uma peça de Gabriel Agreste, ninguém duvidaria!
− Obrigada – agradeceu timidamente a garota.
− Mas... não tem sua assinatura!
− Tem sim. No lenço.
− Ok. Ótimo trabalho! Espero que um dia essa assinatura esteja nas grandes boutiques de Paris. Obrigada, querida.
Nathalie mal podia esperar para entregar o presente. E creditá-lo à pessoa certa dessa vez. Comprou um cartão de natal, com uma mensagem simples. Não queria fazer Marinette parecer desesperada, ou atirada. Não a conhecia bem, mas sabia que tratava-se de uma garota sensível, tímida demais para confessar seus sentimentos. Ela poderia corrigir seu erro e até dar um empurrãozinho nessa história de amor, mas não cabia a ela revelar os segredos da jovem.
Tudo pronto, só faltava entregar.
− Adrien – Nathalie bateu na porta do quarto do rapaz. – Tenho uma encomenda para você.
− Encomenda?
− Na verdade, parece mais um presente. Deixaram aqui enquanto você estava no banho.
O modelo recebeu sorrindo, abriu e tirou o colete da caixa. Olhou cada detalhe e ficou tão admirado. Até procurou um remetente, mas como não achou, então concluiu:
− Nathalie, diz a verdade, foi meu pai, não foi? Primeiro o cachecol, agora um colete para acompanhar. Ele não para de me surpreender. Não adianta esconder. Sei que foi ele!
Ai, e agora?
− Adrien, tem um cartão. Veja de quem é o presente.
− Cartão? Que cartão? Tem não. Mas meu pai nunca foi bom com as palavras mesmo. Vou lá agradecê-lo – E saiu correndo rumo ao escritório.
− Não, espera! Essa não. Onde foi parar o cartão? − Nathalie olhou para o chão, pelo caminho.
Enquanto isso, Adrien abria a porta do escritório do pai, animado.
− Que comportamento é esse, Adrien. Já disse que não gosto de ser interrompido. E quem te ensinou a entrar sem bater na porta?!
Mas antes de terminar de falar, o homem foi surpreendido com o filho o abraçando.
− Obrigado pelo presente, pai. Que surpresa boa!
− Que presente?
− Seu colete. Não esperava nem por algo comprado. Imagina feito pelo senhor!
− Deixe-me vê-lo.
Adrien vestiu o colete e se aproximou. Gabriel olhou cada costura, cada detalhe, alisou o tecido, sentiu o perfume, pegou o lenço e o abriu, analisou, dobrou e colocou de volta no bolso.
− Que bom que gostou. Vai ficar bonito com seu cachecol.
− Eu pensei o mesmo!
−Agora vá. E chame Nathalie para mim.
− Sim senhor!
Adrien saiu e fechou a porta sem fazer barulho. Ao seguir para o quarto, encontrou Nathalie ajoelhada, procurando algo atrás de um vaso de plantas.
− Nathalie, meu pai quer falar contigo.
Ela gelou. Como o chefe teria reagido? Estaria ela com problemas? Recompôs-se e foi ao encontro do homem.
− O senhor queria me ver?
− Nathalie, que ideia foi essa de dar um presente para Adrien em meu nome, fora de qualquer ocasião? Vai deixa-lo mimado.
− Senhor, eu preciso explicar. Eu...
− E de onde saiu aquele colete?
− Foi feito por uma jovem costureira, amiga do Adrien.
− A do chapéu de pena?
− Sim, senhor.
− Reconheci a assinatura. Quero que você a traga aqui o quanto antes.
− Sim senhor.
Quando já ia sair do escritório, Nathalie criou coragem, virou-se e disse:
− Adrien concluiu sozinho que era um presente seu, Senhor Agreste. Lhe foi entregue sem identificação, mas creio que era da própria menina Marinette para ele.
− Me diga, Nathalie, que intenções você acha que uma menina tem com meu filho, lhe dando presentes fora de ocasião?
− Ah, senhor... Na verdade, não foi fora de ocasião. Está chegando o Natal e...
− Não foi o que eu perguntei.
− Bem... Acho que ela tem afeição. Talvez admiração, carinho. São amigos de classe.
− Poderia ser algo mais?
Nathalie apena baixou o olhar, com se fosse cúmplice de um sentimento secreto. Sua postura dizia o suficiente.
− Pode ir, Nathalie. Traga Marinette, por favor. – Quando ela se virou, ele disse – Ah, e ainda não conte a Adrien de quem era o presente.
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