A reabilitação
1 Liberdade ou começo de um desespero
Certa noite estava eu sentado à borda da praia, a brisa soprando em meus cabelos negros , quando de repente algo gelado me toca o braço, estremeci, com os olhos fechados e ouvidos atentos coloquei a mão por cima de algo que parecia uma mão: calejada, gelada, ossuda. Abri os olhos, estava com tantas marcas da reabilitação que imaginei um toque. Ri comigo mesmo e pensei como estaria agora se não tivesse me tratado. Mesmo que tentasse esquecer as lembranças, ainda não se apagavam da memória levantei-me depressa, pois já era tarde apesar de muitas pessoas andarem pela calçada. A fim de tornar aquela noite menos insuportável coloquei uma música clássica-era muito fã de MOZART — estava com fones de ouvido e fui caminhar à procura de um Restaurante 24 horas que abrira semanas passadas, comecei a correr como um tigre faminto, mas logo na parte crítica da música algo me puxou na perna e me fez cair. Desta vez sem medo olhei para baixo e vi uma senhora com vestido azul escuro que me lembrava da noite em que tudo aconteceu. Ela estava jogada em meus pés, o que fez meu coração disparar. Perguntei a mulher se algo de ruim acontecera com ela. O que ela me respondeu foi só um gemido baixo, acho que tinha dito algumas palavras como moça, olhos, injeção e dor junto a outras que não dei importância. Olhei para o lado e as pessoas que passavam por perto me olhavam fixamente- mais do que a senhora que estava nos meus pés- como se eu fosse louco, olhei para baixo e estava segurando minha mochila, passei as mãos nos olhos e tirei bruscamente os fones dos meus ouvidos, realmente achava que deveria descansar, fui desta vez correndo procurar minha casa, à medida que corria mais esquecia a localização dela e meus pés ficavam cansados, lentos e pesados. Foi quando acordei suado e vi que ainda não tinha saído daquele quarto branco acolchoado.
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