A redenção de Nathalie
5 Epílogo
Notas iniciais
− Senhor Agreste, o colete que fez para seu filho parece combinar com meu chapéu de penas!
− Boa decisão! Agora deixe-me voltar ao trabalho. Volte na segunda-feira. Nathalie, acompanhe a senhorita Marinette.
− Sim, senhor! – disseram as duas.
Do outro lado da porta, em silêncio e escondido, Adrien ouvia todo o diálogo. “Todos têm seu preço” não pôde deixar de pensar. Sentiu uma pontada de decepção com todos naquele escritório, mas principalmente com seu pai. Justo agora que sua relação com ele estava dando pequenos passos rumo ao estreitamento de laços. O evento do presente de aniversário rendera bons frutos na aproximação de pai e filho, em seu desenrolar. “Dessa vez a Marinette é cúmplice!”, pesava o pensamento em sua mente.
Mas até onde isso seria bom ou ruim? Marinette não levaria o crédito pelo presente, mas ganharia um estágio. E ela nunca foi de tirar vantagem, sempre foi muito justa, mas tinha uma oportunidade dos sonhos nas mãos, coisa que ninguém dispensaria. O pai, por sua vez, levaria indevidamente o crédito, mas estava oferecendo uma oportunidade a alguém, o que era uma boa ação rara.
Adrien esperou que a assistente e a colega de escola saíssem do escritório, sem ser visto. Então bateu na porta e entrou quando autorizado.
− Pai, o senhor ia mesmo deixar Marinette sem o crédito pelo colete?
− Claro que não, Adrien! Eu induziria Nathalie a te contar, independente da resposta da menina. Não deixaríamos passar esse engano, como quando descobrimos quem fez o cachecol. Concordamos em não desmentir Nathalie, mas não podemos manter mais mentiras – Gabriel e Adrien acenavam a cabeça em concordância. – Mas você não podia esperar, não é mesmo? Ouvir a conversa escondido? Que deselegante!
− Me desculpe – lamentou o loiro, ligeiramente envergonhado. – Mas a troco de que o senhor ofereceu um estágio para Marinette?
− Está me questionando, Adrien? Ou não confia no talento dela?
− Não é isso! Ela é ótima, já vi vários desenhos dela. Mas eu nunca o vi ter estagiários.
− Adrien, o trabalho nesse escritório não é por si só tão inspirador. Às vezes é necessário ter perto de nós pessoas que possam nos trazer novas ideias. E é gratificante a oportunidade de passar adiante algum conhecimento.
Adrien olhava o pai espantado, entre admiração e descrença.
− Eu não sou de pedra, Adrien. Tenho intuição, tenho sentimentos e, por vezes, preciso de inspiração. Eu vejo muito talento na Marinette. Um futuro promissor. Quero dar a ela a experiência e o incentivo que um dia tive de quem me orientou.
− Pai... – os olhos do loiro brilhavam e o sorriso não deixava seus lábios.
− Também vi que Marinette e eu temos algo em comum.
− O gosto por moda?
− Mais do que isso. Nossa fonte de inspiração é a mesma. – Gabriel Agreste sorriu e acariciou o rosto do filho, como quase nunca fazia.
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