A prometida das sombras
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11
Seus passos eram tudo o que se escutava enquanto caminhavam no assoalho velho do casarão. Nada era diferente do castelo em que viveu por alguns meses ao lado dos reis. Kate segurava em seu vestido observando tudo o que podia e gravando cada pedacinho e lugares para fuga, caso precisasse; Apesar de não saber onde estava ou como chegou, ela daria um jeito se precisasse.
Sebastian andava graciosamente à sua frente, sem fazer barulho algum, apesar dos sapatos. Parecia que ele conhecia cada tábua e lugar que rangia daquela casa.
Kate se sentia cansada, emocionalmente e espirituosamente. Cansada de fugir, surpresas e deveres. Cansada de lutar internamente, de não entender a si mesma e tudo ao seu redor. Seus pés cansados doíam a cada toque que fazia com o chão gelado. Seus cabelos bagunçados que mais parecia um ninho de rato.
— Quando foi a última vez que usei sapatos mesmo? Ou quando usei uma escova em meus cabelos? – Ela pensou.
Kate sentia falta de um banho, de comida e principalmente uma boa cama para dormir.
— Chegamos! – Disse Sebastian, parando à frente de uma porta de madeira.
Kate nem havia se dado conta de que haviam chego no seu novo quarto.
Ela estava pensativa demais, tanto com a conversa que tiveram na salinha e em como ela sentia falta de um lar de verdade.
— Tem roupas limpas e um banheiro em seu quarto. – Ele juntou as mãos. – O jantar será servido às sete. Hoje irá conhecer os anciões, eles estão ansiosos com você e seus poderes. – Disse gentilmente. – Mandarei alguém vir lhe chamar para leva-la até a sala de jantar e para conhecer o lugar e a arena de luta e treinamento. Seja bem-vinda ao seu lar, minha filha.
Ele nem deu tempo de Kate responder alguma coisa. Ele saiu andando, deixando-a parada com a porta ainda fechada.
— Seja o que deus quiser. – Pensou.
Kate abriu à porta, colocou apenas um de seus pés para dentro e olhou bem o quarto com um ar antigo, assim como toda a casa. Ela ainda tinha a dúvida, entre entrar ou não e gritar com todo mundo pedindo para ir embora. Ela ainda tinha muitas perguntas para fazer, assim como queria também saber sobre Kesiah, a mulher citada por pessoas diferentes.
Sebastian havia dito que ela era sua mãe, Kate não queria acreditar que tudo era verdade. Ela não queria ser mais esquisitona do que já estava sendo. Ela não queria ser a garota que gostava de salvar todo mundo, que se preocupava, que amava um rei teimoso que teve que deixar para trás. Ela não queria ser a garota que o pai havia abandonado e que pelo o que disse, teve uma mãe que fez o mesmo. Ela não queria ser a bruxa poderosa, uma cobaia para toda aquela gente, ou ter uma mulher morta a seguindo por vingança. Ela não queria nada daquilo. Talvez pudesse ser um carma.
Ela entrou no quarto, ainda encarando tudo. Ele era grande, as janelas eram de vidros quadriculados do teto ao chão, dando uma luz incrível ao ambiente, assim como a sacada ao lado de fora, dando uma linda visão do lugar. Mas era solitário, apesar de já estar acostumada, era como um castigo, pelo menos ela poderia conversar com alguém ou ver pessoas, ali ela começava a se sentir perdida, e a dor de suas perdas eram grandes demais.
— O que eu vou fazer agora? Seguir com o plano absurdo de ajudar todo mundo? De fugir, como venho fazendo há muito tempo?
Ela sabia, bem no fundo que não adiantava fugir, esse mundo obscuro e secreto sempre estaria a seguindo como um cão atrás do dono.
— O jeito é ficar e ver no que dá. – Disse mais uma vez para si mesma.
Kate andou até o banheiro, ele tinha as portas abertas, dando a visão de uma grande banheira. As portas eram de correr e de madeiras escuras. Kate percebeu que a mesma estava enchendo com uma água quente e continha alguns sais de banho. Ela sentou-se na borda da banheira, desligando a torneira e sentindo a água quente entre seus dedos. Havia uma escova de madeira em cima de uma das bordas da banheira.
— Pelo visto pensaram em tudo! – Riu consigo mesma.
Kate tirou as alças do vestido sentindo-as deslizar por seus ombros até ficarem presas à sua cintura. Ela levantou e tirou o vestido por completo, ficando apenas com a parte de baixo de sua roupa íntima. Kate andou até o espelho e avaliou seu corpo. Havia algumas marcas roxas em seu braço direito, pescoço com apenas a cicatriz da mordida e os cabelos bagunçados. Ela se sentiu envergonhada por estar naquele estado.
Seus olhos estavam acinzentados, com algumas manchas negras. Ela se perguntou o porquê daquilo, já que eles eram azuis.
Ela saiu de frente ao espelho e caminhou até a banheira, entrando na mesma e relaxando. Ela se sentia bem na água, como se suas forças voltassem aos poucos e a cada instante em que aquela água entrava em contato com sua pele.
Ela fechou os olhos e pensou em Matt e em como sentia falta de seu cheiro, da química que ambos compartilhavam e de seu jeito mandão. Ela pensou em Seth e em como sentia falta de sua amizade, ou de como sentia falta de Sarah. Ela a tinha como uma irmã mais velha ou até mesmo uma conselheira, apesar do pouco tempo em que passou com a mulher.
* * *
Kate colocou as roupas que estava em cima de sua cama. Eles haviam dado a ela uma roupa completamente preta. Calças, uma regata e uma bota sem salto. Kate se avaliava no espelho e começava a gostar da ideia. Ela adorava usar calças e bota. Ela se sentia confortável sendo ela mesma naquelas roupas.
Kate foi tirada de seus pensamentos com alguém batendo à sua porta. Ela caminhou até a mesma e girou a maçaneta, deparando-se com o mesmo homem que havia visto na ponte e na sala junto ao seu pai. Ele vestia apenas uma calça, um casaco sobretudo e segurava uma bandeja cheia de alimentos.
— Hey, olá... Sou David.
— O que faz aqui? – Perguntou um pouco ríspida.
— Vim conhecer minha maninha, o que mais? – Riu.
— O quê? O que está dizendo? Está brincando comigo, não é? Cadê as nossas tias? Meu pai verdadeiro... Sebastian não é meu pai também? Tem mais alguém que eu não conheço e é da família? – Explodiu.
Ele apenas riu de um jeito sarcástico.
— Não seja boba, somos só nos dois e agora você. Maninha... – Ele nem pediu licença e já saiu entrando no quarto se sentando na cama e colocando a bandeja ao seu lado. – Espero que esteja com fome. Eu mesmo preparei os sanduíches e o suco... O resto foi Melinda... A humana. – Ele pegou uma maçã e a mordeu encarando Kate que ainda estava parada com a porta aberta sem entender quase nada.
— Ah, qual é... Eu tenho esse trabalho todo pensando que minha querida irmã está passando fome nesse casebre e ela faz uma desfeita desta? Anda, senta e come.
— O que está fazendo?
— O mesmo que você em alguns segundos. Comendo e conversando, o que mais? – Sorriu.
Kate andou até a cama e se sentou de frente a ele.
— Você é filho de Sebastian? – Perguntou curiosa.
— Sim, e só para saber mesmo, eu sou mais velho, quase uns dois anos, para ser exato!
— Como... Eu ainda não entendo... Quem era Esther, afinal?
— A verdadeira mulher dele, sua mãe adotiva e para mim... Alguém que já foi tarde, menos a pequena Emma. É claro.
— Conheceu Emma?
— Mais é claro. Ela é minha irmã afinal, eu a visitava sempre que podia, sem ela saber é claro.
— Como nunca ficamos sabendo sobre você?
— Eu nasci aqui, vocês duas, lá fora. Temos que manter o clã seguro, nem que para isso tenhamos que fazer sacrifícios. Somos todos um só, conectados como um. – Disse terminando com maçã. – Ande, coma um sanduíche. Peço desculpas pela forma em que a trouxemos e a colocamos naquele local. A gente estava por perto o tempo inteiro, a observando. Nós queríamos saber como se sairia em tudo...
— Amanhã iremos começar a treina-la. Vamos usar todas as suas forças, ver o que é capaz.
Kate queria rir... Se ela realmente fizesse isso, iria causar problemas ao lugar. Ela não era como uma televisão que ligava quando queriam e desligavam quando ficava chato.
— Fique bem, até mais tarde. Alguém virá busca-la para o jantar. Tem um aparelho de som naquele canto e uma TV acima da lareira, use o controle para ligar o ar ou o aquecedor, você decide. Até depois.
Ele saiu sem dizer mais nada e só deu um sorriso. Kate estava um pouco sem reação por tudo e por todas as descobertas. Com certeza aquele lugar seria uma grande caixa de surpresas.
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