Notas iniciais
“A Rapariga do Autocarro”
Sentei-me no lugar de sempre. Na quarta fila da coluna do lado direito.
Ia sempre no assento mais perto da janela, já que concentrar-me em tudo o que passava por mim era melhor do que olhar para as costas do assento à minha frente.
Recostei-me calmamente. Coloquei os fones em altos berros e ignorei os sons incomodos das vozes de adolescentes espevitados.
No entanto, mesmo trancando-me com todas as forças no meu pequeno (ou grande) mundo, não consegui deixar de reparar nela.
Não me lembro exatamente das suas roupas, mas sei que eram rosa. Isso, é apenas um dos inumeros detalhes que eu não era – ou sou — capaz de esquecer. Aqueles detalhes que são tão insignificantes que é cómico quando alguem se lembra, ou apenas repara neles (já que isso só demonstra que pessoa x está claramente a observar MUITO pessoa y).
Ela sentou-se na quarta fila da coluna do lado esquerdo, depois de olhar levemente para os assentos em geral. Tirou uns fones de ouvido da mochila e colocou-os nos ouvidos, com um pequeno sorriso.
Não gosto muito de encarar os outros, então não captei mais detalhes.
Passou-se um mês, um longo mês aliás... Março, eu suponho.
Ela começou a sentar-se perto de mim.
“Posso sentar-me aqui?” Murmurava.
Eu respondia com um 'sim' ou um simples aceno de cabeça.
Até que, algumas semanas depois de perceber que ela me interessava, vi-a entrar no autocarro a chorar. Quase não se notava. E ninguém se dignou a dirigir-lhe palavra. Nenhuma pessoa quis liberta-la do que a atormentava. Nem sequer tentar. Olhavam para outros lados ou fingiam que conversavam.
Até eu fingi que não tinha precebido. Que ridiculo... Talvez as pessoas estejam mesmo a ficar mais egoistas e egocentricas, ou apenas realmente ninguém tenha reparado. Talvez eu não fiz nada porque tive medo do que poderia vir a ser a sua resposta.
Mas partia-me o coração o vê-la assim, parece tão boa pessoa...
No dia seguinte aconteceu o mesmo. Eu consigo fazer isto! Não é tão difícil, só tenho de ter calma...
Toquei-lhe levemente no braço direito, ela virou-se de repente.
“Olha, eu sei que não me conheces. E eu também não te conheço! Mas é no mínimo preocupante ver alguém chorar constantemente, então decidi ajudar-te, pode ser?”
“Eu não preciso de ajuda. Não quero preocupar ninguém.” Murmurou, com o olhar no chão outra vez.
“Não, espera! Eu não me importo de me preocupar!” Esbocei um sorriso encorajador.
“Nesse caso,” Suspirou “Eu ouvi uma conversa, que preferia não ter ouvido... Os meus pais vão separar-se. Eles estão sempre a discutir, então acho que já era de se esperar...” Forçou um sorriso triste “Sabes, esse é o meu pior pesadelo.”
Observei-a. Ela tremia um pouco. E é agora que eu ajo!
“Eu não sei ao certo o que dizer, já que nunca estive perto de uma situação como essa.” Disse “Mas realmente quero ajudar!”
Parei outra vez por alguns momentos. Sorri ao ter uma ideia.
“Posso abraçar-te?”
“Hm, sim, eu acho... Não sei...” Ela respondeu, ao que parecia confusa.
Enrolei os meus braços à sua volta, calmamente. Sentido em seguida que ela me abraçou timidamente.
“Sei que não é muito, mas espero que a minha amizade te ajude, Rapariga do Autocarro.”
Notas finais
Para começar, ainda estou com raiva pelo facto de ter perdido o ficheiro! Não ficou tão bom como antes, e isso incomoda-me... Muito.
Inicialmente isto seria uma fanfiction de Adventure Time especialmente dedicada ao casal Bonnibel x Marceline. O narrador sendo a Marcy e a rapariga que vestia roupas rosa a Bonnie. Mas depois... Deu nisto.
Então, esta história pode ser interpretada como um romance, uma amizade ou algo meramente platonico. E eu tentei não usar não usar palavras que pudessem defenir o gênero quando me referia ao narrador, já que o meu propósito era que o narrador pudesse ser um rapaz. Mas acho que é dificil imaginar um rapaz.
Acho que não tenho mais para dizer sobre esta história, então vou deixar um sneakpack (é assim que se escreve? .-.) da próxima (já começada):
“Fábia continuou o seu caminho para casa até se deparar com algo diferente. Uma rapariga sentada no chão, joelhos encostados ao peito, olhar focado na calçada de calcário. Concentrada nos diferentes formatos das rochas em que estava sentada não reparou na estranha que se aproximava.
Fábia não sabia como começar a frase. Pensou em afastar-se. Não posso. Partilhou o guarda chuva com a rapariga desconhecida, inclinando-se ligeiramente para a frente. A rapariga olhou para cima, cruzando olhares.”
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