Assim que acordei me senti fisicamente exausta apesar de estar com a mente renovada. Olhei pro despertador estranhando o fato de não ter sido ele a me acordar e percebo que ainda são 6:00 da manhã, aproveitei o tempo livre que tinha pra começar a fazer o mito que o professor me pediu pois havia esquecido de fazer no dia anterior, a medida que o tempo passava e eu não era capaz de escrever nada, o bloqueio me atacava novamente, não poderia simplesmente ficar sem fazer, necessito de notas boas, então decido contar alguns aspectos dos meus sonhos.

“Diz a lenda que no Planeta Marte havia humanos e que eram poderosos ao ponto de ser capaz de moverem objetos com a mente entre outras coisas, mas com o passar dos anos esses poderem começaram a ser extintos e junto a eles a esperança de um mundo sem guerra.Com o tempo, duvidas, medos, passaram a corroer a sanidade de cada um e conflitos internos passaram a se tornar infernais, haviam aqueles que lutavam pela paz, mas a minoria nem poderia opinar, mortes e mais mortes foi o destino de vários cidadãos, mas quem se importava? Pessoas morriam todos os dias, vidas e vidas eram tratadas como lixo, ninguém se importava com o próximo, só com si mesmo, massacres eram cometidos por idiotices, sonhos eram abandonados e com o tempo os sobreviventes passaram a se esquecer de fato do que era viver, viver passou a ser somente mais um desejo, um sonho, sorrisos? Ninguém nem se lembrava mais do que era, apenas se lembravam da dor, do medo. O que antes era um planeta passou a ser um inferno.”

Claro, meus sonhos não eram assim, mas era tão ruim quanto, apesar de poder ter feito melhor, está bom o suficiente, tenho muito com o que me preocupar e tempo é algo muito precioso hoje, assim que termino me levanto pra me arrumar, quando acabo vou tomar café da manhã, reparo que meus pais saíram cedo pois não estão em casa, quando termino vou pra escola, quando chego lá percebo que minhas amigas chegaram antes de mim e que Andrew, William, Renata e James também estão lá, então aproveito e me junto a eles.

– Oi – digo isso com um sorriso que foi retribuído por um simples aceno de cabeça de todos, o que acho estranho.

– Já ficou sabendo? – William me pergunta isso com um rosto neutro, serio como vou saber do que deveria saber se ninguém me diz nada?

– Acho que não, será que alguém poderia me fazer o favor de me dizer, ou está difícil? – Percebo que Renata e William estão abraçados, serio , ela vive falando mal do Will e agora está abraçando ele, as vezes parece que ela é cachorra e que ele é um osso, enquanto ela só sabe latir ele apenas se oferece um pouco e ela já esta atrás dele, ok, não teve muito sentido.

– É que o Jhonattan não veio dar aula hoje. – Andrew disse isso de uma forma tão normal que me deu uma grande vontade de lhe dar uma surra, serio mesmo, discutimos no sábado e ele acha que é assim? Já pode ser tão normal? Fico pensando nisso até que me lembro de que eu precisava conversar com Jhonattan sobre o mito que ele me contou ontem.

– Com assim ele não veio? Conversamos ontem a tarde e ele me disse que viria. – Ok, eu menti, ele não disse literalmente “Isabelly, nos vemos amanhã na escola” ou “Isabelly, amanhã vou dar aula”, mas com a nossa conversa deu atender que ele faria isso. Mas acho que Andrew não se preocupou tanto assim com isso, pois franziu a testa pra mim e fechou a cara, enquanto minhas amigas começaram a sorrir pra mim que nem malucas , sério, as vezes parece que conheci elas em um hospício.

– Por que você conversou com ele ontem? – Perguntou Andrew com a mesma expressão, e sem controlar o tom de raiva .

– Por que nos esbarramos e ele me convidou pra tomar sorvete, agora por favor, vamos nos concentrar no fato de que estamos sem um professor e que acabei perdendo um bom tempo fazendo trabalho atoa.- Andrew estava pronto pra me dar algumas resposta quando o sinal bate e temos que sair em busca dos nossos livros em nossos armários. Quando chego no meu armário o 298 digito a senha e abro a porta, cai um papel no chão, surpreendida percebo que é um bilhete então o pego pra ler.

“Me encontre na sorveteria hoje. Esteja lá assim que sair do colégio, por favor, é importante, um caso de vida ou morte.

– Jhonattan. “