A realidade ofuscante de uma mente sem esperança

2 Capitulo 2 - Alucinações de um mero mortal


Noventa e um dia antes

Shakyamuni foi um príncipe que viveu a mais de 2.500 anos atrás, que optou por abandonar todas suas riquezas em busca de respostas para os 4 sofrimentos da vida, e estas respostas ele chamou de iluminação, e sua filosofia se expandiu para o mundo todo e ficou conhecida como Budismo. E 2.500 anos depois, um homem, sentado em sua cama, lendo um livro sobre ele, ainda não compreendeu como cessar seu próprio sofrimento, enquanto todos os dias ele acordava as nove horas da manha para ir trabalhar e voltava rapidamente para sua casa onde já se ausentaria de novo para estudar leis.

Quando criança eu não tinha muitos amigos, por causa disso as funcionarias da creche onde eu estudava ficavam com pena e ir conversar comigo. Porem, o que nunca entenderam que eu nunca queria conversar com ninguém, nem com elas. Mais de 20 anos depois, eu continuava igual, sem muito papo e sem muitos amigos.

Enquanto eu ouvia musica, entrava uma aluna nova, onde rapidamente escolheu um lugar para se sentar, que por certa indiferença, sentou-se ao meu lado. Onde já sentava outro alguém que não se encontrava na sala.

—Este lugar esta vazio?. Perguntou ela, olhando para mim.

—Agora esta.

—Prazer, sou Luana, vim transferida de uma faculdade da Bahia.

—Legal, sou Eduardo. E fico em silencio. Simplesmente não sabia como reagir ou começar uma conversa em situações assim. Era sufocante ficar pensando no que falar, ou em que falar para tentar ser legal ou apenas gentil. E termino dizendo. -Bem vinda.

O professor chega, sempre com uma camisa social já desgastada, que fazia parecer que ele usava esta camisa desde que começou a dar aulas e nunca tirava. Uma barba sempre bem feita, e um sorriso que ninguém deseja ver. -Boa noite alunos.

Luana apenas vai até ele, entrega um bilhete informando sua transferência, e a aula prossegue normal. Nada igual nos filmes que o professor chama a aluna nova lá na frente e apresenta para turma. Apenas uma aula normal, com a única diferença que no final, a chamada encontrava-se com mais um aluna.

—Você pode me emprestar seu caderno para eu copiar a matéria que já foi passada até agora?

—Sem problemas. Por mais que eu diga que esteja sem problemas, na verdade havia vários, desde meus rabiscos de seres de outro mundo e até rabiscos com palavras "Me mate", "Alguém por favor me tira desta aula", mas ao ver isto, ela pareceu não se importar, e apenas pegou a matéria.

—Você desenha bem. Comenta ela, enquanto folhava o caderno a procura de mais desenhos, parecendo estar gostando de ver imagens de monstros e pessoas em situações estranhas, como com uma arma na cabeça ou com uma corda na mão.

—Obri...gado. E assim deixo o caderno com ela e vou para o intervalo, e ela apenas me segue.

—Sou nova por aqui. Comenta ela, enquanto senta no banco do meu lado, cruzando as pernas.

Ela usava um vestido que ia até os joelhos, sua pele era morena, cabelo escuro, usava um piercing na orelha. Volte e meio eu não conseguia evitar de olhar para suas pernas, pareciam estar pedindo para eu pegar nelas. Porem, nem bêbado eu teria coragem para fazer metade do que se passa na minha mente.

—Você pode gostar da cidade e da faculdade, as duas são pequenas, porem tem muito a oferecer, não chegamos ao ponto de ainda ter um cinema, mas só dar um pulo na cidade aqui do lado que tem um no shopping... você disse que veio da Bahia né? Como é a faculdade lá?.

—Na Bahia a faculdade era muito boa, a cidade incrível, porem, fiquei pouco tempo por lá, nem deu tempo que eu pegar o sotaque. Fala ela, enquanto da uma leve risadinha.

—Eu não saberia dizer seu sotaque mesmo vivendo lá na Bahia (risos), mas ouvi dizer que lá dizem "Há meu rei".

—Confirmo, lá é muito comum.

—Vamos voltar para sala, já vai começar a próxima aula, aqui só temos 10 minutos de intervalo.

—Claro. Ela se levanta, e começa me acompanhar para próxima sala.

Nos corredores eu pego o whats dela, e ficamos em silencio. Eu não sabia exatamente o que tava acontecendo, mas, sei que tinha mil pessoas mais sociáveis que eu ao qual ela poderia ser amiga. Será que foi apenas coincidência? Ela poderia ter sentado em qualquer lugar, mas, foi logo ao meu lado.

Naquela noite, eu a chamei no whats, e trocamos algumas mensagens.

E -Gostando da cidade?

L -É meio pequena.

E -Sim, porem tem muito a oferecer.

E- Posso te mostrar a cidade se quiser. Gosta de rock?

L -Escuto qualquer musica.

E -Você vai amar a banda a da cidade, eles vão tocar sábado agora.

O mundo é um lugar de infinitas possibilidades finitas. O universo expande estas possibilidades finitas para infinitas, mas, ao ver o universo como um grande deserto ocupado por rochas flutuantes. As infinitas possibilidades se tornam finitas novamente. E eu não sou uma pessoa que acredita em vida em outros planetas, ao menos, não vida inteligente.

Em algum lugar do universo

Décimo quarto encontro da confederação galática.

—Já fazem 3 anos desde o incidente de Sherwood e ainda temos pessoas sumidas.

—O grande perigo é se ele resolver voltar.

—Devemos armar uma equipe de busca nos planetas conhecidos, para evitar outro incidente, se for necessário, até mesmo a criação de uma tropa única de vigia.

—Vamos se acalmar antes de tomar medidas precipitadas.